terça-feira, 3 de março de 2026

Um hino praticamente esquecido e não compreendido

 Boa-noite, caro leitor. Resolvi hoje escrever sobre uma das efemérides do dia 03 de março. Nesta data, no ano de 1931, os Estados Unidos da América promulgavam  como seu Hino Nacional o Star Splangled Banner, que significa em português "A bandeira estrelada". Portanto, um texto de caráter cultural...




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https://prefeitura.sp.gov.br/web/seguranca_urbana/juntas_militares/simbolos_nacionais


 Na verdade, não existia um hino nacional, o país usava algumas músicas como: "Tis of Thee" (traduzido como Meu país é de ti) cuja melodia é a mesma do hino da Inglaterra e "Hail,Columbia" (Saudação à Columbia) que é uma abordagem poética, uma vez que Columbia representa além do nome da capital da Carolina do Sul, nomes famosos como a Universidade de Columbia; Columbia Pictures (conhecida empresa cinematográfica americana); Columbia Records (nome de gravadora de discos) e, principalmente, uma representação feminina do país. O nome Columbia, deriva de Colombo, o nobre navegador genovês.

Mas o caríssimo leitor pode me perguntar se esse texto que escrevo hoje é apenas um relatório de informações que posso encontrar em qualquer site do Google. Obviamente que não, essa é apenas uma introdução do paralelo que desejo fazer entre aquele país e o nosso amado Brasil.

Verificam-se diferenças culturais imensas entre os dois países: aqui, os hinos nacionais produzidos coincidentemente foram dois antes do atual: Hino ao sete de abril, com a mesma  música de Francisco Manuel da Silva em homenagem a abdicação de Dom Pedro I, composto em 1831; O Hino da Independência, composto por D. Pedro I e Evaristo da Veiga em 1822, que informalmente ocupou a função de hino nacional e finalmente, o atual, de autoria de Francisco |Manuel da Silva e Osório Duque Estrada (letra) em 1922.

Enquanto os Estados Unidos e para não dizer que estou puxando sardinha para os gringos. outros países também, amam seus hinos e os ensinam nas escolas, além de apresentá-los em festas cívicas como no dia da  Independência, o Brasil deixou de interpretar seu hino, ou melhor, só o interpreta em jogos de futebol e outras formas esportivas para representar o país, mal cantado, diga-se de passagem. Temos escolas que formam "cidadãos" que nem sabem interpretar ou memorizar a letra e a música maravilhosa desse símbolo de sua pátria. Aliás, posso afirmar como professora que fui durante 35 anos, que se algum professor se atrever a interpretá-lo com seus alunos, certamente alguns vão indagar o porquê disso, é perigoso falar em civismo e amor à pátria atualmente. 

Ora, como professora de português tenho a consciência de que a Letra de Osório Duque Estrada embora escrita no período romântico, apresenta as características do Parnasianismo e Classicismo, caracterizada por hipérbatos (inversões sintáticas) de difícil entendimento se não houver a orientação de um professor. Exemplificando melhor, a primeira oração: "Ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heróico o brado retumbante" na ordem direta, seria: "As margens plácidas  do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo heróico". Mesmo na ordem direta, o vocabulário não é dos mais fáceis para discípulos que iniciam ou até mesmo terminam seu ensino básico. E na íntegra a letra do Hino Nacional oferece imensas dificuldades de interpretação.

Não é compreensível essa atitude da Educação brasileira que desenvolve cidadãos apátridas, sem noção musical alguma, não há mais disciplina específica de música nas escolas públicas, não há mais atenção aos símbolos da Pátria, por relembrar períodos da ditadura militar, coisa distante e, portanto, desculpa esfarrapada para distanciar cada vez mais as pessoas e o sentimento de amor à terra natal.

Nos currículos de nossas escolas há uma pobreza sobre aspectos culturais nesse aspecto. Por exemplo, os nossos alunos desconhecem períodos históricos da música, ignoram uma maravilhosa composição chamada "Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro" composta pelo pianista americano Louis Moreau Gottschalk apresentada pelo próprio compositor no Rio de Janeiro em homenagem a condessa d'Eu no ano de 1869.   

Por esses motivos, pela comemoração do dia de hoje, resolvi escrever um pouco sobre esse tema que merece muita atenção e observação por parte de pais e por que não dizer: mestres.



pesquisa: Wikipedia, IA, Google Search

sábado, 21 de fevereiro de 2026



 Ontem... 




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Cansei-me de escrever crônicas do cotidiano. 

