sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013


Parte II



Retomando o comentário a respeito do livro de Francisco Marins, Território de Bravos, algumas considerações são necessárias a respeito dessa sofrida profissão de seringueiro, na verdade, um quase subemprego para os nordestinos, que em massa, partiram para as terras inóspitas do Acre para extração do látex e a sua comercialização tirando dali o sustento de sua família, sendo, por muitas vezes roubados pelas balanças dos “aviadores” e deles dependendo para sua sobrevivência. À mercê dos perigos da floresta revelados em febres palustres, ataque de insetos, cobras e animais selvagens, sem o conhecimento necessário para aplicar uma tecnologia que facilitasse e garantisse seu trabalho ao longo do tempo, esse trabalhador viveu na lida de extração rudimentar, sem exercer a devida preservação da natureza,  numa busca insana pelas árvores que a mata fornecia, aprofundando-se cada vez mais na floresta, dando fim a própria vida em inúmeros casos.
Num país como o Brasil onde nunca houve por parte de administradores e homens públicos interesse em constituir um povo estudioso, bem formado e capaz em suas profissões, milhares de trabalhadores, perdem-se num trabalho repetitivo, sem objetivos, ou sequer perspectivas de crescer intelectualmente ou profissionalmente. É nesse instante que surgem povos estrangeiros que levam nossos produtos, formam pesquisadores, cientistas biólogos e tantos outros profissionais enriquecendo e levando divisas que poderiam ser nossas, infelizmente, esse descaso é uma constante dessa nação chamada Brasil.





Seringueiro extrai o látex da seringueira (bemvindocicloturista.com.br)



A vida do seringueiro não é nada fácil: as árvores são esparsas, a floresta é difícil e perigosa e os instrumentos de trabalho necessários para a extração do látex são: espingarda (para proteção), machadinha ou facão, terçado, tigelinhas e baldes de folha para armazenamento, além de outros.
  


Ferramentas do seringueiro - espingarda, facão ou machadinha, terçado, tigelinha, balde e outros utensílios.


Após a extração do látex, o seringueiro passava num processo rude e artesanal à sua defumação, fazendo com que coagulasse enrolando-o num pedaço de pau, produzindo grandes bolas de borracha que iam entre 5 e 10 kg. Muitos desses trabalhadores acabavam contraindo a tuberculose, fatal em vários casos.



Guia de turismo demonstra processo de defumação do látex, onde muitos morriam de tuberculose  (Foto: Tiago Melo/G1 AM)
A coagulação do látex (http://g1.globo.com)



