Badaladas crepusculares
Foi quando eu passava ao lado da Praça da Sé. Passava próximo daquela arquitetura colossal, rodeada de pessoas de todos os tipos que saíam apressadas do trabalho buscando o aconchego de seus lares e outras que ali perpetuamente usam aquela região como abrigo e meio de sobrevivência sem se importarem com aquela magnitude gótica cujos sinos, naquele momento repicavam sonoramente as badaladas das dezenove horas.
Confesso que, partircularmente, o soar dos sinos sempre me tocou nas maiores profundezas de meu âmago, trazendo à minha cabeça inúmeras reflexões: e é na idade dos cinquenta anos que estes pensamentos me visitavam com mais frequência. Não que seja ligada à religião ou a ela me entregue, mas o tanger dos sinos é algo tão significativo que parece remontar e nos levar a outras existências. Esta música que repercurte nos ares, principalmente ao anoitecer nos leva a devaneios: Quantas vezes esta melodia sagrada soou? Em que momentos invadiu a alma de milhares de seres? Momentos tristes, como os funéreos, festivos como os natalinos, matrimoniais e tantos outros.
Parece-me dar o poder de vislumbrar minhas outras vidas em que acompanhava funerais ao ritmo dos sinos, ou de inúmeros Natais em que anunciavam a missa do galo, ou ainda indo a épocas mais remotas, o anúncio das vitórias nas batalhas medievais, onde acompanhavam os generais ao fazer o balanço de vivos e mortos em seus exércitos.
Enfim, dado a profundidade que significam para mim fazem com que jamais possa me ligar a rituais litúrgicos que não utilizem a plangente música dos sinos...
Como é maravilhoso poder transformar em palavras tudo o que sentimos e pensamos.A liberdade de expressão é a maior riqueza que um homem pode ter em sua vida. Este blog foi criado com o intuito de versar sobre todos os temas, sem preconceito; polêmicos ou não, românticos ou realistas, sem a preocupação com a repressão, seja ela de que tipo for...
quarta-feira, 12 de maio de 2010
terça-feira, 20 de abril de 2010
Ser avó
Nunca pensei nesta idéia. Mas quando menos esperava e já sentia muito longe esta possibilidade, como num passe de mágica, ela chegou.
Nasceu Sara. Uma linda menina que vi crescer na barriga de minha nora durante nove longos meses sofridos e esperados ansiosamente. Porém, até poucos dias tudo era tão abstrato e impalpável!
E hoje, à luz crepuscular do dia 20 de abril ela abriu os olhos para este mundo.
E eu ainda nem a vi. Ela está na cidade de Araraquara no hospital onde nasceu há quase trezentos quilômetros de São Paulo.No entanto, a sinto tão próxima, uma ligação espiritual imensa que une nossos seres e nos enche de alegria!
Conto os minutos e segundos para tê-la em meus braços, abraçar meu filho, ainda um bebê crescido para mim, e minha nora, minha segunda filha que me proporcionou esta felicidade imensurável.
Agora começo a sentir o que é ser avó: sentir a vida pulsar intensamente de novo, ser mãe pela terceira vez, ver a vida com outros olhos; o do amor, o da sensibilidade e da renovação.
Sara, enquanto aguardo impaciente a tua volta, te desejo toda saúde e felicidade que este mundo pode te dar, junto de seus pais e parentes que já te adoram antes mesmo de te conhecer. Que eles tenham saúde e união para que nada do que precises te falte, sobretudo o amor familiar.
E que sejas muito bem- vinda neste lar que construímos com carinho para você!
terça-feira, 6 de abril de 2010
Se eu pudesse viajar no tempo...
Há muito tempo em uma prova ou concurso foi pedido o desenvolvimento do tema: “Se eu pudesse viajar no tempo”
Fiquei instigada a participar também e meditando a respeito da sociedade atual em comparação com um passado não muito distante escrevi o texto abaixo cujo conteúdo fiz publicar em um jornal da cidade de Rio claro onde residia na época:
Se eu pudesse viajar no tempo com certeza não gostaria de vislumbrar um mundo futurístico, pois creio que muitas coisas para mim tristes, estariam reservadas: a automatização do ser humano com o absoluto predomínio da máquina implacável-personagem principal, em detrimento do próprio homem- que lástima! Meios naturais: vegetação, ar, águas, totalmente transformados pelas mãos dos chamados, progresso e desenvolvimento.
Por esses e outros motivos é que jamais compraria uma viagem para uma visita ao futuro, mas certamente iria para locais de um passado não muito distante... A minha juventude!
Na velocidade da luz, voaria para os fins da década dos sessenta e indubitavelmente encontrar-me-ia em uma das praças da minha querida cidade natal. Não como está nos dias de hoje; semidestruída, ocupada por mendigos e pessoas dominadas e corrompidas pelo vício.
Hoje, a praça já não é a mesma de outrora. A miséria espiritual e econômica da humanidade ali está representada, hasteando suas bandeiras pelos quatro cantos. Evita-se passar por ali, por medo, ou até mesmo para impedir que uma depressão imensa tome conta de nós; seres que a vimos em todo o seu esplendor, exibir sua fonte de águas coloridas pelas luzes noturnas de domingos gloriosos, agora mascarada de abrigo para sub homens reproduzindo diariamente o cenário de “Os Miseráveis” onde da mesma forma Victor Hugo nos apontou tão fielmente uma amostra da deplorável decadência e indignidade moral a que o ser humano foi relegado.
