segunda-feira, 29 de maio de 2023

Contrastes

Li a frase, vi como é profunda e comecei a escrever:


Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria."  (Khalil Gibran)



😞😊


Nunca vi pensamento tão preciso como esse, os contrastes  são a antonímias da vida que nossas experiências costumam conhecer no percurso e testar  seus sabores. Aliás, tudo em nossas existência apresenta as duas faces da moeda.

Se temos desafetos e dissabores, até mesmo ódio, certamente reconheceremos o magnífico significado do amor. E saberemos identificá-lo pela própria ideia de diversidade entre os sentimentos. 

Triste, entediante versus  maravilhoso, mágico, alegre, contagiante. 

Se convivemos com a paz, seguramente aprendemos a diferenciá-la do tormento de uma guerra com todas as suas calamidades.

Pelo ideal de respeito, valorização é que diferenciamos  a indiferença e desrespeito nas atitudes humanas. 

Através do belo, conceituamos o feio, o deplorável: a percepção do belo nos leva à concepção do feio, embora esse último se caracterize geralmente pela diferença de padrão entre dois indivíduos ou coisas.

 Do bem, distinguimos a maldade, a mesquinhez. 

O espetacular sim nos proporciona entender a frieza e dureza de um não, que pode nos atrapalhar por toda uma vida!

Há quem tenha tudo, embora seja praticamente impossível que isso aconteça e que  nos leva à noção do nada avassalador, embora dificilmente haja essa eventualidade tão crua e radical. 

Se há o forte, obviamente o fraco será o oposto, fato reconhecível pela própria acepção da palavra.

Do mesmo modo, o egoísmo, uma valorização exacerbada de egos doentes, nos possibilita enxergar e compreender o valor do altruísmo.

Pela dor, vislumbramos  o prazer e sua agradável sensação; do adjetivo bom, temos o mau através da  analogia  de ações ou processos mentais,  e assim por diante.

Ficaríamos por dias expondo uma lista interminável de antíteses em vocábulos até a exaustão.

Calmo e nervoso; extrovertido e tímido. Mudando da classe dos nomes para os verbos: construir-demolir, adiantar e atrasar...

Enfim, a frase de Gilbran é verdadeira e única, uma vez que as palavras não são simples sinais gráficos, elas vêm carregadas de emoção e sentimentos.



segunda-feira, 22 de maio de 2023

É preciso ter coragem




👥🔎🔍🔍🔍



 Revendo excertos de uma antologia que aprecio guardar, encontrei o seguinte pensamento de Gustave Flaubert:

"Os momentos mais esplêndidos da vida não são os chamados dias de êxito, mas sim aqueles em que sentimos erguer-se dentro de nós um desafio à vida, e a promessa de futuras realizações"


Há uma profundidade contida nessas palavras como em qualquer outra criada pelos gênios da literatura e das artes. Um amarrar de conceitos e ideias cuja veracidade é obtida depois de reflexão e raciocínio. Por essa razão, devemos selecionar os textos de leitura, para que ativemos nosso cérebro a fim de encontrar uma concepção fundamental que nos acrescente lições de vida.

Muitos ao analisarem o conteúdo desse pensamento discordarão logo de início, uma vez que o adjetivo esplêndido significa magnífico, maravilhoso. Como podemos não eleger dias exitosos como espetaculares? É tudo o que sentimos quando conseguimos realizar, acertar um empreendimento. No entanto, muitas vitórias que obtemos não constroem, não acrescentam muito em nossa vida.

E ao contrário dos dias de êxito, nos realizamos ao enfrentar muitos dias de derrota, de árduo trabalho no sentido transformar situações praticamente impossíveis de resolvê-las e finalmente obter uma solução que nos alivie, nos retire da tensão e nos possibilite a transformação em outras ocasiões semelhantes. 

Em todas as profissões exercidas pelo ser humano isso ocorre: um médico ao ter êxito em cirurgias que realiza fica feliz e torna outros felizes, porém o que o faz descobrir novos caminhos e crescer em sua prática são aqueles dias em que necessita reunir forças e estudo incansável para enfrentar o desconhecido, desafiando seus conhecimentos, e mudando sua práxis.

É o raciocínio constante em um objetivo de aparência impossível, que é atingido após dias, meses e até anos de persistência e luta.

Não importa nesse caso, o sexo, se masculino ou feminino, a idade, se jovem ou ancião, ou qualquer outra convenção imposta pela sociedade. A qualquer um é outorgado o direito de desafiar, criar coisas novas, lançar-se nas redes da vida, debruçar-se sobre questões relevantes para a humanidade. Se nunca o fazemos, nossa vida será vazia, praticamente sem um ideal a perseguir. E essa atitude deve ser um moto contínuo, precisamos constantemente provocar nossa capacidade ao longo do tempo, provando que somos capazes, que é possível criar e vencer obstáculos.

A nós, de idade mais avançada, porém com uma bagagem de experiência bastante pesada, a necessidade de vencer provocações são eternas,  aparecem diariamente e se perdemos a oportunidade de lutar nesses dias difíceis, abandonando o desejo de conquistar um ideal, estaremos entregues ao fracasso que nos leva ao desânimo e até à morte.

Atualmente, vivemos em convivência com o novo, com criações inteligentes, novas linguagens diferentes de outras décadas que já vivemos. Pode ser que a população mais jovem nem entenda o mundo de ontem e ao mesmo tempo não compreenda porque é tão difícil para seus avós e parentes mais velhos lidar com algo que para eles é rotineiro.

A linguagem digital chegou e ainda está no seu primeiro estágio de desenvolvimento, criações muito mais surpreendentes aguardam aqueles que conseguirem sobreviver por mais algum tempo...

É nosso dever, e me refiro aos mais velhos, ou mais vividos, buscarem pelo conhecimento daquilo que nos é complicado, desfazendo esse paradigma, entendendo a necessidade de mergulhar naquilo que nos é obscuro e acender a luz da boa-vontade, do desejo de vencer, transpor obstáculos. Isso realmente é o que ficou expresso na mentalidade magnífica de Flaubert quando criou  sua frase famosa.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Fama e poder

 







É simplesmente inacreditável o poder que uma celebridade tem! Enquanto milhares de pessoas comuns, se matam para ganhar evidência, destaque, visibilidade nas plataformas e meios digitais e até em seu campo profissional, basta que um famoso diga "oi" para que receba em segundos, bilhões de likes e subscrições.

Atualmente, a qualidade dos conteúdos não é mais levada em conta, alguém acabou de afirmar, o que vale mais é a manchete e quem está envolvido no conteúdo divulgado. Ainda reforçando esse tema, verificamos diuturnamente com uma certa tristeza que o cidadão vale pelo nome que carrega, não por suas virtudes, cultura, conhecimento. Se tem o poder da mídia a suportá-lo está feito, do contrário, morrerá na obscuridade.

Fato revoltante, porém causado pelo próprio povo, essa massa incontrolável que segue a corrente, que rema a favor de pessoas privilegiadas pela própria sorte e pelo poder do dinheiro e da influência que conseguem com a maior facilidade. São coisas inevitáveis que jamais conseguiremos mudar um dia. Parece que o ser humano tem o prazer de valorizar o supérfluo, o fútil em detrimento do que realmente importa.

