domingo, 11 de dezembro de 2011

E lá vem outro Natal...

Mais um ano que culmina, e outro que se aproxima. O importante de tudo isso é viver cada minuto o mais intensamente possível. Para mim, o Natal já não se resume apenas em presentes e festas; embora devamos  celebrar a vida dos que nos rodeiam e desejar-lhes muita saúde e paz.
 O Natal é sobretudo para mim  feito das boas lembranças de todos aqueles que nos fizeram felizes e que fazem falta em nossa vida...





Ele veio

Como acontece em todo o final de ano, o milagre de Deus se faz presente em minha vida; e acontece quando menos espero: já aconteceu em alguma missa realizada em intenção a sua alma, com alguém que me visita e inesperadamente mostra uma semelhança incrível com seu rosto, ou de qualquer outra forma inesperada para mim.
O que se opera nesse instante em meu ser é algo inexplicável com palavras; ainda que  reunisse todas elas não   seria capaz de exprimir a emoção que sinto em poder rever aquele rosto querido e a magia que me acomete por instantes e que tem a capacidade de me transportar em um piscar de olhos, há anos no passado.
Desta vez, em uma rua solitária e deserta, escurecida pelas trevas noturnas, de repente eu te vejo personificado em alguém: não pode ser simplesmente o acaso que me proporciona esta emoção inigualável do reencontro.
Justo numa ruazinha obscura, onde uma única loja exibe seus enfeites natalinos, próximo à grande avenida, com um gesto amável ele me dá passagem, faz gentilmente um sinal com a mão. A pé,  os cabelos embranquecidos pela neve do tempo, o corpo esguio e fino e o rosto tranquilo de sempre.Com um sorriso amável nos lábios espera pacientemente que eu passe com meu carro, apesar de eu lhe oferecer preferência.Eis que logo ganho a avenida movimentada e indiferente, lotada de veículos que se cruzam  impacientes no afã pela busca de presentes de natal.
A visão daquele rosto, provavelmente de um pedestre qualquer e que me fez sentir tanta emoção, me faz explodir em lágrimas sinceras que inundam todo o meu rosto e provêm do mais fundo d'alma e me acompanham pelo trajeto de volta para casa.
"Quanta saudade daquele semblante cuja dignidade e humildade transpareciam sem artifício algum, quanta saudade da dedicação e da meiguice com que me afagava nas horas difíceis, saudade de sentar-me ao seu lado e apenas sentir o prazer da tua presença".
Já foram tantos os Natais que passei sem meu querido e eterno Papai-Noel que já perdi a conta. Mas parece que foi ontem que te vi sorrindo assim, como esse pedestre que gentilmente me abriu passagem...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011


Se estivesse vivo, minha vida seria repleta de luz com sua amável presença, hoje completaria mais um ano de vida...





A VOCÊ





Que me emprestou a vida, que me colocou neste mundo de meu Deus, que me deu amparo, carinho e amor e que dentro de suas possibilidades nunca permitiu que eu sofresse a mínima dor.

Você que trabalhou incansavelmente, mesmo sem o preparo necessário, para me dar uma vida confortável, que me permitiu uma educação além de suas posses se matando de trabalhar no incessante ir e vir da rotina diária em detrimento da própria saúde e diversão.

Você que sempre me socorreu quando mais precisei do seu apoio e que me deu amor infinito sem que nada pedisse ou cobrasse e que me orientou na minha jornada ensinando-me a caminhar com meus próprios pés pelas veredas desta vida.

A você, meu querido pai, desejo-lhe hoje no dia do seu aniversário: que goze de glória eterna junto à imensidão do universo que agora é todo seu. Que seja rodeado de paz inesgotável o seu espírito compreensivo e iluminado e que tenha finalmente encontrado respostas ante o místico e o indesvendável que lhe ocupou durante boa parte da vida...

Hoje, não posso lhe ofertar mais do que flores ou palavras vindas do coração.

Mas, sobretudo o que lhe escrevo hoje, é uma forma de agradecimento por ter existido um dia em minha vida e ter me proporcionado o prazer da convivência a teu lado.

Descanse em paz!

Meu filho querido:


Este texto vai para vc, segue com atraso de alguns dias, deveria ser escrito no dia 12 de agosto, o dia em q vc veio ao mundo, mas... sem internet, não foi possível publicá-lo. Desta forma, peço que leia com atenção, pois palavras faladas são facilmente esquecidas e levadas pelo vento do tempo, porém a palavra escrita, esta é derradeira, eterna, precisa e remanesce às vezes para além de nossa existência...














FOI EM UM AGOSTO



Foi no ano de 1980 que você chegou em minha vida. Chegou numa manhã de terça-feira ensolarada, quando o meu cansaço foi recompensado por um olhar luminoso que se fixava intensamente em minha direção.

Saiba que desde aquele instante preencheste os vazios de minha vida com felicidade, alegraste cada canto da nossa casa com seu sorriso encantador e contagiante. Lembro-me da tua ansiosa espera pelos presentes natalinos, o entusiasmo infantil que te invadia quando rasgava inquieto os papéis de presente, não se contentando enquanto não os abrisse com avidez e curiosidade.

Foram muitos os natais e aniversários que passamos juntos, mas foram tão marcantes estas datas, que ainda as sinto vivamente em meu coração.

Depois a inquietude da adolescência, a sua partida para outro país em busca de sonhos que se perderam pela estrada.

Acompanhei tudo na silenciosa prece do amor materno torcendo por melhores dias, para realização dos teus desejos, para tua realização plena, embora não soubesses e nem visses o meu pranto silencioso de mãe que quer o melhor para seu filho.

Mesmo que nunca te deixaste perceber, compartilhei de todos os seus sucessos e chorei contigo os teus fracassos, contudo me fizesse de forte para que não desistisses da luta da vida.

E hoje quando comemoras 31 anos de vida ainda te sinto como aquela criança maravilhosa que muitas vezes conduzi pela mão, a que ajudei a aplacar o medo do incerto, a que procurei incutir alegria, otimismo e persistência ante as pedras do caminho.

Neste dia quero te desejar toda a felicidade e graças que o mundo puder te ofertar e te pedir desculpas pelas ausências nas tuas horas difíceis que perdi de acompanhar no afã de meu trabalho para que pudesse te dar um futuro melhor. Hoje sei que estes momentos seriam muito mais preciosos do que qualquer bem material que pudesse te ofertar. Mas também era jovem e inexperiente demais, tenho a humildade de te confessar, filho querido.

Agora, trilhas por seus próprios pés as veredas deste mundo e conduz pela mão também uma parte de você, essa linda criança que enche seu lar de alegria, não deixes nunca de perderes os preciosos momentos da infância e dedica-lhe todo o carinho e atenção, procurando dar o melhor de si.

Peço a Deus para que te acompanhe e te ilumine, clareando cada passo que deres. Que seu espírito aguçado e estudioso se encontre na intensa busca da felicidade.

Saiba que de minha parte serás sempre a minha eterna criança que um dia surgiu do milagre do amor para enfeitar e melhorar as asperezas da vida.

*Na 1ª foto meu filho Leonardo é o Super Man e a criança ao fundo é seu priminho aniversariante Marcelo vestido de Batman... Ah! bons tempos aqueles...
*na 2ª foto Leonardo e a filhinha Sara, na época, recém-nascida.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Qual será a proveniência deste fenômeno? Será ilusão? Acredito que não, certamente que não.Está certo que aqui onde estou, o silêncio é muito grande e para um bom ouvinte e observador muita coisa pode ser percebida. Se alguém que ler esse texto já teve experiência parecida, por favor compartilhe comigo...





