quinta-feira, 4 de julho de 2013

De céu a inferno

O tempo passou tão rápido... De repente, vemos o mundo transformado no que é hoje...




Acabada a poesia da vida, ou o milagre da existência humana onde todos os seres tinham valor individualizado.
O nosso planeta maravilhoso que inspirou a arte clássica e romântica que louvava a lua, as estrelas e os oceanos, assim como as exuberantes florestas verdejantes, nada mais significa atualmente num momento onde a comercialização de cada folha, sal marítimo, exploração lunar e de todo universo em busca de lucro, dinheiro e poder são os principais objetivos dos homens.  

Agradeço diariamente por ter nascido na década dos 50, um período maravilhoso da Terra onde a tecnologia e a ciência não haviam sido desenvolvidas para serem usadas de maneira criminosa. 
Muitas críticas provavelmente virão dos jovens do novo milênio que lerem esse artigo e as rotulações costumeiras de velha, ultrapassada, retrógrada, ignorante científica serão constantes. Mas reconheço que para quem não conheceu aquelas décadas em que ainda não havia a abdução humana pelas telas e linguagem digital não há a mínima capacidade de entendimento para as afirmações de que aqueles foram verdadeiramente anos dourados.
Que saudades da juventude inocente que se reunia naquelas tardes e noites domingueiras ao redor da praça central de cada cidade! Que saudades daquele contato direto entre as pessoas, das conversas olho no olho e das declarações de amor platônico através de serenatas e correios elegantes tão presentes e materiais. Hoje, a frieza e a indiferença leva jovens a namoros artificiais forçados pelos programas de TV, ou aos constantes e cansativos "ficarem" nas doentias baladas regadas a álcool e drogas onde os relacionamentos superficiais nunca levam a uma união saudável e sincera produzindo mães solteiras e filhos desamparados, os futuros marginais de amanhã.
 Contradizendo as afirmações de que todos estão em uma grande aldeia globalizada, convivemos com uma imensa solidão, em um individualismo a toda prova onde a solidariedade e o amor não existem, deixaram de fazer parte do comportamento da humanidade moderna.
Uma conduzida competição desenfreada tem levado  a todos ao isolamento e a discriminação insanos  gerando o ódio e a violência.
Num crescente terror, esse afastamento entre os homens levou a desintegração total da sociedade: são casamentos por interesse econômico apenas, amizades forjadas por favorecimento pessoal, seres que não são eles mesmos e vivem em uma constante fantasia longe da realidade obedecendo a padrões de aparência física e conduta ditadas pelas mídias invasivas e hipnotizantes; familiares que se desconhecem e não se ajudam mutuamente; formações espirituais condicionadas a dinheiro e poder político-econômico; tudo isso fez nascer um novo mundo, "A brave new world" um  planeta doente onde já não há mais a alegria de viver e conviver sadiamente sem magoar, ferir, matar... 
Com o novo e assustador milênio surgiram aos borbotões as profissões de psicólogos e psiquiatras tentando lidar com milhares de mentes deformadas pelo sistema de vida atual que machuca, separa e gera desajustes mentais conduzindo à droga, suicídios e homicídios.
Por muito tempo, o ser humano foi usado e abusado pelo poder político que usando o sistema educacional o levou  a acreditar em falsas verdades e formou cidadãos incompetentes, ignorantes políticos, sem cultura, cuja inteligência foi abafada propositalmente para gerar uma massa conduzível e fácil de controlar como um rebanho que obedece a tudo a um toque de berrante.
Instantaneamente, tudo se transformou no pior: sem a Educação a sociedade se deteriorou, a qualidade dos profissionais decaiu em todos os setores, a situação foi se tornando insustentável em relação a relacionamentos humanos onde ninguém reconhece o seu par.
Hoje, no mundo todo, os conflitos tomam as ruas e espalham o terror e morte. Passeatas e manifestações exigem melhores salários e condições de vida, mudanças políticas e cumprimento de leis, dentre outros.
Alguma coisa tem que ser feita rapidamente, há urgência de mudança, mas a principal delas reside realmente na Educação. Uma reforma radical  nas leis que a regem precisa ser efetuada no sentido de acabar com a impunidade que assola o país,  de resgatar o respeito pelo ser humano,  a preservação da vida que deixou de ter valor onde escolas convivem com o fantasma do tráfico de drogas, desestruturação familiar, bullying constante contra tudo e contra todos, sobretudo onde não há a disciplina necessária para que a aprendizagem aconteça regularmente, onde a praga dos celulares e da internet usada indevidamente não consegue ser controlada, onde as salas e pátios se transformaram em verdadeiros ringues de agressões e violência física.
A nossa maior bandeira não deve ser no sentido de maiores salários, é preciso uma conscientização de que, com raríssimas exceções, os profissionais estão muito mal qualificados, não têm disposição para o trabalho que deve ser incansável para todos, um reconhecimento  no sentido de que inúmeros feriados e lazer em demasia não produz uma nação justa e forte, é preciso uma luta para reformular novos sistemas de ensino nas escolas que propiciem o conhecimento teórico-prático necessário para formar a excelência nas profissões, uma exigência na seleção das carreiras públicas onde haja concursos e após  eles eleições diretas entre os candidatos aprovados, leis educacionais elaboradas por todos os professores que praticam o magistério e não por teóricos idealistas fechados em gabinetes a forjarem ideologias impalpáveis...Sobretudo é urgente, arregaçar as mangas e trabalhar, trabalhar, trabalhar e exigir trabalho...
Se o mundo escapar desse colapso que está sofrendo, certamente será pela qualidade de trabalho, cobrança e  imposição exercida  pelo cidadão deliberando em cada decisão a ser tomada dentro da nação...
   

quarta-feira, 26 de junho de 2013


Retorno hoje às reflexões sobre o nosso mundo e sobre tudo o que nos rodeia, as contradições que a vida nos apresenta diariamente...



Serei uma ilha?