Não contam localização geográfica, tamanho de cidade, nível sócio-cultural etc. Quem não se recorda daqueles que sempre adoram perguntar: de que família você vem? E oferecem um semblante de admiração quando a resposta vem de encontro à tradição de posição ilustre, geralmente, obtida pelo poder econômico que envolve o nome, ou melhor dizendo, o sobrenome daquela pessoa. É algo mesquinho, que traz um traço de violência envolvida no processo, Que culpa tem o pobre cidadão de não pertencer a estirpes nobres, não ter nascido em berço de ouro, ou descender de famílias poderosas em uma sociedade?

Assim conjeturando, verificamos que pequenas e grandes cidades apresentam seus personagens principais glorificados de geração em geração e os secundários que dificilmente galgarão o limite da indiferença e da escuridão. Muitos acreditam que textos como esse são próprios de pessoas de baixa autoestima,  complexadas e fracas, entretanto não é o que ocorre, sabemos de antemão das dificuldades que muitos tiveram e têm para chegar ao limiar da fama e do sucesso, felizes aqueles que o conseguem! Seja no campo profissional, artístico ou espiritual.

Quantos seres nascem e morrem no anonimato, sem que ninguém se lembre deles...Mas um famoso é lembrado nas duas ocasiões e como o são! A endeusação é tão maciça que incomoda quando as mídias televisivas, jornalísticas e digitais, o divulgam até nos momentos finais a cada segundo, sem trégua , levando à loucura se não nos livramos de tal praga, desligando as telas e fechando os olhos a essas informações intermináveis. Só lembrando, que todos os que morrem se tornam santos intocáveis a  despeito de toda a canalhice que tenham apresentado, e tudo com o apoio total da grande massa.

É preciso mudança, ter olhos para todos e não a grupinhos privilegiados laureados simplesmente quando abrem a boca para pronunciar seus nomes! 

E esse tal poder como foi obtido? Conta a história que desde os primórdios aqueles que gritaram, se impuseram pela força  obtiveram admiração e controle sobre os outros  . Há aqueles casos mais raros que fizeram seu nome pela honra e pelo legado que deixaram à humanidade.

Uma coisa é certa, isso precisa ser alterado!






quarta-feira, 3 de maio de 2023

Inteligência que destrói

 Revendo as datas comemorativas, fiquei sabendo de que o dia 3 de maio é dedicado ao pau-brasil...





Flores do pau-brasil https://iloveflores.com/pau-brasil/




Se mencionamos hoje a uma criança o nome dessa árvore tão importante historicamente ligada ao nome do nosso país, provavelmente ela não saberá reconhecer uma espécie tão distante no tempo e também no espaço, pois todos sabemos sobre a devastação da mata Atlântica ao longo dos anos  e o interesse monetário que a envolveram, acabando por tornar aquele vegetal uma raridade.

A Caesalpinia Echinata (nome científico), cujo tronco avermelhado forneceu corante e matéria-prima para móveis em  vários países, foi conhecida por várias outras denominações: ibirapitanga (significando árvore vermelha na língua tupi), pau de pernambuco, ibirapitã, pau de tinta, entre outros foi largamente explorada ao longo dos anos, até antes do descobrimento do Brasil, chegando ao ponto de vegetal em extinção desde 1992 segundo fontes de pesquisa. Também considerada oficialmente árvore nacional do país desde 1978, é atualmente protegida por lei e reconhecida como madeira ilegal para corte.

Em algumas fontes, há a informação de que o verdadeiro pau-brasil, seria outra árvore: o pau-ferro, que também apresenta no interior de seu tronco a cor avermelhada como a Caesalpinia Echinata.

Mais uma vez nos deparamos com a ganância, a volúpia da aquisição de  riquezas através do extrativismo insano que tanto destruíram e continuam dilapidando nosso patrimônio vegetal. E nessa questão econômica não existem  bom senso,  ética nem a consciência socioambiental, o que rebaixa a humanidade a uma condição de irracionalidade a toda a prova.

Entretanto, a história se repete e diariamente tomamos ciência da assolação efetuada pelo ser racional na flora, na fauna, na mineração e até no espaço sideral, cuja poluição atinge,  no momento, níveis incontroláveis, submetendo-nos ao perigo de que o lixo orbital entre na atmosfera e caia sobre as nossas cabeças...

O que é preciso fazer para que este quadro se apague definitivamente da face da Terra? Acredita-se que uma educação de qualidade, uma paternidade responsável e consequente formação consciente, aliadas a uma constante vigilância possam ser a solução para uma tragédia anunciada que não tarda a chegar. 



Pau- brasil https://www.ibflorestas.org.br/lista-de-especies-nativas/pau-brasil




Fontes de pesquisa:

https://www.calendarr.com/brasil/dia-do-pau-brasil/

https://brasilescola.uol.com.br/historiab/pau-brasil.htm

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Stranger things

 O caro leitor já se deparou com coisas estranhas, que fogem da sua compreensão? Acredito que sim. Acontece, e até com uma certa frequência...






Foi em uma viagem para Tietê, uma cidadezinha do interior paulista na rota para Rio Claro. Local agradável e aconchegante. Até parece uma cidade daquelas de brinquedo infantil; a pequena praça toda florida e rodeada de grama verdejante. Árvores, a igrejinha a repicar o sino do meio-dia, até um inusitado casamento com uma sessão de  fotos do casal aproveitando o cenário acolhedor.

Caminhando ao sabor do vento que brincava com meus cabelos e do sol que desperdiçava seus raios quentes e brilhantes, meus olhos se  surpreenderam com uma árvore nunca vista. Não era tão alta, seus galhos projetavam-se sobre o muro da bela residência, parecia até mais ser arbustiva; as folhas escuras e brilhantes se mostravam normais. No entanto, o que chamou a minha atenção foram os frutos. Sabe quando você se depara com algo que não é costumeiro e por mais que force para descobrir não consegue?

Pois então, não me contive e resolvi registrar a imagem em uma foto, antes me certificando de que o morador da casa não estivesse por ali. A maioria dos frutos do tamanho de uma melancia pequena (daquelas do tipo transgênica, sem sementes), mas de uma cor abóbora bem forte. Outras em número menor, verdes, porém da mesma proporção.

O curioso é que as frutas coloridas pareciam pintadas a mão, e até se assemelhavam a bolas artificiais de decoração, entretanto procurando pelos suportes ou ganchos que as prendessem, não os encontrei. Deviam ser leves como são os maracujás, pois do contrário, os galhos finos não suportariam o peso delas.

Sempre tive adoração por plantas e árvores, até me admiro não ter estudado botânica, tal a paixão que tenho por elas, deste modo, queria descobrir a todo custo que tipo de vegetal era aquele. Que eu saiba, melancia não poderia ser, são plantas rasteiras, esses frutos não dão em árvores.