Após esse processo encaminhava-se aos barracões para vendê-lo. Como era autônomo, dependia desses “aviadores” (proprietários dos barracões) e ficava à sua mercê para sobreviver.
 Façamos uma pausa aqui para comentário e dedução: por que o povo brasileiro é sempre tão mal formado, não tem interesse em pesquisa e estudo? Verifique que séculos se passaram nessa exploração predatória, sem observação ou sequer preservação da mata.Se os governantes não têm essa competência ou não a desejam desenvolver, por que razão o germe da investigação nunca está presente na alma dos brasileiros? Será uma questão de cultura do nosso povo?
Deixando de lado a pena que nos causa essa humildade e inércia imprestável ao progresso,  por vezes, há um ímpeto de aprovação na atitude estrangeira em levar nossa matéria-prima, uma vez que nesses países há um espírito de trabalho e investigação que resultam em invenções em benefício de toda a humanidade. Tivesse a borracha ficado apenas no Brasil, tenham a certeza de que ela estaria extinta e nem pneus fabricados teríamos, tanto é que o mal  das folhas, uma doença que acometeu os seringais posteriormente  nunca foi pesquisada, a não ser por um botânico de nome Jacques Huber, diretor do museu Emílio Goeldi, entretanto, após sua morte, nada mais se fez. A preguiça mental e a falta de interesse no estudo é uma constante aqui no Brasil, um gigante sem força, dado a costumeira inércia de sua população. Na história do ciclo da borracha no mundo, em 1820, ela passou a ser usada na fabricação de capas impermeáveis e pouco mais tarde, o americano Charles Goodyear descobriu através seus incansáveis estudos a vulcanização que nada mais é do que a mistura do produto com enxofre e alvaiade, tornando-a elástica e resistente, servindo na época para a utilização em vestimentas, ou para envolver rodas de carruagens (meio de transporte) e carros na Europa. Mais tarde, em 1888, o também americano Dunlop inventou o pneumático.
 Quem já viajou, ou habita a região norte e seus estados e territórios têm conhecimento das terríveis febres palustres que podem levar à morte.
 O personagem principal do livro, cujo autor deseja exaltar, é José Plácido de Castro, um gaúcho de origem humilde da cidade de São Gabriel. Para tanto, utiliza a narrativa retrospectiva para a descrição dos capítulos, numa técnica que mescla passado e presente prendendo a atenção do leitor.
No início, introduz o personagem já adulto e na região acreana, acometido por perigosa febre palustre em estágio bastante avançado. Praticamente em meio à morte, ele vai relembrando toda a trajetória de sua vida em um delírio ocasionado pela doença.
O interesse de Plácido pelo território do Acre inicia-se na escola primária quando a professora começa mostrar à classe a imensa riqueza das florestas e seus perigos. Nesse período, perde o pai, fato comunicado por um vizinho, quase um estranho, que vem buscá-lo na escola. Desta forma, torna-se órfão e tendo que enfrentar a miséria econômica da família, fato que o obrigou como filho mais velho a abandonar os estudos na escola matutina para trabalhar como balconista-vendedor em uma loja de tecidos, passando a frequentar uma escola noturna, e fazendo as lições e estudos suplementares nas horas de folga. Passado algum tempo, o mesmo estranho que o buscara na escola por ocasião da morte do pai lhe oferece ajuda, prometendo custear seus estudos secundários em uma escola melhor, ao que aceitou prontamente.
Infelizmente não pôde continuar os estudos na nova escola, pois a mãe e os irmãos passavam por necessidades financeiras, vivendo na miséria, assim se emprega como aprendiz de ourives para poder sustentá-los.
E a partir deste momento, Plácido revela-se um homem impetuoso e destemido cujo maior sonho persiste em se tornar um militar.


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sábado, 9 de fevereiro de 2013


“Brasil, um país rico que não cuida do que tem, pois não realiza um trabalho sério, ético e eficaz em sua administração."


É de longa data o fato de que as riquezas do nosso país são descuidadas pelos dirigentes e órgãos públicos. As fronteiras do Brasil, desde há muito, são abertas para estranhos que entram por nossas florestas, exploram tudo o que têm direito e ainda levam preciosidades que seriam de grande valia para a nossa economia. Apesar da alegação de que hoje os tempos mudaram e da exibição de propaganda de uma marinha e exército eficazes, não é bem essa a realidade, pelo menos há treze anos, no então governo de Fernando Henrique Cardoso, causas polêmicas envolvendo a Amazônia ficaram vergonhosamente registradas em uma edição especial da revista Veja da década de 90, dedicada a descrever a agressão e a corrupção envolvendo comércio ilegal de madeira, o monitoramento da área num projeto suspeito como foi o SIVAM e a perda do direito sobre nossa própria floresta através da catalogação e apropriação de plantas por países estrangeiros. Tudo isso ocasionado pela falta de ações práticas, excesso de burocracia e falta de pesquisadores brasileiros, o que contempla a atuação de cientistas e pesquisadores estrangeiros...
Segundo a Veja Amazônia de 2009, para que um estudioso pesquise e realize um trabalho na floresta fica dependente de uma autorização que demora vários meses para ser expedida dependendo de órgãos totalmente ineficientes que criaram o mito da biopirataria. Será?
Por essa fonte também se toma conhecimento de que a Amazônia é uma “terra de ninguém” onde os crimes cometidos ficam impunes, não há ação eficiente da polícia federal representada por pouco contingente favorecendo o narcotráfico de forma surpreendente.
O texto sobre o qual inicio hoje nesta publicação será dividido em partes dado a extensão e importância do assunto, ele versa sobre o território do Acre, sua origem, desenvolvimento e as lutas pelo seu domínio de que foi alvo durante os séculos XIX e XX.
Existem alguns livros, pouco valorizados que são além de verdadeiras joias literárias, importantes documentos pela veracidade de informações do passado, o que hoje não encontramos mais na literatura atual onde os autores estrangeiros num capitalismo cultural dominaram este setor e elegeram o gênero da ficção como o principal entre suas criações, obras que se tornam best-sellers afastando o sucesso dos escritores nativos, que fadados ao fracasso conservam-se no anonimato de forma que os leitores brasileiros atualmente mais conhecem dos países estrangeiros do que da sua própria nação.
Este é o caso do livro que tomei por base para falar sobre o Acre e sua questão: Território de Bravos, de Francisco Marins, apesar de passar por uma literatura infanto-juvenil pouco divulgado e valorizado é uma fonte de informações  históricas imprescindível em qualquer biblioteca.