Apesar de todas as afirmações sobre a suposta tendência do homem de se inserir em um grupo qualquer, muitas controvérsias ainda são palpáveis, mais do que isso, revelam a certeza de que há um imenso desejo escondido no âmago de cada ser humano que usa seu cérebro: o predomínio da individualidade sobre o social.
Principalmente num momento em que não há mais o respeito necessário aos direitos e sentimentos, onde o egoísmo, a vaidade e a superficialidade são os principais traços presentes nas personalidades que se forjaram no mundo capitalista, alguém que tenha o mínimo de discernimento e inteligência não tem a menor probabilidade de se engajar em qualquer movimento coletivo.
Mas... Somos uma grande tribo, uma aldeia global... O velho chavão que a muitos aderiram, realmente só se casa bem com aqueles cuja personalidade deixou de se destacar, para como uma vaquinha de presépio, balançar a cabeça e aceitar tudo padronizando e adequando o seu modus vivendi a um modelo moderninho, que de tão usado transformou-se em uma uniforme e surrada maneira coletiva de viver...
Analisando estes padrões comportamentais, chega-se à conclusão de que é praticamente impossível aceitar cidadãos egocêntricos que desrespeitam grosseiramente os direitos dos outros. Seres que egoisticamente só usam a primeira pessoa do pronome em seus diálogos, supervalorizando apenas suas experiências sem sequer ter ouvido ou a delicadeza necessária para escutar o outro lado, ignorando seu par como se ele não existisse, ou sua vida nada valha perante suas dores que sempre são as maiores do mundo: se têm alguma doença, é sempre a pior, se sofrem alguma dificuldade financeira ou no trabalho é sempre inigualável, se têm uma estafa ou stress, são as maiores catástrofes narradas monotonamente em descrições intermináveis e insuportáveis.
São pessoas totalmente desagradáveis, pequenos monstros criados, que nunca estão satisfeitos, por mais bens que possuam, por mais lazer que tenham sempre são as vítimas, os eternos sofredores e os únicos verdadeiros trabalhadores que se matam de labutar e trabalham muito mais do que os outros.
Aliada a essa grande qualidade acima referida vem a segunda, não menos horrorosa: o superficialismo. São vidas cuja pobre existência é centrada em aparência física e econômica: assim que te veem a primeira coisa em que reparam é se você engordou, envelheceu, e coisas do tipo. E não satisfeitos em sua análise boçal ainda tem a coragem de verbalizar a falta de educação e traquejo, jogando no colega, ou melhor, no adversário, porque é nisso que transformam seus colegas e amigos, toda a sorte de comentários imbecis deixando transparecer o desprezo que sentem por aqueles que não revelam a aparência física socialmente aceita pelos idiotas atuais que se matam em academias para definir o corpo, ou definham em eternas dietas para manterem a forma almejada para fazerem parte de um grupo ridículo e antinatural. Em nome dessa aparência física coisas horríveis são feitas: aplicações de botox que transformam rostos e corpos normais em aleijões, tal o exagero no sentido de eliminar rugas e esticar a pele. Implantes dentários que exibem inexplicavelmente em rostos envelhecidos dentes exageradamente brancos que destoam do resto do visual. Do mesmo modo, preenchimento com silicone e outros produtos querem mostrar órgãos avantajados de qualquer maneira, sem se importar com o porte físico e a hereditariedade. Tudo isso aliado a um consumo de medicamentos de alto custo para esculpirem músculos ou o uso de cosméticos caríssimos para alcançarem seu intento. E ai daqueles que não entram nesse esquema! São ridicularizados, julgados como os piores dos mortais, pessoas relaxadas que não cuidam da aparência, mesmo que  para isso precisem correr risco de vida.
Alguns grupos lançam-se a religiões castradoras que através de falsos moralismos julgam todos os seres humanos que não seguem o seu ideal. Esses acéfalos usam redes sociais para divulgarem frases bíblicas e bordões posicionando-se como superiores, os únicos a serem salvos num possível juízo final que nem sabem se acontecerá, esquecendo-se dos seus próprios familiares, vivendo praticamente todos os dias de sua existência no interior de igrejas que efetuam verdadeira lavagem cerebral deixando-os robotizados, pessoas inconvivíveis, que nada questionam e a tudo aceitam desde que vindo de um dirigente ou líder religioso.
Sou observadora, convivo diariamente com centenas de pessoas em minha profissão e vivencio ali todos esses comportamentos terrivelmente nocivos e inaceitáveis: a primeira coisa em que fixam a atenção é em roupas e acessórios como celulares e outros eletrônicos. Para esses, de nada vales se não há uma grife conhecida em tua indumentária, excluindo injustamente do seu convívio aqueles que não correspondem ao padrãozinho de vida exigido atualmente... Eu pergunto, há alguém em sã consciência que queira conviver com tamanha mediocridade e se tornar um deles?
Como o homem pode ter emburrecido tanto com o passar dos anos? A bandeira da miséria espiritual em que o ser humano se inseriu é muito pior do que a pobreza econômica, pois ela revela no seu íntimo uma transformação moral degradante e totalmente injusta.
Quantos latrocínios não são feitos por esse motivo, quantos problemas sociais e baixa-estima são gerados por esses debiloides que se sentem superiores a todos. Se vão a uma apresentação de teatro, dança ou outra, não é pelo valor cultural, porém para serem notados e admirados pela sua “curtura”. Se fazem viagens, o motivo é sempre nessa maldita sociedade emergente adquirir status de pessoa antenada, conhecedora do mundo que vale mais do que os outros, ainda que não saiba nada de história ou da geografia daqueles países que visita e nem quer saber, pois não tem inteligência para isso.
Estamos convivendo com grandes manifestações de uma massa insatisfeita com o sistema político vigente, o apoio da mídia e das religiões é visível. Entretanto, quem garante que estes movimentos não são manipulados por terceiros cujos objetivos não são revelados, mas que têm sede ambiciosa de poder? Não temos cidadãos e pessoas conscientes e respeitadoras que justifiquem essa união, alguém que saiba reivindicar por si só, temos sim uma legião de teleguiados, levados por correntes ocultas e covardes que não têm a intenção de identificar-se, o que nos dá a certeza de que essa organização não partiu do cidadão comum, tão alienado e distante da realidade nesse momento social em que vivemos.
A prova disso é que ninguém questiona nesses protestos a falta de liberdade que temos nos dias de hoje, todos preferem dizer que vivemos uma democracia, quando na verdade, temos uma falsa liberdade, nem podemos expressar livremente nossas opiniões, temos uma sociedade fracionada em pequenos grupos que são instigados constantemente a se antagonizarem, o ódio vem sendo cultivado colocando um ser humano contra outro, ao invés da promoção da união.
O envelhecimento é um processo natural na vida humana, contudo não é aceito atualmente, tenta-se a todo custo mudar a natureza com medidas agressivas e artificiais. Infelizmente, não há como evitar a morte, ela chega para todos, até para aqueles que quiseram forçosamente ter aparência eternamente jovem esquecendo-se de desenvolver e amadurecer o cérebro adequadamente.
Se para não ser uma ilha um homem precisa juntar-se a um arquipélago de tolices e disparates, melhor o isolamento e a certeza de sentir-se bem amado e protegido por um só ego, mas que seja saudável e digno.
   


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Finalizando a narrativa, 3ª e última parte de Eurico, o presbítero...




EURICO, O PRESBÍTERO  - ÚLTIMA PARTE


É incrível a semelhança desta narrativa, ou da sequência de ações do romance com os filmes atuais de aventuras, aqueles mais cabeludos e inverossímeis, mas que entusiasmam e exaltam um herói, tornando-o quase um super-herói com poderes extraterrestres. 
Após conseguir desvencilhar-se dos árabes, Eurico que os detinha em luta para favorecer a fuga de Hemengarda, agora consegue fugir e ir de encontro à mulher amada sendo seguido à distância pelos cavaleiros inimigos. Alcançando-a, vê que ela estava em estado de choque com todos os acontecimentos e que no torpor em que se encontrava tenta o suicídio tentando se atirar em um profundo abismo onde havia uma ponte improvisada com um imenso tronco de árvore que tombara sobre ele. Uma cena típica de um Indiana Jones da era clássico-romântica, onde o herói toma a mocinha em seu cavalo maravilhoso e atravessa fantasticamente o abismo,  logo em seguida acompanhado pelos três cavaleiros góticos chegando finalmente à grande floresta onde se ocultava o esconderijo de Pelágio. O ponto alto da ação é quando os soldados árabes começam a atravessar o abismo e são surpreendidos pelos godos que serram o imenso tronco fazendo com que se precipitem na imensidão infinita!
Quanto a Hemengarda, já a salvo no esconderijo, é possuída de febre alta, tem visões com Eurico que julgava morto, mas que está a seus pés velando-lhe o sono, o que era verdade, e o irmão da moça, agradece o desvelo do guerreiro o que permite que continue a batalha em defesa dos godos. Apesar do esforço, Pelágio usa estratégias que acabam por derrotá-lo na batalha contra os árabes.
Quando finalmente Hemengarda toma consciência, verifica que suas visões eram verdadeiras, tratava-se mesmo de Eurico em pessoa que está a seu lado e que retira o elmo para que ela o reconheça. Emocionada, pede-lhe perdão por ter cedido às vontades de seu pai e não ter acompanhado seu amor.  Porém, como em todo romance romântico os amores são impossíveis e culminam em grandes tragédias, Eurico revela seu grande drama: o sacerdócio a quem dedicara toda a sua vida, ficando entre o juramento a Deus e o amor carnal. Revelando a sua condição de presbítero a cujos laços estava envolvido e era impossível renunciar, abandona a amada que enlouquece.
Como um robô, retorna a sua vestimenta, elmo, armadura e retorna à luta contra os árabes, deixando propositalmente que o matem. Antes de morrer, entretanto, gloriosamente acaba com os principais traidores da Espanha.
O que é muito importante conhecer de fundo histórico deste romance é a verdadeira razão de guerra entre árabes e godos. De cunho eminentemente político-religioso, Cristianismo contra islamismo, estas púnicas usavam a religião como forma de domínio das massas o que lhes rendia expansão de territórios, o que corrobora o fato de que as religiões de maneira geral pregam um Deus e a união dos povos, todavia causam morte e discórdia no mundo, revelando-se na verdade como detentoras de poder.
Uma característica constante de tendência romântica é a descrição da natureza e o amor platônico idealizado e nunca concretizado pela mulher ideal, linda, angelical e perfeita. O patriotismo também está presente em renúncias do amor carnal pela religião e pela Pátria.
As personagens seguem as características românticas, ou são boas ou totalmente ruins, ou são íntegras, ou corruptas.
O tempo é linear (cronológico). O uso da mitologia nórdica aparece na fala dos godos, como a citação de Odin (o deus principal dos godos), assim como há citações de elementos da cultura árabe, como Maomé e Meca, cidade da Arábia Saudita considerada sagrada pelos muçulmanos.
As reflexões de cunho filosófico são magníficas e impecáveis do ponto de vista estético, eis algumas delas:

"Haverá paz no túmulo? Deus sabe o destino de cada homem. Para o que aí repousa sei eu que há na terra o esquecimento!"

