sexta-feira, 15 de setembro de 2023

Desconhecido?

 Boa-noite, leitores deste blog. Ontem, 14 de setembro, foi o dia do frevo; um ritmo contagiante, cujo nome provém da palavra ferver... Mas não vou escrever sobre esse assunto de amplo conhecimento por todos...

musimed.com.br



O assunto é  outro e deveras intrigante: como é possível que pessoas com um talento singular, um potencial incrível possam ficar no anonimato. 

No final de 1992, se não me falha a memória, concluí o curso de piano em primeiro grau. São oito anos de estudo do instrumento nesta primeira fase e mais três anos no segundo grau. Não sei se atualmente possa ter ocorrido alguma mudança nesse aspecto.

Morava por essa época na cidade de Rio Claro, estado de São Paulo. Entrei no conservatório aos quarenta anos, decidira terminar oficialmente esse estudo, realizei um teste de classificação e obtive o quinto ano de piano. Decorridos  mais três anos, houve a entrega de diplomas e apresentação dos formandos. Cada um tocou uma música diferente no auditório do Colégio Köelle, uma escola conceituada da cidade. Lembro-me que interpretei a peça Aragonesa de Massenet ,da ópera El Cid. Uma das alunas, se não me engano de nome Carolina, interpretou um maxixe intitulado Zurara. Ficamos curiosos para conhecer o histórico daquela composição, no meu caso particularmente, nunca ouvira falar em tal partitura e do seu respectivo autor, Benedicto Leite.

Era uma música bastante atraente, alegre, sincopada como no caso do maxixe, ritmo considerado como "tango brasileiro" que lembra a polca e a habanera  que nasceu por volta de 1870, na segunda metade do século XIX, possivelmente de origem africana. Na época, bastante explorado, o maxixe foi um dos ritmos que a maestrina e compositora Chiquinha Gonzaga usou e um deles, O corta-jaca foi muito criticado, pois sua dança erótica era considerada chula e imprópria no próprio discurso de Rui Barbosa. 

No entanto, não é o maxixe o tema desse artigo. Devo dizer que a ideia da interpretação e amostra de Zurara foi de uma das donas do Conservatório Musical Rio Claro, a simpática e querida Vera que apresentou a composição e um pouco da vida de Benedicto Leite, compositor rioclarense. Os anos passaram e concluí o segundo grau no instrumento piano em 1995.

Porém, da interpretação de Zurara até o momento, já se passaram 31 anos, e ontem , ao iniciar pela manhã meu incansável estudo de piano, encontrei em meio a inúmeras pastas de partituras, a de nome Zurara e resolvi escrever nesse espaço sobre seu autor. Qual não foi a minha surpresa ao pesquisar que o grato compositor está invisível para a mídia; encontramos apenas um homônimo, político maranhense de destacada proeminência, cujo nome serviu para criar uma nova cidade no nordeste brasileiro.

Após pesquisa incansável, pois não escrevo ou passo informações sem fazê-la, inclusive no canal Rio Claro e no acervo histórico do município, chego à  triste conclusão de sua inexistência para o público que aprecia a arte musical mais tradicional; apenas a sua partitura encontra-se à venda em um ou dois sites da internet. Em um desses deles, questionei a falta de informações sobre o compositor na mídia escrita e falada e aguardo impaciente a resposta.

Ficou a lembrança de que Benedicto Leite apreciava composições campesinas, da vida dos escravos da fazenda, que era um jornalista além de compositor e viera tentar a vida em São Paulo, entretanto desgostando-se profundamente da cidade grande... Nada mais, perdi o contato com a dona do conservatório que infelizmente hoje, já não existe mais na cidade...

Constatei o poder da mídia no seu papel de destacar e manter imortal  a memória daqueles que viveram intensamente uma paixão, dedicando-se por toda uma existência a um ideal. 

Não foi o que ocorreu com o autor de Zurara.


sites de pesquisa

Canal Rio Claro - acervo histórico do município

fundaj.gov.br

domingo, 3 de setembro de 2023

Símbolos são poderosos?

 Boa-tarde, desculpem o atraso em escrever mais um texto. 

Já pararam para pensar como um simples sinal pode tornar-se poderoso, existir e resistir há séculos e até milênios? Se tem alguma dúvida sobre isso, leia o texto abaixo.



https://www.pngwing.com/pt/free-png-hnnmp

https://www.gettyimages.com.br/ilustrações/símbolo-yin-yang



https://www.pngegg.com/pt/png-yjwcf





A alma humana é complexa. Mais complexa ainda é a capacidade de fixar e até empoderar sinais ou símbolos que nos são estrategicamente e intencionalmente divulgados. O poder que adquirem é imensurável e em muitos casos o ser humano é capaz de participar de guerras, revoluções, manifestações para defendê-los...

Basta verificarmos as bandeiras. Símbolos simples, formas singulares estampadas em tecidos, cuja simbologia pode representar países, cidades, times de futebol, partidos políticos... Capazes de inflamar multidões, com a competência extraordinária de transformá-las em verdadeira "Turba multa" responsável pela destruição, violência e até a morte, se os ânimos não forem controlados. 

Os símbolos funcionam como um logotipo, uma forma simplificada de trazer em um único sinal a representação e conteúdo  de toda uma entidade com todas as suas características e pretensões, portanto eles não existem sem uma intencionalidade, quem os cria, tem pleno conhecimento disso. 

Talvez, o  mais antigo deles seja de caráter transcendental, uma vez que ultrapassa a linha do limite físico para o espiritual. A cruz que há muito tempo simboliza o Cristianismo, teve seu uso no Egito antigo (Antiguidade Clássica) como representação do deus Serápis cujo símbolo era uma cruz. Com a sua adesão ao Cristianismo, esse sinal se fortaleceu, tornou-se intocável, poderoso e imaculado, levando ao temor e caindo em pecado e castigo àquele que o desrespeita. E são vários tipos de cruzes, como a da fé cristã ao antônimo da cruz suástica, simbologia do terror e da destruição como é concebida atualmente. Poucos sabem de que ela existe há cinco mil anos aproximadamente, por tribos indígenas em cultos religiosos dos astecas, celtas, budistas e gregos antes de ser o símbolo do Nazismo... 

Tanto no Ocidente como no Oriente há a crença em símbolos como o do budismo, das pirâmides, do infinito (um sinal como um 8 deitado) que remonta à antiga Bíblia, representando uma linha sem fim que integra a vida e a morte como um ciclo atemporal,  infinito.

Não menos importante é o Yin Yang, que na filosofia chinesa simboliza o tempo em forças opostas que se complementam, uma em cor preta e outra branca em perfeito equilíbrio da natureza.

Os chamados símbolos ou logotipos como quisermos denominá-los, atuam de forma exponencial no mundo comercial, cada empresa procurando esmerar-se em construir o seu melhor, entregando às empresas publicitárias, desenhistas essa tarefa de representá-los de forma eficiente no mercado como meio de obter lucro e fidelização de clientes em nível local e global com o advento da globalização. Nem todos sobreviverão sem o apoio de marketing e ações constantes de divulgação.

Atentemos para estes símbolos com o devido conhecimento de como surgiram, o que são  e como vieram para ficar.

Fontes de pesquisa:

pt.wikipedia.org

uol.com.br

vareurgente.com

lucianalimasemijoias.com.br



segunda-feira, 14 de agosto de 2023

O show tem que continuar

 

freepick



Essa frase tão conhecida no meio artístico, aplica-se também ao cidadão comum como nós, que embora sem o glamour e o brilho do estrelato, não deixamos de nos exibir nesse imenso palco que é a vida.

Por aqui passamos uma única vez. É provável que haja uma nova existência em outras épocas futuras ou já passadas, mas nada cientificamente provado até o momento atual.