Mistério

As luzes distantes da cidadezinha mais próxima daqui brilham de um brilho límpido,trêmulo, e do ponto em que as avisto assemelham-se a estrelas a brotarem do chão.
Estou aqui, em meio à solidão noturna à espera, como um náufrago espera avistar a luz milagrosa de alguma embarcação que o leve a lugar seguro.
Não há brisa, nem de leve que embale a folha de uma árvore. O silêncio seria sepulcral se o coro dos insetos não invadisse o ar.
Vez ou outra, como já é de costume por aqui, o ronco de um motor na estradazinha sinuosa quebra esta quietude ou muitas vezes o de um avião passando ligeiro piscando suas luzes como que me dizendo adeus.
Sem ter o que fazer à noite, ocupo-me em vasculhar o infinito procurando pelas poucas estrelas visíveis hoje no céu dado às nuvens que o cobrem parcialmente e surge entre elas o brilho do Cruzeiro do sul como que me apontando a direção aonde devo ir.
Por que a escuridão da noite é tão envolvente e misteriosa? Por que ela nos faz sentir seres insignificantes e impotentes ante o Cosmo imensurável?
A noite é demasiado longa nestes locais desertos, a lua cheia hoje não jogou seu disco de ouro no horizonte.
O latido de um cão ou um mugido de gado ecoam além  nas montanhas. As sombras das altas árvores imóveis contribuem para aumentar a solidão no vale.
E aquela estrela a brilhar intensamente? À distância dos seus anos-luz pisca continuamente e parece interagir com meus pensamentos que buscam uma explicação sobre o mistério indesvendável da vida.
Curioso é que repentinamente meus ouvidos são invadidos por um ruído de mil megatons como se uma máquina vinda do alto estivesse a vibrar emitindo ondas sonoras graves.
Atento, procurando a origem deste som, porém não o encontro. Pondero que talvez seja o barulho das turbinas dos aviões ultrassônicos a produzirem um eco nas montanhas além. Desde que aqui cheguei, não é a primeira vez que meus ouvidos, por sinal muito aguçados, perceberam essa vibração que chega a produzir uma sensação de medo, talvez porque ela seja quase inaudível ao ouvido humano causando mais uma sensação de que o cérebro não irá resistir por muito tempo se o ruído persistir.
Será alguma nave espacial futurística que aterrissa, ou alguma experiência com energia atômica ou coisa parecida?
Não alcanço explicações. O silêncio ao redor se faz novamente presente para meu alívio.Volto a perder o olhar na escuridão do infinito até me cansar e me recolher para dormir.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Amigos, continuo aqui, como que num retiro espiritual e isto já está durando mais tempo do que pensei. Apenas um inconveniente: não tenho Internet que me possibilite postagens semanais, aliás já havia dito isso anteriormente em postagens mais antigas. Este texto em que relembro a imagem de um primo querido vai ainda sem foto alguma, pois escrevo de uma lan house.

Carlos

Às vezes, aqui sozinha à noite, perco-me em meditações mil.Vendo a noite derrubar suavemente seu pano sobre as verdes montanhas, apagando todas as cores com que o sol pintou artisticamente na imensidão do céu, sinto no fundo do meu ser as contradições e efemeridades desta vida.
Quantas delas se apagam enquanto que milhares de outras nascem numa rodaviva interminável.
Quantos daqueles que amamos se vaem sem que ao menos o tempo permita que lhes digamos adeus, deixando apenas lembranças perdidas ao longo da estrada.
Tudo isso acontece rapidamente quando menos esperamos e de forma tão constante como a noite que chega todos os dias para incansavelmente dar lugar à luz de um outro dia...
Enquanto as trevas se avizinham ocupando todo o seu espaço, cismo em meio do silêncio noturno quebrado apenas pelo cricrilar dos insetos. Quanta tristeza tudo isto encerra, principalmente para os doentes de alma romântica e panteísta como eu que amam profundamente tudo o que os rodeiam.
A nostalgia então me envolve os pensamentos e de repente lembro-me de você, Carlos.
Você foi mais que um primo para mim, foi um amigo para todas as horas da minha rósea e triste adolescência, meu companheiro fiel, sempre pronto a me acompanhar onde quer que fosse. Meu defensor nas horas de fraqueza, presente nos momentos alegres e tristonhos da minha existência inocente.
Não sei em que momento da vida e por que razão nos separamos, passamos a viver em cidades diferentes, distantes, você no seu canto e eu no meu.
E o que foi feita daquela bela amizade que havia entre nós? Em que lugar ficou perdido aquele amor fraternal que nos ligava como a dois irmãos?
Ainda ontem corríamos livres pela rua sob a luz do sol escaldante de Araçatuba, duas crianças felizes que nem de longe conheciam a escuridão que repentinamente toma nossos caminhos...
Quando atendi ao telefone naquela noite, mal podia compreender o significado daquelas duras palavras: O Carlos morreu...
Como? Se sempre ao teu redor só havia luz e alegria?Se quando nos encontrávamos era para sair,divertir e sorrir?
Saiba que não consegui criar coragem para te ver pela última vez. Com os olhos inundados de lágrimas fiz-me representar por uma coroa de rosas vermelhas e brancas e uma faixa que trazia gravada uma frase que nem de longe poderia encerrar a dor da perda. Revia seu rosto sorridente, lembrava-me dos doces momentos dos quais compartilhamos. Não poderia, jamais, obscurecer estas imagens, preferi guardar em minha memória a sua vida e o que ela me representou, como se nada de ruim tivesse acontecido contigo.
De onde estiver, peço que me perdoe por não ter tido a coragem necessária de te fazer a última visita.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mais um pequeno texto...

Amigos, ainda estou aqui neste sítio acolhedor onde o que mais se sobressaem são o bucolismo e a paz campestres. Desta forma, só posso escrever uma série de textos falando da personagem principal que me rodeia diariamente. Escrevi este texto no dia 07 de junho, meu aniversário que desta vez foi um pouco singular e nada costumeiro como nos outros anos.Sinto agora uma imensa saudade de tudo e de todos da cidade grande, embora quando raramente para lá me dirijo, assaltam-me agora sentimentos de impaciência e irritação com os problemas dos quais antes não me importava, como poluição, trânsito caótico e superlotação de pessoas que abalroam as calçadas, mas vamos ao que interessa, ah! já ia me esquecendo as fotos que prometi no texto anterior ainda não foram possíveis de serem copiadas para o blog.Vamos aguardar, agora sou uma pessoa do campo...









Vendaval


Hoje, senti a força da natureza na fúria do vento.
Chegou manso, agitando levemente as folhas das árvores e num crescendo constante passou a fustigá-las num fortíssimo  ameaçador.
Diria-se que se assemelhava ao início de um tornado, tal era a violência com que castigava os pobres vegetais, que indefesos curvavam os galhos, como que escravos da sorte, num esforço visível para sobrevivência.
Os eucaliptais mais além, ou até mesmo os eucaliptos solitários ao redor do sítio, reproduziam aquele rumor de mar enrolando-se em ondas constantes e  em uníssono com as demais árvores da orquestra do vento engrossavam o ruído tornando-o ameaçador. Toda a simetria destas árvores se envolvia numa dança sincronizada como que hipnotizadas por magia a desenvolverem o mesmo balé involuntário e interminável.
Os coqueiros agitavam suas crinas sem poder se conter e suas ramas brilhantes obrigadas a acenos de adeus constantes descabelavam-se.Quando havia uma pequena trégua, exibiam suas folhas cansadas, caídas e despenteadas pelo rigor das chicotadas que recebiam.
O lago a minha frente, antes quedo, mudo agora exibia as águas agitadas por um balanço sem fim, sendo arrastadas em ondas tal a velocidade que o vento adquirira.
Não se ouvia nesse instante som de animal algum, todos se recolheram a lugar seguro.
Um único urubu solitário que antes plainava facilmente com a leve brisa, a custo conseguia fazê-lo entortando o corpo na tentativa de manter-se ereto.
Julguei ser o início de uma brusca mudança que geralmente antecede os temporais e que acabam culminando em chuva forte e contínua, entretanto não foi o que ocorreu de imediato, o vento que traria a tempestade e que causaria tanta destruição no campo e na cidade continuou seu trabalho por todo o dia, não cessando com o crepúsculo, mostrou todo o seu vigor que culminou finalmente com a forte chuva que tantos males causou. Este dia ímpar de aniversário me fez mais uma vez refletir na pequenez da condição humana perante as forças do Universo.


*Foto acima tirada dos eucliptais castigados pelo vento durante o temporal de 07-06-2011.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Longe do mundo

Olá, amigos:
Depois de um longo tempo sem postar texto algum, hoje aqui em uma lan house da cidadezinha de Igaratá, de onde estou em um sítio próximo, vou rapidamente postar uma mensagem. Não prometo que será um hábito constante, pois onde estou, encontro-me distante de tudo e de todos, não tenho Internet, nem sequer televisão. Por força das circunstâncias vim parar aqui, nesse lugar tranquilo tendo como vizinhos bois, vacas e a natureza, da qual pareço dona, mas vamos lá que o tempo é curto e tenho que aproveitá-lo. Breve, incluirei neste texto algumas fotos do recanto onde me encontro.Perdoem-me os erros se ocorrerem, pois o tempo escasso não permite as correções de rotina.