Entrando na sorveteria, que mais se assemelha a casa de doces de João e Maria, me servi do sorvete e resolvi perguntar à atendente se ela conhecia que frutas eram aquelas, até mencionei se não eram decorativas, ao que ela me respondeu que realmente eram naturais, mas desconhecia o nome e ainda acrescentou que havia um pé desta espécie, "um único pé", ela frisou, no sítio da avó dela. Que as frutas são verdes, quando secam, ficam escuras e são pretas por dentro oferecendo um odor bem desagradável. 

Continuei na mesma, contudo, o que mais me surpreendeu foi o que ela disse:

-O dono da casa pinta as frutas de cor de abóbora quando elas ficam escuras, no próprio pé...

Se alguém conhecer a tal árvore ilustrada na foto acima, por favor deposite um comentário abaixo e acabe com a minha curiosidade...




quarta-feira, 19 de abril de 2023

Geocentrismo X Heliocentrismo

 

😡😡😡



Não sei se é do conhecimento do leitor que o dia de hoje, além de outras personalidades, é da mesma forma,   dedicado a Nicolau Copérnico, um matemático, astrônomo e também monge. De origem polonesa, nasceu no século XV em 1473, numa era de progressos da navegação na Europa. 

Um verdadeiro cientista, o intelectual formou-se também em Medicina. No entanto, o seu maior destaque deu-se na área de astronomia, uma vez que através de estudos baseados em um observatório rudimentar que construíra em sua casa, pôde concluir que a Terra girava ao redor do Sol, contrariando a Teoria do Geocentrismo defendida pela igreja católica. Escreveu em 1530 e apenas cogitou seus estudos em 1543, no ano de sua morte.

Sua obra denominou-se "Das revoluções dos corpos celestes" e sob a supervisão da Inquisição nesse período, demorou longos trinta anos para ser publicada. Antes disso, o frade Giordano Bruno que tentara revelar seus estudos, foi condenado à morte por contrariar os dogmas da Igreja Católica.

E a ciência travava verdadeira guerra para mostrar teorias e estudos que confrontassem  os ensinamentos da igreja, como o que aconteceu com Galileu Galilei (1564-1642) que ao intentar comprovar a teoria heliocêntrica de Copérnico foi ameaçado de excomunhão e morte, retrocedendo e mesmo assim terminando seus dias em confinamento.

Conforme informações, apenas no século XVIII Isaac Newton consegue divulgar seus estudos sobre o heliocentrismo  e o papa Gregório XVI concorda  e admite o erro da igreja, tirando a censura dessas obras valiosas, pois todas as publicações daquela época passavam pelo crivo do Papa para poderem ser impressas. 

Como podemos entender uma coisa destas? Quantas vidas valorosas, horas de estudo desperdiçados, premiados com censuras e martirizações? A justificativa apoia-se no fato de assumir um erro, perder o poder sobre fiéis e também não conseguir colocar em evidência apenas a Terra e o homem feito à semelhança de Deus como um ser que não era o centro do universo.

Tais fatos revoltantes e incompreensíveis aconteceram e acontecem até hoje pelos mais variados motivos: políticos se os estudos vão contra ideologias do momento; religiosas se contrariam dogmas das instituições; sociais e econômicas se atrapalham o lucro e a ambição desenfreada. Quantas vezes tomamos conhecimento de invenções de medicamentos, ou outros produtos que nem sequer conseguem ganhar a divulgação na mídia por ameaçar grandes grupos.

É triste, mas a história se repete, contra os poderosos, não há quem possa...


pesquisa em: Toda a matéria

wikipedia

domingo, 9 de abril de 2023

Oração de Páscoa




freepick





 Hoje se comemora uma festa tradicional de fundo religioso, o que para a inocência infantil se resume a um dos mais doces presentes: o ovo de chocolate. Mas apesar dessa cultura milenar, vem a pergunta: por que Páscoa? 

Segundo informações colhidas de sites da internet, a palavra provém do hebraico pessach significando passagem. Da mesma forma, para o povo judeu, representa a sofrida travessia do Mar Vermelho por Moisés e seu povo com o propósito de fuga do jugo egípcio em busca de liberdade em uma Terra Prometida. Para os cristãos praticantes com formação católica, principalmente, a data é celebrada como a ressurreição de Cristo, a passagem da funérea morte à vida eterna.

Falando um pouco mais dessas heranças histórico-culturais,  nos esbarramos na crença dos romanos que nos aproxima mais do hábito de presentear com ovos de chocolate àqueles que nos são caros. Conforme pesquisamos, tomamos conhecimento de que aquele povo acreditava ser a Terra de formato oval, cujo nascimento seria proveniente segundo eles, de um ovo que perdera a casca (o que não nos surpreende, uma vez que a questão da forma da Terra é até hoje fruto de questões controversas e motivo de discórdia entre muitos cientistas). Mas voltando aos romanos, nesta data, costumavam presentear com ovos de galinha coloridos.

 Há ainda outras simbologias envolvidas, a maioria delas de caráter sacro como aquela de que Maria Madalena ao visitar o sepulcro de Cristo, encontrara-o aberto e um coelho seria encontrado ali como prova de ser a primeira testemunha da ressurreição,  tornando-se assim o símbolo da Páscoa. E por último, deposita-se no ovo a simbologia de vida, de seu nascimento.

Verificamos assim, que a palavra páscoa traz vários significados em sua essência, ficando condicionada à crença de diversas culturas e etnias. 

Voltando a ideia mais doce, dos presentes de chocolate, vemos um casamento perfeito entre a inocência infantil desprovida de maldade e malícia que espera ansiosamente pela agradável surpresa e o comércio massivo, a concorrência selvagem no mercado capitalista pela sobrevivência e lucro no mundo em que vivemos hoje. 

Do mesmo modo, não podemos nos esquecer da ausência deste hábito em muitos lares pela dificuldade financeira, o que deve ser motivo de  preocupação para todos nós. 

Nesse ponto, apenas para ilustrar como esse presente marca a existência infantil, recordo-me com fidelidade de um grande ovo de Páscoa que ganhei de minha saudosa avó, Carlita, por volta dos meus sete ou oito anos, fato que me deixou encantada  ao recebê-lo: envolvido caprichosamente em papel chumbo prateado, celofane incolor e decorado com um grande laço verde-bandeira. E o sabor então! Verdadeiro chocolate, sem traços da industrialização moderna, a pureza do cacau que esquentava os lábios em contato com ele! Coisas e sabores do passado  que jamais voltarão. Para nossas crianças, não há parâmetros felizmente, e o que conhecem é o que amam.

Entretanto, para mim, a Páscoa se resume além dos sabores, em confraternização sem preço daqueles  que amo e por isso não canso de agradecer a oportunidade de mais um ano de vida junto deles. Embora não conseguindo reunir todos aqueles que desejamos, temos a alegria de nos sentar em uma mesa junto dos filhos, netos, familiares, compartilhando um almoço feliz com a doçura dos chocolates e mimos tão essenciais para as crianças. 

Desejando a harmonia e a confraternização familiar, pois a data é uma comemoração da família, peço a Deus que una  e abençoe essa instituição, evitando sua desintegração que é cada vez mais comum na sociedade hodierna, e que, da mesma forma, afaste a violência entre casais, proporcionando uma Páscoa com chocolate para todas as crianças independentemente de sua classe social, essa é a minha oração e espero que a de todos.