"Eu amo o sopro do vento, como o rugido do mar:
Porque o vento e o oceano são as duas únicas expressões sublimes do verbo de Deus escritas na face da terra quando ainda ela se chamava caos. Depois é que surgiu o homem e a podridão, a árvore e o verme, a bonina e o emurchecer"

"Sabeis o que é esse despertar de poeta: É o ter entrado na existência com um coração que transborde de amor sincero e puro por tudo quanto o rodeia e ajuntaram-se os homens e lançaram-lhe dentro do seu vaso de inocência lodo, fel e peçonha e,depois rirem-se dele. É o ter dado às palavras virtude, amor, pátria e glória uma significação profunda e, depois de haver buscado por anos a realidade delas neste mundo, só encontrar aí hipocrisia, egoísmo e infâmia"

ALGUNS VOCÁBULOS UTILIZADOS NA NARRATIVA:

1- franquisque- antigo machado de luta introduzida pelos francos na Idade Média e que se divulgou entre os povos germânicos nas guerras.
2-lódãos- Planta da espécie nenúfar.
3-Sícera- cidra, bebida inebriante.
4- Elípia- espécie de seda de lã que os godos haviam tomado da cavalaria romana.
5-celtiberos- povos da antiga Espanha.
6- Castros- campos ou fortificações pré-romanas.
7- Emérita- hoje Mérida, capital da antiga Lusitânia romana.
8-almadraque- almofada, coxim.
9-Atanagildo- rei visigótico (período ariano 544 D.C)
10-Ataúlfo- outro rei visigodo - 410 e 415 D.C.
11-Átila- rei dos Hunos - 453 D.C.
12-Leovigildo- rei godo da Espanha.
13-Vítiza- rei dos visigodos da Espanha de 695 a 710.
14- califa- governante árabe com poderes religiosos.
15- Maomé- líder religioso árabe de formação judaica, fundador do islamismo.
16- Odin- divindade mitológica que rege a guerra, a poesia, ciências e as artes para os godos.
17-Opas - arcebispo de Híspalis, traiu a Espanha no século VII.
18- Tárique- general berbere, tenente de Muça.
19- berbere- povo do norte da África.
20- Zohair - célebre poeta pré-islâmico.
21- simum- vento quente que sopra do centro da África em direção ao norte sendo capaz de provocar grandes tempestades de areia.



quinta-feira, 13 de junho de 2013

Continuando a narrativa...

EURICO , O PRESBÍTERO - PARTE II


Ante a morte do pai, Hemengarda fica desprotegida e é levada a um convento, pois julga-se que ali ela ficará a salvo da violência peculiar dos árabes. O irmão dela, Pelágio, em defesa da Espanha à frente de um exército como capitão gótico, encarregara um amigo de levar a irmã a esse lugar santo onde as monjas castas faziam oração a Deus. Várias outras pessoas de origem goda também para lá se dirigiram em busca de refúgio.
Perdendo sucessivas batalhas e consequentemente suas terras, os godos ficam na mão do exército árabe que decide tomar o mosteiro. Um dos traidores dos godos vem avisar aos góticos que aos árabes interessam os tesouros que se achavam guardados no interior do mosteiro e as virgens que ali se abrigaram, que seriam propícias para saciar os desejos sexuais dos guerreiros há tanto tempo longe de casa e que trocariam a liberdade dos povos que ali se refugiaram se conseguissem o seu intento sórdido.
Quando recebe essa notícia, abalado o rei visigodo Atanagildo não quer concordar, mas o derramamento de sangue talvez inútil, dado a habilidade e fúria do exército inimigo, faz com que retroceda e concorde com a troca, uma vez que a monja principal do convento lhe aconselha a aceitar, pois haveria muita desgraça inutilmente.Desta forma, abrem-se os portões do mosteiro, o povo é libertado ficando apenas as monjas e as virgens indefesas à mercê de sua sorte. Aquelas trancam-se num porão e à portas cerradas vão rezando incluindo Hemengarda que se recusara a fugir com seu escravo em solidariedade às religiosas.
Na iminência da derrubada da enorme porta, a madre superiora vai degolando as irmãs uma a uma para que não sejam desonradas pelos árabes. Estes, prestes a adentrar ao salão impacientes e incrédulos com o que vêem tentam derrubar as grossas madeiras. Quando a madre se prepara para dar o mesmo fim a Hemengarda que já se conformara com o seu destino, o pesado madeiro cai sobre a pobre freira matando-a imediatamente. Hemengarda é levada pelos inimigos como escrava, pela sua rara beleza serviria os desejos do amir em sua tenda.
Desde o momento da saída que a moça não parava de chorar, assustada e desolada temendo o que lhe estava por vir. Assim que chega à tenda pede ao amir que a deixe chorar e isso acontece em dois dias consecutivos. Enquanto isso acontece, o escravo escudeiro da moça vai até o irmão dela, Pelágio, e lhe informa do sucedido. Ele se revolta e prepara-se para resgatá-la quando recebe um recado do fantástico cavaleiro negro, Eurico que também soubera do acontecido e tomou para si a obrigação de salvar sua amada, pois nunca a esquecera de fato. Assim, proíbe Pelágio de tomar qualquer atitude e convoca doze cavaleiros guerreiros sem família que sob o seu comando resgatariam Hemengarda.
Há nesse romance um aroma de novela de cavalaria, o sabor da aventura de capa e espada cuja ação é constante e prende o leitor para que saboreie sempre o próximo episódio.
Nesse ínterim, na tenda do amir, Hemengarda indefesa e assustada está prestes a ser possuída quando repentinamente, Eurico disfarçado de cavaleiro negro subitamente invade o local saído do nada e o fere quase que mortalmente. Põe fogo na tenda, resgata a amada e com ela foge em seu cavalo por montanhas íngremes e escarpadas. A moça não pode reconhecê-lo uma vez que o elmo e a túnica negra o impedem.
A fuga é narrada com bastante veracidade, os árabes em perseguição dos godos. Em determinado momento, Eurico detém-se para lutar com o inimigo e pede aos outros guerreiros que levem Hemengarda à gruta da montanha, o esconderijo de Pelágio para que ela ficasse a salvo. E a luta encarniçada continua...


UMA REFLEXÃO DE ALEXANDRE HERCULANO, MARAVILHOSA POR SINAL, SOBRE A MORTE:


"Era a hora em que o homem está recolhido nas suas mesquinhas moradas; em que pelos cemitérios o orvalho se pendura do topo das cruzes e, sozinho, goteja das bordas das campas, em que só ele chora os mortos.
As larvas da imaginação e o gear noturno afastam do campo-santo a saudade da viúva e do órfão, a desesperação do amante, o coração despedaçado do amigo.
Para se consolarem, os infelizes dormiam tranquilos em seus leitos macios!...Enquanto os vermes iam roendo esses cadáveres amarrados pelos grilhões da morte. Hipócritas dos afetos humanos, o sono enxugou-lhes as lágrimas."

(Uma reflexão do autor no romance que apesar de se encaixar nas tendências da escola romântica, muito traz do realismo ao descrever sentimentos humanos). 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Hoje, comentarei uma obra literária do período romântico da literatura portuguesa.Trata-se de Eurico, o presbítero, do escritor português Alexandre Herculano, 1810-1877. Predominam aqui o saudosismo patriótico, o bucolismo e a religiosidade sentimental que, bem trabalhados espelham um fundo de pesquisa histórica, embora suas tendências o encaixem como romance clássico-histórico. A questão ética que envolve pirataria ou/e contrafação nos impede de comentarmos obras mais recentes, assim, atualmente, comento obras cujos autores já caíram no domínio público.

EURICO, O PRESBÍTERO


Na verdade, a obra é um relato histórico da tomada da Península Ibérica (regiões da França, Portugal, Espanha) pelos árabes. A longa guerra que prevaleceu a esta ocupação é relatada pormenorizadamente. Numa narrativa fantástica onde coisas impossíveis acontecem, o autor deixa transparecer o excelente filósofo que é e questiona fatos da vida com uma realidade impressionante e habilidade incrível de expressão. A estória passa-se no século XIII na Espanha Visigótica, ou seja Espanha dominada pelo povo visigótico, de origem alemã, onde primeiramente Eurico e o amigo Teodoro ajudam o imperador Vitiza lutando contra camponeses revoltosos.
Após ter se saído bem na revolução, ele pede ao duque Fávila da província de Cantábria a mão de sua filha, Hemengarda e tem negado o seu pedido por não pertencer à casta da nobreza.
Assim, sem perspectivas de realizar seu sonho, Eurico decide-se por abraçar a carreira do sacerdócio, coisa comum na época, considerada uma bela e importante profissão, acabava por acolher todos os desiludidos e desesperançados na vida amorosa. Daí advém o termo presbítero, sacerdote.
Na tentativa de esquecer sua amada, mergulha de corpo e alma no mundo monástico, em Cartéia, na Espanha, transformando-se em espírito e servo de Deus. Nesse afã, compõe um belíssimo hinário em louvor ao Criador, lindas composições que ficam amplamente conhecidas pelos mosteiros espanhóis com o passar dos anos.
Após algum tempo, estoura a invasão árabe com tropas chefiadas pelo general Tárique provenientes do norte da África . O rei da Espanha, Rodrigo, é dominado extinguindo-se assim o reino visigótico de Toledo. Temendo represálias, alguns descendentes de espanhóis visigóticos debandam para o lado árabe traindo seu país.
É do conhecimento de todos que os árabes dominaram a Península Ibérica por aproximadamente cinco séculos, temos em nosso vernáculo uma imensidão de termos dessa origem, principalmente todos aqueles que iniciam pelas letras al como é o caso de: alface, alcova, alfândega,almirante entre outros.
Este acontecimento desperta em Eurico uma febre de patriotismo que o impulsiona para que lute contra o invasor e fantasticamente ele se transforma no “Cavaleiro negro”, que todo de negro vestido luta insanamente, sem medo da morte conseguindo inacreditáveis vitórias. Considerado por muitos como sobrenatural, pois combate dezenas de homens simultaneamente, aniquilando-os sem se ferir.
É nesse meio sangrento onde os árabes aliados também aos africanos devassam os godos, suas terras, seu povo que o duque Fávila, pai de Hemengarda é morto...