Solidão





Aqui onde estou agora tudo é paz, rodeada pelas verdes montanhas cobertas por um céu límpido e azul.
De um lado, a elegância das grandes árvores, característica da Mata Atlântica, e de outro, a quietude verde e enfileirada dos eucaliptos mudos e indiferentes nesta hora que precede o anoitecer, verdadeiras colunas de sentinelas a guardarem  as montanhas.
No alto de uma delas, uma cena que é poesia: uma casinha bem distante e ao seu lado, uma árvore alta de duas copas, creio, ou talvez, duas delas de tamanhos diferentes, fato que não consigo precisar ao certo, dado à distância em que se encontram. Uma cena singular onde a sombra da árvore abraça a pequena morada, sua companheira inseparável, digna de ilustrar uma tela daqueles privilegiados que com sua percepção conseguem transmitir não apenas as suaves formas e cores, mas toda a emoção que a imagem provoca em uma alma solitária...
Ciprestes ladeiam a estradinha de saída do sítio, ali um coqueiro solitário, cujo farfalhar das folhas, ao mais leve toque do vento faz lembrar o rumor da chuva caindo, acolá, uma e outra árvore frutífera e o gado espalhado pelo campo a pastar e a se locomover lentamente, transmitindo uma paz que se funde com o profundo silêncio ao redor.
Breve será noite. As sombras noturnas  avizinham-se convidando bandos de pássaros para o refúgio dos ninhos e muitos deles passam em revoada de volta da luta diária pela sobrevivência. Muitos piam já aconchegados aos lares. São pombas do mato, Fogo-apagou, gaviões, garças, e até um casal de seriemas que pousam à beira do grande tanque do lugar para descansar.
Os últimos raios fracos de sol ainda teimam em iluminar a montanha onde a casinha e a árvore pousam para a última foto do dia captada pela objetiva dos meus olhos que se deleitam com a paisagem.
Como é bom esse silêncio profundo apenas quebrado pelo canto dos pássaros, ou pelo rumor da água da bica, ou até rarissimamente pelo barulho de motor distante de um carro que corta a estradinha mais além...
Por vezes, aviões cortam os ares com seu ronco, mas logo se despedem.
Que diferença da cidade grande onde o som ensurdecedor das máquinas ferem os ouvidos e a fumaça poluída embaça a pureza do céu! Onde não podemos acompanhar a rapidez dos movimentos que nos rodeiam, assim como os milhares de reflexos que o cérebro agita-se  ao captar enquanto que aqui a lentidão natural dos animais e da natureza marcam sua presença relaxante...
A saudade da cidade às vezes bate forte, a ausência do convívio daqueles que nos são caros machuca, porém o espírito em paz nesse local sagrado nos faz compreender os mistérios da vida e seus desencontros tão naturais em uma existência...
O sol distante agora brinca de colorir algumas nuvens tingindo-as de rosa e amarelo.
Enquanto a escuridão não chega e as estrelas ainda não cintilam no céu, acompanho nesta paisagem bucólica a movimentação do crepúsculo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Escrever o quê?

Amigos, há dias já que reluto em escrever neste espaço tão familiar para mim. Estou totalmente sem assunto, vejo que meu prazo de postagem semanal está se esgotando e nada... Procuro um motivo relevante, mas a mão se recusa a digitar no teclado como gato que foge da água fria.Foram tantos os assuntos motivadores de 2010 que me levaram a produzir textos saborosos que brotavam do fundo d'alma. Mas agora...Nada!Escrever sobre o quê? Ano Novo, novas perspectivas, ou textos de tema político com a entrada de uma nova presidenta da República, que é um prato cheio para que as palavras surjam aos borbotões?Nada disso está gerando motivação...Assim:

...

Passa ano, vara ano e para mim nada muda; as pessoas com seu mesmo jeito de sempre, sem nenhuma reciclagem em sua maneira de agir que as façam  mais agradáveis ao convívio social, apesar de cinicamente pregarem o contrário.
Quantos anos já se passaram em nossa existência, eles são velozes e muito breves, pois uma vida é um avião a jato que passa tão rapidamente e termina quando menos se espera.Tal fato deveria ser a mola que impulsionasse mudanças em comportamentos indesejáveis, egoístas e prepotentes, porém existem cérebros que parecem sofrer de paralisia, atrofiam-se e permanecem sempre insistindo em tocar a mesma nota desafinada a todo momento.
Que grande falta faz a disposição para aprender coisas novas! Por menores que elas fossem, já seriam de primordial efeito em mudanças em nossas maneiras de sentir, pensar e agir.
E nada existe de mais aborrecido do que o mesmismo, a predisposição a antimudança, a repetição de cantilenas que parecem milenares.
O egoísmo geralmente nunca é auto-avaliado por quem o exerce. É um escravizador de personalidades que sempre se acham superiores e melhores que as outras. Isso faz com que surjam críticas infinitas, sem fundamentação real, onde o espírito escravizado procura subjugar e culpar outros pelos problemas rotineiros que ocorrem e dos quais não se pode fugir...E na tentativa de encobrir o que não querem fazer, mil justiticativas inconsistentes são despejadas em nossos ouvidos fustigados.
É muito fácil transferirmos nossas vontades não satisfeitas em críticas indiretas a outrem que nem sequer culpa tem pelo que de mal acontece na vida, o difícil é arregaçar as mangas, assumir o que deve ser feito, ter a coragem necessária para cumprir obrigações que nos são inerentes e tudo isso sem apregoar o que foi feito pelos quatro cantos do planeta como se ninguém  o fizesse.
O narcisismo é outro mal que acomete a muitos que se acham superiores, os mais trabalhadores da face da Terra, os mais espertos e mais responsáveis, os melhores educadores, os mais notáveis pais, jogando os outros numa lata de lixo como se nada fossem, nada merecessem, ou realizassem.
A inveja,outra moléstia de que padece muitos seres humanos, faz com que só se tenha olhos para a vida alheia, da perscrutação dos seus detalhes e nunca deixando com que o invejoso tenha uma vida própria sobre a qual trabalhe e construa atos relevantes.
Existem aqueles que adoram a maledicência, desejam o mal a outras pessoas de forma tão veemente e assustadora que é possível murchar uma flor com seu próprio olhar. Pode existir coisa mais triste do que isto?
Antes de nos reunirmos para relacionamentos sociais, deveríamos ter pelo menos a noção de não monopolizar as atenções com essas boas qualidades que alguns têm predisposição a cultivar...
Nada mais triste do que passar 365 dias de um ano ouvindo as mesmas músicas aborrecidas, sem conteúdo e motivo justo para serem tocadas!
Vamos fazer sair de nossa boca apenas melodias eruditas, bem trabalhadas que tenham mérito para que possam ser apresentadas e atrair a atenção geral.
Outro terrível malefício que corrói mais que o câncer é a vontade de ter dinheiro,mas pior ainda que isto é não ter disposição para consegui-lo e tentar dilapidar o que outros construíram ao longo dos anos com o suor do seu trabalho.Há aqueles que malfadadamente só se aproximam de alguém de quem possam usufruir algum benefício, não se importando com humilhações de toda a espécie para conseguirem o seu intento.Desta forma, pelo maldito dinheiro alheio e o conforto que este poderá trazer sem esforço algum, são tolerados os maus gênios, as grosserias, as chatices desde que, é claro,haja a bondade de um grande coração recheado de reais, dólares ou qualquer outra espécie de vantagem oferecida.
Quando se vê a grande quantidade de abutres desta espécie em uma reunião social, às vezes é muito mais agradável isolar-se em uma paisagem solitária como a que vemos acima... Agora imagine só a possibilidade de todas essas qualidades estarem presentes em apenas uma individualidade. Isto é assustadoramente possível e totalmente intediante de assistir...
Haverá algum dia a possibilidade remota de que este quadro mude? É pouco provável que ocorra. A doença é incurável.
E isto só poderia acontecer quando todos entendessem que o trabalho é o principal fator que gera as mudanças necessárias e que a preguiça, esta terrível praga que consome a maioria dos humanos e que os torna chupins e aproveitadores daqueles que trabalham é a principal responsável por todas as lastimáveis mazelas que o ser, dito racional, apresenta.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O que você fez neste ano ?