imagem de domínio público: Óleo sobre tela - Brazilian Forest -Martin Johnson Heade (1864) retirado de: http://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ABrazilian_Forest.jpg





Um território quase perdido pela inércia política  -  Parte I




O Tratado de Tordesilhas no século XIX garantiu o direito de posse do território do Acre aos bolivianos, fato reconhecido pelos brasileiros, entretanto a falta de ocupação da terra pelos proprietários legais, justificada pelo difícil acesso ao local, apenas possível pelo Rio Amazonas, favoreceu a ocupação do lugar pelos colonos brasileiros que para lá partiram e se estabeleceram para explorar a borracha das abundantes seringueiras (Hevea Brasiliensis) que proliferavam por ali.
O governo boliviano tomou ciência da gravidade da situação quando se refugiou no Acre para se proteger de um golpe de estado, verificando a maciça ocupação dos brasileiros que ali estavam em número assustador.
As florestas do Acre são maravilhosas e se perdem de vista limitadas pelo Amazonas e Bolívia onde rios caudalosos como o Javary, Purus e Negro além de outros banham a imensa extensão de terras onde os povoados como Puerto Acre (antes Puerto Alonso), Xapuri, Vila da Empresa e Caquetá já se haviam formado por volta de 1899.
A borracha, denominação indígena para pequenos sacos ou bolsas de carregar água, já era utilizada na época por nativos da região que extraíam o látex também para a fabricação de sapatos rústicos que serviam de proteção aos pés, além de utilizá-la para confecção de brinquedos como bolas pulantes e “seringas” para atirar água, nome que se acredita ter dado origem ao termo seringueiras.
Estas árvores necessitam de um solo altamente úmido para seu desenvolvimento e segundo o autor, Francisco Marins, um sábio viajante francês conhecido por La Condamine, descobriu através dos índios do Acre o leite da seringueira, o caoutchouc (termo indígena, hoje cautchu) que foi levado à Europa e teve a sua primeira utilização para apagar traços a lápis, o que antes era feito com miolo de pão. Nesse aspecto, lembrei-me da minha infância onde por algumas ocasiões meu pai o utilizava quando perdíamos nossas borrachas.
Já nesta época, o descaso do governo brasileiro no sentido de proteger nossa floresta e suas riquezas era visível e embora não quisesse que levassem esse tesouro tão cobiçado, não atuava eficientemente no sentido de impedir que estrangeiros que adentravam pela mata dele se apropriassem.
Desta forma, a quina, poderosa planta de onde se extraía o quinino, remédio precioso para a cura da febre palustre, teve várias mudas levadas para a Europa. Quanto à seringueira, três mil mudas foram traficadas em 1870 por Henry Wickham, botânico inglês. Como estas plantas necessitam de um solo especial, não vingaram. Não conseguindo seu intento, o botânico retornou ao Brasil e ajudado pelos silvícolas da região do Pará, coletou 70.000 sementes de seringueiras que levou da floresta em um navio fretado, camuflando-as entre mudas de bananeiras, burlando facilmente as autoridades fiscalizadoras que julgaram tratar-se de parasitas e outras plantas comuns que os estrangeiros sempre levavam. Essas foram levadas e imediatamente plantadas nos jardins de Kew (famoso jardim de espécimes vegetais em Londres) e as 2000 mudas que conseguiram sobreviver tiveram como destino o Ceilão, (atual Sri- Lanka) e Malásia sendo que apenas 400 delas resistiram à travessia. Assim, os ingleses plantaram essas mudas regularmente, próximas umas das outras conseguindo multiplicá-las, produzindo muito mais borracha do que o Brasil, cujos seringais foram arruinados perdendo desta maneira, o Brasil, a autonomia econômica sobre o produto.
Pelo que sabemos, a maioria dos países obtém lucros dos produtos que consegue extrair do solo realizando comércio de exportação desses bens. A extração ilegal nesse caso caracteriza-se como biopirataria ao sistema econômico mundial. Para países que condenam atualmente a pirataria de seus produtos eletrônicos e outros, considerando esse ato como antiético punindo  com sanções econômicas e ameaçando quem a comete, tal fato apresenta-se como uma incoerência onde o próprio erro não é considerado revelando-se o ditado do “faz o que mando, mas não faça o que eu faço”. 