Antes, era a praça local mais solicitado da cidade, ponto obrigatório de encontro para reuniões domingueiras, de comentários, entrosamento, lazer, alegria... E sobretudo interação entre os homens que podiam ainda na época serem assim chamados em toda a totalidade do significado que esta palavra encerra. Não haviam ainda lhe sido roubados totalmente os aspectos morais, espirituais, humanitários e, sobretudo a sua liberdade de pensamento, amplamente desenvolvida através da análise e espírito crítico coerentes.
Nessa época em que todos lotavam as praças com seus sorrisos sinceros, onde toda a classe social era bem-vinda, não havia ainda adentrado no coração das pequenas cidades, o germe dos meios de comunicação de massa, que tanto contribuíram para levar o homem ao isolamento, ao distanciamento do seu companheiro e da realidade de sua cidade.
E com que simplicidade e prazer se expectava o fim de semana com seus personagens áureos: cinema e praça!
Assistiam-se aos filmes que eram discutidos, analisados e admirados por toda a coletividade, numa verdadeira terapia que ainda não permitia a proliferação de psicólogos e psicanalistas- coisas do futuro...
A população vibrava feliz com seu pequeno cinema, seu mundo encantado, sem a monotonia, solidão e saturação diária produzidas pelas videolocadoras encerradas em suas fitas apropriadas para o consumo em larga escala- capitalismo cultural.
Produzia-se arte que não se caracterizava como comércio de consumo, não se corrompia ao poder de grandes grupos.
Romeu e Julieta I,II,III...Jamais!
Ah! que vontade de voltar...
Fiquei instigada a participar também e meditando a respeito da sociedade atual em comparação com um passado não muito distante escrevi o texto abaixo cujo conteúdo fiz publicar em um jornal da cidade de Rio claro onde residia na época:
Se eu pudesse viajar no tempo com certeza não gostaria de vislumbrar um mundo futurístico, pois creio que muitas coisas para mim tristes, estariam reservadas: a automatização do ser humano com o absoluto predomínio da máquina implacável-personagem principal, em detrimento do próprio homem- que lástima! Meios naturais: vegetação, ar, águas, totalmente transformados pelas mãos dos chamados, progresso e desenvolvimento.
Por esses e outros motivos é que jamais compraria uma viagem para uma visita ao futuro, mas certamente iria para locais de um passado não muito distante... A minha juventude!
Na velocidade da luz, voaria para os fins da década dos sessenta e indubitavelmente encontrar-me-ia em uma das praças da minha querida cidade natal. Não como está nos dias de hoje; semidestruída, ocupada por mendigos e pessoas dominadas e corrompidas pelo vício.
Hoje, a praça já não é a mesma de outrora. A miséria espiritual e econômica da humanidade ali está representada, hasteando suas bandeiras pelos quatro cantos. Evita-se passar por ali, por medo, ou até mesmo para impedir que uma depressão imensa tome conta de nós; seres que a vimos em todo o seu esplendor, exibir sua fonte de águas coloridas pelas luzes noturnas de domingos gloriosos, agora mascarada de abrigo para sub homens reproduzindo diariamente o cenário de “Os Miseráveis” onde da mesma forma Victor Hugo nos apontou tão fielmente uma amostra da deplorável decadência e indignidade moral a que o ser humano foi relegado.
Antes, era a praça local mais solicitado da cidade, ponto obrigatório de encontro para reuniões domingueiras, de comentários, entrosamento, lazer, alegria... E sobretudo interação entre os homens que podiam ainda na época serem assim chamados em toda a totalidade do significado que esta palavra encerra. Não haviam ainda lhe sido roubados totalmente os aspectos morais, espirituais, humanitários e, sobretudo a sua liberdade de pensamento, amplamente desenvolvida através da análise e espírito crítico coerentes.
Nessa época em que todos lotavam as praças com seus sorrisos sinceros, onde toda a classe social era bem-vinda, não havia ainda adentrado no coração das pequenas cidades, o germe dos meios de comunicação de massa, que tanto contribuíram para levar o homem ao isolamento, ao distanciamento do seu companheiro e da realidade de sua cidade.
E com que simplicidade e prazer se expectava o fim de semana com seus personagens áureos: cinema e praça!
Assistiam-se aos filmes que eram discutidos, analisados e admirados por toda a coletividade, numa verdadeira terapia que ainda não permitia a proliferação de psicólogos e psicanalistas- coisas do futuro...
A população vibrava feliz com seu pequeno cinema, seu mundo encantado, sem a monotonia, solidão e saturação diária produzidas pelas videolocadoras encerradas em suas fitas apropriadas para o consumo em larga escala- capitalismo cultural.
Produzia-se arte que não se caracterizava como comércio de consumo, não se corrompia ao poder de grandes grupos.
Romeu e Julieta I,II,III...Jamais!
Ah! que vontade de voltar...
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