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Critica-se muito o regime militar e o período ditatorial por ele imposto. Alegações e referências a uma ausência de liberdade de expressão e de filosofia de vida são constantes, bem como a questão da censura no setor midiático e das artes de uma maneira geral, são registradas e consideradas como fatores de atraso, retrocesso para o desenvolvimento do país e de seu povo reprimido constantemente, até a morte e ao extermínio com o objetivo de “queima de arquivo”.




"DEMOCRACIA OU DEMOCRADURA"?





Extenso foi o período de repressão para o povo brasileiro, que foi impulsionado pela crise política do governo de João Goulart em 1961 estendendo-se ao final do seu conturbado mandato, que considerado de extrema esquerda, ganhou a antipatia de todos os setores da sociedade principalmente da Igreja Católica. Esses fatores aliados ao momento internacional da Guerra Fria, onde havia o temor de que o país se aliasse à União Soviética, levaram ao fim o governo do chamado “Jango” que temendo uma guerra civil refugiou-se no Uruguai enquanto que a nação se via tomada pelos militares que, de início, como forma de segurança instituem o AI-1, que cassava mandatos políticos e revogava a estabilidade do funcionalismo público.
E daí para frente, uma série de medidas coercitivas conduziram o Brasil durante vinte e um anos; 05 mandatos presidenciais que terminaram com o retorno da democracia em 1985 e eleição direta que colocou brevemente no poder Tancredo Neves.
É do conhecimento de todos, que durante o regime ditatorial a liberdade de expressão e ação foi contida energicamente, as notícias de jornal de cunho político eram substituídas por receitas culinárias.
Toda essa divagação é na verdade para elucidar e questionar a nossa situação hoje em plena “democracia” cuja ideologia nos remete a uma liberdade, que deveria se estender a todo o cidadão brasileiro.
De origem grega a palavra composta pelos vocábulos demos (povo) e cratus (poder) pode ser direta (se exercida pelo povo através de protestos e manifestações) e indireta (quando a vontade do povo é feita através de seus representantes parlamentares).
Não tenho sentido e acredito que muitos dos cidadãos desse país, essa liberdade de que tantos falam; ela apenas existe em programas de TV onde o que se apresenta são libertinagem e indução ao sexo, antes da idade, diga-se de passagem. Em defesa do regime democrático que não admite censura, cenas impróprias para crianças e adolescentes são exibidas sem controle algum, seja de horário ou  idade, mostrando àqueles que não têm o amadurecimento físico e psicológico para entender o que ali se expõe, relacionamentos entre casais que acabam por chocar os inocentes acarretando-lhes traumas e psicopatias no futuro.
O controle que seria tão comum quanto andar para frente, jamais se caracterizaria como censura,  a devida regulação de horários e programas com a bem-vinda adequação da idade é uma questão de bom-senso que não conseguimos depreender da mídia massiva onde a luxúria ocupa o maior posto no ranking de Ibope.
Quanto à qualidade dos programas, se antes eram ruins, decaiu a zero com a democracia. Ridículos e praticamente repetitivos, exibem bordões cansativos e sem valor algum, da mesma forma na arte das novelas que mais comerciais do que culturais desenvolvem temas medíocres e pouco relevantes para a humanidade, resumindo-se em cenas de sexo, antagonismo entre classes sociais e inverossimilhança a toda prova.
Ainda no aspecto da violência, a exibição de filmes altamente sangrentos que apresentam assassinos frios, psicopatas e estupradores é mais que incentivo e indução a crimes e roubos. Quando analisamos a questão, vem a pergunta: se isso é livre expressão, liberdade, qual a vantagem para a população ao assistir a programas como esse? É mesmo tão boa essa democracia que dizem estarmos vivendo?
O que se pode dizer sobre a excessiva liberdade feminina então? Em nome da democracia, mulheres atualmente, não têm mais obrigação nos seus lares, vestem ternos e tornam-se executivas, disputando postos com homens, colecionando relações extraconjugais esquecendo-se de que são mães ou esposas, entregando a criação e educação dos filhos a terceiros e sem tempo para preparar uma simples refeição a sua família, entupindo-a de produtos industrializados, pouco saudáveis para não precisar se cansar em frente a um fogão, preferindo a satisfação dos programas indutivos de mídia que as levam a shoppings atrás de quinquilharias e artigos de grife que muitas vezes nem têm condição de obter. E os pobres maridos então, já não têm o direito de saborear a sua comidinha caseira tendo que se contentar à cata de migalhas e a número reduzido de refeições.  
A democracia que tantos almejaram construiu um mundo assim; as diferentes opções sexuais proliferaram e foram levadas a público, porém sem a seriedade necessária, nesse caso, levou ao achincalhe desestruturando ambientes que precisavam de atitudes maduras; o que jamais pode ser criticado sob pena de se responder a processos e até correr o risco de prisão. Da mesma forma, foi tratada a questão do racismo que na verdade, é imposição na postura de um cidadão gerando discórdia e o verdadeiro preconceito que antes não existia de forma tão severa e dissimulada como hoje onde todas as palavras que saem de nossa boca têm que ser policiadas, medidas e preparadas com uma grande dose de hipocrisia se quisermos viver sem represálias.Sendo que não se impõe respeito, ele é adquirido ao longo dos anos pelos próprios interessados.
Sim, temos liberdade em alta escala. Os jornais não publicam mais receitas culinárias, porém listas infinitas de crimes hediondos, latrocínios, violência contra mulheres e crianças, verdadeiras guerras civis entre brancos e negros, entre hetero e homossexuais que não se identificam mais como seres humanos que devem se unir e conviver sadiamente para salvar este planeta que agoniza.
Ao que parece surgiram com as ideias de liberdade, rotulações de grupos minoritários que vem sendo instigados, induzidos a um antagonismo contra os outros cidadãos.E não há nada mais horrível do que esse movimento separatista entre pessoas que na verdade vieram todas do mesmo lugar e são feitas da mesma matéria.
Como podemos estar em uma democracia num país onde não podemos publicar um artigo de jornal que fuja do gosto comum, que expresse opinião individual ou até mesmo que vá de encontro ao regime político vigente?
Não se podem admitir em tal sistema democrático mídias em poder de partidos políticos que só aceitam a sua ideologia, não servindo como veículo de utilidade pública ou de comunicação que sejam transparentes, e que realmente relatem a veracidade dos fatos que acontecem no país e no mundo.
E o que ocorre na literatura e nas artes de uma maneira geral com a democracia? Inseriram-se totalmente num capitalismo cultural, onde o que conta é realmente o dinheiro e o poder. Desse modo, não temos mais literatura brasileira num mercado onde não se fala mais do nosso país, e todos conhecem mais a cultura e costumes de países de primeiro mundo do que os da sua própria nação. Procurem em uma livraria por autores nacionais e terão a tristeza de vê-los no fundo da loja sob os últimos volumes, com raríssimas exceções de alguns escritores ditos nacionais, mas que nem mais aqui vivem e nem expõem nossa cultura ou nossos problemas.
Infelizmente, constatamos que vivemos uma falsa democracia. Onde realmente não existem diversidades para escolha e sim a padronização de temas e costumes constatando lamentavelmente que não temos liberdade alguma, nem mesmo de escolher o que gostaríamos de assistir em um simples programa de televisão...
Se o regime militar foi terrível pela repressão, a situação atual não foge muito, num tempo em que precisamos simular um discurso antes de proferi-lo...




quarta-feira, 22 de maio de 2013


Olá, amigos blogueiros. O assunto hoje é a Virada Cultural da cidade de São Paulo. Um evento que tira de casa milhares de pessoas para assistirem a shows, apresentações de teatro e dança, além de grupos folclóricos, regionais. Mas fica aqui a pergunta: A cidade estará estruturalmente preparada para este fim? Ou estaremos à mercê da sorte mais uma vez?