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sábado, 2 de fevereiro de 2013




O mundo nunca esteve tão violento, nunca houve tantas religiões como hoje: em cada esquina proliferam três ou quatro tipos de igrejas diferentes; nunca se falou tanto em Deus, bem como se rezou e leu a Bíblia sem autonomia de interpretação. O que está acontecendo, já parou para pensar?









Marcha para Jesus


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Problemas sempre existiram e existirão, o que não ocorre é a sua solução imediata. A evolução e o progresso aliados à mudança e inversão de valores acarretaram a desestruturação familiar agravada pela chamada da mulher ao mercado de trabalho. Este último fator produziu uma abandono maciço de crianças estratégica e inevitavelmente depositadas em creches e escolinhas infantis aquecendo este novo mercado totalmente indispensável para que a indústria e o comércio possam contar com a excelente mão de obra feminina a preço bem mais acessível. 
Desta forma, fases do desenvolvimento infantil não são acompanhadas, sequer orientadas pelos responsáveis, as quais apenas a eles dizem respeito. Às casas que acolhem esses pobres seres, órfãos temporários, apenas interessa o lucro, procurando fazer o melhor apenas como forma de manter e ampliar seu trabalho, mas nem de longe oferecendo o amor e carinho paternos tão insubstituíveis e necessários para um crescimento saudável.
Ninguém tem mais tempo a perder para nada: quanto mais dinheiro se ganha, mais bens  de consumo são necessários para sobreviver no mundo moderno, onde cada um se mira no exemplo do  que o outro tem como parâmetro para subir no status e adquirir  prestígio no nosso  meio social apodrecido onde as quinquilharias e objetos eletrônicos lotam as residências e tornam-se obsoletos da noite para o dia uma vez que os avanços tecnológicos são estrategicamente controlados para obtenção de lucros que não tem fim.
Assim, o ser é criado para consumir, apenas, grifes sofisticadas, endeusadas pela mídia que já são uma necessidade na mais tenra idade produzindo uma discriminação incontrolável aos que não as aderirem, seja por falta de recursos econômicos ou por vontade própria. A violência já é um fato arraigado a esses atos impensados que produzem em longo prazo comportamentos distorcidos, psicopatias e neuroses levando adultos no futuro a  cometerem atos incompreensíveis para a mesma sociedade irresponsável e alienada que os provocou.
 Hoje, o alcoolismo, o uso de drogas ilegais, a prostituição, a pedofilia e muitos outros males têm levado adolescentes, adultos e velhos à sarjeta, à marginalidade quando não à morte prematura.
Todas essas feridas sociais encontram seu início na primeira infância, uma fase que está desaparecendo da vida humana, a cada momento, com o direcionamento proposital da criança para o mundo adulto, onde já se tenciona formar um futuro consumidor. Deste modo, jamais veremos uma persuasão da mídia induzindo ao consumo de frutas ou  alimentação saudáveis; ao uso de brinquedos e vestuário desvinculados de marcas e empresas famosas. O resultado  de tudo isso esbarra na exclusão total daqueles que não conseguirem se inserir no contexto altamente formador e manipulador da opinião pública.
Quando todas as mazelas explodem oriundas desta atitude maciça e pouco inteligente da  população caracterizadas pelos desvios comportamentais indesejáveis que se voltam contra a própria sociedade que as produziu, numa atitude de desespero e incapacidade de lidar com o problema milhares de famílias entregam-se às obras do poder divino garantidas pelas infinidades de religiões que se demonstram autossuficientes para lidarem com o insolucionável, transformando alcoólatras e drogados em abstêmios da noite para o dia; prostitutas, pedófilos e assassinos são convertidos a puristas num fechar de olhos; da mesma forma endividados veem suas contas saldadas milagrosamente por Nosso Senhor Jesus Cristo, passando um atestado de idiotice humana à toda prova, bênçãos são compradas com dinheiro de dízimo e doações a igrejas milionárias que efetuam similarmente à mídia uma lavagem cerebral em seus fiéis tornando-os verdadeiros e perpétuos escravos.
As famílias que receberam as "bênçaõs" esquecem-se de todos os tormentos passados com seus entes queridos e passam a ocupar uma posição superior perante aos outros que não tiveram a oportunidade de verem seus cérebros atrofiados e robotizados por um Deus ambicioso, castrador e dominador,  fazendo críticas e se vangloriando de terem Deus no coração...
À semelhança dos meios de comunicação de massa, esses templos estabelecem um comércio paralelo, um verdadeiro mercado persa, para a venda de CDs musicais, DVDs de vídeos milagrosos, camisetas com logos, bíblias e inúmeros produtos, cuja venda é efetuada em nome de Jesus, sempre. Mas que Jesus é esse, que incentiva a comercialização num misto de sagrado e mundano, espírito-matéria, que discrimina a tudo e a todos e que carrega a bandeira do dinheiro acima de tudo?
A política que poderia intervir nesse quadro de corrupção espiritual é conivente, pois faz parceria no sentido de sua eleição e consequente reeleição através do precioso trabalho de massificação destes ambientes "sagrados".
Não é essa a solução que se almeja para os problemas da sociedade. Não queremos pessoas sem autocrítica que precisem ser conduzidas por líderes sem escrúpulos e sem o mínimo de ética necessária à convivência humana. No entanto, o que observamos é um crescimento considerável no número de fiéis que lotam as avenidas numa marcha insana ao encontro de Jesus, o que nos faz acreditar que uma grande parte de seres humanos hoje em dia, não tem a capacidade de se conduzir por seus próprios pés e cabeça acometida por uma paralisia mental , necessitando de muletas para a sua locomoção.