A realidade é que sempre atuamos nossos papéis que são variadíssimos, contracenando com tantos outros personagens de nossa esfera de convivência diária. Muitos deixam de participar por alguns atos, retornando como protagonistas ou secundários. Alguns se retiram para sempre, porém deixando lembranças do seu desempenho por todo um ciclo... Mas o show tem que continuar, aconteça o que acontecer.

E os gêneros são distintos para cada momento ou etapa da vida: são textos que envolvem dramaticidade, tristeza e melancolia, alegrias ou até mesmo ódio, insatisfação, frustração e tantos outros.

O que realmente importa é a qualidade da atuação que deve ser sincera espontânea, sem artificialidade ou hipocrisia, mas principalmente carregada de emoção para que possa impressionar, marcar momentos e perpetuá-los para sempre. E a nossa vida é preenchida com essas imagens que povoam toda a nossa existência em todas as suas etapas.

Essa parábola que envolve uma comparação da vida com um palco já foi largamente utilizada por vários autores e se adapta perfeitamente à realidade humana pela semelhança entre os papéis reais com os de ficção: perdas de origem amorosa que carregam uma carga de dramaticidade e tristeza inigualáveis; assim como a de entes queridos que se afastam para sempre do nosso convívio. Papéis de ordem profissional; cada um com seu próprio palco individual acompanhado de atores e cenários respectivos. E ainda há aqueles que representam os vilões impiedosos que só fazem causar o mal e transtornos àqueles que os rodeiam trazendo um cenário macabro, causando repulsa e indignação de todos. 

Há uma tênue linha que separa a realidade da ficção, e que apenas os cérebros saudáveis conseguem perceber, enquanto que os incapacitados mentalmente não são capazes de discernir.

 Por todos esses motivos, é que existe a reflexão: A arte imita a vida, ou vice-versa,  frases que carregam grande dose de veracidade. 

Pensem sobre isso!


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Cada ação tem uma reação

 


(Freepick)




E também um resultado que pode ser analisado em pouco tempo ou em algumas décadas...

Refiro-me aqui à retirada da disciplina Música do  currículo das escolas públicas de uma maneira geral, fato catastrófico que repercutiu drasticamente na formação cultural dos alunos deste país. Segundo pesquisa, na fase áurea da Educação brasileira essa matéria foi lançada oficialmente no currículo através do decreto  19.890 de 1931 e era denominada por Canto Orfeônico, tendo como destaque nesse campo, o maestro Heitor Villa-Lobos que no ano seguinte, assumiria a posição de diretor da superintendência de educação musical do Brasil. Ao nome dele está também relacionada a criação do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, órgão formador de professores da área. Certamente, educadores aposentados mais antigos deste período ou até anterior a ele podem certificar essa ocorrência se ainda estiverem vivos e com sua capacidade mental  preservada.

O resultado dessa ação, foi a produção de um público mais bem formado em sua cultura geral, articulado em apresentações e análise de conteúdos musicais , em que eram visíveis a sensibilidade e afinação tão necessárias neste assunto.

 Iniciei meus estudos  em música a partir do curso ginasial, hoje conhecido por Fundamental 2 no ano de 1962, portanto me beneficiando, felizmente, dessa dádiva que é o conhecimento musical. Não havia limites e nem barreiras na aprendizagem. Todos nós estudantes desse período cantávamos afinadamente e com sentimento todos os maravilhosos hinos cívicos do Brasil, o que em nada nos prejudicou, pelo contrário, levou-nos ao desenvolvimento de respeito ao país e a seus símbolos. Atualmente, convivemos diariamente com jovens que não conhecem letra e música do próprio Hino Nacional e não por sua culpa, pois são privados deste ensino. Se entoamos o hino pátrio, muitos professores se assustam e já mencionam se estamos querendo a volta da ditadura militar, coisa totalmente absurda; não há relacionamento algum a esse respeito, embora naquela época o ensino público se apresentasse como o de melhor qualidade da escola pública brasileira, não necessitando de cursinhos preparatórios para ingresso nas universidades. Graças a essa época, iniciei com dificuldade meus estudos de piano que só pude concluir com 43 anos no Conservatório Musical de Rio Claro, hoje extinto.

Já nos estudos do Normal, curso que na época formava  professores, contávamos com excelentes profissionais, cuja formação era invejável, como o Maestro Raab, meu professor de música do 1º ano, com aulas ao som do piano em que lançava desafios vocais, como modular a voz e  produzir variações em determinados trechos do Hino à Bandeira, estimulando o conteúdo vocal do aluno, uma coisa fantástica! Como sempre amei essa disciplina, saía-me muito bem e sempre tirava as melhores notas. 

A LDB (Lei de Diretrizes e bases da Educação  o ano de 1961, a de número 4.024 mudou o nome da disciplina que passou a ser denominada como Educação Musical perdurando por uma década apenas, até a sua extinção do currículo com a LDB 5.692 que a substituiu pela matéria Educação Artística.

Analisando hoje, após várias décadas, constatamos o prejuízo visível que tivemos; os educadores já não possuíam a formação específica da área, raramente um ou outro professor lidava com isso e fomos nos perdendo na obscuridade e ausência desse material que nos deixava profundamente felizes e capazes de compreender  a teoria musical.

Esse fato pude verificar quando ingressei no magistério em 1973: alunos totalmente desafinados, inibidos quando precisavam produzir um conteúdo vocal ou instrumental.

Nesse ponto é que me questiono incansavelmente: "Qual o benefício que essa atitude legal obteve com essa medida?"


domingo, 30 de julho de 2023

Relíquias...

 



(A piorra - Google search)


Muito tempo já se passou em minha vida e da mesma forma, com a dos meus contemporâneos. Quantas vezes nos pegamos a ouvir músicas que abordam o tema saudade em referência ao passado. Posso enumerar aqui os títulos de algumas delas: "Jovens tardes de domingo", cuja letra relembra momentos outrora felizes de adolescentes que hoje estão na idade madura; "Rapaziada do Brás", maravilhosa letra que ilustra o tranquilo ambiente do Brás da cidade de São Paulo, hoje tão tumultuado; "Pequeno realejo", uma referência a dias longínquos em que o realejo (pequeno instrumento de apenas uma corda que reproduz melodias quando se aciona uma manivela) era tocado na infância do compositor cuja lembrança o faz sofrer ao lembrar da mulher amada...

E não para por aí, acredito que muitos se recordem dessas pérolas que fazem referência a um tempo melhor, pois o nosso passado é sempre o melhor em referência ao presente duro e dificultoso sem o sabor da juventude audaciosa e sonhadora enquanto o futuro é incerto e amedrontador. Muitos poetas abordaram o assunto, alguns com maestria e grande dose de sensibilidade como é o caso de Casimiro de Abreu com seu comovente "Meus oito anos" (Ah, que saudades que eu tenho da aurora da minha vida...); Olavo Bilac com sua famosa frase "Saudade- presença de ausentes" ou ainda a delicada Cecília Meireles com "Retrato" ("Em que espelho ficou perdida a minha face?"). Acredito que Saudade seja uma das matérias preferidas de autores românticos ou não, cada pensador encarando-a sobre seu prisma de raciocínio.

Eu, do meu canto, sou mestra em senti-la romanticamente, sem esquecer de que muitos idiomas não possuem em seu vernáculo essa palavra Saudade necessitando, de frases para exprimi-la ou até mesmo utilizando vocábulos que se adaptem a esse significado tão presente e companheiro do coração! São situações tão distantes pelo amarelado do tempo que de momento a momento afloram à memória, materializando cenas significativas, sejam de cunho afetivo, amoroso, triste, de perdas e muito mais. 

Quando essa profusão de cenas me ocorre, preciso urgentemente registrar em palavras, através desse caderno quase solitário que foi uma das coisas que criei na modernidade e que mais me realiza, uma vez que quando escrevo,  sinto eternizar e perpetuar no meu âmago, passagens que fazem valer a minha existência e que me tornaram o que sou hoje.

