quinta-feira, 1 de novembro de 2012



Finados - mais uma vez é hora de lembranças...



Flor: 1







Em que estrela você se escondeu?



Sentada em frente ao teclado do computador, espero uma inspiração para te dedicar mais um texto. Já foram tantos...
 Em meus pensamentos, sempre estiveste presente, em momentos festivos ou tristes, nunca consegui te esquecer por completo, porque o sentimento que nos uniu foi muito lindo e ímpar, a dedicação que me ofertaste de forma tão natural e espontânea num gesto de doação completa contribuiu para que ficasses para sempre em minha memória. Humildade e sinceridade sempre vi estampadas em seu rosto amigo. De sua boca, sempre ouvi as palavras mais doces que um pai pode oferecer a seu filho. Pena que tivesses que sair ainda cedo da minha vida. Partiste de maneira leve tal qual a sua existência, e nem na despedida derradeira, pude ver seu rosto amigo para guardá-lo na memória. Talvez tenha sido melhor assim: lembrar-me apenas do teu semblante feliz, brincalhão e meigo. Lembrar-me de tuas mãos, não cruzadas sobre o corpo na rigidez da morte, mas caridosas que nunca negaram ajuda a quem quer que fosse. Recordar teus brilhantes olhos castanhos que me fitavam com tanta admiração, e a neve dos teus cabelos que gostavas tanto de pentear, sempre me perguntando se eles estavam bem...
Pai, hoje com 60 anos de idade, sinto-me órfã, já disse isso uma vez, fazes muita falta em minha vida e sempre fará, enquanto eu viver. A lacuna que deixaste jamais poderá ser preenchida, porque és insubstituível como a água que me aplaca a sede, o alimento que me sustenta, a palavra sábia que me orienta, a música maravilhosa que me acalenta o sono. Hoje, sinto a tua presença a anos luz da Terra, percebo que já não fazes parte dessa dimensão e apesar disso, ainda posso sentir a ligação insolúvel que nos prende apesar da tua partida, em um pequeno gesto meu, que aprendi contigo, no sorriso de um neto que me lembra a tua pessoa amiga. Ver-te em sonhos já é quase impossível. Quantas vezes não nos encontramos neles após a nossa separação, quantos abraços e palavras de carinho compartilhamos. No entanto, nada mais disso é possível hoje, seu rosto, como me dói reconhecer! já é quase névoa que se dissipa no espaço, sua voz carinhosa já não ecoa em meus ouvidos como dantes.
O que é a morte? Quantos mistérios indesvendáveis, que apesar de todo o progresso e modernismo não conseguimos decifrar.
E amanhã no dia de Finados, que tanto me ensinaste a respeitar, o único consolo que me resta  é o de te ofertar flores, que se conseguisse plasmar, te mandaria aos milhares para as distantes galáxias para onde sua energia se foi...Saiba que, se puderes sentir de onde estiveres, e se realmente a alma existir como tantos afirmam, serás para sempre o meu herói; imortal, amado e considerado pelo respeito e dedicação que tivestes com teus filhos, além da vida, além da morte...


*imagem retirada do Google Image: Mensagens Mágicas.com

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Boa-noite.Deixe-me aproveitar o tempo para postar essa nova mensagem. É preciso que se reflita sobre os fatos  que acontecem ou acontecerão no Brasil e no mundo. As principais atitudes que o ser humano deve apresentar no decorrer da sua existência são  a reflexão, o questionamento, mas nunca a passividade, a aceitação de tudo o que lhe é imposto. Da mesma forma, devem-se identificar as intenções ocultas em mensagens publicitárias e anúncios de TV que tanto conduzem e induzem a opinião pública. Porém, para que se tenha esse olhar atento e crítico sobre essas mensagens é preciso estudar, ler muito e não aceitar tudo que se nos apresenta. 
Procurando por novidades em sites de busca, todos poderão tomar conhecimento da última novidade: a implantação de chips em humanos, um lastimável acontecimento que acontecerá em 2013 nos Estados Unidos.E o que é pior: fato totalmente aceito pela população que assiste comovida as mensagens publicitárias, endossadas pelo discurso eloquente do seu presidente da República; a desculpa, como aconteceu com a implantação das malfadadas câmeras de vigilância, é como sempre a segurança. Com isso, torna-se o humano um verdadeiro banco de dados público que  atrelados à conta bancária , na verdade, garantem pagamento de procedimento de saúde numa emergência. Outras possíveis finalidades dessa ação fica na inteligente imaginação de alguns ...