sábado, 26 de janeiro de 2013


Aqueles que fizeram parte de nossa vida, nos transformam e são transformados. Como dizia Saint Exupéry: 
" Aqueles que passam por nós não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós"






Imagem do site: www.orkugifts.com (Google Image)



A minha querida tia




Parece que foi ontem, mas muito tempo já passou.
Você esteve presente em quase todos os momentos da minha infância e juventude. Sua presença em minha casa e em meu desenvolvimento foram uma constante. Sim, falo de ti, minha querida tia e madrinha, Wanda. Lembro-me do seu rosto sempre alegre, os grandes olhos verdes quase azuis, sorrindo mesmo trabalhando incansavelmente. E como trabalhaste nas décadas de 50, 60!  Fato de que só quando me dei por gente pude analisar com precisão. Quantos vestidos e outras peças maravilhosas costuraste no silêncio do seu quarto até altas horas da noite para complementar o baixo salário do seu marido e para garantir o sustento de seus filhos.
Assim foste levando sua vida sem medo, com coragem e determinação não agradando a todos com certeza, pois no impetuoso afã de ajudar, acabava sendo incompreendida.  Aos poucos, foste conseguindo realizar seus sonhos. Aprendi a amá-la e respeitá-la ao longo dos anos de convivência, lembro-me nesse instante das tardes de jogos de mesa que compartilhamos, da sua ajuda e apoio a minha família no momento de enfermidade. Da amizade sincera com seus dois filhos, verdadeiros irmãos, sempre tão próximos em todos os instantes de alegria ou de tristeza.
Recordo-me também dos momentos de adversidades que sofremos, dos desentendimentos entre nossa família e a força das circunstâncias nos separando, privando-nos da convivência, antes rotineira. As rodas da vida levando-nos como uma imensa cachoeira deixando distância entre nós e o silêncio aterrador. Por que razão nos afastamos de pessoas tão próximas e especiais como você? Não sei responder, só sei que houve uma grande lacuna em nossa amizade tão pura e sincera agravada pela distância, sem a convivência de antes.
Depois passamos a nos falar em alguns momentos... Breves momentos de dor e luto familiares ou em alguma visita fortuita, em algum Natal distante...
Vieram as tristezas em sua vida senil, a morte do companheiro e do filho mais velho levaram alguns anos de sua vida, problemas insolucionáveis com outros filhos e você ali, firme na luta de conseguir resolvê-los como um ser superpoderoso, ferindo-se sem se importar, esquecendo-se do adiantado do tempo que já pintara seus cabelos.
Foi um fardo muito pesado para seu corpo cansado a despeito de tanta disposição de ânimo. Por isso quando me ligaram dizendo que estavas gravemente enferma num quarto de hospital jamais acreditei que poderia nos deixar e não quis acreditar quando disseram que havias  partido para sempre...
Minha querida tia e madrinha: na vida há mistérios que nós, simples e ínfimos mortais nunca poderemos decifrar, porém digo-lhe que sua alma finalmente terá o descanso merecido, pois alcançaste a glória do soldado que morre na batalha. Não perdeste a guerra, tenha certeza, da dimensão onde te encontrares, a semente que plantaste há de mais cedo ou mais   tarde germinar, crescendo  e se tornando uma árvore sólida. 









quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Esta semana assisti ao filme Idiocracy  que trata do idiotismo que transforma as gerações atualmente. O mundo não para e as mudanças ocorrem subitamente. Seriam todas elas bem-vindas a nossa formação intelectual, preservariam o acervo cultural adquirido durante milênios? Precisamos raciocinar a respeito e o texto abaixo nos propões essa reflexão, principalmente aos educadores que trabalham diretamente com a produção e a apropriação do conhecimento...

        


Internetês –linguagem do futuro?




Às vezes, como educadora me perco em indagações sobre o possível rumo que a língua portuguesa ou outras podem tomar. Durante o desenrolar dos tempos, revendo as brincadeiras que envolveram a linguagem, verifica-se que existiram e muitas vezes funcionaram como um treinamento cerebral da oralidade, um verdadeiro exercício de prosódia que para as crianças aceleravam o raciocínio e contemplavam o desenvolvimento e esperteza.
É o que se verifica na conhecida língua dos pês, uma febre que aconteceu na década de 60 que consistia em colocar um antes de cada sílaba das palavras do discurso, processo de difícil desenvolvimento no seu início que requeria atenção e rapidez de raciocínio. Exemplificando para aqueles que não conheceram e não conhecem a brincadeira: se quiséssemos dizer a frase “Eu vou amanhã” na língua do diria assim: Pe-eu-pe-vou-pe-a-pe-ma-pe-nhã.
Pelo exemplo, parece simples, mas no desenrolar de diálogos e pequenos textos trocados entre os falantes desta língua as habilidades de separação de sílabas aliada à inserção dos pês oferecia dificuldade quanto à rapidez que a oralidade exige no momento da comunicação.
À semelhança deste tipo de brincadeira existiram muitas outras como aquela de uma geração anterior a minha que consistia em colocar os sons ordei, ordai. Para mim, essa é complicada porque não participei ao vivo como meus pais desta atividade. Ao que parece, se fôssemos dizer, por exemplo, “Você vai hoje ao cinema?” soaria da seguinte forma: Voçordê vordai vordoje no cinordema? Analisando a estrutura da segunda frase não se consegue, para os não praticantes como eu, entender o mecanismo utilizado, ao que parece mantém-se os sons iniciais das palavras e antes dos fonemas nasais como o n não há a possibilidade da inserção pretendida.
E há conhecimento de muitas outras brincadeiras desse tipo como a letra das vogais a, e, i, o e u onde se trocam as vogais das palavras do texto por essas últimas à semelhança da música: O sapo não lava o pé, melodia adorada pelas crianças.
Atualmente, temos ciência do dicionário lançado pela conhecida atriz e apresentadora de programas infantis, sobre a língua dos xis que consiste em trocar fonemas alveolares como o ce, por exemplo, por xe como em você que soaria voxê. Segundo declaração da própria apresentadora, a publicação do dicionário autorizada pelo MEC não permitiu (pelo menos) que houvesse a mudança na palavra dicionário do título para dixionário. As crianças particularmente, adoraram esta brincadeira, mas quais as consequências destas mudanças aparentemente inocentes   quanto à grafia e prosódia destes vocábulos e ainda quais os benefícios ocorridos com esta novidade? Neste caso, o perigo é maior, pois temos um dicionário escrito com as "alterações de brinquedo" que somadas à idolatria dos pequenos pela artista podem levar à adoção de uma grafia imprópria indiretamente.
No caso das crianças, ainda há um grande período de permanência na escola, onde arduamente uma parcela de educadores interessados na Educação trabalha para fazer os devidos acertos quanto à conscientização da norma culta exigida pela sociedade podendo reverter o quadro.