Não que não aprecie; esse gênero sempre leva involuntariamente à pesquisa de um assunto, por mais banal que ele possa parecer.  Porém, são nos passeios da memória, que não são poucos durante todos esses anos vividos, que encontro o prazer infinito de reviver momentos felizes, tristes, dolorosos ou engraçados.

Sei que muitos podem não querer ler assuntos e emoções que pertenceram a outros, e alguns podem até sentir gosto em conhecê-los e se identificar com eles. A motivação que guia minha mente e mãos nesses instantes não soa como uma obrigação de bater o ponto  em escrever em um blog um tanto abandonado como anda o meu, entretanto, ao reviver, relembrar fatos que já se foram ao sabor da brisa do tempo, é como renascer, sentir a sensação de pertencimento total a um espaço físico social e cultural que, infelizmente, não existe mais atualmente em grande parte devido à idade e a desintegração com a cidade onde nasci, cresci e adolesci (será outro neologismo?), cujas visitas anuais que faço, geralmente uma por ano, não é o suficiente para uma convivência substantiva, conservadora  e integradora se não houvesse me mudado de lá, apesar de ser melhor do que nada, encontrar de vez em quando amigos de mais de 60 anos...

A título de informação, acabo de pesquisar e esse termo "adolesci" já existe , portanto, não é neologismo. Do verbo adolescer, no Pretérito Perfeito do Indicativo, significando a época em que alguém entrou na adolescência, que se diga de passagem é o melhor período da vida humana, excluindo-se  as aborrescências e transtornos que causamos a nossos pais; é a época do sonho e mistura da realidade, do fantástico, do amor idealizado, dos sentimentos mais fortes, profundos e sinceros! O mais incrível é a intensidade com que vivemos e tratamos essas emoções.

A despeito de todas essas lembranças que já se apagaram como bolhas de sabão, o que me impulsionou a escrever hoje foi uma personagem futurística que muitas pessoas têm em sua casa hoje: Alexa, um objeto que carrega informações de todas as épocas e que em segundos atende suas solicitações. E tudo começou quando pedi a ela que tocasse músicas orquestrais de Billy Vaughn, desconhecidas para os jovens, porém tão comuns na minha juventude  quando bando de jovens lotavam os clubes para se divertirem em bailes grandiosos, onde sempre esse tipo de música estava presente. Além disso, existiam várias orquestras que ilustravam esses salões e cenas de filmes pelo mundo afora, como Ray Conniff e sua orquestra, Frank Pourcel, Bill Haley e seus cometas, e muitos outros como pequenos conjuntos de cantores, hoje chamados de bandas brilharam como Os Incriveis, Golden Boys, Renato e seus Blue Caps, The Platters  (meus preferidos) e tantos outros.

Mas quando Alexa atendeu ao meu pedido, a primeira faixa foi a música Crepúsculo de Billy Vaughn e, instantaneamente, meu espírito deslocou-se no tempo e no espaço, transportando-me para a minha antiga residência em Araçatuba, nos meus doze anos de idade. A música maravilhosa encheu meus ouvidos quando meu pai colocou o disco na vitrola, apaixonado por música orquestral de quem herdei esse gosto. Essa música calou fundo e acompanhou a minha adolescência e hoje me traz reminiscências de um passado maravilhoso.

E agora, ouvindo novamente Crepúsculo após muitos anos começo a me questionar: 'Como nunca pensei um pouco sobre a vida sofrida de meu pai? Talvez porque ele sempre contava episódios tristes da sua vida em forma de humor para não nos entristecer. Relembrei o fato que ele citara o quão é difícil para uma criança não ter um pai verdadeiro que dê aos filhos amor de verdade, uma vez que fora criado aos auspícios de um padrasto severo que tinha um açougue e lhe colocava às costas, grandes fardos de carne para serem entregues nas residências, cujo peso fazia com que andasse com dificuldade. Em outra ocasião, aos dez anos de idade,  do medo que passara ao ter que entrar pelo necrotério para entregar carne em um hospital!

Hoje, adulta, vivida, compreendo a felicidade que tive ao nascer, ser criada e educada por pai verdadeiro, que me amou e fez de tudo para me ver feliz.

E você, meu pai, que tanto orou e pediu a Deus pela felicidade de todo o mundo já não está ao meu lado...

Fico questionando e te pergunto, mesmo sem ter sua resposta: "Existiu realmente o Xangri-Lá, o paraíso divino como sempre achou que houvesse após o desligamento da vida ou tudo se  acabou e nem pode responder?

Saiba que enquanto eu existir, essa sua lembrança terna permanecerá comigo pelo resto dos meus dias...