Dizem que o tempo não existe... Que o homem o inventou com a finalidade de melhor aproveitar o trabalho diário. Porém , mesmo que esteja cientificamente provado que ele não existe, temos visivelmente provas do nascer de um novo dia, do seu término e da noite que surge mansamente como um bálsamo para que descansemos, recobremos a energia e coragem para desempenharmos nossas tarefas intermináveis enquanto tivermos vida para viver.
Estes dias e estas noites que vão se passando cheios  de acontecimentos de toda a sorte, vão se agrupando em um ano que fatalmente morre, coincidentemente ou não, com a festa de Natal, último evento glorioso do qual participamos.
Para muitos, uma festa familiar, para outros solitária, para alguns de paz, para tantos de tristeza...
Na primavera da existência, o Natal é mágico, repleto de alegria e de presentes quando todos são a grande maioria que se reúne em torno a uma mesa de refeição.
No outono da vida,  a sensação desta festa já não pode ser sentida desta forma: as perdas sofridas no decorrer dos anos dá ao acontecimento um sabor nostálgico que  apresenta um quadro de saudade e solidão quando são poucos ou quase ninguém  a se reunir e confraternizar o fim de mais um ano.
No entanto , a despeito de tudo que nos acontece,ouvem-se canções natalinas propagando mensagens maravilhosas que propõem um balanço de tudo o que fizemos durante um ano...E apesar de toda a tristeza, há no ar e nas melodias desejos de Feliz Natal, como se isto fosse possível através do aperto de um botão...





 A pergunta deveria ser: o que você não fez este ano?
Ao observar as ruas e avenidas movimentadas da cidade veem-se pessoas de todos os tipos e classes sociais, bem-vestidas, maltrapilhas, alegres, tristes, esperançosas, desiludidas...
Todos, com raríssimas exceções, à procura de lojas para que gastem suas economias em presentes para aqueles que lhe são caros, ou em artigos de consumo para que possam estar bem-vestidos para ceia e almoço de Natal.
Todas as festas, independentemente ou não de ser a de Natal, são voltadas para o consumismo em larga escala onde aquele menos favorecido economicamente se vê totalmente discriminado numa festa que se diz religiosa para louvar o nascimento do ser mais humilde que já pisou na face da Terra... A tremenda ironia aí se revela, pois a maior preocupação deste dia para a grande maioria é poder exibir roupas e sapatos de grife, ostentar uma mesa farta digna de um rei.
Se todos se preocupassem a perguntar a cada ano que morre o que deixou de fazer de bom durante tão longo período, as mudanças necessárias certamente seriam realizadas individualmente e no mundo todo haveria uma revolução coletiva a favor do bem.
Este ano não me lembro de ter agradecido suficientemente pela minha saúde e a de todos os que me são caros, enquanto muitos não puderam ter essa felicidade.
Creio que também não fui grata o bastante perante as oportunidades de trabalho extra que consegui ao decorrer de 2010, fato que me possibilitou uma complementação de renda e consequentemente um padrão de vida mais digno.
Não me lembro de ter ficado feliz e ter louvado como devia o fato de todos os meus, incluindo a mim, saírem e voltarem para o nosso lar sãos e salvos quando outros não tiveram a mesma sorte.
Também pelos sonhos que se perderam nessa estrada e que me fizeram aprender tanto na escola da vida...
Agradecer pelos amigos que consegui manter, amigos novos dos quais consegui me aproximar,amigos antigos que voltaram a minha convivência.
Pelo amor e compreensão recebido dos filhos através de cada gesto, de cada palavra, de cada ação ou pedido...
Agradecer tem sido uma constante em minha vida, porém era preciso muito mais:
Pelo amor conjugal de quase quarenta anos, uma eternidade! É preciso agradecer neste momento em que o ano termina, desejando que sempre seja assim, e não quando nada mais restar depois do vendaval.
Por este anjo de candura que chegou ao nosso lar neste ano, minha querida netinha Sara.
É preciso que ainda ajude mais as pessoas que de mim necessitam, oferecendo humildemente aquilo que posso dar.
Olhar mais nos olhos de todos que de mim se aproximarem compartilhando seus sentimentos e necessidades.
Uma coisa de que preciso muito é conviver mais com aqueles que são meus amigos, promover encontros saudáveis e alegres desafiando o pouco tempo que tenho que deve ser preenchido com a qualidade da boa convivência.
Entregar-me mais à música e ao seu estudo como forma de aprimorar meu espírito e me aproximar mais de Deus.
Aplacar um pouco a desconfiança, desfazer o ceticismo total para ganhar um pouco de paz espiritual.
Contemplar mais a natureza e tudo o que ela tem para oferecer.
É preciso antes de mais nada: aprender a perdoar, oferecendo uma lição de vida em troca de cada insulto, ou coisa que me incomoda, mudando esta atitude para outra mais positiva...
E o mais importante: preencher, como dizia Kipling,  o implacável minuto com 60 segundos dignos de uma corrida de velocidade. E ainda diria mais: preenchê-lo com amor, amizade e compreensão para que tenha cumprido minha missão nesta Terra...



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O outro lado da moeda...

Agora já é quase que tocável a noite de Natal. Muitas pessoas correndo pelas ruas como formigas atrás do açúcar, desculpem a comparação, mas o desespero para satisfazer a vontade de todos é grande neste instante e, aqueles que trabalham sem até o presente momento terem tempo de comprar seus presentes, aproveitam os minutinhos de descanso para se aventurarem   mesmo "singing in the rain" para levarem   para sua árvore de Natal os mimos que garantirão a alegria de todos. Já é quase possível apurar o olfato e adentrar dentro dos milhares de lares espalhados pelo mundo todo e sentir os mais doces aromas natalinos. Por mais simples que seja a morada haverá algo de diferente para saborear e diferenciar este dia dos demais.
Muitos, mais privilegiados, já agendaram suas viagens seja ela por terra, via aérea ou por mar...
E a hipótese de poder obter um colírio para os olhos fotografando a paisagem marítima e sentir a brisa agradável através do convés de um navio tem altos custos atualmente. Não que seja uma viagem economicamente dispendiosa, mas correm-se riscos ao tentar sair de casa para uma viagem deste tipo.
A pirataria voltou com todo o vapor dos séculos passados para a atualidade, navios são alvos de assaltos que engordam os olhos pirateiros ao vislumbrar o grande rebanho de pessoas reunidas em um edifício ao sabor e a solidão dos mares...
Muito lindos os transatlânticos, quer sejam vistos durante a noite ou de dia, mas para aqueles que não param de pensar, seguramente não há   mais a tranquilidade como sua companheira de viagem. Sabem que vão à mercê da sorte, e dependendo do poder econômico dos passageiros que ali se encontram o risco é maior e a despeito de seguranças e armas possantes,sabem que o perigo ronda os oceanos...
Mas não é apenas nas águas  que vemos estes personagens. Muitos cidadãos honestos querem levar de presente para seus filhos um jogo de video-game,  um CD musical ou de desenho, a febre que devora esta nova geração.
Aliás, é sobre pirataria o meu tema deste post. Ela tem sido debatida e combatida pelos quatro cantos, condenada e julgada criminosa por aqueles que veem seus direitos violados... Mas,  paremos um pouco para pensar: Por que razão tudo isto vem acontecendo ultimamente?