Pesquisa histórica em:

www.google.com

www.bbc.com/portugese/geral43577512

sindeducacao.org


sexta-feira, 31 de março de 2023

É possível conseguir uma alimentação saudável atualmente?

 👇

Entre outras comemorações, 31 de março celebra o dia da Saúde e Nutrição. Escolhi esse tema para discutir hoje porque é polêmico e adoro assuntos dessa natureza controversa, uma vez que como de costume, prega-se uma filosofia praticamente impossível de acontecer, enquanto muitos se convencem de que estão fazendo a coisa certa...

Já tenho vivido muitos anos, observado e ganhado experiências ao longo deles, dessa forma, tenho propriedade para versar sobre diversas matérias.

Hoje, temos a ciência e a tecnologia à mão para evidenciar detalhes sobre o funcionamento do nosso corpo; produtos criados aos milhares para fins nutricionais, drogas lícitas vendidas livremente no mercado para estes fins, adquiridos com facilidade se o cidadão dispõe de meios financeiros para obtê-los.

Conforme o tempo passa, sentimos seu peso em um organismo que já não trabalha como dantes, as carências vitamínicas, o desgaste físico e mental é evidente e nunca se falou tanto em uma alimentação balanceada, saudável com a finalidade de uma melhor qualidade de vida na idade adulta e senil.

Nesse ponto, começam as incongruências; já temos convivido com essa palavra, quando dizemos ângulos congruentes, estamos significando iguais da mesma medida, enquanto que o prefixo in adicionado, traz a negação, a incoerência entre dois pontos: é inegável que precisamos manter uma boa nutrição, no entanto, conseguimos esse intento?

Vamos por partes, o que é uma boa nutrição? São inúmeras as informações que lotam sites científicos, de cunho popular, orientação médica entre outros: vitaminas, proteínas, carboidratos na medida certa, fibras, oleaginosas, açúcares, entre outras que o organismo necessita.

A primeira questão que gira em torno do primeiro grupo, o  das vitaminas, é a questão econômica: poucos são aqueles que conseguem comprar frutas e verduras para manter uma dieta equilibrada nesse país, que disponham de capital para mantê-la, em especial os aposentados com  apenas um salário mínimo que precisam manter todas as suas despesas com tão pouco, principalmente num momento em que os preços estão pela hora da morte. 

Não podemos mais nos referir ao velho ditado "por preço de banana", pois a fruta rica em potássio já está valendo ouro, uma vez que seu preço passa de dez reais a dúzia, que dirá as demais frutas, as sofisticadas que aparecem na mídia como verdadeiros milagres para o corpo e a mente. Da mesma forma, as verduras apresentam um aumento sistemático de preço a cada semana. Pagamos muito por uma verdadeira bomba de agrotóxicos, adubos e pesticidas.

O que dizer então das proteínas? Carnes de qualquer tipo são praticamente produtos proibidos para muitos bolsos; leite, ovos já não podem mais substituí-los, pois entraram na mesma corrida do ouro; produzidos e enriquecidos com alta tecnologia, são oferecidos em larga escala para exportação e praticamente fugiram de muitas mesas que não têm poder aquisitivo para sustentá-los.

Os sofisticados oleaginosos nem precisam ser lembrados, são artigos de luxo, não servem para todos que deles precisam, restam ainda os carboidratos que também sofreram alta de preço, entretanto, vêm em maior quantidade como o caso do arroz e do macarrão. Enfim, a questão dinheiro pesa muito na balança do prato saudável.

Outra questão envolvida no tema é a qualidade dos produtos oferecidos à sociedade de maneira geral: altamente processados, industrializados trazem em sua composição altos índices de produtos químicos do tipo conservantes, corantes, aromas e outras porcarias mais que enfiamos goela a dentro sem opções de um orgânico acessível e de qualidade fiel. Os famigerados transgênicos, cuja aceitação veio através de um próprio e conhecido presidente da república apresentou-se como solução momentânea na questão da quantidade de oferta, entretanto,  foi o xeque-mate na questão de uma dieta alienígena, cujos consequências só poderão ser avaliadas ao longo dos tempos e já  começam a produzir seus efeitos nocivos na saúde da população, que atribulada,  atrás do seu pão de cada dia, não se dá conta e nem tem tempo ou a cultura necessária para se envolver nesse caso. E vox populi, vox dei, embora saibamos que o produto transgênico nem entra no continente europeu.

Alimentos totalmente inapropriados na dieta infantil mostram sua cara sorridente nas prateleiras dos supermercados a altos custos e baixos atributos para a saúde física e mental, enlouquecendo progenitores que não resistem ao choro de seus filhos e acabam em um tremendo sacrifício adquirindo esses falsos nutrientes. Os embutidos oferecem sérios riscos  cardiovasculares acompanhados dos açucarados responsáveis por altos índices de colesterol e glicemia no organismo infantil e de adultos. 

E a fome em pleno século XXI é realidade não apenas nos países paupérrimos ao redor do mundo, mas nele todo; uma fome funcional, assim como acontece na educação com os analfabetos funcionais, querendo significar que não se chega a morrer sem alimento, contudo o povo come muito mal, o que não se apresenta como ponto favorável a uma boa saúde.

E nesse ponto, eu pergunto ao caro leitor: temos condição de cumprir o que esse dia representa?



quarta-feira, 22 de março de 2023

Até quando é preciso repetir a nota dó no piano?

 Parece brincadeira, entretanto mais um ano se passou  e estamos aqui a falar sobre o mesmo assunto de sempre...O dia mundial da água potável.




👀



Dizem que quando tocamos a mesma nota musical em um instrumento, ele desafina. Pode não ser verdade, mas isso chateia e é sinal de que não estamos sabendo usá-lo devidamente.

Em plena era do desenvolvimento tecnonólogico, evolução da comunicação ao ponto de domínio de informações sofisticadas, conhecimento da vida em outros planetas e satélites, nos esbarramos com o básico do básico: o ser humano não sabe cuidar do seu planeta, não preserva, destrói, polui, macula o seu próprio habitat. Diferentemente das outras espécies, torna-se nesse aspecto um ser irracional, que agride seu meio ambiente e em especial uma coisa sagrada, o princípio da vida e sobrevivência: a água.

Sabemos que o dia 22 de março foi estabelecido pela ONU como dia mundial dedicado ao líquido precioso, milagroso que, infelizmente, está se acabando não diria aos poucos, contudo, sistematicamente. Temos recursos aquíferos inigualáveis a muitas partes do mundo, cuja escassez tem levado ao caos e ceifado muitas vidas, porém essas campanhas de conscientização  não estão sendo o bastante para mobilizar, convencer as pessoas de que devem cuidar de suas águas sob a pena de perderem suas vidas, uma vez que não há condições vitais sem elas.