TECNOLOGIA, EVOLUÇÃO OU RETROCESSO?


Revendo a história da civilização humana, verifica-se um progresso considerável em seu desenvolvimento desde as inscrições rupestres da pré-história à revolucionária descoberta do seu próprio código genético nos dias atuais.
Esta última que lhe permitiu a transformação em um pequeno deus possibilitando-lhe a clonagem de células de animais, vegetais e, possivelmente, em breve, de si mesmo, vem ocasionando mudanças significativas no mundo em que vivemos; transformações estas consideradas por muitos indesejáveis e talvez catastróficas para o futuro da humanidade enquanto que um mal necessário para o sistema capitalista,uma vez que tem a capacidade de gerar muito dinheiro e poder. A aceleração do processo tecnológico-científico no que diz respeito à transgênese animal, principalmente, não respeita a vida causando danos irreparáveis àqueles seres que sofreram o processo e que passam a ter com essas modificações em seu DNA uma qualidade de vida inaceitável e indigna perante a ética e ao direito animal. Da clonagem da ovelha Dolly cujo desfecho mostrou que ainda há muito chão a trilhar nesta estrada, à incansável e persistente luta da tecnologia, há uma premissa que promete vencer todos os obstáculos e também se estender para o domínio do homem. A sede pelo poder acarreta o desejo de controle de todos os seres humanos que a cada dia passam a ser usados como máquinas pelo sistema capitalista selvagem dos nossos dias. A industrialização crescente , altamente tecnológica, gera a automação dos serviços com garantia de rapidez e perfeccionismo que superam a atividade humana. Fascinados pelas múltiplas invenções, que por um lado apresentam-se como facilitadoras do trabalho e por outro se revelando como vilãs , invasoras do mercado, os homens não têm apresentado discernimento e espírito crítico para conhecer quando devem parar e deixar de valorizar a máquina em detrimento dele mesmo. Uma prova disso, é o isolamento causado pelas redes sociais que produzem uma pseudo sensação de sociabilidade e participação coletiva. Fala-se agora em algo muito pior, uma forma de se obter informação e controle total das pessoas através de um chip a lhes ser implantado brevemente como forma de armazenar um banco de dados completo do cidadão que vão de informações pessoais a financeiras e quem sabe mais o que, a serviço do sistema  político. Tal fato amplamente aceito pela opinião pública em países de primeira grandeza, certamente acontecerá e acabará se expandindo para os demais povos, inevitavelmente, com a globalização.
Resta-nos saber se a descoberta e a possibilidade da leitura do DNA humano não será a maior ruína,  ocasionada pela perda do bem mais precioso: a nossa liberdade.



terça-feira, 9 de outubro de 2012

É preciso contradizer: estamos ou não em uma democracia?