Países ricos, de primeiro mundo,há muito vêm impondo de maneira maciça sua tecnologia aos outros menos desenvolvidos.
De certa forma, tal fato chega a ser desumano para se falar com franqueza: nações totalmente carentes de elementos básicos como Alimentação, Saúde, Educação tendo que adquirir produtos de informática a altos preços sob a alegação de que o mundo mudou e todos devem inserir-se no novo contexto da globalização. Deste modo, apenas para exemplificar, no setor educacional escolas sem o mínimo conforto em suas salas de aula, "recebem" uma sala de informática exígua, sem verba suficiente para manter as máquinas que ali estão, onerando em dívidas os países que financiam todo este aparato dos países economicamente favorecidos, ficando deles mais dependentes do que já eram. Esta dívida só tende a crescer, pois os programas, os chamados softwares,que são a alma que dará vida a esses aparelhos são vendidos a preços totalmente inacessíveis e praticamente impossíveis de serem adquiridos pelo cidadão que em sua maior parte nem computadores tem   condição  de possuir. Num contexto social de pobreza, desemprego e superlotação urbana surge uma verdadeira indústria paralela que mostra o reverso, o outro lado da moeda: a pirataria em pleno século XXI. À semelhança do século XVI onde elementos à margem da sociedade de seu tempo saqueavam os navios em alto-mar para apoderarem-se de riquezas, hoje, esses piratas do asfalto clonam com habilidade criminosa todos os meios de multimídia: de programas de computadores a CDS. O fato é que esse mercado vem crescendo, tomando proporções assustadoras causando aos seus criadores, que são os detentores dos direitos de posse sobre o produto,imensos prejuízos financeiros e morais.
Todas as situações revelam seus prós e contras; se por um lado a tremenda falta de ética e desonestidade estão presentes a essa ação, há a possibilidade de que a pirataria traga ao cidadão mais pobre  a possibilidade de poder conviver com a tecnologia e a informatização do primeiro mundo. Como esta situação vai culminar pode-se já vislumbrar através das constantes ameaças de sanções econômicas e sociais que os países infratores sofrerão. Um outro problema desencadeado através da pirataria e não menos grave é  que o comércio  de ilegais gerou uma forma de trabalho, um subemprego aos indivíduos que o comercializam como produto alternativo e dele sobrevivem.Grande número de chefes de família sem a consciência necessária para discernir,sustentam seus lares e, muitos deles reproduzem de maneira grosseira em seus próprios lares os tais produtos paralelos. Muitas vezes indiciados, têm sua mercadoria apreendida, o que leva ao desespero pais que custeiam suas despesas realizando essa transação ilegal agindo sem conhecimento de causa.
É provável que se a pirataria terminar levará com ela as chances de familiarização dos produtos informatizados no terceiro mundo.




quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O pedestal

Fazendo compras nas proximidades da rua 25 de março, senti-me num inferno em vida. Calor sufocante já logo pela manhã, gente, gente e mais gente... Não se sabe como as pessoas se proliferam pelos quatro cantos daquelas imediações e  o que é pior, pessoas sem qualidade, sem a educação e o perfil de organização necessários para conviver com tremenda aglomeração em tão exíguo espaço.Ruas que há muito deveriam ter sido transformadas em calçadões para os pedestres que são a maioria no local, entupidas de carros que se amodorram em uma terrível marcha lenta tentando ganhar espaço e avançar a seu destino; muitos deles ainda se aventurando em estacionar nos locais garimpados pelos flanelinhas do lugar. Em sintonia com toda esta movimentação, um barulho ensurdecedor invade o ar, seja pelas músicas dos Cds pirateados que continuam, a despeito das batidas policiais, sendo comercializados, gritos de camelôs que tentam a todo custo chamar a atenção das pessoas para que comprem  seus produtos, apitos que ecoam "hei, titia" arrepiando até os cabelos do ser mais calmo deste planeta, fogos, os iluminadores, sendo queimados em plenas ruas...
Como que para poder acalmar-me um pouco,  procuro ignorar toda esta parafernália local e assobio mentalmente a jóia musical de Ernesto Nazareth, o nosso Chopin brasileiro, a valsa "Coração que sente" e a mentalizo tocada pelo bandolim e não pelo piano como sempre a interpreto, porque aquele instrumento tem o poder de me fazer voar até a década dos  20 quando foi criada e  a despeito de não ter vivido nesta época, reside em mim a certeza de que tenha sido muito mais agradável de que esses tempos malucos onde ninguém respeita ninguém.
Caminhando pela calçada procurando por loja de brinquedos, passei por uma loja que vendia pedestais... Aqueles relógios imensos de madeira, que batem solenemente as horas tão fortemente marcadas como a melodia dos sinos...
Bastou apenas um olhar e...



Tempus fugit...



Lembrei-me de 15 anos atrás, era então por volta de 1995, mais ou menos, talvez antes...Minha cabeça já não consegue precisar ao certo. Você me telefonara daqui de São Paulo para a cidade de Rio Claro onde então residia já há 8 anos:
-Alô, filhinha, como está?
Sua voz misturava-se com os mais diversos  sons dos relógios da loja para a qual vendia; sons musicais de carrilhões, cucos, pedestais.
-"Pai, que bom te ouvir", foi o que pensei, mas minha voz respondeu: Tudo bem. E a mãe, meu irmão?
-Estão todos bons. E meus netinhos, o Leonardinho, a Bicudinha? Ai , que saudades estou deles...
-Estão crescendo a olhos vistos, pai. Quando vocês vêm para cá?
-Não sei, filha, mas breve irei visitá-los.Estou te ligando para saber o que quer ganhar de Natal.
-Ah, pai, não se incomode não...
-Faço questão...Eu queria te dar um relógio, sabe...- falava com a voz já meio ofegante pela doença que o consumia.
-Estou vendendo um carrilhão que é muito bonito, mas o que eu adoraria mesmo, é te presentear com um pedestal daqueles de madeira, são muito lindos.
Neste exato momento, seja por coincidência ou não, soaram graves as badaladas do pedestal da loja numa música séria que calavam fundo na alma.
-Mas, pai, este relógio deve ser caríssimo, pelo que o senhor fala, enorme e de madeira...
-Faço questão, não sei se vou conseguir te dar exatamente um pedestal, porém, se não for possível, um carrilhão ou outro de parede, você aceita?
-Claro, pai. "Não precisa ser pedestal, qualquer presente vindo de você é maravilhoso", era o que deveria dizer, entretanto respondi: obrigada.
Com a voz confundindo-se entre a música das horas, ouvi ainda meu pai me descrevendo o pedestal que ele achava fino, elegante fazendo-me achar uma pessoa muito importante, pois era o relógio mais caro da loja para a qual trabalhava. E era feito em madeira de cerejeira, embuia podendo ter detalhes entalhados artisticamente ou não.
Sei que não foi possível, meu querido pai, dar-me de presente o seu lindo pedestal. Sei também que todo o esforço que fizestes carregando com seu frágil corpo a pesada mala de catálogos e mostruários, não te possibilitaram realizar a tua vontade, contudo, ainda continua marcando as horas incansavelmente na minha parede da copa aquele relógio que me destes de presente de Natal. Continua ainda brilhando o painel dourado onde  as letras pretas dizem: "O senhor é meu pastor, nada me faltará", frase que até certo ponto retrata a ironia do destino ao sugerir que perder um pai não é uma falta, uma perda incalculável que jamais poderá ser reposta ou esquecida.
Saiba,  que, de onde estiveres, na distância espiritual de anos-luz, que nunca deixei de te amar, de reconhecer todo o sacrifício feito por mim.Quero que saibas que aquele relógio que marca minhas horas com o qual me presenteaste é o mais lindo pedestal que jamais alguém recebeu pelo valor que ele encerra, é cuidado como o mais precioso dos tesouros porque foi-me dado pelas tuas mãos que tanto sofreram para dar tudo de si, sem nada receber em troca.
Vejo-me no caminho de volta para casa, dentro do ônibus quase vazio, já saí do inferno e passei pelo paraíso.



quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dar a outra face...

Mais uma postagem que compõe meu álbum de esparsos literários.Pode este texto parecer muito contraditório a alguns que já tenho postado anteriormente, mas é hora de reciclagem, um novo ano se aproxima, sabemos que, exteriormente, apesar de que nada ou quase nada mude de um ano para outro, precisamos fazer um balanço de tudo o que vivemos durante estes 365 dias e tentar separar nossas atitudes positivas e negativas, coerentes e incoerentes, certas ou erradas para com as situações e pessoas  que enfrentamos no nosso  cotidiano. Acredito ser esta uma questão vital para que acertemos ou erremos nos relacionamentos vindouros e que possamos sempre com esta atitude, além de construir uma boa imagem,nos amarmos  mais a cada dia,  fator principal em nossa existência aqui na Terra...
Pode não parecer...Mas isso é uma oração. Brotou do fundo d'alma e das batidas do coração.
Quando rezamos, procuramos sempre ter uma imagem forte, que não precisa necessariamente ser a imagem de um santo. A natureza por si só é a representação divina por excelência, pois representa o poder do criador. Com toda sua exuberância, mostra-nos a nossa pequenez diante da criação onipotente.
E o mar... Representa toda a fúria e o esplendor ao mesmo tempo em que nos transmite uma sensação de paz trazida pelo ritmo e pelo rumor cadenciado das águas que retratam sempre as cores do céu.
E é com essa visão do oceano ao quebrar nas areias da praia é que inicio o minha súplica. Já não peço por saúde, dinheiro, paz, ou mudanças significativas em minha vida para o novo ano que se avizinha.