O que cansamos de ver em nossa caminhada diária, nas grandes e pequenas cidades, são cidadãos cuja denominação não condiz com a atitude, atirando papéis, embalagens plásticas, entre outros detritos pelas calçadas, ruas, rios, mares. Como uma verdadeira máquina de lançar lixo, cuja eficiência é de difícil combate, têm causado um dano irreversível às reservas hídricas, uma vez que entopem bueiros causando enchentes, poluem rios, mares, matando os animais em seu ecossistema sem escrúpulo ou remorso algum.

Mas e como fica a Educação nas escolas e no lar destas pessoas? Na verdade, inexistem, são ineficientes didaticamente e uma prova disso está estampada nas atitudes apresentadas e citadas acima. Não há mais a seriedade necessária que imprima uma marca de caráter ética e consciência social com raríssimas exceções.  E o melhor exemplo vem das atitudes, que servem modelo à sociedade em geral. Lembro-me de ver minha mãe guardando pequenas embalagens em saquinhos em sua bolsa para que não maculassem os passeios e ruas da cidade. Atualmente, se vamos a um simples cinema, vemos o lixo acumulado e fora das lixeiras que há para esse fim, se estamos em uma praia, temos que conviver com a sujeira e detritos por toda a areia e nas águas, pois não há preocupação alguma em recolhê-los e colocá-los nos locais destinados a essa finalidade, enfim, há o constante desprazer em ter que conviver com um ambiente desagradável e mal-cheiroso, por qualquer lugar aonde vamos.

É uma vergonha nacional, não há fiscalização, punição para um crime hediondo destes, que privará as gerações futuras de sobrevivência e sustentabilidade, causada pela inércia do poder público, falhas terríveis na educação e formação de caráter de seus filhos. 

Dessa maneira, vemos rios inteiros morrendo a cada dia, o que me mortifica por dentro em constatar que como um câncer, a  inconsciência e teimosia humanas levarão a todos da má qualidade de vida à própria morte e privação deste recurso tão essencial para os homens.

O que mais indigna é constatar que um rio do porte do Tietê venha sendo tratado com um desprezo sem igual, sofrendo com eutrofização visível em grande nível e o pior, nas cidades do interior paulista, porque em São Paulo ele já é submetido a depósito de entulho, esgoto, produtos empresariais, lixo doméstico de toda a sorte, situação que precisa ser cuidada com urgência. Quem observa em suas viagens e acompanha o curso deste importante rio, pode constatar esse crime ambiental impune, banalizado que parece não ser  reconhecido, pelo menos, não temos visto atitudes sérias tomadas no sentido de consertar ou deter essa mancha que vem se abatendo sobre nossos mananciais e lençóis freáticos. 

Esta semana uma balsa que transportava grãos pelo rio Tietê na cidade de Araçatuba, encalhou nesses igarapés, que nada mais são do que a própria eutrofização das águas, devido a lixo acumulado nas águas que a apodrecem e levam seu oxigênio, destruindo o biossistema, peixes e outros animais fluviais. 

O que mais será preciso? Que todo o rio seja tomado para que não tenhamos energia elétrica, aderindo às caríssimas usinas de carvão? Que não tenhamos mais peixes para alimentação? E ainda se fala em transporte fluvial, é piada? Corremos o risco de não termos sequer um copo d'água para matar nossa sede se essa pouca-vergonha e insensatez continuar... 

terça-feira, 14 de março de 2023

Zoológico de A a Z...

 O texto de hoje versa sobre eles, os animais de maneira geral. Por que os seres humanos teimam em humilhá-los?







É impressionante como o homem tem o poder de tripudiar sobre os animais. Tal fato dá-se, acredito, pela sua superioridade intelectual, (por vezes, em alguns casos, aqueles raciocinam bem mais) e por covardia, por se paramentar de armas de fogo contra as quais não há saída.

Além de escravizar, "domesticar" (o que possivelmente significa a transformação à condição  humana) o sentimento de posse, faz com que o agrida fisicamente, ferrando, marcando e fazendo-o de transportador de carga, entre muitas outras funções como a de guia, palhaço, fonte de riqueza e até segurança... São muitos anos de jugo, tempo suficiente para que o que vou citar abaixo não acontecesse...

Quando o homem ou mulher não tem uma higiene esperada, são chamados de quê? Logo os inocentes porcos servem de parâmetro para nomeá-los pelo mesmo nome, enquanto o dócil suíno só segue seu instinto animal...

E se a mulher não tem princípios de moral, logo é denominada de vaca, cadela, galinha, égua e até cachorra, às vezes por não agradar às pessoas com quem se relaciona.

Burro ou mula  é a alcunha dada àqueles que não são intelectualmente privilegiados, assim como anta ou toupeira, enquanto cabra é um ser desprezível. "Eta, cabra da peste!" ou o espanhol "Cabrón," demonstrando que o costume não é apenas do nosso país, mas  vai além da escala  nacional. Da mesma forma, macaco, que é o mais execrável dos animais, assim como  ovelha negra na questão de incitar preconceito e crime inafiançável,  acompanhado do humilde veado, que se citado, é considerado crime de homofobia assim como gazela...

Se o pobre tem altura privilegiada, logo lhe vem o apelido de girafa; se gordo; baleia, elefante ou hipopótamo, cognomes que podem ser identificados como  contravenção à gordofobia...

Cobra e víbora se alguém comete o deslize da traição, bem como raposa se a pessoa é sorrateira e age às escuras; se não é favorecido fisicamente é feio como o cão!

Pata choca, se não há agilidade nas ações e movimentações que se espera. Bode foi a denominação de orientais por muito tempo...

Se há tendências a se apoderar do que é de outrem já aparece a designação de Rato, gato, sendo que esse último felizmente é usado como elogio aos fisicamentes beneficiados. Papagaio e maritaca encaixam-se bem àqueles que falam em demasia.

Peixinho, se costuma ser subserviente, apadrinhado de alguém  ou oportunista no que diz respeito a levar vantagem sobre outro , e recebe a locução  adjetiva: de pavonice, se o sujeito é muito vaidoso. Se não é leal com amigos  um onça ou urso cai-lhe muito bem! Uma situação que foge do esperado: zebra é apropriado.

Felizmente, alguns desses malfadados animais venturosamente são usados como elogios. São esses os privilegiados: tubarão, para os mais poderosos em uma sociedade; leão para os fortes fisicamente, assim como touro para os sarados e musculosos. Se o indivíduo canta bem é um pássaro e até pode ser assemelhado a  um jegue, se bem dotado sexualmente...

Enfim, se ainda não há convencimento de que usamos os animais para representar as características humanas, que alguém se manifeste ao contrário...Tenho absoluta certeza de que o leitor conseguirá facilmente acrescentar mais uma letra para completar  o alfabeto de zoologia, quer tentar? 


terça-feira, 7 de março de 2023

Uma homenagem que incomoda

 Amigos leitores, desculpem-me a franqueza, porém ultimamente, as datas comemorativas são cansativas, as atividades relacionadas estendem-se por semanas, o estrago que fazem em nossa paz é incomensurável...



😠😠😠😠!



Mês de março. Quando ele se aproxima, logo me recordo do período em que lecionava: todos os anos, consecutivamente a comemoração do dia da Mulher. Cada oito  de março para mim e acredito para muitos que não têm a coragem de assumir, era entediante. Aquela mesma historinha de sempre de mulheres queimadas na fábrica de tecidos americana, preconceito e machismo que temos que trabalhar incansavelmente como outros vários projetos que vêm de cima para baixo e que não podemos discutir. 