Saudades dos antigos objetos, dantes tão importantes: do velho relógio de corda, sem o qual não poderia cumprir horários e obrigações ao vetusto pilão e socador de alho, aliado indispensável das antigas cozinheiras; bem como brinquedos esquecidos como o interessante bilboquê de madeira que atualmente tornou-se relíquia, ou o  gordo pião, personagem constante das ruas, causador de disputas e brigas infantis... A piorra barulhenta que agradava as crianças com seu giro interminável de cores...

Seria uma lista imensa de coisas e coisas, de cenas e cenas que fizeram e continuam escrevendo a história de nossas vidas, ah, a saudade!

segunda-feira, 24 de julho de 2023

Uma carta para o passado


googlesearch


                                                                        

Muitos afirmam que o hábito de ficar relembrando o passado, ou seja, "as águas passadas que não movem mais moinhos", já diz o provérbio, não é saudável, uma vez que não construímos novas imagens, novos modelos de esquematização mental, perdendo possibilidades  de modernização e oportunidades de desenvolver raciocínio cerebral e novas formas de encontrar soluções. Acredito que os profissionais da área médica possam explicar melhor esse processo.

Porém, quando se nasce com um coração apaixonado e romântico, como já disse antes; na linguagem musical de Nazareth, um coração que sente, não é possível evitar essas excursões pelos doces momentos vividos e trilhados até o momento. 

Desde o período em que me entendi por gente, sinto que sempre fui uma pessoa carente de  muito amor e cuidados, não que não os tenha recebido de meus pais, mas uma alma essencialmente sensível como a minha fazia com que qualquer contratempo me deixasse muito triste. E as lágrimas sempre foram meu ponto fraco, pois rolavam e ainda rolam  com a maior facilidade frente a algum acontecimento que me magoe profundamente. Essa característica me valeu a alcunha carinhosa de Maria Cristaleira,  um apelido gerado pela semelhança com meu próprio nome, Maria Cristina.

Senti na pele essa dor, quando uma prima que me é hoje muito cara, resolveu passar uns dias em Araçatuba e no primeiro dia em que me visitou, mencionou que gostaria muito de ter vindo para rever a banana pintadinha. E pronunciada com um sotaque paulistano, totalmente irritante e pedante para mim antes, calou fundo nas minhas entranhas, ainda mais partindo daquela menina de pele branquinha, sem marca alguma, pele de pêssego ou melhor, maçã, uma vez que apresentava um corado saudável.

Lembro-me de ter chorado muito após aquela visita. Olhei-me repetidamente no espelho enquanto pensava: "Banana pintadinha"... Que ódio, e na tentativa de eliminar as sardas, enlouquecia minha mãe na busca de produtos que as eliminariam. Isso por volta de meus nove ou dez anos. O tempo passou, meu pai, gostava demais de brincar com coisas mais sérias, só para me ver chorar. Certa vez, disse-me que eu não era filha deles, apenas meu irmão o era. Eu tinha sido encontrada por eles em uma caixa, ele dizia sorrindo. E depois desmentiu, talvez arrependido e sabendo  como era a 'cristaleira". Não falei nada, recordo-me de ter realmente acreditado naquilo... Aquela criança, o meu irmão, nasceu quando tinha quatro anos e era  maravilhoso, pele branquinha e rosada, mas ponderava que meu pai também tinha sardas em seu rosto... Chorei muito com o espectro da dúvida e até hoje questiono: será?

E quando chegou a pré-adolescência, então. Apaixonada pelas histórias infantis principalmente a Cinderela de Perrault, sonhava com os príncipes encantados que surgiriam no meu caminho. Adorava as músicas que acompanhavam a narrativa e até hoje me emociono ao interpretar "So this is love" e " A Dream is a wish your heart makes" ao piano e às vezes cantarolar essas preciosidades de um passado já distante.

Comecei a ter namorinhos muito cedo, cada um deles amava mais que o outro e quando tudo se acabava, chegava à dramaticidade de querer morrer, chorava por dias seguidos, inconformada com o fim que para mim era muito doloroso e talvez para aqueles príncipes nada significasse. E guardo a lembrança querida de cada um deles, até o momento em cada cantinho do coração . 

Minha mãe afirma até hoje que nunca teve coragem de me dar um tapa, pois do contrário, teria que aturar aquele pranto por dias e dias.

O tempo passou, o mundo girou, a vida foi me ensinando que as perdas são normais durante seu percurso, o que acho totalmente cruel. Talvez, nunca entenda ao certo qual a finalidade de todo esse sofrimento.



segunda-feira, 17 de julho de 2023

Reencontro

 




💓💓💓


Não há palavras que possam descrever com fidelidade o prazer de encontrar, ou melhor, reencontrar velhos amigos. Ainda mais depois de tanto tempo. É algo inexplicável a emoção que sentimos em um encontro presencial, olhos nos olhos, abraços, palavras gentis que nos fazem voltar na máquina do tempo mesmo após mais de 50 anos...

Rever aqueles que nos foram caros e  com quem, diariamente convivemos como família, numa troca de experiências e emoções saudáveis e felizes regada a muita vivacidade e alegria de viver de um tempo em que a tecnologia não havia robotizado os homens, resumindo-os a simples fotos de um ecrã de computador, ou de frios encontros através dos Meets da vida. Um tempo em que grupos de jovens se reuniam e lotavam a praça pública da minha querida cidade natal de Araçatuba onde os namoros aconteciam espontaneamente, sinceros, olho no olho, muito longe dos Tinders atuais. 

Apesar da distância de 580 quilômetros de São Paulo,  cidade que resido atualmente, fiz questão de não perder esse evento e a ansiedade de estar presente traduziu-se  antes, levando-me a muitos devaneios e passeios pela imaginação, visualizando cada um dos participantes, cujas fotos via diuturnamente através de um grupo de whatsapp intitulado "Amigos para sempre", criado por uma amiga muito especial, a Vera, uma mulher muito dinâmica que foi capaz de através de um árduo e sistemático trabalho reunir a todos no dia 15 de julho de 2023, data que memoravelmente jamais me sairá da memória e do coração, tal foi o impacto que causou.

A princípio, a incerteza, o medo de não ser bem recebida ou lembrada, uma vez que o tempo muitas vezes revela-se como vilão levando-nos ao esquecimento, à indiferença. Entretanto, nada disso ocorreu,  fui a primeira a chegar ao local agradável, onde as árvores e pássaros adornavam o ambiente. A  emoção e o vento  frio me deixaram as mãos geladas, vi cada amigo chegar, todos agora, não digo envelhecidos, mas experientes, bem vividos, bem formados, todos com expressão de amizade, simpatia e retidão de caráter como foi a característica dos jovens das décadas e 60 e 70, os maravilhosos anos conhecidos como "dourados", em que não havia praticamente vícios insalubres, desvio de personalidades em que não proliferavam psicólogos e igrejas mil em cada esquina com interesse mais monetário do que cristão em seus ideais...

Confesso que chorei por dentro, apesar de me mostrar alegre e feliz, talvez não tenha dado a atenção merecida a todos os que desejava, peço humildemente perdão. 

Se não o fiz, foi por pura falta de oportunidade, pois sentávamos em mesas separadas durante o almoço de confraternização e o relógio, esse inimigo silencioso, corre rapidamente.

Gostaria que o tempo parasse naquele momento e que ficássemos sempre juntos novamente como sempre acontecia no nosso pequeno colégio Jorge Correa, tão amado e lembrado.

A presença das antigas mestras trouxe a alegria de podermos rever àquelas que nos levaram e guiaram pelos caminhos do conhecimento e da informação.

De cada um que se despedia, a tristeza que apontava, mostrando a realidade fria da obrigatoriedade da separação!