Voltei novamente às antigas funções do magistério as quais havia abandonado pela aposentadoria desde 2005.
 Ao me inserir novamente na profissão constatei, como exposto no texto anterior, uma nova decadência no nível de aproveitamento  dos alunos atualmente, fato que vem acontecendo regularmente com as novas leis que regem a Educação deste país. Bem, mas o assunto hoje é outro; estou sem postagem há  mais de uma semana  graças ao maciço trabalho em sala de aula e a dedicação que se faz necessária para extrair o mínimo, para tirar leite de pedra, como diz o velho ditado. Porém, ao entrar na sala dos professores hoje, deparei-me com um texto de Bertold Bretch muito questionável por sinal, afixado no quadro mural em destaque que se intitulava: "Analfabeto político" onde propositalmente escolhida, a matéria cuidava de diminuir o cidadão apolítico, acusando-o de analfabeto, alienado, sem interesse nos rumos do país e outros despautérios mais. Como todos afirmam, estamos em um regime democrático, assim posso discordar do autor deste texto que classifica o apolítico como "imbecil" e ele usa esta palavra e ainda o responsabiliza pela marginalidade que ocorre no mundo citando as prostitutas, menores abandonados entre outras mazelas.    Desta forma, resolvi escrever o que se segue:







Analfabeto Político



A arrogância e a certeza presentes em algumas personalidades a respeito de que de tudo sabem revelam-se como uma posição  totalmente descabida e insuportável de se aceitar. Afinal, temos ou não o direito de não votar ou não opinar sobre política? Sabemos que a real postura democrática favorece e garante o direito de todos expressarem ou deliberarem sobre temas diversos e neste caso não pode ser diferente. O que nos torna indignados é que as críticas partem de pessoas totalmente descompromissadas até com sua profissão, pois deixam muito a desejar em seu desempenho profissional. Com que direito então fazem críticas e se julgam totalmente capazes de escolher candidatos e partidos e se julgarem alfabetizados politicamente? Percebe-se visivelmente o descaso com prazos e organização na própria performance de professores que discutem em total falta de ética política com seus alunos e colegas querendo induzi-los a este ou aquele candidato, a este ou aquele partido quando tal ato para um educador é simplesmente fora de propósito, da mesma forma como aqueles candidatos que à semelhança de verdadeiras marionetes são levados ao poder pela força religiosa  que covardemente ilude a população inculta e facilmente conduzida pelo medo de um Deus castrador e ignorante que prolifera nestas casas ditas sagradas, que se assim o fossem, jamais cogitariam assuntos mundanos como condicionar pagamento de dízimo a bençãos divinas e escolha político-partidária dirigida em benefícios próprios. Entretanto, é preciso não fugir do objetivo deste texto que agora escrevo, o analfabeto político é justamente aquele que fixou aquela matéria no quadro mural da escola. E digo isso não por raiva ou pela indignação que de repente invade todo o nosso ser ao ver aquela crítica mais que direta aos colegas de classe, porém por perceber todo aquele que não enxerga mais além, que pensa pequeno e acredita que tudo sabe sobre qualquer assunto, não apenas política. Este é, na verdade, o verdadeiro alienado que aponta o dedo acusador e crítico se achando o "expert", o sabe-tudo quando na realidade, deveria apresentar mais humildade, senso crítico e respeito pela postura dos outros.Parecem não perceber o grande sistema já armado para as eleições onde o candidato nada mais é do que um mero empregado de um grupo poderoso e que deverá cumprir todas as metas traçadas sob pena de perder seu mandato e nunca mais eleger-se a um cargo público. E isto é tão óbvio, que até uma criança poderia perceber, dado a falta de individualidade dos vários mandatos exercidos nos cargos eletivos de presidente, prefeito, governador etc. É visível à obediência a planos pré-determinados que nunca possibilitam o novo, o necessário para todos, mas sim medidas eleitoreiras, patrocinadas por poderosos que constantemente se envolvem em corrupção favorecendo massivamente a classes menos privilegiadas, porém ociosas, que não lutam para seu aprimoramento cultural e econômico usando  o dinheiro público de uma forma injusta, empobrecendo as camadas da população que se matam num trabalho escravo e mal remunerado para sustentar as não merecidas bolsas-tudo que revoltam os "Sansões" da sociedade que dão seu sangue para suportarem uma carga tributária injusta e covarde, como nos apontou tão bem o mestre George Orwell em sua obra magnífica, A revolução dos bichos. Já naquela época,  na Inglaterra,  da década de 50, o sistema político era o mesmo que se apresenta agora.Cabe ainda aqui a pergunta: como uma pessoa pode afirmar que alguém não sabe votar? Como dizer que o ato apolítico é insano? Ora, vamos desconfiar mais e nos superestimar menos, quem sabe adotando uma postura de autoanálise estas pessoas possam descobrir as suas próprias limitações e defeitos e parem de acusar seus pares usando mais o bom-senso, a inteligência e a perspicácia,não se esquecendo  de que isto também, antes de ser político revela inteligência.