O problema maior se apresenta agora na linguagem que acompanha a informação do futuro, que rege a comunicação entre os jovens, adultos e uma parcela mínima, acredito eu, de idosos, (uma vez que há a resistência a mudanças bruscas nesta fase da vida com raríssimas exceções): o internetês. Surgido do imediatismo que a velocidade das mensagens exige na internet, esse tipo de linguagem transforma totalmente o vernáculo eliminando a acentuação e pontuação além de usar de abreviaturas sistematicamente, muitas delas com base em termos anglófonos (do inglês), como é o caso do uso de lol- laughing out loud- rindo muito alto, como muitos conhecem. Do mesmo modo, não torna-se naum transformando a oralidade do ditongo nasal em forma escrita; um prato cheio para o ilustre Mattoso Câmara Júnior analisar, assim como outros linguistas atuais.
Inúmeras variações nesse sentido ocorrem ainda como a eliminação do ditongo nos grupos qu,como: quadro que se escreve qadro, q por que etc. Houve ainda o internetês dirigido a crianças e adolescentes, o miguxês, como axoxique etc. adequado ao uso do x à moda do dicionário da apresentadora supracitada. Tal obra publicada anteriormente seria já uma preparação intencional no sentido de preparação e adequação a essa mudança? Temos que raciocinar sempre, pois o que não existe é a inocência e não intencionalidade nas medidas tomadas pela mídia e seus representantes.
Por esse meio vitual veem-se ainda é como eh, a troca de um verbo por uma interjeição numa derivação imprópria se analisarmos à luz da gramática; hj ou oj ao invés de hoje,e já vemos até professores mais jovens escreverem por extenso oje no lugar de hoje sem contar com a inserção de fonemas isolados no lugar de interjeições como kkk no lugar  de há, há, há; e a utilização de emotions (pequenas imagens divertidas na representação de emoções) ao invés do relato dessa situação que prejudicaria a velocidade da informação. Há um velho ditado que afirma que a pressa é inimiga da perfeição, e se encararmos por esse ângulo, seremos capazes de compreender o imenso prejuízo que a redação moderna oferece ao escritor podendo conduzi-lo à comunicação monossilábica, solitária, falsamente social do aspecto de   diálogo face a face e extremamente sintética, em nada favorecendo ao exercício da escrita tão valorizada no campo profissional e educacional.
Por mais que o professor se esforce em trazer para a sala de aula esse problema, porque ele realmente é um obstáculo ao desenvolvimento de qualquer língua escrita e seu padrão socialmente aceito, e tente resolvê-lo, a habitualidade e pontualidade da comunicação virtual altamente repetitiva induz à fixação das estruturas do internetês, principalmente pelos adolescentes cujo comportamento induz à revolta a tudo que é tradicional. Sem mencionar o fato daqueles que fazem uso apenas de sites de relacionamento e bate-papos sem interesse por uma leitura mais formal como é o caso da maioria que utiliza a internet atualmente. O problema se agrava à medida que a pessoa não frequenta mais a escola, não lê matérias  em linguagem mais complexa e limita-se apenas à comunicação diária.
Há uma infinidade de indagações, questionamentos e estudos sendo feitos nesse exato momento sobre este tipo de mudança e quais as consequências que poderão causar, uma delas, certamente reside no fato da discriminação contra aqueles que escrevem corretamente que será encarado como extraterrestre a exemplo do filme Idiocracy.
Na educação,  de uma maneira geral, é necessário um estudo minucioso do fato  uma vez que o conhecimento cultural adquirido através de avanços paulatinos durante milênios vem mudando bruscamente, levando ao perigoso ponto de deixar de ser compreendido e submetendo a massa à ignorância e ao que é pior: ao domínio de poucos mais intelectualizados, fato perigoso do ponto de vista político, entretanto subestimado por todos.




quarta-feira, 9 de janeiro de 2013






O texto anterior relatou o superficialismo que molda a intelectualidade das pessoas em nossos dias... Falou também da futilidade presente em temas dos programas de TV. O texto de hoje, não é muito diferente...