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Virada Cultural ou Virada Mortal?



São Paulo, uma metrópole maravilhosa sob o aspecto cultural, arquitetônico e histórico, afinal de contas, são quase cinco séculos de existência. A esta riqueza físico-cultural deveria também somar-se um desenvolvimento social compatível, exibindo pessoas de um nível cultural melhor e seres humanos que assim pudessem ser chamados, em cujo estágio intelectual se espelhasse a pujança da terra paulista.
Entretanto, de algumas décadas para cá, a situação vem piorando a cada dia, fato que coincidentemente ocorre com a decadência da Educação, não diria só no Brasil, mas em todo o mundo e uma tremenda inclinação à miscigenia de povos, fato totalmente aprovado pelas novas tendências mundiais e direitos humanos no sentido de acolhimento a todos em obediência à lei de ir e vir que garante os direitos democráticos dos cidadãos em todo o planeta. Desta forma, as emigrações, imigrações e migrações foram ocorrendo sob os mais diferentes motivos; para construção de cidades e obras, para suprir falta de trabalhadores em fábricas, indústrias ou empresas clandestinas e para grandes empreendimentos. Desta forma, os deslocamentos de pessoas foram ocorrendo aos borbotões, crescendo assustadoramente com o passar dos anos, no início, somando novas aquisições culturais de outros países e estados brasileiros.
Até aqui, tudo bem, acréscimos são benvindos como aumento de conhecimentos sobre o novo, porém quando vemos nossa cultura ser absorvida por outras e nunca mais ser mencionada, a sensação de perda aparece e o vazio que produz nos causa a impressão de que não existimos mais, pois cultura é vida, passado é presente e futuro em nossas vidas.
Realmente o que aconteceu no Brasil e no resto do mundo foi exatamente isso, propositalmente, por certo, o povo é sempre o último a perceber as intenções implícitas em ações como esta e muitas outras.
Quando se traziam pessoas de fora para trabalhar com a desculpa de que não havia número suficiente de trabalhadores para aquele fim, há aí uma verdade, porém com as migrações, principalmente, houve a contratação de mão de obra barata, que mesmo sem a qualificação necessária seria totalmente viável em um sistema em que o povo, pouco seletivo, não exigia qualidade. Resolviam-se no caso, dois problemas: a do pouco investimento em profissionais e a questão do desemprego e más condições de vida de outras regiões.
Quem perdeu nesse caso? Ambas as partes: o migrante com a desintegração da família e separações; o nativo com a adaptação forçada a uma cultura de fora que lhe foi imposta, pois em nenhum momento a sua foi por ele respeitada, tendo que conviver com superlotações em todos os setores da sociedade; transporte público, trânsito, hospitais, escolas etc. Como se isso não bastasse, já não foi possível ao habitante original do lugar conviver com seu folclore, exemplificando, suas festas juninas, aos poucos, foram se transformando em festas regionais de outros estados, ilustradas por ritmos que já não eram os seus.E assim foi ocorrendo com todos o seus costumes. Quando menos se espera, ele é o estranho do ninho, sua culinária, arte, música já não lhe dizem mais respeito. Isto é cruel, um genocídio psicológico que ninguém comenta até hoje e se fala qualquer coisa contra migrações ele é o preconceituoso.
Não cabe aqui o sentimento do preconceito. Não é isso, absolutamente. O belo da vida são as diferenças sendo preservadas e não a unificação de um povo, o que infelizmente está ocorrendo.
Voltando ao caso da Virada Cultural, ela ocorre num ambiente em que já estamos numa terra de ninguém, principalmente para os poucos descendentes de paulistas que hoje são a minoria nesta cidade, onde a falta de estrutura para receber tanta gente gerou problemas sociais gravíssimos, como a tremenda falta de segurança que é o que mais nos aflige num momento onde em todo um país só há um tipo de folclore praticamente.
Como oferecer cultura num clima destes? Onde o povo de maneira geral não respeita o seu par, subtrai o que não é seu e até mata? Também, não há uma coerência nas apresentações a serem realizadas quanto ao ambiente oferecido para a exibição dos eventos: assim, espetáculos de balé clássico são realizados em palcos horríveis, improvisados, que não permitem uma boa performance e ainda expõem os profissionais ao ridículo por não proporcionarem o equilíbrio e harmonia e nem clima para esse fim, tendo que resumir um pás-de-deux em apenas uma parte por falta de segurança. Enquanto isso, abrem-se as portas do Teatro Municipal para apresentações de shows de cantores populares cujos nomes aqui não serão citados por motivos éticos. Onde foi parar a coerência na escolha dos ambientes para apresentação? O que se pretende com tudo isso?
Como se não bastasse, temos que nos policiar e ter o maior cuidado para que não sejamos vítimas de arrastões, assaltos a mão armada e latrocínios. Há que se ter muita coragem para sujeitar os cidadãos a correr tanto risco sem a segurança necessária.
Realmente, o Brasil tem que se esforçar muito ainda e organizar mais a casa  para convidar alguém a assistir a espetáculos coletivos.
Espera-se que a Copa de 2014 não se transforme em palco de tragédia, afundando de vez o nome do país...


terça-feira, 14 de maio de 2013


O Realismo- Naturalismo apresentou temas polêmicos que não poderiam ser cogitados em outras épocas onde toda a literatura e  ação passavam pelo crivo da Inquisição. Com a perda do poder do clero, houve maior liberdade em se expor e disseminar as podridões que eram guardadas a sete chaves...