Assunto chato para redação, não há atrativo em escrever sobre um monte de baboseiras repetitivas que envolvem a data num momento em que muitas das principais interessadas não estão nem aí para filhos, maridos, família ao contrário da idolatração do gênero que coloca todas em um pedestal de ouro, mostradas sem direito algum, em uma comiseração de dar medo.  Nunca me senti assim, e olha que sou mulher...

Nessas horas de março, não canso de abençoar minha aposentadoria que me livrou de fazer o que não queria, perdendo horas preciosas que poderiam ser dedicadas a ensinar de fato o que mais interessava para a vida: a arma do conhecimento para enfrentar a luta diária.

Como se não bastasse, minha residência é próxima do Parque Tietê Armênia,  estádio da Lusa e Parque Anhembi... Estes dois últimos terceirizados e com uma agenda bastante ativa. O maior problema é que a comemoração do dia da Mulher começou com dois dias de antecedência e despertei já na manhã do dia três, sábado com um barulho ensurdecedor de possantes caixas de som, que pareciam estar a serviço de São Paulo inteiro e do demônio, dado a intensidade e altura do volume nos aparelhos que fizeram as crianças aqui da quadra do meu prédio perderem o páreo, e olha que têm uma garganta...

Guitarras estridentes apresentavam na maioria músicas latinas e pop e os baixos reverberavam de tal forma que refletiam no estômago, causando enjoo. Parecia que todos deveriam compartilhar do mesmo gosto musical e da cara de pau de passar por cima da lei do silêncio, e ela existe, ultrapassando todos os decibéis permitidos e de lambujem, muitos mais.

Por incrível que pareça, a atividade de lazer durou todo o sábado até, acreditem, quase quatro  da matina. Consegui dormir mal e acordei com o mesmo inferno por esse horário. O domingo mesma coisa, até saí do apartamento para me certificar de onde vinha aquela desgraça toda, temendo que os famigerados bailes de rua, principalmente os funks estivessem acontecendo, o que por força de providência divina não ocorria  e percebi a movimentação no Parque Tietê, onde um palco gigantesco fora montado. Pensei em reclamar, mas para quem? Só se fosse para Jesus, porque a própria polícia ali estava para dar segurança ao evento... Não estava no local  para que se fizesse cumprir a lei do silêncio... Em uma outra ocasião, registrara um caso parecido no site da prefeitura da cidade e até hoje, já se passaram quatro anos aproximadamente e nada de resposta.

Engraçado que quando é para trabalhar, todos são considerados escravos, submetidos a sofrimento, entretanto  para lazer destrutivo da tranquilidade alheia os mesmos varam a noite com prazer e não são escravos, isso se dá voluntariamente? Pelo amor de Deus!

Aquilo me reforçou , me condicionou negativamente com a data da homenageada, resumindo-se em repúdio e por que não dizer ódio? No domingo, o mesmo. Despertada com a mesma cena do sábado, roguei a Deus para que calasse aquele bando de insanos, e à noite, ela veio para me salvar: a bendita chuva que caiu a cântaros, dissipando a turba e acabando com aquele festa indesejável para os moradores do bairro em que resido. 

Eu cantava por dentro: "Chove chuva, chove sem parar!" Nunca amei tanto uma chuva como essa que chegou de surpresa, ditando sua lei que ninguém pode violar...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

 Serão os filhos para o mundo?


freepik images






Deixei de prestar atenção à estrada e suas belas paisagens, para me concentrar em uma entrevista com a competente psicóloga Cleuza Canan concedida através do rádio. Especialista em tratamentos e terapias em favor de dependentes químicos, falou pelo menos durante uma hora aproximadamente sobre o tema, esclarecendo vários pontos importantes a respeito.

Para introduzir o assunto, explicou sobre os vários tipos de drogas tanto as lícitas como as ilícitas e não apontou pontos positivos em  nenhuma delas; tanto o  cigarro quanto o álcool trazem malefícios ao sistema nervoso central, atuam na região frontal desenvolvendo uma falsa ideia de prazer temporário, cujo efeito passa, induzindo o indivíduo ao uso, o que vai desenvolvendo dependência química. Sobre a nicotina, os estudos apontam que a toxidade do produto não atinge apenas o fumante, mas também a quem estiver próximo.

Apesar de serem consideradas permitidas socialmente, trazem imensos danos ao organismo humano e no caso do álcool, classificou-o como uma das piores drogas que uma pessoa pode ingerir, no sentido da dependência e dos efeitos que causa, destruindo neurônios e a vida social do viciado. A profissional definiu alcoolismo como algo de que a pessoa não consegue se livrar e de que não pode deixar de usar. Não importa a quantidade, a frequência  e o mal-estar que sua abstinência traz, são indicadores da dependência. Atualmente, esse vício atinge o público mais jovem e até crianças de nove anos dado a facilidade de obtê-lo,  apesar da venda proibida  a menores.

Quanto às drogas ilícitas, houve a informação de que geralmente o uso  é mais comum em pessoas que já consomem as substâncias lícitas, sendo a canabis, a mais comum delas. Salientou que ao contrário do que muitos afirmam, ela é muito diferente do canabidiol, medicamento legalizado para tratamento de moléstias mentais. O primeiro é tóxico para o organismo, leva à dependência e causa esquizofrenia com o passar do tempo de uso, além do mais, por conta da banalização do consumo e informações errôneas, traz ainda um agravante quanto a preparação do produto: feito por pessoas comuns, sem preparo científico visa apenas lucro, não se importando com a qualidade da substância.

A psicóloga afirmou da importância do tratamento contra a dependência que impreterivelmente deve envolver internação, psicoterapia  e uso de medicamentos que façam uma limpeza no organismo, uma vez que no caso da maconha, a canabis impregna o cérebro. Muitas vezes não são apenas pessoas comuns que a utilizam, salientou que nos dias atuais, recebe muitos pacientes da área médica, esses profissionais que durante a pandemia de Covid-19 tiveram uma exacerbação de trabalho em sua jornada nos hospitais e usaram a canabis para relaxar e conseguir suportar uma carga exaustiva em seus empregos. O mesmo se deu quanto ao uso de barbitúricos, anfetaminas e benzodiazepinas, entre outros.

Foi abordada também a questão das bebidas à base de cola e outras que envolvem produtos químicos e  sintéticos que, da mesma forma, são nocivos à saúde, cabendo aos pais a responsabilidade no sentido de oferecer uma alimentação mais saudável a seus filhos.

A pergunta que não quer calar é: Por que razão nestes tempos modernos as pessoas procuram tanto os vícios para se alegrarem? Num passado não muito distante, os jovens em sua maioria levavam uma vida mais saudável em contato com a natureza e com pessoas ao seu redor. Havia sim, aqueles que procuravam substâncias lícitas e ilícitas, porém o número era irrisório se compararmos com a atualidade. Essa profissão de psicólogo, nem quase existia, os padres em seus confessionários exerciam essa função, ao ouvirem as pessoas, aconselhando-as, dando-lhes penitência, assim, aliviando sua tensão emocional.