*desenho acima retirado do Google Image.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

É preciso muita coragem, força e determinação


Amigos, o meu blog tem sido muito pouco visitado, me expressei mal, muitos têm passado por aqui,mas seguidores são poucos, aqueles que voltam com frequência para dar a honra da sua presença. Mesmo assim, o mundo continua girando e na órbita da existência cotidiana individual os problemas são constantes, independentemente de nossa idade, profissão, nacionalidade. Não é hábito comum em nossa sociedade o de lançar estes problemas e discutir sobre eles de maneira franca; seja por medo ou falta de vontade e disposição. Infelizmente, seja por qual motivo for, com essa atitude vamos ajudando a construir um mundo de qualidade inferior, onde não somos agentes e sim pacientes de um regime dito democrático, mas composto por pessoas de comportamento regido por um sistema ditatorial, que concorda com tudo o que lhe é imposto, pelo menos, é o que parece...









  





Finge que aprende que eu finjo que te ensino




Continua ainda em um impasse a situação da Educação brasileira e pelo que parece não terá solução por muito tempo da maneira como é tratado este setor tão importante da sociedade do nosso país e do mundo inteiro.

Essa decadência, uma verdadeira tragédia que tomou lugar e que vem se alastrando há décadas pelo país, vem formando cidadãos inaptos, incapazes e tremendamente injustos, uma vez que os valores aprendidos com a impunidade que grassa nas salas de aula é gritante. Tal fato acontece em nações cuja administração é fraca, preguiçosa e utópica em suas ações. É verdade que tal desastre não é problema apenas do nosso Brasil, existem muitas nações incompetentes como a nossa que adotaram modelos de educação de outros países, o que é lamentável, pois cada qual tem a sua necessidade e o que é bom para um, não é favorável a outro. O reflexo de uma Educação desse nível revela-se nos altos índices de violência e criminalidade que se estampam nos jornais diariamente. Não há mais respeito pelo ser humano, a figura do professor é quase o arremedo de um palhaço que não tem o seu conhecimento e nível de estudo reconhecidos por ninguém, muito embora hipocritamente se pregue ao contrário. Crianças que vêm de lares na maioria desestruturados pela inserção da mulher-mãe no mercado de trabalho, que não pode ser responsabilizada pelo desvio de comportamento dos filhos; pais ausentes, seja por separação formal ou informal, tipo de trabalho e tantas coisas mais, que vem depositando em creches e futuramente em escolas públicas ou particulares os filhos que vão sendo “educados” por essas instituições quando lá estão e em casa pela mídia massiva, violenta e indutiva, vilã representada pelos programas de baixa qualidade da TV, jogos de videogame, chats e outras porcarias que nada exigem, presentes nos sites de computadores da rede mundial (que curiosamente são modelos trazidos de fora, como a linguagem universal que os caracterizam) e que dão a seus seguidores falsa impressão de inclusão e adaptação a esse mundo nojento em que vivemos hoje, onde um indivíduo só é valorizado pela etiquetinha que carrega em seu vestuário, pela marca do seu note ou de seu celular ou i-phone, discriminando, e essa sim, é a verdadeira discriminação, todos que não se inserirem nesse contexto de burrice e superficialidade que invadiu e bloqueou a massa cinzenta de quase todos os cérebros humanos da nossa era, hoje. A aparência física de nossas escolas públicas atualmente assemelha-se a cadeiões dado ao desleixo com a higiene, com a pintura de paredes, portas e mobiliários ocasionados pela falta de verba e vontade que assolou o país e o vandalismo e capacidade de depredação de grande quantidade de alunos que frequentam esses ambientes, os quais, sem motivo algum, motivados pela liberdade excessiva, falta