O CRIME DO PADRE AMARO – ÚLTIMA PARTE


Essas cenas de visitas de Amaro à  casa de tio Esguelhas, a saída regular do velho para deixar Amélia e o padre a sós, acabam por despertar na filha do velho um horror e um terrível ciúme de Amélia ao vê-la subir ao quarto com Amaro e numa das visitas que o cônego Dias faz à paralítica ela lhe conta tudo o que vê, das idas ao quarto, dos beliscões que o padre dá em Amélia e de toda pouca vergonha que ela ouve do seu quarto. Perante tal relato, o cônego Dias sente ímpetos de matar o padre e vai ter uma conversa com ele tentando pôr tudo em pratos limpos. Amaro reage e se defende jogando-lhe na cara o seu romance com a senhora Joaneira,  ameaça-o e acabam entrando num acordo.
O tempo passa. Numa certa manhã, Amaro procura desesperado o cônego Dias, Amélia estava grávida. Juntos tentam descobrir uma saída e planejam casá-la com o seu antigo pretendente, João Eduardo, enquanto a gravidez estava de apenas um mês. Propõem a solução à Amélia que, a princípio chora e reluta, mas depois acaba aceitando, o que causa uma certa crise de ciúme em Amaro deduzindo por si próprio que ela gostou da ideia de trocar de amante. A criada de Amaro sabe de toda a sua vida, antes ela fora prostituta e  o orienta a procurar uma mulher que servia de ama às crianças que não eram benvindas  e ele se interessa, deixaria seu filho com essa ama assim que nascesse, dessa forma não despertaria suspeita.Assim, ele e o cônego vão arquitetando todo o plano para afastar Amélia de Leiria: Dna. Josefa, irmã do cônego, tivera uma pneumonia e precisava restabelecer-se no campo, longe da cidade e necessitava de uma acompanhante, essa seria Amélia que com esse pretexto fugiria dos olhares curiosos de Leiria. A mãe de Amélia foi facilmente convencida pelo cônego, difícil foi convencer Dna. Josefa que não queria aceitar o fato de servir de ajuda indireta a uma vagabunda, como ela dizia, que engravidara de um homem casado, com certeza...Tudo decidido, Amélia segue viagem para Ricoça, um lugar distante onde passa o pior período de sua vida, vendo sua gravidez decorrer sob insultos e humilhações de Dna. Josefa, num tristeza sem fim, sem o amparo do padre que sumira e este era outro motivo das lamentações de Josefa que o considerava um santo a serviço de Deus que a abandonara porque ela foi para aquele fim de mundo por causa de uma mulher qualquer...E assim, a moça definhava dia a dia, aguardando o nascimento daquela pobre criança inocente que não tinha culpa de nada. Por essa época, Amélia conhece o abade Ferrão, um religioso cuja retidão de caráter era singular. A moça conta-lhe tudo o que lhe aconteceu e ele não se conforma com a tremenda falta de dignidade de Amaro. Durante as confissões, a orienta e consola, aconselhando-a a aceitar um possível pedido de casamento de João Eduardo que voltara à Leiria e estava bem empregado e com situação financeira estabilizada. Amélia vê na figura do abade um pai e passa a odiar Amaro que aparece uma certa tarde para fazer-lhes uma visita. É claro que ele não deixa nada transparecer à Dna Josefa, no entanto o desprezo da moça o irrita profundamente. Nas duas visitas que lhe fizera a atitude fora a mesma e ele resolve não mais aparecer por ali. Num encontro que tem com a mãe da Amélia justifica a falta de notícias da moça pela falta de tempo ao cuidar de Dna. Josefa. Retorna à Ricoça  e Dna Josefa lhe revela a respeito das confissões de Amélia com o abade rotulando-a de traidora por mudar o seu confessor. Enquanto ela fala, o padre fica pensando, temendo que ela tivesse contado tudo a respeito dele. Passa a odiá-la e a  desejar que a criança nasça morta, assim como a mãe, pois acabariam assim todos os seus problemas e ameaças a sua profissão. Passa a tratar a moça com indiferença, ouvira certa vez que esse argumento funcionava, usa-o e Amélia se joga novamente em seus braços num momento de carência e fragilidade da gravidez. Por sua vez, quando a moça tem o bebê, ela nem o vê; Amaro tenciona entregá-lo  a uma mulher que matava recém-nascidos indesejados, porém, arrepende-se quando o pega nos braços e dá dinheiro à mulher para que cuide dele.
Triste é o fim de Amélia que desespera-se quando não vê o filho, depois de tão longa e sofrida espera. O abade Ferrão  e o médico, Dr Gouveia tentam amenizar a situação, entretanto o sofrimento da moça aumenta e ela passa a ter convulsões que acabam por levá-la à morte.Amaro recebe a notícia da morte de Amélia com desespero, o remorso o corrói, ele tenta resgatar a criança com a ama a quem a entregara, no entanto ela lhe diz que a criança estava fraca e não resistira.
Desolado, arrependido pela insensatez que causara a morte de dois inocentes ele se retira para Lisboa, alegando a morte de um irmão, o que lhe vale uma licença. Antes de partir dá dinheiro para o enterro do anjinho cuja morte era o responsável indireto. Quanto à Amélia é enterrada em uma cerimônia triste, longe da mãe e dos amigos. O único amor fiel segue seu funeral entre lágrimas, João Eduardo que após sua morte vai definhando até ser acometido por uma tuberculose que também leva sua vida.
Passa-se algum tempo após esses tristes acontecimentos. Amaro agora em Lisboa encontra-se com o cônego Dias e comentam os últimos acontecimentos durante o Massacre dos Comunas, uma revolução socialista que reivindica igualdade de direitos entre os nobres, clero e trabalhadores, lamentando os fuzilamentos de padres e autoridades por socialistas e republicanos. Por incrível que pareça os dois padres, Amaro e o cônego, ainda se acham vítimas inocentes das calúnias e  não merecedores de tanto desrespeito...
Amaro e o cônego encontram-se ali com o conde de Ribamar (marido da filha da marquesa para quem a mãe de Amaro trabalhava) o responsável pela sua nomeação em Leiria. Segundo o conde, as revoluções acontecem e de nada valem, pois tudo volta a ser como antes, ninguém mais falaria em democracia ou república, sequer teriam  olhos para o mundo de pessoas miseráveis e famintas e ainda reitera que o povo é privilegiado, pois tudo corre as mil maravilhas...

PRINCIPAIS PERSONAGENS DESTE LIVRO:


Amélia e Amaro – protagonistas do romance.
Marquesa de Alegros – mulher para quem a mãe de Amaro trabalhava, financiou seus estudos para padre.
Joana Vieira -  mãe de Amaro, criada da marquesa.
Dna. Luísa – filha mais velha da marquesa.
Tio de Amaro – merceeiro rude e mau que maltrata o menino Amaro e o põe cedo para trabalhar.
Conde de Ribamar – casado com a filha mais velha da marquesa, arruma a colocação para Amaro em Leiria.
Padre Silvério – de Leiria, gordo, preguiçoso.
Padre Natário – de língua ferina, vivia blasfemando e odiava todo o mundo.
Cônego Dias – amante da Sra. Joaneira, mãe de Amélia, melhor amigo e confidente  de Amaro.
 Padre Miguéis – grosso como um aldeão, de maneiras impolidas, arrotava no confessionário.
Padre Gusmão -  falso, de maneiras estudadas para agradar às beatas.
Libaninho – beato,não saía da igreja com jeito afeminado, não assumido.
Dr Godinho – um puxa-sacos que não se definia politicamente, dono do jornal.
João Eduardo – apaixonado por Amélia, o amante  perfeito, aceitava-a de qualquer maneira.
Ruça – criada da Sra. Joaneira, sofria de tosse crônica, era magra e tísica.
Dionísia – criada, prostituta, trabalhava para Amaro.
Abade Ferrão – o único padre honesto do romance que realmente acreditava em Deus e fazia o bem às pessoas.
Dona Josefa – irmã do cônego Dias, mulher de falsa moralidade que julgava a tudo e a todos segundo sua crença.
Dna. Maria Assunção – outra beata que não saía da barra dos padres.
"Deixe aqui um comentário ou uma indagação, eles serão muito benvindos"


terça-feira, 7 de maio de 2013


Continuando a narrativa, cabe aqui mencionar que a má-índole que desrespeita a ética e agride os direitos humanos não ocorre apenas com religiosos, ela prolifera em todos os setores da nossa sociedade e tem causado inúmeros danos no decorrer do tempo...






