Boa-noite, caro leitor. Resolvi hoje escrever sobre uma das efemérides do dia 03 de março. Nesta data, no ano de 1931, os Estados Unidos da América promulgavam como seu Hino Nacional o Star Splangled Banner, que significa em português "A bandeira estrelada". Portanto, um texto de caráter cultural...
https://prefeitura.sp.gov.br/web/seguranca_urbana/juntas_militares/simbolos_nacionais
Na verdade, não existia um hino nacional, o país usava algumas músicas como: "Tis of Thee" (traduzido como Meu país é de ti) cuja melodia é a mesma do hino da Inglaterra e "Hail,Columbia" (Saudação à Columbia) que é uma abordagem poética, uma vez que Columbia representa além do nome da capital da Carolina do Sul, nomes famosos como a Universidade de Columbia; Columbia Pictures (conhecida empresa cinematográfica americana); Columbia Records (nome de gravadora de discos) e, principalmente, uma representação feminina do país. O nome Columbia, deriva de Colombo, o nobre navegador genovês.
Mas o caríssimo leitor pode me perguntar se esse texto que escrevo hoje é apenas um relatório de informações que posso encontrar em qualquer site do Google. Obviamente que não, essa é apenas uma introdução do paralelo que desejo fazer entre aquele país e o nosso amado Brasil.
Verificam-se diferenças culturais imensas entre os dois países: aqui, os hinos nacionais produzidos coincidentemente foram dois antes do atual: Hino ao sete de abril, com a mesma música de Francisco Manuel da Silva em homenagem a abdicação de Dom Pedro I, composto em 1831; O Hino da Independência, composto por D. Pedro I e Evaristo da Veiga em 1822, que informalmente ocupou a função de hino nacional e finalmente, o atual, de autoria de Francisco |Manuel da Silva e Osório Duque Estrada (letra) em 1922.
Enquanto os Estados Unidos e para não dizer que estou puxando sardinha para os gringos. outros países também, amam seus hinos e os ensinam nas escolas, além de apresentá-los em festas cívicas como no dia da Independência, o Brasil deixou de interpretar seu hino, ou melhor, só o interpreta em jogos de futebol e outras formas esportivas para representar o país, mal cantado, diga-se de passagem. Temos escolas que formam "cidadãos" que nem sabem interpretar ou memorizar a letra e a música maravilhosa desse símbolo de sua pátria. Aliás, posso afirmar como professora que fui durante 35 anos, que se algum professor se atrever a interpretá-lo com seus alunos, certamente alguns vão indagar o porquê disso, é perigoso falar em civismo e amor à pátria atualmente.
Ora, como professora de português tenho a consciência de que a Letra de Osório Duque Estrada embora escrita no período romântico, apresenta as características do Parnasianismo e Classicismo, caracterizada por hipérbatos (inversões sintáticas) de difícil entendimento se não houver a orientação de um professor. Exemplificando melhor, a primeira oração: "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heróico o brado retumbante" na ordem direta, seria: "As margens plácidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico". Mesmo na ordem direta, o vocabulário não é dos mais fáceis para discípulos que iniciam ou até mesmo terminam seu ensino básico. E na íntegra a letra do Hino Nacional oferece imensas dificuldades de interpretação.
Não é compreensível essa atitude da Educação brasileira que desenvolve cidadãos apátridas, sem noção musical alguma, não há mais disciplina específica de música nas escolas públicas, não há mais atenção aos símbolos da Pátria, por relembrar períodos da ditadura militar, coisa distante e, portanto, desculpa esfarrapada para distanciar cada vez mais as pessoas e o sentimento de amor à terra natal.
Nos currículos de nossas escolas há uma pobreza sobre aspectos culturais nesse aspecto. Por exemplo, os nossos alunos desconhecem períodos históricos da música, ignoram uma maravilhosa composição chamada "Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro" composta pelo pianista americano Louis Moreau Gottschalk apresentada pelo próprio compositor no Rio de Janeiro em homenagem a condessa d'Eu no ano de 1869.
Por esses motivos, pela comemoração do dia de hoje, resolvi escrever um pouco sobre esse tema que merece muita atenção e observação por parte de pais e por que não dizer: mestres.
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