Que venham ainda muitos encontros como esse e que possamos estar sempre juntos, Amigos para sempre!


sexta-feira, 7 de julho de 2023

Inigualáveis tesouros esquecidos...

 


𝄞

Ernesto Nazareth foi um compositor para ninguém botar defeito. Valorizam-se muito os compositores estrangeiros, entretanto, temos um verdadeiro tesouro praticamente esquecido pela população brasileira, mal informada e mal formada musicalmente em sua grande maioria. Quem não amará os chorinhos maravilhosos como Odeon, Brejeiro, Escorregando, Apanhei-te cavaquinho, entre muitos outros, ou então suas valsas maravilhosas como Coração que sente que  o fez considerado o Chopin brasileiro, pela qualidade inegável de suas valsas e que marcou seu nome na história da música erudita brasileira? 

Nasceu no Rio de Janeiro em 1863, um período áureo da história daquela cidade no campo musical pela formação aprimorada que seus estudantes recebiam. Toda a sociedade desfrutava de música erudita, casas de música, onde o próprio Nazareth tocava ao piano para introduzir novas composições no mercado. Os cinemas da época durante os intervalos exibia ao público música desse gênero. Quanta mudança dos tempos atuais... Exemplificando as formações musicais educativas com o próprio compositor, sua mãe nos mais tenros anos de sua vida ensinou-lhe o piano, dando-lhe as primeiras noções e apresentando-lhe Frederic Chopin, compositor responsável pelo amor que adquiriu pela área.

Contudo, quando tinha  apenas onze anos, perdeu sua mãe e tempos mais tarde, foi estudar piano com um famoso professor de New Orleans, amigo próximo do maravilhoso  Gottschalk (compositor americano autor da Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro, dedicado a condessa d'Eu). 

Viveu intensamente dividido entre as salas de concerto e elaboração de composições   até o momento em que foi acometido por séria moléstia que o levaria à demência e à morte aos setenta anos em 1934.

Não importa as condições em que chegou ao final de sua existência, o que mais tem valor são suas magníficas composições que escreveram seu nome na história da música brasileira e que deveriam ser o orgulho de toda a nação, que infelizmente não oferta uma formação completa a seu povo.

Ernesto Nazareth cumpriu com beleza incomparável a sua missão na Terra!


Algumas composições do autor:

Turuna, Está chumbado entre outros tangos brasileiros

Corbeille de fleurs (gavota)

Expansiva, Turbilhão de beijos (valsas)

Ao todo, são 211 composições do autor.

Site de pesquisa

Wikipedia.org.wiki/Ernesto_Nazareth

sexta-feira, 23 de junho de 2023

As aparências enganam...

 


😞




Já diz bem o velho ditado. Os julgamentos que nos fazem muitas vezes, não condizem com a  realidade. Lembro-me bem, que por volta dos meus seis ou sete anos adorava frequentar a casa de três primas, porque gostava delas e de brincadeiras de meninas, afinal só tive um irmão e eles têm temperamentos e folguedos diferentes do sexo feminino. Minha memória é muito boa, todos dizem, mas acho que poderia ser ainda melhor. 

Certo dia, minha avó paterna chegou para minha mãe e disse-lhe que meu tio não gostava muito que eu fosse brincar com as filhas dele, pois eu falava muitos palavrões e as meninas estavam aprendendo esse linguajar pouco recomendável a pessoas de bem. Fiquei sabendo disso mais tarde, minha mãe não quis me contar, notei que ela não me deixava mais sair e brincar com elas como fazia dantes.

Entretanto, naquela época, realmente não costumava falar palavras chulas, era muito pequena, hoje, já não posso mais dizer o mesmo, a vivência, os dissabores e contratempos nos ensinam a desabafar e geralmente o uso desse vocabulário já não é tão reprimido.

Volto a afirmar que esse episódio da infância não me foi compreendido e até os dias de hoje, quase sessenta e cinco anos depois, me justifico com outra lembrança que me ocorre agora, nessas caminhadas da memória que não param de nos acompanhar na estrada da vida. 

Era uma menina irrequieta, que não parava um minuto sequer, adorava maquiagem e subir em árvores principalmente no nosso imenso quintal da rua José Bonifácio, 913, em Araçatuba, primeira casa própria de meus pais. À noite, meu maior prazer antes de dormir, era olhar a lua e as estrelas me questionando de onde viera tudo aquilo, sentada no pequeno muro que dava para a rua, quando um belo dia, um vizinho que contava com a idade de treze ou catorze anos, sentou-se no muro da casa dele ao lado e me perguntou se eu não queria brincar de soletrar. Aceitei o convite e lá estávamos nós a propor adivinhar as palavras que cada um ia soletrando a seu tempo.

Num dado momento, ele me perguntou que palavra era aquela que ele soletrou:

"P-i-c-a"

Na maior simplicidade, respondi:

-Pica! Mas o que é isso?

Não decorreu um só segundo e ouvi a voz de minha mãe enérgica, e a cara dela não era boa, me dizendo:

-Já para dentro!

Tentei argumentar o porquê daquela proibição, a brincadeira estava tão boa! Até perguntei o que era aquele nome e ela não me respondeu, dizia que tem coisas que crianças não precisam saber!

Muito tempo se passou para que soubesse o que aquela palavra significava, o que prova que não era tão expert assim em palavrório de rua como afirmavam que eu era...

Hoje, depois de tanto estudo, conhecimentos filológicos, vejo o quanto é besteira dar importância a esse ou aquele jargão, palavras, na verdade são vazias, o que importa é o conteúdo emocional que depositamos nelas. 

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Perdemos a capacidade de raciocinar?

🤖



Há uma verdadeira revolução tecnológica  que nos envolve em seu bojo, cuja evolução digital  é veloz, as  atualizações e criações de plataformas, aplicativos e outras ferramentas surgem num piscar de olhos. Os países altamente desenvolvidos mostram-se superiores a nações menos favorecidas como é o caso do Brasil.

Em uma escala exponencial, a educação é favorecida em países ricos, a estrutura educacional proporciona aos educandos recursos de tecnologia de ponta, profissionais altamente capacitados capazes de formar cidadãos aptos a qualquer tipo de trabalho. Tomando como exemplo as escolas paulistas, verificamos a ausência desses materiais e estrutura, bem como de profissionais competentes que favoreçam um crescimento equiparado àquelas nações.

Enquanto se fala em fome, miséria, auxílios-tudo para combater a dita desigualdade social, não há o mesmo cuidado com as escolas brasileiras, que apresentam um currículo básico insuficiente, uma vez que os estudantes mal conseguem aprender a ler e a resolver as quatro operações. O que dizer então da questão tecnológica, se nem computadores sofisticados ou especialistas para desenvolver programas ou  lidar com eles existem?

A situação é crítica, inúmeras são as tentativas de inovar, tentar descobrir meios de melhorar esse quadro sinistro que o país vem apresentando, sem solução até o momento.

Se por um lado, perdemos vergonhosamente nesse aspecto, nos deparamos com o altíssimo índice de automatização de serviços prestados à sociedade naquelas nações, afastando do cidadão ofertas de trabalho em diversos segmentos, como no mercado automobilístico, agronegócio, mercado financeiro, entre outros. A importante presença de robôs e máquinas inteligentes pouco a pouco nos afasta dos ambientes presenciais, mostrando que já não somos bem-vindos, já que o mundo virtual chegou trazendo inúmeros benefícios às empresas no que diz respeito à economia com empregados, rapidez, fluidez nas operações. Embora ofereça dificuldade a uma grande parcela da sociedade, analfabeta digitalmente, proporciona facilidade para que contraventores e infratores realizem seu trabalho sujo de enganar e tripudiar sobre os inocentes e mal preparados.

Com a proliferação de robôs, não demora muito para que aqueles de uso doméstico invadam o mercado e sejam vendidos em larga escala, acabando de vez com mais uma profissão exercida por aqueles que não têm acesso ao conhecimento intelectual e apresentam uma fraca formação profissional restando apenas o trabalho doméstico.