O CRIME DO PADRE AMARO – PARTE II



Alguns dias antes da chegada em Leiria, Amaro escrevera ao cônego Dias solicitando-lhe que arranjasse  uma casa simples para ficar e o cônego interessado em arranjar uns tostões a mais para a sua amante, Sra. Joaneira, indica-lhe a casa elogiando-a na sua dedicação doméstica. Na verdade, a real intenção de Dias era dar menos dinheiro à mulher e assim resolvia-se o problema.
Finalmente, chega Amaro que é muito bem recebido por todos. Já na casa, simpatiza-se com Amélia à primeira vista e esta com ele. Era um rapaz jovem e bonito. Com o passar dos dias, essa amizade vai se transformando em amor mútuo. Desta forma, torna-se difícil disfarçar o que estavam sentindo um pelo outro e João Eduardo, antes o centro de atenção de Amélia, sente-se rejeitado e começa a sentir ciúmes daquelas conversinhas amigáveis entre os dois jovens. Amélia disfarçava bem seus sentimentos, mas apesar disso, João Eduardo sentindo-se ameaçado, resolve vingar-se de Amaro.Para tanto, consegue a aprovação do dono do jornal onde trabalhava para publicar um alerta às mães de família contra a falsidade dos padres que se escondiam atrás de uma batina para levar as moças à perdição.Citava também, casos de outros padres que possuíam amantes às ocultas e pela descrição que fazia de um deles não era difícil reconhecê-lo, tratava-se do Padre Brito,  amante da mulher do administrador de sua igreja.
O escândalo levantado pelo artigo faz com que o padre Brito seja mandado embora de Leiria para outra freguesia, a fim de evitar consequências piores para o nome da igreja. Por sua vez, o Padre Natário, sempre blasfemador e grosseiro, queria resolver a ofensa na pancada. Quanto a Amaro que já havia beijado Amélia no pescoço quando passeavam por um sítio, achou mais prudente mudar-se daquela casa e pede ao cônego que lhe ache outra para morar. Assim, ele sai dali entre lágrimas da Sra. Joaneira e de sua filha que o adoravam. Durante o período em que ali vivera, no recato do seu quarto, Amaro ocupava-se apenas com pensamentos mundanos a respeito da jovem, como o momento em que ela se despia, nos seus seios e outros mais libidinosos achando que ela devia trocar seu atual confessor por ele, pois só assim teria oportunidade de ficar a sós com ela e poder dizer o que sentia sem ser percebido.
Quanto ao cônego, Amaro já o havia flagrado aos amores com a Sra. Joaneira e julgou-a assim como sua filha como gente de mau-caráter, num primeiro momento. A nova casa de Amaro é fria, sombria sem a alegria da anterior, tem uma criada desleixada e o padre resolve se afastar uns tempos da antiga casa para a tristeza de Amélia que o esperava todas as noites em vão. Por esse tempo, João Eduardo recebe um cargo no governo civil e resolve pedir a mão de Amélia em casamento.Quem recebe a notícia é a mãe, que toda radiante a transmite à filha. A princípio, a moça recusa-se a aceitar o pedido, mas raciocinando melhor, vê nisso uma segurança para o seu futuro, depois a mãe não era para sempre e o padre ela poderia continuar encontrando às escondidas.
Revela-se aqui, a pouca retidão de caráter da moça que tencionava casar-se e enganar o futuro marido. A notícia do casamento de Amélia caiu como uma bomba sobre Amaro que tentava a todo custo terminar com aquela estória, precisava livrá-la disso, porém carecia de um bom motivo e ele veio: o padre Natário descobre o autor do artigo que manchou o nome do clero e numa reunião entre eles combinam que irão desmascará-lo. Para isso,  iria até a direção do jornal e esclarecer o fato diretamente com o dono e pressioná-lo. O Sr Godinho era conhecido  pelo seu caráter de falsidade e assim sendo, não iria apoiar o redator do artigo. Quanto a Amaro ficou estabelecido de que ele ficaria encarregado de dissuadir Amélia do casamento, convencendo-a de que aquele não seria um bom marido, uma vez que a difamara em um jornal sugerindo que ela era amante de um padre. E o melhor argumento: ele ofendera um representante de Deus sem prova concreta alguma, portanto um excomungado. Conforme sabiam, a moça criada sobre fortes princípios religiosos não aceitaria um homem assim como esposo. Em seguida, após tentar o plano com Amélia, Amaro vai ter com Dna. Josefa, irmã do cônego que era madrinha da moça, pedindo-lhe que reforce esta tese junto à moça, plano  que surtiria o efeito desejado.
Após o fato, Amélia escreve uma carta ao noivo terminando tudo. O infeliz do moço dirige-se a um bar e juntamente com um amigo de ideais republicanos que ali encontrara, bebe até o amanhecer... Ao sair do bar, depara com Amaro e lhe acerta um murro de raspão, fato que o leva ao administrador da cidade, homem que na maior parte do tempo se ocupava em olhar com binóculos a mulher do alfaiate Teles.
Temendo, porém que o caso chegasse até os superiores da igreja, Amaro resolve perdoar seu agressor, ganhando assim mais glória entre seus fiéis que o compararam a Cristo a oferecer a outra face...
 Quanto a João Eduardo, humilhado e sem moral alguma, não lhe restou alternativa senão ir embora dali, deixando o caminho livre para o padre que volta a frequentar a antiga casa e quando uma das moradoras antigas, uma velha entrevada, morre é ele quem vai prestar-lhe a extrema-unção. Aproveitando-se da presença de todos ao redor da moribunda, dedicando-lhe os cuidados finais, Amaro aproveita-se para abraçar e beijar Amélia junto à lareira. Assim que a velha morre, a moça passa a se confessar com o jovem padre, conforme conselhos da madrinha, e no confessionário eles combinam seus encontros clandestinos na casa de tio Esguelhas, um velho sineiro, pai de uma moça paralítica e louca (Totó) que ficava presa a uma cama. Com o pretexto de ajudar a pobre moça a ler para estudar a Bíblia, Amélia passa a visitar regularmente a casa acompanhada de Amaro, cujo real intuito era formar a moça para que ela se tornasse freira, e esta foi a desculpa dada ao pobre tio Esguelhas para que deixasse o quarto sempre bem arrumado para este fim. E também a solicitação do retiro espiritual que necessitavam para esse estudo, fato que fazia com que o velho se retirasse e os deixasse sós...

terça-feira, 30 de abril de 2013


Estou dividindo os trabalhos desse blog em textos de opinião cujo teor é sempre crítico, polêmico dado ao contexto, em que não diria apenas o Brasil, entretanto o mundo está inserido em nossos dias, e em comentários a livros lidos, que julgo um tipo de literatura muito útil para quem estuda e se prepara para vestibulares, cujo tempo é bastante escasso e não permite a leitura de toda a bibliografia a ser vencida. Aproveitando o gancho do último livro comentado que apesar de ser uma literatura brasileira, trata de enredo e personagens portugueses, passo hoje a enfocar outra obra, desta vez, literatura portuguesa de um autor a que amo muito e admiro pelo estilo, maneira de escrever e conduzir as narrativas e diálogos: Eça de Queiroz.


BIOGRAFIA DO AUTOR


Dados sobre o autor: Nascido em 1845 em Portugal, próximo à cidade do Porto, estudou advocacia e trabalhou em jornal, “O Évora” como diretor. Autor de revista de crítica social, já demonstrava vontade de contradizer o meio social em que se inseria, frequentando reuniões com um grupo de intelectuais boêmios dirigidas por Antero de Quental. Transferindo-se para Londres, escreve “O Primo Basílio” outro clássico onde o tema da infidelidade conjugal é abordado. Este romance que vou comentar, “O crime do Padre Amaro,” caracteriza-se por ser a sua primeira grande produção literária. Foi primeiramente publicado em uma revista por meio de folhetins, sem a sua autorização em 1875.
Cinco anos depois o romance é publicado com mais rigor.

CARACTERÍSTICAS DA OBRA



Esse trabalho indica um rompimento com o Romantismo afirmando um compromisso com a observação científica da realidade fornecendo uma contribuição para o desenvolvimento social.
Trata-se de uma crítica à sociedade portuguesa da época que segundo a filosofia do Realismo-Naturalismo deveria sugerir ao leitor uma reforma social e a conscientização dos problemas, encaixando-se nas características da estética e sobretudo, que mostrasse um autor neutro face à problemática, fato questionável, uma vez que percebe-se claramente as ideologia de um escritor por mais neutralidade que ele tente demonstrar.
A obra apresenta uma crítica mordaz ao clero que, na figura de Amaro, (protagonista), desfaz o mito dos religiosos perfeitos e obedientes a Deus, como todos acreditavam na época, porque o padre demonstra uma fraqueza de caráter, ideais mesquinhos, tudo fazendo às ocultas para realizar seus instintos sexuais e carnais em detrimento ao respeito pelo ser humano, atitudes pouco dignas e inaceitáveis na personalidade de um religioso que nas palavras era todo retidão e nos atos uma figura devassa, indigna.
A teoria do Naturalismo (observação científica dos fatos) está presente no desenvolvimento da trama na manifestação dos desejos libidinosos, sexuais do padre e que não podem ser reprimidos mesmo tendo convivido em um ambiente místico e altamente religioso, é a força dos hormônios, das glândulas dominando o meio das orações e amor a Deus. Através dos adjetivos usados pelo autor como lascivos (sensuais) atribuídos aos padres, bem como pelas metáforas utilizadas há a percepção da condução contra o clero através da crítica constante, não apenas a Amaro, mas a todos os eclesiásticos citados no romance com uma única exceção: o abade Ferrão. Estão presentes o reacionismo burguês e a luta dos jovens intelectuais também rotulados satiricamente por: envernizados de literatura contra à nobreza e seus protegidos (o clero) que por si só não seriam capazes de realizar uma transformação social no país, dado a seus princípios pouco nobres...
Há a alusão de que este romance teria sido uma cópia de “La faute de L’abbè Mouret” (A falta do abade Mouret) de Émile Zola, no entanto, essa crítica de Machado de Assis foi considerada irrelevante, uma vez que eram enredos totalmente diferentes, a semelhança era somente nos títulos.








O CRIME DO PADRE AMARO  -  PARTE I



Na cidade de Leiria, Portugal, morre o pároco da cidade, José Miguéis da Sé de uma apoplexia e seu lugar fica vago. Não era bem aceito e nem tampouco estimado, principalmente pelas mulheres que não apreciavam o seu jeito impaciente ao ouvir seus relatos, verdadeiras ladainhas que descreviam estórias de visões divinas e jejuns. Além do mais, não era polido ao arrotar no confessionário, era rude e muito grosseiro. Ao contrário, as beatas preferiam confessar-se com o padre Gusmão, cheio de lábia e falsa educação.
Apenas um era amigo fiel do padre José Miguéis, o seu cão Joli, que ninguém quis adotar e que após a morte do seu dono fica perambulando pelas ruas e acaba morrendo de fome, levando com ele a única lembrança do finado pároco.
A cidade carecia urgentemente de um substituto e o Padre Amaro, recém-formado, é indicado por influências políticas para ocupar a vaga na Sé. Ali, ninguém o conhecia com exceção do cônego Dias que morava em companhia de uma irmã, Josefa Dias, uma beata das mais fanáticas, além de preconceituosa e ignorante, e que  por amor às suas crenças religiosas deixava de ajudar as pessoas se estas lhe pareciam indignas segundo a sua falsa moralidade.
Quanto ao irmão,  o cônego Dias, não era nenhum poço de virtude, tinha uma amante às escondidas, uma senhora dos seus quarenta anos aproximadamente de nome Augusta Caminha que durante toda a narrativa vai ser conhecida como senhora Joaneira, alcunha que recebera por ter nascido em São João da Foz. A sua casa era permanentemente frequentada por toda a sorte de padres e beatos que todas as noites ali se reuniam para jogar loto, fofocar e se divertir. Joaneira tinha uma filha, Amélia Caminha, bela, de boa índole, criada pelos princípios da mais alta fé cristã e que nem de longe suspeitava das ligações da mãe com o cônego. A sua casa era também frequentada por um rapaz, João Eduardo, que amava a moça e também não era por ela ignorado, este trabalhava na tipografia do jornal “A voz do distrito” aguardando ansiosamente que lhe aparecesse uma vaga no governo civil para poder ter o que oferecer à menina Amélia e pedi-la em casamento.
É para esta casa que vai morar o Padre Amaro assim que chega à Leiria...