A educação era única e exclusivamente dos progenitores, sem intromissão de mídias que produzem uma arte violenta e ambientes pouco recomendáveis aos jovens. A disciplina e limites de comportamento já se iniciava na própria escola, em ambientes sadios que cuidavam da cultura que transmitiam a seus discípulos com carinho e competência, formando o cidadão na sua totalidade com retidão de caráter.

O progresso tem vários pontos positivos, porém produziu pessoas tristes, que não conseguem encontrar a felicidade a não ser consumindo exageradamente e adquirindo vícios que não lhes favorecem a saúde física nem mental.

Tornou-se difícil educar um filho. Hoje dizem que são cidadãos do mundo, mas um mundo cão que não se importa nem um pouco com eles. 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A cadeira esquecida

 

Entre outras efemérides, o dia 20 de fevereiro é dedicado aos animais de estimação... Assim...







 

Quando olho a velha cadeira de madeira da varanda, parece que vejo a sua meiga imagem.

Lembro que te salvei da morte com apenas três meses de vida. Tua primeira dona não te queria e te colocou portão afora usando uma vassoura. Recordo do teu olhar assustado, seu pelo amarelinho claro e grandes olhos azuis.

Foi paixão a primeira vista, percebi o perigo iminente que corrias enquanto assustado  e desorientado ganhavas a rua.

Por sorte, estávamos a pintar a nossa casa em Rio Claro, ajeitando daqui e dali, fazendo reparos na tentativa de melhorar a aparência daquele pequeno sobrado onde morávamos para colocá-lo à venda, antes de retornar à São Paulo definitivamente desta vez. Pude vislumbrar a cena que me deixou indignada e ao mesmo tempo preocupada, temendo que o pior acontecesse se ganhasses a avenida ao lado, onde os carros desenvolviam grande velocidade. Eram três gatinhos, seus irmãos; um deles de imediato foi atropelado na citada avenida perdendo a vida de uma maneira brutal; o outro, não consegui ver para onde foi, mas você, como se fosse mandado pelos anjos do céu, perpassou a grade em frente a casa onde estava e te pus a salvo, dei-lhe água e alimento.

Terminando o trabalho da casa, preparei-me para deixá-la, no entanto,  não tive coragem de abandonar-te ali, à mercê da própria sorte... Um filhote bebê de apenas três meses. Deixei de pegar o ônibus de volta, peguei carona com um ex-vizinho caminhoneiro que passaria pelo bairro do Butantã levando-te comigo em uma caixinha improvisada e bem fechada. Corri o risco de ser despejada do ônibus até o Centro de São Paulo onde morava. E lá estava você, sempre comigo. Te vi crescer, ganhar a idade adulta. Enfrentamos mudanças de apartamento, para um sítio em Igaratá, uma casa térrea em São Bernardo e finalmente para o nosso apartamento definitivo que foi a sua última morada.Curioso é que você seria um presente para minha filha, porém, ao se casar, ela não teve coragem de separá-lo de mim, dado ao apego entre nós dois.

Muitas passagens felizes, um relacionamento quase espiritual; você passou a entender uma infinidade de palavras do meu vocabulário e respondia no seu idioma felino todas as vezes que te chamava ao meu lado. Seu local preferido era a cadeira na sacada do apartamento, ali ficavas já na idade mais adulta entre a sombra das plantas, a tomar o sol da manhã, aproveitando aqueles raios benditos. 

O primeiro susto...Você se mostrou doente, os olhinhos irritados e sempre a lacrimejar, perdeu o ânimo, a vontade de brincar com as bolinhas de papel-alumínio de que tanto gostavas, ainda respondendo de forma triste os meus apelos...

No veterinário, após exames, soube que estava com problemas respiratórios, mas graças a Deus descoberto em tempo, o que me deixou ainda mais apegada a ti. Já sem a companhia dos filhos, todos casados, cada qual seguindo a sua estrada, lá estava eu, apenas com o marido e Nini, meu amado  e inseparável gatinho.

Ficaste bom, a alegria voltou ao meu lar. Compartilhamos excelentes momentos juntos, até que um dia após anos daquele triste incidente, observei que já não apresentava mais a disposição de antes. Julguei ser culpa da idade, 14 anos, não eram poucos para a vida de um felino...

Entretanto, conforme os dias passavam ligeiros, sua condição foi piorando, lamentavelmente. Correndo novamente ao veterinário, após baterias de exames, confirmou-se: comprometimento dos rins em franco desenvolvimento. 

Para meu sofrimento, acompanhei sua agonia de tratamento, soro, injeções intermináveis, coisas que te deixavam totalmente agressivo, para minha surpresa, um animal cuja docilidade era impressionante. Regressando a casa, demonstrando uma ligeira melhora, fui incansavelmente administrando todos os medicamentos que lhe foram prescritos. 

Veio a piora, agora, não mais sustentava sua linda e imponente cabeça, sempre cabisbaixo e mudo...Deixou de comer para  o meu desespero.

Muitos amigos me aconselhavam a levá-lo para a Eutanásia. Não tive coragem de ser a carrasca que extermina a vítima indefesa. Jurei que suportaria até o último instante, até o último suspiro que darias, sem desistir de te acompanhar e lhe dar ajuda. 

E foi o que ocorreu após uma semana. Fostes tranquilo, numa noite estrelada e fria entre minhas lágrimas de tristeza e dor.

 Nunca mais te esquecerei,  e ainda hoje, fitando a cadeira vazia de que tanto gostavas, penso numa nova versão da música folclórica americana Old Shep:

"Se os gatos têm um céu, só uma coisa eu sei: Nini, você tem uma morada maravilhosa"...

 

* A música Old Shep é uma canção americana do campo, imortalizada na voz de Elvis Presley, que conta a história de um cão que o próprio dono teve que exterminar, porque estava muito doente. 

E no final ela diz: "If dogs have a heaven, just one thing I know, Old Shep, has a wonderful home" ( Se cachorros têm um céu, só sei de uma coisa: Old Shep, você tem uma morada maravillhosa).

 

domingo, 12 de fevereiro de 2023


Progresso X Qualidade de vida



Muitas vezes, me pego pensando sobre  o progresso e me questiono sobre a evolução espiritual da espécie humana...


💀😈😈



Por certo, ela não evoluiu proporcionalmente; infortunadamente, evoluiu para pior.  Ouvindo uma programação dominical sobre pecuária e avicultura, as vozes dos repórteres foram se tornando distantes em minha mente, cedendo lugar a análise e reflexão, uma vez que uma tremenda revolução tecnológica tomou conta de grande parte da vida dos homens do campo que dispõem de capital para financiá-la. São mudanças que trazem maior rentabilidade e certeza desse lucro no sentido de derrubar de forma selvagem a concorrência menos favorecida economicamente neste setor. 