É só parar para pensar e não é difícil enumerar as muitas profissões que foram engolidas pela tecnologia: a fotografia tradicional, o vendedor presencial, telefonista, pintores automotivos, padeiro, leiteiro tradicionais, enfim, pouco a pouco esse processo vai absorvendo muitas formações antigas...

As consequências apresentam-se em atitudes humanas pouco recomendáveis: como a preguiça de apertar um simples botão para ligar um televisor ou  até mesmo trocar de canal; àqueles que disfarçados em altamente modernos  já exibem a casa inteligente, totalmente monitorada, seguramente guardada por sistemas de segurança, oferecendo o comando de voz para  operações simples como acender e apagar luzes.

E com tanta tecnologia, o que restará ao ser humano fazer? Que tipo de trabalho restará ao homem do futuro? Com todo os setores invadidos por máquinas, é provável que apenas profissões que envolvam high tech sobreviverão.

A febre do momento é a inteligência artificial que será responsável pelo golpe final; robôs com sensibilidade e sentimentos humanos não tardam a chegar,  tornando plausível uma guerra contra humanos, tal qual vemos em filmes de ficção científica.

Se o homem deixa passo a passo de raciocinar e realizar operações e as máquinas se aperfeiçoam  à velocidade da luz, o que você espera?

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Recordar é viver!

 Hoje é meu aniversário... O que escrever nesse dia? É o  que me pergunto em frente à tela do computador.


leitora compulsiva



Já não uso a caneta e papel de outrora para escrever textos e poesia. A velha caneta de pena com que aprendi a escrever as primeiras letras são coisas obsoletas, tão distantes, que parecem ter sido evaporadas na fumaça do tempo...

Já não habito a mesma casa da infância junto a meus pais e irmão. A cidade em que resido atualmente não é a amada cidade onde nasci num 07 de junho frio  e apesar disso ensolarado como são os dias por lá, e pareço ouvir o som dos cavalos das charretes rompendo o silêncio das ruas. Hoje moro em um grande centro, lotado de casas, apartamentos, fábricas, enfim, tudo o que faz girar uma imensa metrópole como São Paulo. Troquei  a tranquilidade do interior pela roda-viva incansável da cidade grande, não me perguntem se foi a melhor escolha, porém a que me restava no momento.

Passei da adolescência para a vida adulta, rompi o elo que me mantinha presa à casa paterna quando me casei, aquela vida rotineira de convivência com os pais, irmão... As brincadeiras e reinações que tanto causavam transtorno à mãe, tudo isso são águas passadas.

Em minha vida já morei em três ou quatro cidades diferentes, cada qual com seu jeitinho peculiar. Fiz amigos por onde andei. Em cada escola onde lecionei, deixei e trouxe comigo muitas lembranças e saudades. Como dizia o sábio  Exupéry as separações só trazem uma bagagem maior para nossa alma:  "Aqueles que partem, não vão só, não nos deixam só; deixam um pouco de si e levam um pouco de nós". Amo tanto essa frase pela veracidade que carrega em seu conteúdo, que gosto sempre de citá-la, usá-la como status em meus grupos de Whatsapp. Realmente, não somos apenas nós, e sim aquilo que aprendemos pela nossa convivência com as pessoas... E olha que não são poucos anos de convivência. Até a mais mesquinha das criaturas que um dia conhecemos nos ensina alguma coisa.

O ser humano se acostuma a tudo, até morar sobre quatro paredes de um apartamento, que é onde habito hoje. Tudo foi passando...Tudo foi mudando, perdi pessoas a quem amava muito, vi partirem  entes queridos que trago na lembrança e no coração! Tenho dois filhos e marido a quem respeito e amo. Posso dizer que sou uma pessoa feliz.

Aprendi muito durante a vida que até hoje gosto de viver com entusiasmo e prazer. Os filhos, aqueles tesouros adorados que significam tudo, também crescem e lá se vão,  enfrentar suas batalhas diárias e ficamos no nosso canto solitário, amando-os à distância e sempre prontos para ajudá-los no que precisarem.

Dos amigos da infância e adolescência, fica a rósea e gostosa lembrança da fase mais feliz pela qual passamos, envolta em sonho,  fantasia, qual nas histórias de fadas, e apesar de todas as dificuldades de adaptação ao mundo digital, agradeço-o imensamente por possibilitar o reencontro com essas reminiscências, o  resgate de momentos lindos que pareciam antes, tão longínquos e impossíveis de acontecer e que agora surgem fantasticamente ao nosso redor. Se são apenas contatos  virtuais, não importa, o que realmente conta é o relacionamento que podemos ter, relembrando doces momentos que não voltam mais, afinal "Recordar é viver"!


segunda-feira, 29 de maio de 2023

Contrastes

Li a frase, vi como é profunda e comecei a escrever:


Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria."  (Khalil Gibran)



😞😊


Nunca vi pensamento tão preciso como esse, os contrastes  são a antonímias da vida que nossas experiências costumam conhecer no percurso e testar  seus sabores. Aliás, tudo em nossas existência apresenta as duas faces da moeda.

Se temos desafetos e dissabores, até mesmo ódio, certamente reconheceremos o magnífico significado do amor. E saberemos identificá-lo pela própria ideia de diversidade entre os sentimentos. 

Triste, entediante versus  maravilhoso, mágico, alegre, contagiante. 

Se convivemos com a paz, seguramente aprendemos a diferenciá-la do tormento de uma guerra com todas as suas calamidades.

Pelo ideal de respeito, valorização é que diferenciamos  a indiferença e desrespeito nas atitudes humanas. 

Através do belo, conceituamos o feio, o deplorável: a percepção do belo nos leva à concepção do feio, embora esse último se caracterize geralmente pela diferença de padrão entre dois indivíduos ou coisas.

 Do bem, distinguimos a maldade, a mesquinhez. 

O espetacular sim nos proporciona entender a frieza e dureza de um não, que pode nos atrapalhar por toda uma vida!

Há quem tenha tudo, embora seja praticamente impossível que isso aconteça e que  nos leva à noção do nada avassalador, embora dificilmente haja essa eventualidade tão crua e radical. 

Se há o forte, obviamente o fraco será o oposto, fato reconhecível pela própria acepção da palavra.

Do mesmo modo, o egoísmo, uma valorização exacerbada de egos doentes, nos possibilita enxergar e compreender o valor do altruísmo.

Pela dor, vislumbramos  o prazer e sua agradável sensação; do adjetivo bom, temos o mau através da  analogia  de ações ou processos mentais,  e assim por diante.

Ficaríamos por dias expondo uma lista interminável de antíteses em vocábulos até a exaustão.

Calmo e nervoso; extrovertido e tímido. Mudando da classe dos nomes para os verbos: construir-demolir, adiantar e atrasar...

Enfim, a frase de Gilbran é verdadeira e única, uma vez que as palavras não são simples sinais gráficos, elas vêm carregadas de emoção e sentimentos.



segunda-feira, 22 de maio de 2023

É preciso ter coragem




👥🔎🔍🔍🔍



 Revendo excertos de uma antologia que aprecio guardar, encontrei o seguinte pensamento de Gustave Flaubert:

"Os momentos mais esplêndidos da vida não são os chamados dias de êxito, mas sim aqueles em que sentimos erguer-se dentro de nós um desafio à vida, e a promessa de futuras realizações"


Há uma profundidade contida nessas palavras como em qualquer outra criada pelos gênios da literatura e das artes. Um amarrar de conceitos e ideias cuja veracidade é obtida depois de reflexão e raciocínio. Por essa razão, devemos selecionar os textos de leitura, para que ativemos nosso cérebro a fim de encontrar uma concepção fundamental que nos acrescente lições de vida.