Deixe aqui uma indagação ou comentário, eles serão benvindos.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Boa-noite a todos amigos leitores participantes desse blog. O post de hoje trata-se de um texto escrito já há algum tempo e que encontrei  em um caderno. O mesmo pedia para ser publicado porque se encaixa perfeitamente no quadro em que estamos inseridos hoje; o da violência sem limites, o da maldade desumana que ceifa milhares de vidas nesse país dito maravilhoso, "gigante pela própria natureza" que não cuida bem de seus filhos. E olhem que o texto foi escrito há mais de dez anos e já se estampava essa impunidade e decadência da qualidade da espécie humana.
A intenção era comentar um outro livro lido, porém não encontrando no momento as anotações necessárias, passo a discutir esse assunto polêmico que ocupa boa parte da mídia com  sua  exposição.Espero que gostem...










MUROS E GRADES


Já há algum tempo, a população brasileira vem sendo obrigada a transformar seus lares em verdadeiras prisões particulares.
Para os mais privilegiados, o sistema é sofisticado e envolve desde a construção de fortalezas e equipamentos de vigilância à contratação de profissionais privados do ramo, no que há empresas que se destacam com brilhantismo enquanto outras sofrem com as irregularidades e distorções de caráter dos seus próprios funcionários.
A grande pergunta sem resposta até o momento é: como a violência pôde crescer de forma tão assustadora quando os cidadãos pagam altos preços por segurança pública que abriga em seu ministério centenas de especialistas?
A questão é complexa e parece insolúvel, hoje temos medo de tudo; de sair, de viajar, de ficar em casa, pois não temos a tranquilidade necessária em lugar algum. Mesmo nas pequenas cidades, se compararmos o modo de vida de outras épocas, verificaremos que a paz foi absorvida pelos latrocínios, sequestros, roubos e até crimes hediondos. Este milênio apresenta-se assustador e nos revela que sequestros não ocorrem apenas com milionários ou com aqueles economicamente mais favorecidos, aliás,  porque esses têm um esquema de segurança a toda a prova está se tornando mais difícil abordá-los e a solução para os marginais é atacar as pessoas da sofrida classe média hoje sobrecarregada com uma carga tributária abusiva e  injusta. Esses cidadãos se tornaram o alvo para aqueles que querem garantir dinheiro rápido com maior facilidade.
Matéria de grandes revistas, esse tema polêmico muitas vezes abordado não registra o início de tanta violência contra o ser humano.
As causas são inúmeras: sem dúvida alguma, em lugar de destaque estão as famigeradas migrações desordenadas para  capitais sem estrutura para recebê-las no aspecto de Moradia, Segurança, trabalho, Saúde entre outros, ressaltando-se sobremaneira como as grandes vilãs, geradoras deste verdadeiro câncer social e moral que devora pouco a pouco a nossa tranquilidade, aliadas à falta de cultura e Educação que fazem muita falta ao aprimoramento do homem, principalmente ao atual.  A desestruturação familiar  que lota orfanatos, joga nas ruas crianças na mais tenra idade, ambulantes, flanelinhas, pedintes, artistas populares  no mundo negro do subemprego  já é um passo para a marginalidade e para o crime...
Os motivos são tantos que fogem ao controle das leis e da sua aplicação real, a verdade é que a qualidade humana, dita racional, está deixando muito a desejar num momento em que religiões proliferam em cada canto das cidades. Nunca se falou tanto em preceitos morais e passagens bíblicas como hoje, entretanto, apenas da boca para fora, a miséria econômica e intelectual da massa vem ocasionando o aumento no índice de crimes, roubos, vandalismos e outras feridas mais. Grupos milionários certamente sobrevivem e tiram benefício dessa situação caótica.
Muros e grades não são a solução para o problema, serão sim, responsáveis pela criação de um novo homem: neuro-psicótico temendo até à morte o seu par...


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terça-feira, 16 de abril de 2013


A obstinação, a persistência são as armas dos fortes que nunca desistem de um ideal, enfrentando a morte se preciso for...






Viagem ao mundo desconhecido parte III



Inicia-se a tão esperada viagem, as pesadas naus partem deixando choro e tristeza de familiares que sabiam que a volta era incerta, a empresa perigosa. Passando depois de alguns dias pelas ilhas de Tenerife e Cabo Verde, Magalhães desvia-se da rota de Vasco da Gama e corajosamente toma rumo do ocidente num misto de emoção e medo.
 Ao verificar a mudança da rota, principiam seus problemas com o comandante do San Antonio, Cartagena não concordou argumentando que o capitão nada avisara e que ele deveria dar explicações de seus atos aos outros comandantes. Em uma acalorada discussão, Magalhães o destitui do cargo e ganha um inimigo declarado.
Continuando a viagem, passam pelo Brasil nos estados de Pernambuco e Rio de Janeiro onde trocam mercadorias com os índios locais e abastecem os navios. Navegando mais para o sul o observador vê um  monte e grita: “Monte video” que significa monte à vista. Este nome vai denominar a capital do Uruguai. Vai contornando o extremo sul do continente sul-americano, Terra do fogo, Patagônia onde um perigoso estreito de mar turbulento causa muito trabalho para ser vencido, era a luta de um gigante contra um menino. Mais tarde esse estreito receberia o nome de Estreito de Magalhães em sua homenagem.
Muitos transtornos ocorreram nessa longa viagem, quando alcançaram o Mar da Prata, ficaram perdidos, o frio era insuportável, o desânimo era total e os marinheiros começaram a ter dúvidas sobre a eficiência do plano de Magalhães que finalmente consegue achar o caminho desejado, porém perderam quinze dias com o engano do navegador que julgara ter encontrado um estreito para o revolto Pacífico que não se concretizara e só agora fora encontrado.
 A viagem continua penosa. Numa das manobras, perde um navio, o San Antonio. Há uma conspiração de três naus contra ele que consegue reassumir o comando matando dois revoltosos e os conspiradores Cartagena e um religioso a bordo do navio são abandonados em uma ilha deserta com alguns víveres.
Seguindo a viagem novamente o estoque de frutas e legumes se acaba, a tripulação é acometida de escorbuto com a carência das vitaminas e muitos deles acabam morrendo. Com uma fibra interminável Magalhães segue sem esmorecer pelas ilhas que vai descobrindo e tenta levar o nome e a religião da Espanha, batiza índios e leva até alguns deles no navio.
Entretanto não eram todas as tribos que aceitavam pacificamente estas conversões ao Cristianismo e ao domínio espanhol: numa delas, denominada Cilapulapu, nas Filipinas, torna-se preciso usar a força para subjugá-los. Na luta, Magalhães que tinha um defeito físico em uma das pernas leva desvantagem ao cair e é morto ali mesmo pelos nativos. Seu fiel amigo, Pigafeta, ainda tenta ajudá-lo, porém foi em vão, todos fugiram e corpo do comandante nem pôde ser resgatado.
Diante do quadro que se revela, funesto para Magalhães, um dos seus conspiradores, o espanhol Del Cano, assume o comando da última nau, Victoria, já que todas haviam se perdido na perigosa empreitada, terminando a tão complicada viagem de circum-navegação provando que a Terra era realmente redonda.Na viagem de volta, resgatam o outro revoltoso, Cartagena, e o padre que haviam sido abandonados  na ilha por Magalhães.
Na chegada de volta à Espanha, as honras e glórias são dadas a Del Cano num primeiro momento. Mais tarde, graças ao escrivão e amigo de Magalhães, Pigafeta,os reis tomaram conhecimento da tremenda realização e esforço do comandante e suas descobertas que incluíam ouro e especiarias.
Como homenagem póstuma atribuíram seu nome ao estreito que conseguiu ultrapassar : Estreito de Magalhães.”

Essa narrativa e comentário teve como base de pesquisa o livro "Viagem ao mundo desconhecido" –Francisco Marins e "Magalhães e a América do Sul" – Colin Hynson.



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