Por um lado,  apoiadas pela publicidade milionária,  essas novas transformações são apontadas como responsáveis por favorecer positivamente o bem-estar animal,  assistido cientificamente  e sistematicamente ao lado de uma bioética que na maioria das vezes não tem força para agir de forma contrária. Desse modo, vemos grandes criações de gado leiteiro reduzindo o rebanho a seres mecanicamente conduzidos, por exemplo, com uma alimentação voltada basicamente à produção de leite de modo inconsciente, através de máquinas, que longe de terem a suavidade da mão humana na ordenha, conduzem os pobres animais a inflamações e casos de câncer de úbere, visando apenas obtenção de lucro e poder. Hormônios de crescimento aplicados insanamente produzem o amadurecimento precoce para  o abate, assim como a utilização de produtos  químicos objetivando um  efeito de carne mais macia e apetitosa, que roubam do animal a possibilidade de longevidade e vida natural. A alimentação reduzida a rações fabricadas em uma grande indústria  que almeja apenas redução de custo para o criador abrindo margem a aumento de lucratividade,  afastando definitivamente o orgânico e o sabor natural dos alimentos que o animal poderia saborear em um passado não muito distante, sem falar na fecundação, totalmente artificial, privada do contato físico, gerando milhões com o aumento da produção. Uma engenharia genética obcecada por aprimoramento da raça, mais preocupada com o armazenamento e venda de sêmens do que com o próprio bem-estar animal.

Muito triste tudo isso. O que falar então sobre a avicultura, em que o confinamento dos animais aproveita os mais exíguos espaços das granjas infinitas, voltados essencialmente para a produção de ovos ou abate, afastando para sempre o modo clássico da criação desses pobres seres, atualmente, proibidos de contato com o solo e uma vida saudável no campo. Novamente, através da tecnologia, os hormônios aplicados favorecem um crescimento precoce que garante um abate em menor tempo, gerando maior fonte de renda ao produtor. Em muitos locais, o controle de qualidade leva a destruição dos animaizinhos que não oferecem os requisitos exigidos pelo mercado, acabados como objetos em máquinas trituradoras. Algo terrível de se acreditar, mas acontecia e devem acontecer em vários locais.

Nesse momento, paro para indagação: a que ponto chegou a maldade humana absorvida pela avidez da obtenção de lucro. Tecnologicamente, o avanço é exponencial da mesma forma que a alma do ser humano que perde toda a sensibilidade e humanidade em detrimento do poder econômico e status social, deturpando-se, afundando-se na lama da mecanicidade, transformando-se em um robô movido pelo dinheiro apenas. Sem contar que o nosso país figura como grandioso no segmento, ao lado da China, Estados Unidos e países da União Europeia.

Manter a receita bilionária de maior produtor tanto no abate como produção de insumos não é nada fácil, torna-se uma verdadeira guerra e coincidentemente aparecem as doenças trazidas por vírus e bactérias que por vezes atingem todo um rebanho trazendo um prejuízo incalculável para os criadores: é a febre aviária, aftosa, maculosa, suína, doença da vaca louca e outras mazelas mais, tão oportunas para exterminar a concorrência...

Para a população consumidora, a qualidade do produto não beneficia a saúde, uma vez que absorvemos todo o pacote químico e tecnológico a que o gado é submetido. Há a possibilidade de um orgânico, caríssimo em que temos que  confiar, sem possibilidade de  acompanhamento ...

Resta a pergunta: há como resgatar a vida natural de outrora?

O leitor pode imaginar e responder.



domingo, 5 de fevereiro de 2023

A primeira sociedade é uma instituição falida?


 imagens: freepick



 Entende-se por uma sociedade, a união de pessoas que trabalham conjuntamente para alcançar um objetivo. Buscando cumprir  metas, muitos sentimentos são envolvidos para se atingir um fim. Entre eles estão presentes inúmeros interesses como garantia de  status, projeção social, além dos econômicos obviamente. Existem grupos que se formam com o intuito de pesquisa científica, outros se voltam para fins filantrópicos; ainda há aqueles de cunho exclusivamente profissional; enfim, são inúmeros.

Quando o envolvimento entre os membros de um grupo tem por base emoções, principalmente de caráter afetivo, temos o grupo familiar. Certamente, a primeira sociedade de que se tem notícia no mundo, a família como é concebida originalmente traz em seu bojo como princípio e base principal o amor. Durante muitos e muitos séculos, essa foi a sua  principal concepção: desejo sincero de formar pessoas dignas, felizes e aptas para a vida em sociedade. Nesse caso, a questão afetiva sobrepujava interesse financeiros e escusos, funcionando com o objetivo único de sucesso dos seus membros. É óbvio, que sempre existiram as exceções à regra, mas nestes,  o final era sempre de fracasso,  desintegração e desestruturação de seus elementos.

Como exemplo, podemos citar casamentos contratados por interesse e acertos entre pais que exerciam muito mais a função de comerciantes, visando lucro e oferecendo seus filhos como mercadorias. Revendo a história geral, temos o caso do imperador romano Júlio César, assassinado pelo próprio filho adotivo, Brutus; entre muitos outros casos que ocorreram no passado. Entretanto, quando a família recebeu uma organização religiosa o objetivo foi a monogamia, um sistema ainda patriarcal onde a palavra do pai era essencial, o propósito era a preservação dessa estrutura.

Podemos observar que atualmente esse conceito vem sendo dilapidado vorazmente através do tempo. Nessas novas eras em que a tecnologia ganha espaço vital entre os seres humanos e em grande parte tem sido apontada pela causa de facilitação da poligamia, desentendimentos e até mortes é que nos questionamos como chegamos nesse caos sem solução. Certamente, basta lermos algumas informações científicas para  tomarmos ciência do tamanho do mal causado aos membros familiares por uma separação: desajustes emocionais, personalidades distorcidas, violência, criminalidade, autismo, doenças psíquicas, somáticas e tantos outros. 

O problema crucial encontra-se na falta de amor: casa-se por interesse financeiro e  ascensão social, e o resultado é simplesmente jovens na flor da idade unindo-se a idosos endinheirados. Será amor? Com raríssimas excecões, é lógico que não, união em que se aguarda avidamente a morte do parceiro para a posse de fortunas econômicas. Quando não,  muitos já sobem ao altar (ou melhor, nem sobem, amasiam-se) com a intenção de separação se não der certo.

Perdeu-se totalmente a noção de dignidade e caráter. Se não temos família, e sim a desestruturação, a sociedade conta com um rebanho de jovens perdidos pela vida, sem orientação alguma, privados de bens materiais, alimentação e vida digna, entregando-se à mercê da sorte, formação duvidosa, marginalidade. Nada se pode fazer, uma vez que o caráter é formado basicamente aos sete anos de vida. 

Não há interesse em controle de natalidade, nem ouvimos falar disso, quando muitos casais que não poderiam ser responsáveis sequer por um animal de estimação, lotam o exíguo espaço com filhos que não podem criar decentemente. E o resultado aí está: mal caratismo geral, falta de noção moral, ética, empatia, civilidade e compaixão. 

Diz-se que o casamento hoje, é uma instituição falida, verdade nua e crua, a liberdade  cedeu lugar à libertinagem, ao prazer desenfreado, sem limites e egoisticamente o ser humano destrói o mundo ao seu redor...