de limites e impunidade passam a destruir tudo a seu redor; desde material didático a móveis e paredes. Alguém, que não me ocorre o nome no momento, disse que os portões mais fechados são aqueles que podem estar sempre abertos. A grande verdade contida nesta frase infelizmente não pode ser regra num ambiente educacional onde prolifera a deseducação, a maldade juvenil que caminha a passos largos para infração de leis para as quais não há a menor possibilidade de serem obedecidas por esses futuros cidadãos que no interior dos educandários diminuem seus companheiros e pares através do bullying constante, e frustram seus professores com atitudes acintosas de desrespeito e desinteresse pelo estudo. Tudo começou com a reforma e adoção de leis importadas que tornaram a criança e o adolescente o centro das atenções, e que no seu egocentrismo próprio da faixa etária em que estão, começam de forma prematura orgulhosamente a reinar como pequenos príncipes despreparados fazendo tudo o que é possível fazer e tendo que serem ouvidos e respeitados por qualquer asneira que digam. Quanto ao educador, pego de surpresa e sofrendo toda sorte de pressão, coube-lhe a função de Atlas; carregar nas costas todos os problemas que a insanidade e utopia das leis da educação causam, causaram e ainda causarão, como o único responsável pelo fracasso escolar, fato justificado pela péssima remuneração a despeito de todo o seu empenho e dedicação. É óbvio que existem aqueles que maculam a profissão oferecendo um péssimo desempenho e indesculpável falta de ética, porém este fato ocorre entre todas as ocupações profissionais. Entretanto, para as Diretorias de Ensino, as Secretarias e Ministério da Educação, nada disto parece ser verdade, para estes, a Educação está maravilhosa, pois as estatísticas documentais mostram um índice de aprovação antes nunca visto na história da Educação Brasileira, muito embora um curso de Ensino Médio não ofereça o conhecimento de um ensino primário das épocas tradicionais e um aluno ao término do seu curso naõ seja capaz de dizer um "por favor". A bem da verdade, torna-se também necessário afirmar que há até uma preocupação dos técnicos da educação em resolver o complicado problema, contudo ele se arrasta, persiste e só Deus sabe por quanto tempo durará e se haverá uma solução para as escolas e o ensino do Brasil. Hoje contamos com avaliações internas, externas: Saresp, Enem e PISA uma avaliação feita em nível internacional pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ficando o nosso país em 53ª posição em leitura. Todas essas formas avaliatórias a que nossos estudantes são submetidos, apontam um declínio cada vez mais preocupante da Educação brasileira. A ironia, hipocrisia e dissimulação fazem parte dos discursos políticos e das autoridades das instituições responsáveis que cada vez vão produzindo com o efeito de suas leis e decisões, ambiente mais inóspito e desagradável de convivência e aprendizagem: alunos que nada mais querem aprender, pois apesar da modernidade pregada nas novas metodologias aplicadas e estratégias exaustivamente impostas aos educadores deste país, continuam com os mesmos componentes curriculares da época de nossos avós com apenas uma diferença: naquele tempo tão criticado do ensino tradicional, onde os professores eram autoridade e serviam de modelo para sua classe de aprendizes, como forma de desenvolverem valores positivos para a vida social, ninguém estava saturado ao ponto de se chegar à assertiva: "finge que aprende, que eu finjo que te ensino” como forma de mascarar uma situação insustentável, mas que infelizmente quase ninguém tem a coragem suficiente de revelar... Rezemos para que uma luz ilumine os caminhos da Educação brasileira para que possamos  urgentemente efetuar mudanças no padrão desta sociedade!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