Peço para que não seja tão presente àqueles que não reconhecem ou valorizam a amizade sincera.
Que eu saiba ser menos humilde do que sempre me ensinaram, belas lições para um mundo mais antigo e mais justo; e me esforce para ser pelo menos um pouco mais vaidosa e orgulhosa à imagem dos homens modernos que só valorizam o dinheiro e os bens materiais.
Que eu consiga, meu Deus, pelo menos um pouco de maldade para cogitar da vida alheia o que nunca aprendi a fazer, como forma de sobreviver e ter a supérflua vida social que todos praticam ultimamente...
Que eu não esteja sempre tão disponível a favores pedidos nunca sinceramente valorizados, como meio de construir uma imagem mais forte e mais poderosa perante a sociedade, pois infelizmente não é verídica a frase: é dando que se recebe. Socialmente ela foi trocada por Quanto mais se TEM, mais se recebe e quanto mais se É menos valor se tem...
Que, sobretudo, eu consiga  ter o mínimo de artificialidade e futilidade para tornar-me igual a meus pares que valem mais pelo que compram, pelo que vestem, pelo que calçam e nunca pelo que são...
É preciso não confiar tanto, não acreditar profundamente no amor e na amizade como costumava fazer, antes de tudo é necessário forças para mudar e tomar conhecimento de  que (me perdoem as raríssimas exceções) há muito, a sinceridade e a franqueza foram substituídas pela maledicência e a inveja!
Acima de tudo, senhor,  faça com que consiga um pouco de desprendimento da ética e dos bons valores para que possa pelo menos aceitar e conviver com as novas mudanças onde o que era certo é errado e o que era errado é certo, como forma de me inserir na sociedade atual.
Que eu possa me manter tranquila e em paz com minha consciência, sem cultivar o espírito de luta contra as injustiças da vida que são a nova ordem deste mundo onde não há mais dignidade e retidão de caráter.
E que eu não valorize tanto o amor, artigo de segunda categoria para a humanidade que nos rodeia...
Que eu perca de vez a esperança em dias melhores que a cada dia se tornam mais impossíveis e distantes.
Ah! já ia me esquecendo...Que eu perca o meu jeito simples e franco de ser, pois hoje ele é demodê e  não oferece um status de destaque perante os homens, antes, diminui a minha imagem, que é ignorada pela grande maioria.
Ajuda-me a não ter essa imensa vontade de ajudar a todos e de trabalhar incansavelmente, são coisas não valorizadas.
E para terminar, meu pai, que eu pare de vez de oferecer a outra face, que eu reúna forças para me defender e revidar à altura cada pedra que me atiram...
Que eu aprenda, senhor, a ser menos idiota no ano que se aproxima. Amém.


sábado, 27 de novembro de 2010

Neste Natal...

Amigos, mais um ano que agoniza. Já estamos vislumbrando as cortinas de dezembro, o último mês do ano e só agora é que me dei conta de que o Natal se aproxima. Em meio a esta loucura em que vivemos, nunca me sobra tempo para com calma fazer os preparativos para data tão significativa. Antes, trabalhava e lecionava até as vésperas da última  comemoração do ano, décimo-terceiro quase que no dia natalino, sem deixar chance para nada, pois sem dinheiro nada se faz. Além do mais, notas para fechar, diários de classe por encerrar, conselho de classe e tantas coisas que a árvore de Natal era sempre feita às pressas da mesma forma que toda a preparação para a festa.
Mas hoje... Aposentada, continua tudo como dantes, a correria, afazeres domésticos, ajuda aos filhos e neta substituíram as aulas e ocupam quase que todo o meu tempo de modo que "hoje" é que armei a minha árvore de Natal. Fi-lo com calma, com gosto, abandonando para isto vários afazeres.
Não sei se esta falta de tempo que temos hoje é o mal do século, ou se acontece apenas comigo, acredito sinceramente na primeira opção. Escravos do relógio é o que somos e seremos sempre. Pelo menos aqueles que têm a responsabilidade de administrar um lar e que não contam com ajudantes como  no meu caso.
A princípio, comecei a montar a árvore sem nada pensar, separei o cachepô, o pinheiro artificial, os ornamentos, as luzes e iniciei minha tarefa...





Quando fixei a árvore natalina no cachepô e amparei-a com pedras, pelúcias e pinhões já estava muito distante. Atravessei o momento presente como se tivesse entrado em uma máquina do tempo e me encontrei na velocidade da luz em outros natais.
Naqueles dias de festas para mim grandiosas, iluminadas, que cheiravam novidades e surpresas inesquecíveis: a espera do Papai-Noel, sempre tão querido e aguardado, os sapatos próximos à janela à espera do bom velhinho que nunca faltava. 
As crianças alvoroçadas em gritaria pela sala, as mães e avós nervosos com toda aquela excitação infantil. A grande árvore armada no centro da sala simples era o motivo de atração para todos. O cheiro dos quitutes invadindo o ar, as músicas tocadas na rádio-vitrola, personagem insubstituível da época, ao som da harpa de Luís Bordon,tudo contribuía para a magia da noite de Natal.
Que festas maravilhosas eram aquelas! Construídas com o entusiasmo e alegria da infância eram mágicas e inigualáveis!
Naqueles tempos, meu querido Papai- Noel, na minha pureza de criança, não conseguia avaliar o sacrifício que fazias para me dar um presente...Também não sabia quem eras na realidade!Desconhecia que para me dar felicidade muitas horas extras se fizeram necessárias e muitas horas de sono e descanso foram ali empenhadas.
Hoje, sei que meu Papai-Noel sonhou muito com um Natal melhor sem muitas vezes conseguir, sonhou com um presente muito mais caro que nunca conseguiu comprar, desejou-me muita saúde que durante longo tempo não chegou para deixá-lo feliz...
Sei das renúncias que fez a sua própria felicidade e bem-estar para poder me agradar. Sei também dos fracassos profissionais que tanto pesaram em sua personalidade delicada e humilde, como me lembro também da sua torcida por dias melhores, por sucesso em seu trabalho,que da mesma forma não aconteceram.
 Lembro-me,Papai-Noel, dos seus cálculos intermináveis para administrar seu parco salário para que pudesse nos dar um Natal feliz! Ah, se eu tivesse esta consciência naqueles dias de festa! Se soubesse do seu sacrifício,renunciaria a todos os presentes que te pedi para poupar o teu esforço. E no entanto,tudo o que precisava para ser feliz era a tua meiga presença que me dava tanto amor!
Neste Natal, como sinto a sua falta meu querido Papai-Noel! Não para te pedir um presente, mas apenas para sentir tua presença, conversar um pouco contigo, para que afagasse meus cabelos e te sentasses um pouco a meu lado como sempre costumavas fazer...
Neste Natal, sei que um pedido simples como este não pode ser satisfeito,ouvir tua voz é um sonho impossível , até mesmo lembrar do teu rosto torna-se difícil, ele se dissipou no tempo...Para toda a minha tristeza mal consigo me lembrar com precisão do seu sorriso sincero...
Enquanto colocava os ornamentos na árvore de Natal, sua presença se tornou tão forte... Aquelas bolas artesanais que vendias ainda remanescem comigo e estão a enfeitar a minha árvore hoje! Lembrei-me de que elas ficaram como forma de pagamento pelas comissões das vendas que não recebestes...
Cada ornamento natalino compunha em minha cabeça uma história da nossa vida.
Quantos sonhos sonhamos no decorrer de uma existência, sonhos bem sonhados e quase nunca realizados, desejos desejados e não conseguidos, vontades pretendidas e não alcançadas...
E apesar de todas as contradições continuamos a sonhar, com melhores Natais para nossos filhos, parentes e amigos. Ainda bem que ainda conseguimos sonhar! Felizes aqueles que sonham e idealizam um futuro melhor.
Neste Natal,vou continuar a desejar a todos um milhão de felicidades como sempre fez o meu querido Papai-Noel!




sábado, 20 de novembro de 2010

O lento perigo invisível

Amigos, as transformações desencadeadas  pela tecnologia  ocorreram paulatina, mas ininterruptamente. Dizem que o inimigo ataca quando o oponente dorme. E nas rodas do mundo, enquanto a maioria da humanidade fecha os seus olhos, as engrenagens das mudanças  se movem com uma velocidade incrível. O que assusta nas transformações que o homem pouco a pouco vem efetuando na natureza, é a sua capacidade de destruir o que é original e puro. Raciocinem um pouco comigo:





Fomos criados como simples animais privilegiados com uma inteligência ímpar que nos diferencia dos irracionais,o que dá o direito ao homem de criar, inventar, mudar o que já está pronto no universo que nos rodeia.
A princípio, mal nos sustentávamos como bípedes e corríamos como loucos em busca de alimentos, água e calor para nossa sobrevivência ensaiando algumas formas de enfrentar o inimigo como maneira de perpetuar a espécie e éramos felizes, porque tudo o que precisávamos para viver nos era outorgado pela mãe natureza: frutos, água pura, fogo, de forma que nada mais precisaríamos para continuar vivendo.
Mas, o ser, dizem racional, intelectualmente superior foi evoluindo. Evoluindo ou regredindo, isto é questão de opinião e ponto de vista. À medida que a  raça humana proliferava e aumentava a olhos vistos, já conseguia sobrepujar sobre os outros animais e exercer perfeito domínio sobre eles. Não contentes com esta supremacia humana que garantia e garante o direito de alimento de qualquer tipo de carne através do covarde abate, o ser  hoje manipula, humilha e tortura o bem-estar da raça animal seja peixe, ave ou qualquer outro.
E com a descoberta do malfadado código genético que poderia ser a salvação de todas as espécies no que diz respeito a doenças e afecções que atingem os organismos, vemos novamente a falta de ética e de humanidade invadirem os cérebros privilegiados modificando geneticamente todos os que foram feitos com perfeição para servi-lo levando à perversidade de criarem e modificarem animais, tripudiando sobre eles, criando aberrações que mal conseguem se suster de pé e o que é pior, tudo isto motivado pela ambição e poder. Por estas grandes descobertas que a muitos enriquecem, vemos aves maltratadas, criadas à base de hormônios para que produzam aceleradamente; animais que são obrigados a engordar antes do tempo para que sejam vendidos mais rapidamente e em consequência fortaleçam os bolsos de seus criadores e coisas de arrepiar os cabelos de uma bioética que também nada de concreto faz para acabar de vez com este abuso e garantir o bem-estar animal. Se todos procurassem ler a respeito deste modismo que é a transformação genética, veriam que a clonagem da ovelha Dolly foi apenas um refresco perto do que está ocorrendo nestes laboratórios espalhados pelo mundo todo. E não para por aí: o mesmo acontece no reino dos vegetais; há quanto tempo não vemos uma fruta saborosa, como deveria ser? Produzidas aos milhares e amadurecidas à força não têm gosto de nada, sem contar que as mais vistosas são para exportação, é claro!
Verduras e legumes também não fogem à regra, plantadas e multiplicadas à base de adubos, fungicidas e outros tantos cidas, os chamados agrotóxicos, acabam aos poucos com o resto de saúde de quem deles se alimentam, acarretando doenças que a longo ou a curto prazo dilapidam a espécie humana. Sem contar com a famigerada mutação genética que esses alimentos sofrem em suas células.
Este é o ser inteligente que está dominando o planeta? Este é antes de mais nada o anticristo, a apocalipse galopante que assola e destrói  a Terra a cada dia, a cada minuto, a cada segundo. O magnífico planeta azul está prestes a se tornar cinzento ou por que não dizer marrom? Usado para extrativismo tudo dele é retirado para obter-se  lucro e dinheiro: petróleo, o sangue quente da terra, é retirado incansavelmente dia e noite, poluindo as águas com os  constantes desastres ecológicos que sua exploração ocasiona. Minerais são extraídos sem dó nem piedade, para enriquecerem grandes grupos e para favorecer alguns com sua preciosidade.A água tratada como a pior das substâncias, servindo para escoamento de lixo e detritos e sendo vendida e comerciada para os países mais ricos. As árvores que controlam e equilibram o sistema climático, derrubadas indiscriminadamente adornando com sua qualidade  os lares de milionários e países de primeiro mundo enquanto que  as nações de onde são nativas nem sabem mais o que é madeira. O ar sendo poluído e degradado pelo avanço tecnológico e pelo poder da industrialização que incentiva a venda de automóveis mais do que a plantação saudável de alimentos.
Como se tudo isso não bastasse, vemo-nos agora sem saber o quê adquirir  de qualidade quando vamos às compras. Que óleo comestível trazer para casa? A moda dos transgênicos, a praga do futuro, invadiu todas as prateleiras, nos deixando raríssimas ou nenhuma exceção. Sabemos, ou pelo menos deveríamos saber, que o alimento transgênico que muitos consomem porque acham ser moderno e cômodo como comer uma fruta sem semente, de diferente formato, é algo de que ainda desconhecemos o resultado a longo prazo. Que mutações esta aberração poderá trazer ao longo do tempo para um organismo? Gestantes que preparam um outro ser dentro de si, lactantes que amamentam, crianças em formação; todos consumindo, como poderia dizer, uma bomba-relógio programada para explodir no futuro?
Isso também não importa, pois andamos às voltas com governantes que apenas dão valor a encherem seus bolsos e os de sua família pouco se importando com estas questõezinhas banais...
Entretanto, o óleo geneticamente modificado ali permanece soberano, reinando nas prateleiras como um vilão do velho oeste, servindo de base para um banquete que pode ser futuramente o da morte, sem ninguém sequer questionar, ou ler a legenda "geneticamente modificado", com preocupações mais importantes como consumismo e criação de novos feriados inconsistentes.
Experimente criar artesanalmente um tipo de azeite caseiro saudável  para ver o que acontece: Vigilância Sanitária na cabeça! Alimento clandestino e venenoso não pode ser consumido pelo cidadão!
O que nos resta fazer? Cruzarmos os braços e esperar que a ficção tão insistente com os mutantes contida nos filmes de má qualidade se tornem realidade?
Precisamos ter em mente que Apocalipse now, 2012, The day after tomorrow serão brinquedo perto do que possa acontecer com  a raça humana durante este ciclo sinistro que nos rodeia.
Ou temos como alternativa apenas escrever um texto como este num blog solitário, que  é como se encontrar em uma ilha no mais distante ponto do planeta servindo de mero desabafo para uma questão tão vital que é a integridade humana?
  




domingo, 14 de novembro de 2010

As mudanças valeram a pena?

Amigos, o quadro que  nos remete ao dia da Proclamação da República pintado por Benedito Calixto da qual comemoramos 121 anos nesta segunda-feira não me foi possível publicar nesse artigo. É uma pena, pois transmitiria ao texto maior motivação. Assim resolvi adicionar uma outra gravura que relacionada ao tema. Mas eu garanto que uma grande parte de cidadãos deste país mal sabe o que representou esta mudança em nossa nação. Muitos homens públicos também não o sabem, dada a ignorância e falta de cultura que grassa entre os parlamentares.Assim, decidi em meio a total descrença publicar esta postagem que se segue. Espero que gostem.