Muitos ao analisarem o conteúdo desse pensamento discordarão logo de início, uma vez que o adjetivo esplêndido significa magnífico, maravilhoso. Como podemos não eleger dias exitosos como espetaculares? É tudo o que sentimos quando conseguimos realizar, acertar um empreendimento. No entanto, muitas vitórias que obtemos não constroem, não acrescentam muito em nossa vida.

E ao contrário dos dias de êxito, nos realizamos ao enfrentar muitos dias de derrota, de árduo trabalho no sentido transformar situações praticamente impossíveis de resolvê-las e finalmente obter uma solução que nos alivie, nos retire da tensão e nos possibilite a transformação em outras ocasiões semelhantes. 

Em todas as profissões exercidas pelo ser humano isso ocorre: um médico ao ter êxito em cirurgias que realiza fica feliz e torna outros felizes, porém o que o faz descobrir novos caminhos e crescer em sua prática são aqueles dias em que necessita reunir forças e estudo incansável para enfrentar o desconhecido, desafiando seus conhecimentos, e mudando sua práxis.

É o raciocínio constante em um objetivo de aparência impossível, que é atingido após dias, meses e até anos de persistência e luta.

Não importa nesse caso, o sexo, se masculino ou feminino, a idade, se jovem ou ancião, ou qualquer outra convenção imposta pela sociedade. A qualquer um é outorgado o direito de desafiar, criar coisas novas, lançar-se nas redes da vida, debruçar-se sobre questões relevantes para a humanidade. Se nunca o fazemos, nossa vida será vazia, praticamente sem um ideal a perseguir. E essa atitude deve ser um moto contínuo, precisamos constantemente provocar nossa capacidade ao longo do tempo, provando que somos capazes, que é possível criar e vencer obstáculos.

A nós, de idade mais avançada, porém com uma bagagem de experiência bastante pesada, a necessidade de vencer provocações são eternas,  aparecem diariamente e se perdemos a oportunidade de lutar nesses dias difíceis, abandonando o desejo de conquistar um ideal, estaremos entregues ao fracasso que nos leva ao desânimo e até à morte.

Atualmente, vivemos em convivência com o novo, com criações inteligentes, novas linguagens diferentes de outras décadas que já vivemos. Pode ser que a população mais jovem nem entenda o mundo de ontem e ao mesmo tempo não compreenda porque é tão difícil para seus avós e parentes mais velhos lidar com algo que para eles é rotineiro.

A linguagem digital chegou e ainda está no seu primeiro estágio de desenvolvimento, criações muito mais surpreendentes aguardam aqueles que conseguirem sobreviver por mais algum tempo...

É nosso dever, e me refiro aos mais velhos, ou mais vividos, buscarem pelo conhecimento daquilo que nos é complicado, desfazendo esse paradigma, entendendo a necessidade de mergulhar naquilo que nos é obscuro e acender a luz da boa-vontade, do desejo de vencer, transpor obstáculos. Isso realmente é o que ficou expresso na mentalidade magnífica de Flaubert quando criou  sua frase famosa.

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Fama e poder

 







É simplesmente inacreditável o poder que uma celebridade tem! Enquanto milhares de pessoas comuns, se matam para ganhar evidência, destaque, visibilidade nas plataformas e meios digitais e até em seu campo profissional, basta que um famoso diga "oi" para que receba em segundos, bilhões de likes e subscrições.

Atualmente, a qualidade dos conteúdos não é mais levada em conta, alguém acabou de afirmar, o que vale mais é a manchete e quem está envolvido no conteúdo divulgado. Ainda reforçando esse tema, verificamos diuturnamente com uma certa tristeza que o cidadão vale pelo nome que carrega, não por suas virtudes, cultura, conhecimento. Se tem o poder da mídia a suportá-lo está feito, do contrário, morrerá na obscuridade.

Fato revoltante, porém causado pelo próprio povo, essa massa incontrolável que segue a corrente, que rema a favor de pessoas privilegiadas pela própria sorte e pelo poder do dinheiro e da influência que conseguem com a maior facilidade. São coisas inevitáveis que jamais conseguiremos mudar um dia. Parece que o ser humano tem o prazer de valorizar o supérfluo, o fútil em detrimento do que realmente importa.

Não contam localização geográfica, tamanho de cidade, nível sócio-cultural etc. Quem não se recorda daqueles que sempre adoram perguntar: de que família você vem? E oferecem um semblante de admiração quando a resposta vem de encontro à tradição de posição ilustre, geralmente, obtida pelo poder econômico que envolve o nome, ou melhor dizendo, o sobrenome daquela pessoa. É algo mesquinho, que traz um traço de violência envolvida no processo, Que culpa tem o pobre cidadão de não pertencer a estirpes nobres, não ter nascido em berço de ouro, ou descender de famílias poderosas em uma sociedade?

Assim conjeturando, verificamos que pequenas e grandes cidades apresentam seus personagens principais glorificados de geração em geração e os secundários que dificilmente galgarão o limite da indiferença e da escuridão. Muitos acreditam que textos como esse são próprios de pessoas de baixa autoestima,  complexadas e fracas, entretanto não é o que ocorre, sabemos de antemão das dificuldades que muitos tiveram e têm para chegar ao limiar da fama e do sucesso, felizes aqueles que o conseguem! Seja no campo profissional, artístico ou espiritual.

Quantos seres nascem e morrem no anonimato, sem que ninguém se lembre deles...Mas um famoso é lembrado nas duas ocasiões e como o são! A endeusação é tão maciça que incomoda quando as mídias televisivas, jornalísticas e digitais, o divulgam até nos momentos finais a cada segundo, sem trégua , levando à loucura se não nos livramos de tal praga, desligando as telas e fechando os olhos a essas informações intermináveis. Só lembrando, que todos os que morrem se tornam santos intocáveis a  despeito de toda a canalhice que tenham apresentado, e tudo com o apoio total da grande massa.

É preciso mudança, ter olhos para todos e não a grupinhos privilegiados laureados simplesmente quando abrem a boca para pronunciar seus nomes! 

E esse tal poder como foi obtido? Conta a história que desde os primórdios aqueles que gritaram, se impuseram pela força  obtiveram admiração e controle sobre os outros  . Há aqueles casos mais raros que fizeram seu nome pela honra e pelo legado que deixaram à humanidade.

Uma coisa é certa, isso precisa ser alterado!






quarta-feira, 3 de maio de 2023

Inteligência que destrói

 Revendo as datas comemorativas, fiquei sabendo de que o dia 3 de maio é dedicado ao pau-brasil...





Flores do pau-brasil https://iloveflores.com/pau-brasil/




Se mencionamos hoje a uma criança o nome dessa árvore tão importante historicamente ligada ao nome do nosso país, provavelmente ela não saberá reconhecer uma espécie tão distante no tempo e também no espaço, pois todos sabemos sobre a devastação da mata Atlântica ao longo dos anos  e o interesse monetário que a envolveram, acabando por tornar aquele vegetal uma raridade.

A Caesalpinia Echinata (nome científico), cujo tronco avermelhado forneceu corante e matéria-prima para móveis em  vários países, foi conhecida por várias outras denominações: ibirapitanga (significando árvore vermelha na língua tupi), pau de pernambuco, ibirapitã, pau de tinta, entre outros foi largamente explorada ao longo dos anos, até antes do descobrimento do Brasil, chegando ao ponto de vegetal em extinção desde 1992 segundo fontes de pesquisa. Também considerada oficialmente árvore nacional do país desde 1978, é atualmente protegida por lei e reconhecida como madeira ilegal para corte.

Em algumas fontes, há a informação de que o verdadeiro pau-brasil, seria outra árvore: o pau-ferro, que também apresenta no interior de seu tronco a cor avermelhada como a Caesalpinia Echinata.