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Presas por tentar acordar grupo em sono profundo...



Completando o time dos programas ridículos e massificadores da emissora mais proeminente de televisão, surge o carro-chefe, exibido anualmente, o reality show das banalidades que se resume em apresentar vida de gente insignificante para o desenvolvimento do planeta, porém altamente responsável pela atrofiação cerebral do ser humano: Big Brother Brasil.
Feito aos moldes de programas superficiais e inúteis de países de primeiro mundo como Estados Unidos resume-se a exibir cenas da vida alheia de patricinhas e cowboys que não utilizam nem 30% da sua massa cinzenta e que, no entanto, bomba na audiência e IBOPE. O objetivo deles segundo consta é ganhar dinheiro, venderem sua imagem e se venderem a um jogo barato, que se divide entre exibição de cenas rotineiras do dia a dia, fofocas e sexo que à semelhança do programa político eleitoral invade sem pedir licença nossos lares espalhando a prostituição, a superficialidade, modismo e burrice por todos os cantos.
Ainda denominam reality show, a toda aquele simulacro que realmente só tapeia imbecis, robôs que já foram destituídos de corpo e de alma. Da malfadada vinheta que anuncia o início do programa ao seu final, pode-se dizer que todos os pecados são expiados para aquele que consegue assisti-lo.  
O que traz de construtivo este tipo de programação? Até hoje não se ouve, ou não se é permitido falar mal, ou a verdade sobre este projeto de mau gosto, como é a tônica de todos os programas hoje em dia.
Impossível uma televisão ligada 24 horas diárias conseguir fazer neste esquema matérias ótimas o tempo todo, é preciso urgentemente, reformular a ideologia da televisão brasileira que atualmente não faz com que o telespectador cresça e aceite aquilo que faz bem para sua mente e corpo. Ao invés, a programação descamba vertiginosamente deixando de exibir a verdadeira arte em detrimento apenas do gosto popular. O que culmina no que nos resta exibido nas telas dos caríssimos aparelhos de led cheio de sofisticações para tão pouco, cujo requisito maior é a imbecilidade de apresentadores e matérias inúteis e cansativas!
Os integrantes do BBB 2013, assim como os anteriores, se expõem como animais na gaiola em uma casa de vidro, como seres raros ou em extinção para milhares de criaturas sem vida própria e sem  raciocínio que lotam o shopping e ali perdem horas preciosas da vida na expectativa de simples mortais inexpressivos, cujo brilho foi fabricado pela poderosa mídia e patrocinadores milionários.
E enquanto isso, pessoas morrem de fome, sem assistência médica, sem Educação, Segurança ou Justiça de qualidade em suas vidas. Quanto tempo vai durar esse pesadelo? Quanto tempo mais teremos que suportar tanta insanidade? Todos estão dormindo, um sono profundo, um transe que não passa. Quando, ao exemplo da Bela Adormecida, surgirá um príncipe para ofertar o beijo que desperta?
Hoje, um grupo de ativistas de origem ucraniana, revoltadas pela banalidade que o BBB encerra e a abdução que provoca na população alienada que ali lotava o shopping Santana na observação doentia daqueles raros animais, sofreu sanções e prisão após se desnudarem para chamar a atenção das pessoas que só tinham vista para o cenário ridículo da casa de vidro.
Engraçado, foram presas por tirarem a roupa, ato considerado obsceno e ninguém teve olhos para a obscenidade da conduta destes BBS que passam a maior parte do tempo em um joguinho de sedução barato, enrolados em edredons levando milhares de adolescentes a agir com leviandade, induzindo à prostituição e nada é dito a esse respeito. É proibido falar, julgar personagens eleitos pela mídia. Se falarmos em censura ou maior dose de discrição para o fato poderemos ser rotulados de ditadores, comunistas ou coisa parecida...
Esperemos que um dia aconteça um milagre e tudo isso se acabe como num passe de mágica.