A HISTÓRIA SE REPETE



Alguém já prometeu uma vez... Por muito tempo, a certeza de dias melhores e mudanças políticas desejáveis foram até vislumbradas. Mas tudo passou, como sempre nada mudou, nada aconteceu. As promessas não se cumpriram, as novas verdades foram distorcidas e acabaram como dantes...
Feudalismo, Monarquia, República, Comunismo, Socialismo e tantos outros “ismos” e a verdade continua a mesma: não há solução para os problemas que afligem o povo de qualquer lugar do planeta. A elite privilegiada sempre existirá e prevalecerá desde que foi criada. E para que ela se mantenha no poder deverá ficar no alto da pirâmide hierárquica, seguida de perto por outras elites como a religiosa, militar, industrial e outras, enquanto o povo ocupará como sempre a base da pirâmide tal qual era no passado.
De todas as correntes políticas que passaram pelo país, nenhuma delas privilegiou a classe economicamente menos favorecida: do feudalismo à monarquia quase nada mudou, da mesma forma que a República não solucionou questões que ao povo dissesse respeito, e a despeito de novas promessas de que dias melhores virão com esse ou aquele regime político, resta-nos o ceticismo total ou a esperança de que um dia seja possível visualizar épocas mais felizes.
Quando analisamos os fatos à luz da história, iremos perceber que as palavras que foram o lema da Revolução Francesa no século XVIII: Liberdade,Igualdade e Fraternidade jamais serão consideradas, principalmente na sociedade atual, privada de cultura e conhecimento talvez nem saiba qual o real significado destes vocábulos e o que eles valem.
Basta voltarmos ao século XIX após a Proclamação da Independência onde José Bonifácio era o responsável por grande parte dos atos políticos do príncipe. O patriarca da Independência era um homem de inteligência ímpar, estudioso e de uma cultura sem igual, no entanto, qual o final de vida que lhe restou? Morreu na mais absoluta miséria, em sua casa, envergonhado ao receber visitas famosas a observarem os lençóis remendados que lhe cobriam o leito.
Quando houve a abdicação de D. Pedro I a seu filho, veremos que na impossibilidade do mesmo governar como rei, esse encargo foi designado a outras regências enquanto o então Príncipe Pedro II se esmerava nos estudos para obter a mais lapidada formação e ocorreu o mesmo que já havia ocorrido com José Bonifácio, o então regente que tanto bem fazia, revelando-se um mecenas generoso que custeou a carreira de muitos artistas, entre eles Carlos Gomes, passou a viver em dificuldades financeiras, e sem luxo na aparência  foi perdendo a sua popularidade de príncipe, pois se apresentava publicamente com roupas rotas e carruagens velhas e decadentes que diminuíram a imagem do império perante os brasileiros.
Com todos os acontecimentos como as posições políticas que D Pedro tomava contra os poderosos militares e igreja, acabou sendo exilado morrendo distante e sempre a sonhar com a tão amada terra, o Brasil.
E quantas traições aconteceram dentro desses regimes políticos, todas elas desencadeadas pela ambição pelo poder em primeiro lugar.
Hoje, nos deparamos com um cenário de miséria na política internacional e nacional. Uma miséria cultural onde a ética, os valores dignos como a honestidade não têm mais lugar. Temos uma República fraca, escrava de economias ambiciosas e ávidas pelo poder, contamos com políticos mal preparados, sem cultura e sem valor moral.
Quando nos encontramos às voltas com parlamentares que mal conseguem assinar o nome, e que  são submetidos ou condicionados a ocuparem um cargo importante para o país através de um ridículo ditado de palavras, é que nos perguntamos de que vale tantas revoluções e tantas vidas que se perdem e se perderam para efetuar mudanças.
Quando começamos a perceber, que no ambiente político que nos rodeia só existem sujeira, corrupção e interesses pessoais é que nos perguntamos: temos o quê comemorar nestes 121 anos de República?
Infelizmente, só podemos parabenizar aqueles que realmente se empenharam no passado e dar os pêsames aos homens públicos do presente que não sabem e nem querem saber como a política deve realmente ser...









sábado, 6 de novembro de 2010

É impossível deixar de lembrar...

Amigos, mais uma semana que passa voando, fugindo do mês de novembro, nos aproximando de mais um Natal e do término do ano que evaporou tão rápido como fumaça levada pelo vento. As tristezas de um finados mesmo com todo o vigor do dia ensolarado se foram agora ,e novas preocupações nos trazem de volta ao mundo dos vivos onde a agitação, contradições, contratempos, encontros e desencontros nos preenchem  a vida. Sabemos que o presente agora é o que mais importa, o futuro é incerto e o passado...bem, já se foi, mas como esquecê-lo?
Ao lembrar a imagem de uma melodia escrita em um pentagrama...São cinco linhas...E a clave? Se for de sol, temos as notas sol,sol, mi, sol, ré em sons médios...Se for clave de fá, teremos sons mais graves de si,si, sol,si, fá....
Tudo isto para dizer que...
Quando ouvimos aquela música de um passado não tão distante, para dizer a verdade muito próximo, tão próximo que podemos quase tocá-lo, sentir seu cheiro de perfume, sua cor rosa a enfeitar nossas tardes, podemos passar horas a ouvi-la martelando em nossa cabeça, nos transportando para a época mais feliz de nossa existência.
Aqueles dias e noites magníficas, bem vividas, cheias de emoções e tão cheias de vida!
Tardes ao sabor do vento, o jogo de bola com os amigos, o domingo na piscina, a noite diante da tela de um cinema acompanhada da mais doce companhia.
Quantos sonhos, quantos planos! Se foram realizados ou não, pouco importa, o que conta é que fizeram parte de vidas levadas sem planejamento, sem premeditações, embaladas por batidas fortes do relógio do coração.
E quer coisa mais natural e sadia do que viver por conta do destino, com os encantos da juventude e as loucuras da adolescência?
Por vezes, a alma invadida por uma euforia incontrolável levando a acreditar em tudo e em todos,achando o mundo maravilhoso, sentindo o amor vibrando forte como as ondas do mar a arrebentarem no rochedo...
Outras vezes com o rosto molhado por lágrimas de incerteza, de desespero, sentindo a dor rasgando o peito invadido pelo ciúme e pelo desamor.
Quantas  vezes estremecendo por um toque apenas; momentos mágicos, inexplicáveis de amores ingênuos, platônicos e eternos! Amores apenas sentidos, às vezes à distância e que, no entanto, marcaram para sempre...
Tempos inesquecíveis, onde as  proibições eram  responsáveis por tanta magia e desejo de desobedecer! As mentiras inventadas para conseguir escapar, os encontros furtivos cheios de aventura e emoção...
O céu era mais belo, as noites mais estreladas  convidavam a amar e a sonhar! A vida se apresentando como um romance bonito onde éramos os personagens principais...
A vontade de viver no vigor da juventude, ao ritmo da música mais alegre e contagiante, muitas vezes de um romantismo sem par, ouvidas na solidão de um quarto, nos transformando em príncipes e princesas através imaginação que nos arrastava a lugares dantes nunca visitados, sempre acompanhados pela presença de um grande amor.
Quem vive do passado é um ultrapassado, muitos dizem, viva o presente! Mas somos o que somos pelo que fomos, se felizes porque lá nos realizamos, se infelizes porque lá não conseguimos obter a tão sonhada realização, mas mesmo assim, sabemos que a felicidade plena jamais existirá, alguém já disse uma vez: "o que existe na vida são momentos felizes".
Guardemos, portanto, os nossos momentos de felicidade no fundo de nosso coração e nos lembremos deles com carinho e estaremos realizados.
O tempo na realidade não existe, o que existe é aquilo que vivemos que nos faz sentir emoções, que nos faz vibrar, que faz com que o nosso coração bata mais forte...
Ah! do que uma música é capaz!


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Homenagem póstuma

Amanhã é o seu dia, meu querido pai...É uma pena que seja um dia tão triste para que eu me lembre de alguém tão alegre como você foi. E  mais triste se torna quando há onze anos não conto mais com sua amável presença.
Exemplo de dignidade e humildade acima de tudo, você foi tudo de bom que pôde acontecer em minha vida.
Tenha a certeza, esteja onde estiveres, que você será sempre o meu paizinho querido, aquele  cuja lembrança nem o tempo vai apagar.








"LEMBRANÇA"



Tudo aqui nesta casa me lembra a tua presença: seja o solitário porta-retrato sobre a estante que exibe inocente o teu rosto simpático, ou até mesmo o relógio silencioso de parede com que me presenteaste e que continua trabalhando indiferente.
Aquela tua florzinha preferida no jardim...
O frasco do perfume, intacto no armário do banheiro, ou as roupas imóveis no guarda-roupa das quais não tive coragem de desfazer; os chinelos, o doce preferido, os discos... A Bíblia Sagrada esquecida sobre o criado-mudo...
As suas palavras carinhosas, o sorriso amável, a compreensão, o exemplo e a dignidade acima de tudo.
Você, agora, a sua imagem se esvaem no tempo qual fumaça que se dissipa rapidamente ao sabor do vento.
Sua morada já não é esta.
Engraçado como a fragilidade humana é imensa! Os objetos materiais permanecerão por muitos e muitos anos: uma simples folha de papel com anotações tuas ainda remanesce e remanescerá, não sei até quando, enquanto que de você nada mais restará.
Caminhando pelo cemitério silencioso, carregando o ramalhete que eu mesmo compus com suas flores prediletas do jardim, vou remoendo estas palavras, quase uma oração pessoal.
Revejo a lápide fria de onde o nada é a certeza mais dura que me invade o ser.
“Quando poderemos nos ver novamente, trocar confidências?”
De ti, ficaram-me as mais doces lembranças que um ser humano pode ter.
A vida deve continuar... A guerra não acabou, ainda mesmo que um combatente de ouro tenha tombado.
Nada espero... Nada cobro... Nada exijo... Vou vivendo à mercê da sorte...
A mim, resta-me a capacidade de poder fechar os olhos e recompor já com dificuldade o seu rosto sereno. O sentimento que nos uniu é o mesmo e será eterno, imortal, indiferente à fugacidade do tempo...

Imagem acima retirada do Google Image. Site: cienciatic.blogspot.com.