Mais uma vez nos deparamos com a ganância, a volúpia da aquisição de  riquezas através do extrativismo insano que tanto destruíram e continuam dilapidando nosso patrimônio vegetal. E nessa questão econômica não existem  bom senso,  ética nem a consciência socioambiental, o que rebaixa a humanidade a uma condição de irracionalidade a toda a prova.

Entretanto, a história se repete e diariamente tomamos ciência da assolação efetuada pelo ser racional na flora, na fauna, na mineração e até no espaço sideral, cuja poluição atinge,  no momento, níveis incontroláveis, submetendo-nos ao perigo de que o lixo orbital entre na atmosfera e caia sobre as nossas cabeças...

O que é preciso fazer para que este quadro se apague definitivamente da face da Terra? Acredita-se que uma educação de qualidade, uma paternidade responsável e consequente formação consciente, aliadas a uma constante vigilância possam ser a solução para uma tragédia anunciada que não tarda a chegar. 



Pau- brasil https://www.ibflorestas.org.br/lista-de-especies-nativas/pau-brasil




Fontes de pesquisa:

https://www.calendarr.com/brasil/dia-do-pau-brasil/

https://brasilescola.uol.com.br/historiab/pau-brasil.htm

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Stranger things

 O caro leitor já se deparou com coisas estranhas, que fogem da sua compreensão? Acredito que sim. Acontece, e até com uma certa frequência...






Foi em uma viagem para Tietê, uma cidadezinha do interior paulista na rota para Rio Claro. Local agradável e aconchegante. Até parece uma cidade daquelas de brinquedo infantil; a pequena praça toda florida e rodeada de grama verdejante. Árvores, a igrejinha a repicar o sino do meio-dia, até um inusitado casamento com uma sessão de  fotos do casal aproveitando o cenário acolhedor.

Caminhando ao sabor do vento que brincava com meus cabelos e do sol que desperdiçava seus raios quentes e brilhantes, meus olhos se  surpreenderam com uma árvore nunca vista. Não era tão alta, seus galhos projetavam-se sobre o muro da bela residência, parecia até mais ser arbustiva; as folhas escuras e brilhantes se mostravam normais. No entanto, o que chamou a minha atenção foram os frutos. Sabe quando você se depara com algo que não é costumeiro e por mais que force para descobrir não consegue?

Pois então, não me contive e resolvi registrar a imagem em uma foto, antes me certificando de que o morador da casa não estivesse por ali. A maioria dos frutos do tamanho de uma melancia pequena (daquelas do tipo transgênica, sem sementes), mas de uma cor abóbora bem forte. Outras em número menor, verdes, porém da mesma proporção.

O curioso é que as frutas coloridas pareciam pintadas a mão, e até se assemelhavam a bolas artificiais de decoração, entretanto procurando pelos suportes ou ganchos que as prendessem, não os encontrei. Deviam ser leves como são os maracujás, pois do contrário, os galhos finos não suportariam o peso delas.

Sempre tive adoração por plantas e árvores, até me admiro não ter estudado botânica, tal a paixão que tenho por elas, deste modo, queria descobrir a todo custo que tipo de vegetal era aquele. Que eu saiba, melancia não poderia ser, são plantas rasteiras, esses frutos não dão em árvores.

Entrando na sorveteria, que mais se assemelha a casa de doces de João e Maria, me servi do sorvete e resolvi perguntar à atendente se ela conhecia que frutas eram aquelas, até mencionei se não eram decorativas, ao que ela me respondeu que realmente eram naturais, mas desconhecia o nome e ainda acrescentou que havia um pé desta espécie, "um único pé", ela frisou, no sítio da avó dela. Que as frutas são verdes, quando secam, ficam escuras e são pretas por dentro oferecendo um odor bem desagradável. 

Continuei na mesma, contudo, o que mais me surpreendeu foi o que ela disse:

-O dono da casa pinta as frutas de cor de abóbora quando elas ficam escuras, no próprio pé...

Se alguém conhecer a tal árvore ilustrada na foto acima, por favor deposite um comentário abaixo e acabe com a minha curiosidade...




quarta-feira, 19 de abril de 2023

Geocentrismo X Heliocentrismo

 

😡😡😡



Não sei se é do conhecimento do leitor que o dia de hoje, além de outras personalidades, é da mesma forma,   dedicado a Nicolau Copérnico, um matemático, astrônomo e também monge. De origem polonesa, nasceu no século XV em 1473, numa era de progressos da navegação na Europa. 

Um verdadeiro cientista, o intelectual formou-se também em Medicina. No entanto, o seu maior destaque deu-se na área de astronomia, uma vez que através de estudos baseados em um observatório rudimentar que construíra em sua casa, pôde concluir que a Terra girava ao redor do Sol, contrariando a Teoria do Geocentrismo defendida pela igreja católica. Escreveu em 1530 e apenas cogitou seus estudos em 1543, no ano de sua morte.

Sua obra denominou-se "Das revoluções dos corpos celestes" e sob a supervisão da Inquisição nesse período, demorou longos trinta anos para ser publicada. Antes disso, o frade Giordano Bruno que tentara revelar seus estudos, foi condenado à morte por contrariar os dogmas da Igreja Católica.

E a ciência travava verdadeira guerra para mostrar teorias e estudos que confrontassem  os ensinamentos da igreja, como o que aconteceu com Galileu Galilei (1564-1642) que ao intentar comprovar a teoria heliocêntrica de Copérnico foi ameaçado de excomunhão e morte, retrocedendo e mesmo assim terminando seus dias em confinamento.

Conforme informações, apenas no século XVIII Isaac Newton consegue divulgar seus estudos sobre o heliocentrismo  e o papa Gregório XVI concorda  e admite o erro da igreja, tirando a censura dessas obras valiosas, pois todas as publicações daquela época passavam pelo crivo do Papa para poderem ser impressas. 

Como podemos entender uma coisa destas? Quantas vidas valorosas, horas de estudo desperdiçados, premiados com censuras e martirizações? A justificativa apoia-se no fato de assumir um erro, perder o poder sobre fiéis e também não conseguir colocar em evidência apenas a Terra e o homem feito à semelhança de Deus como um ser que não era o centro do universo.

Tais fatos revoltantes e incompreensíveis aconteceram e acontecem até hoje pelos mais variados motivos: políticos se os estudos vão contra ideologias do momento; religiosas se contrariam dogmas das instituições; sociais e econômicas se atrapalham o lucro e a ambição desenfreada. Quantas vezes tomamos conhecimento de invenções de medicamentos, ou outros produtos que nem sequer conseguem ganhar a divulgação na mídia por ameaçar grandes grupos.

É triste, mas a história se repete, contra os poderosos, não há quem possa...


pesquisa em: Toda a matéria

wikipedia

domingo, 9 de abril de 2023

Oração de Páscoa




freepick





 Hoje se comemora uma festa tradicional de fundo religioso, o que para a inocência infantil se resume a um dos mais doces presentes: o ovo de chocolate. Mas apesar dessa cultura milenar, vem a pergunta: por que Páscoa? 

Segundo informações colhidas de sites da internet, a palavra provém do hebraico pessach significando passagem. Da mesma forma, para o povo judeu, representa a sofrida travessia do Mar Vermelho por Moisés e seu povo com o propósito de fuga do jugo egípcio em busca de liberdade em uma Terra Prometida. Para os cristãos praticantes com formação católica, principalmente, a data é celebrada como a ressurreição de Cristo, a passagem da funérea morte à vida eterna.

Falando um pouco mais dessas heranças histórico-culturais,  nos esbarramos na crença dos romanos que nos aproxima mais do hábito de presentear com ovos de chocolate àqueles que nos são caros. Conforme pesquisamos, tomamos conhecimento de que aquele povo acreditava ser a Terra de formato oval, cujo nascimento seria proveniente segundo eles, de um ovo que perdera a casca (o que não nos surpreende, uma vez que a questão da forma da Terra é até hoje fruto de questões controversas e motivo de discórdia entre muitos cientistas). Mas voltando aos romanos, nesta data, costumavam presentear com ovos de galinha coloridos.

 Há ainda outras simbologias envolvidas, a maioria delas de caráter sacro como aquela de que Maria Madalena ao visitar o sepulcro de Cristo, encontrara-o aberto e um coelho seria encontrado ali como prova de ser a primeira testemunha da ressurreição,  tornando-se assim o símbolo da Páscoa. E por último, deposita-se no ovo a simbologia de vida, de seu nascimento.

Verificamos assim, que a palavra páscoa traz vários significados em sua essência, ficando condicionada à crença de diversas culturas e etnias. 

Voltando a ideia mais doce, dos presentes de chocolate, vemos um casamento perfeito entre a inocência infantil desprovida de maldade e malícia que espera ansiosamente pela agradável surpresa e o comércio massivo, a concorrência selvagem no mercado capitalista pela sobrevivência e lucro no mundo em que vivemos hoje. 

Do mesmo modo, não podemos nos esquecer da ausência deste hábito em muitos lares pela dificuldade financeira, o que deve ser motivo de  preocupação para todos nós. 

Nesse ponto, apenas para ilustrar como esse presente marca a existência infantil, recordo-me com fidelidade de um grande ovo de Páscoa que ganhei de minha saudosa avó, Carlita, por volta dos meus sete ou oito anos, fato que me deixou encantada  ao recebê-lo: envolvido caprichosamente em papel chumbo prateado, celofane incolor e decorado com um grande laço verde-bandeira. E o sabor então! Verdadeiro chocolate, sem traços da industrialização moderna, a pureza do cacau que esquentava os lábios em contato com ele! Coisas e sabores do passado  que jamais voltarão. Para nossas crianças, não há parâmetros felizmente, e o que conhecem é o que amam.

Entretanto, para mim, a Páscoa se resume além dos sabores, em confraternização sem preço daqueles  que amo e por isso não canso de agradecer a oportunidade de mais um ano de vida junto deles. Embora não conseguindo reunir todos aqueles que desejamos, temos a alegria de nos sentar em uma mesa junto dos filhos, netos, familiares, compartilhando um almoço feliz com a doçura dos chocolates e mimos tão essenciais para as crianças. 

Desejando a harmonia e a confraternização familiar, pois a data é uma comemoração da família, peço a Deus que una  e abençoe essa instituição, evitando sua desintegração que é cada vez mais comum na sociedade hodierna, e que, da mesma forma, afaste a violência entre casais, proporcionando uma Páscoa com chocolate para todas as crianças independentemente de sua classe social, essa é a minha oração e espero que a de todos.




Pesquisa histórica em:

www.google.com

www.bbc.com/portugese/geral43577512

sindeducacao.org


sexta-feira, 31 de março de 2023

É possível conseguir uma alimentação saudável atualmente?

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Entre outras comemorações, 31 de março celebra o dia da Saúde e Nutrição. Escolhi esse tema para discutir hoje porque é polêmico e adoro assuntos dessa natureza controversa, uma vez que como de costume, prega-se uma filosofia praticamente impossível de acontecer, enquanto muitos se convencem de que estão fazendo a coisa certa...

Já tenho vivido muitos anos, observado e ganhado experiências ao longo deles, dessa forma, tenho propriedade para versar sobre diversas matérias.

Hoje, temos a ciência e a tecnologia à mão para evidenciar detalhes sobre o funcionamento do nosso corpo; produtos criados aos milhares para fins nutricionais, drogas lícitas vendidas livremente no mercado para estes fins, adquiridos com facilidade se o cidadão dispõe de meios financeiros para obtê-los.

Conforme o tempo passa, sentimos seu peso em um organismo que já não trabalha como dantes, as carências vitamínicas, o desgaste físico e mental é evidente e nunca se falou tanto em uma alimentação balanceada, saudável com a finalidade de uma melhor qualidade de vida na idade adulta e senil.

Nesse ponto, começam as incongruências; já temos convivido com essa palavra, quando dizemos ângulos congruentes, estamos significando iguais da mesma medida, enquanto que o prefixo in adicionado, traz a negação, a incoerência entre dois pontos: é inegável que precisamos manter uma boa nutrição, no entanto, conseguimos esse intento?

Vamos por partes, o que é uma boa nutrição? São inúmeras as informações que lotam sites científicos, de cunho popular, orientação médica entre outros: vitaminas, proteínas, carboidratos na medida certa, fibras, oleaginosas, açúcares, entre outras que o organismo necessita.

A primeira questão que gira em torno do primeiro grupo, o  das vitaminas, é a questão econômica: poucos são aqueles que conseguem comprar frutas e verduras para manter uma dieta equilibrada nesse país, que disponham de capital para mantê-la, em especial os aposentados com  apenas um salário mínimo que precisam manter todas as suas despesas com tão pouco, principalmente num momento em que os preços estão pela hora da morte. 

Não podemos mais nos referir ao velho ditado "por preço de banana", pois a fruta rica em potássio já está valendo ouro, uma vez que seu preço passa de dez reais a dúzia, que dirá as demais frutas, as sofisticadas que aparecem na mídia como verdadeiros milagres para o corpo e a mente. Da mesma forma, as verduras apresentam um aumento sistemático de preço a cada semana. Pagamos muito por uma verdadeira bomba de agrotóxicos, adubos e pesticidas.

O que dizer então das proteínas? Carnes de qualquer tipo são praticamente produtos proibidos para muitos bolsos; leite, ovos já não podem mais substituí-los, pois entraram na mesma corrida do ouro; produzidos e enriquecidos com alta tecnologia, são oferecidos em larga escala para exportação e praticamente fugiram de muitas mesas que não têm poder aquisitivo para sustentá-los.

Os sofisticados oleaginosos nem precisam ser lembrados, são artigos de luxo, não servem para todos que deles precisam, restam ainda os carboidratos que também sofreram alta de preço, entretanto, vêm em maior quantidade como o caso do arroz e do macarrão. Enfim, a questão dinheiro pesa muito na balança do prato saudável.

Outra questão envolvida no tema é a qualidade dos produtos oferecidos à sociedade de maneira geral: altamente processados, industrializados trazem em sua composição altos índices de produtos químicos do tipo conservantes, corantes, aromas e outras porcarias mais que enfiamos goela a dentro sem opções de um orgânico acessível e de qualidade fiel. Os famigerados transgênicos, cuja aceitação veio através de um próprio e conhecido presidente da república apresentou-se como solução momentânea na questão da quantidade de oferta, entretanto,  foi o xeque-mate na questão de uma dieta alienígena, cujos consequências só poderão ser avaliadas ao longo dos tempos e já  começam a produzir seus efeitos nocivos na saúde da população, que atribulada,  atrás do seu pão de cada dia, não se dá conta e nem tem tempo ou a cultura necessária para se envolver nesse caso. E vox populi, vox dei, embora saibamos que o produto transgênico nem entra no continente europeu.

Alimentos totalmente inapropriados na dieta infantil mostram sua cara sorridente nas prateleiras dos supermercados a altos custos e baixos atributos para a saúde física e mental, enlouquecendo progenitores que não resistem ao choro de seus filhos e acabam em um tremendo sacrifício adquirindo esses falsos nutrientes. Os embutidos oferecem sérios riscos  cardiovasculares acompanhados dos açucarados responsáveis por altos índices de colesterol e glicemia no organismo infantil e de adultos. 

E a fome em pleno século XXI é realidade não apenas nos países paupérrimos ao redor do mundo, mas nele todo; uma fome funcional, assim como acontece na educação com os analfabetos funcionais, querendo significar que não se chega a morrer sem alimento, contudo o povo come muito mal, o que não se apresenta como ponto favorável a uma boa saúde.

E nesse ponto, eu pergunto ao caro leitor: temos condição de cumprir o que esse dia representa?