E chegou a tão amada programação: campanhas político-eleitorais

Todo o ano eleitoral, entra em nossos lares, sem pedir licença, a malfadada campanha política na televisão. Um monte de asneiras são despejadas a cascatas invadindo nossos ouvidos, onde os candidatos entram na briga do "quem faz mais"... Quando deveriam apresentar uma campanha elegante, inteligente que nos elucidasse, pelo amor de Deus, em quem votar nesse pleito que se aproxima. As velhas figurinhas repetidas voltam a ilustrar o álbum, nada novo. Nos cargos eletivos sempre a mesma casta ocupa uma cadeira cativa que nunca dá lugar ao diferente, a pessoas coerentes que gostaríamos de ter como administradores dos nossos estados, cidades e país. O que fazer?Ainda se ouve muito alguém dizer: o povo não sabe votar, é preciso escolher melhor. Mas escolher onde? quem?
Só sei de uma coisa, para quem tem consciência e o mínimo de discernimento necessários ao ser humano, o ceticismo deve inundar nosso pensamento. Não há mais em quem acreditar...Muitas mudanças radicais foram tentadas e , no entanto, deu no que deu. Publico hoje um texto que há muito estava escrito, salvo em uma pasta do computador, que revela toda a minha descrença e desânimo quanto à política. Ainda bem, para os políticos que há os jovens que acreditam sempre em mudanças e são crédulos. Se dependessem dos eleitores mais vividos e maduros, com certeza o quadro seria outro: um nulo total....Mas vamos ao que interessa.








A HISTÓRIA SE REPETE



Alguém já prometeu uma vez... Por muito tempo, a certeza de dias melhores e mudanças políticas desejáveis foram até vislumbradas. Mas tudo passou, como sempre nada mudou, nada aconteceu. As promessas não se cumpriram, as novas verdades foram distorcidas e acabaram como dantes...
Feudalismo, monarquia, república, comunismo, socialismo e tantos outros “ismos” e a verdade continua a mesma: não há solução para os problemas que afligem o povo de qualquer lugar do planeta. A elite privilegiada sempre existirá e prevalecerá desde que foi criada. E para que ela se mantenha no poder deverá ficar no alto da pirâmide hierárquica, seguida de perto por outras elites como a religiosa, militar, indústrial e outros, enquanto o povo ocupará como sempre a base da pirâmide tal qual era no passado.
De todas as correntes políticas que passaram pelo país, nenhuma delas privilegiou a base da pirâmide: do feudalismo à monarquia quase nada mudou da mesma forma que a República não solucionou questões que ao povo dissesse respeito, e a despeito de novas promessas de que dias melhores virão com esse ou aquele regime político resta-nos o ceticismo total ou a esperança de que um dia seja possível visualizar épocas mais felizes.
Quando analisamos os fatos à luz da história iremos perceber que as palavras que foram o lema da Revolução Francesa no século XVIII:  Liberdade,Igualdade e  Fraternidade jamais serão consideradas principalmente na sociedade atual, que privada de cultura e conhecimento talvez nem saiba qual o real significado destes vocábulos.
Basta voltarmos ao século XIX após a Proclamação da Independência.  José Bonifácio era o responsável  por grande parte dos atos políticos do príncipe D. Pedro. O patriarca da Independência era um homem de inteligência ímpar, estudioso e de uma cultura sem igual, no entanto, qual o final de vida que lhe restou? Morreu na mais absoluta miséria, em sua casa, envergonhado ao receber visitas famosas a observarem os lençóis remendados que lhe cobriam o leito.
Quando houve a abdicação de D. Pedro I a seu filho, veremos que na impossibilidade do mesmo governar como rei, esse encargo foi designado a outras regências enquanto o então Príncipe Pedro II se esmerava nos estudos para obter a mais lapidada formação e ocorreu o mesmo que já havia ocorrido com José Bonifácio, o então regente que tanto bem fazia, revelando-se um mecenas generoso que custeou a carreira de muitos artistas, entre eles Carlos Gomes, passou a viver em dificuldades financeiras, caindo sua popularidade de príncipe, pois se apresentava publicamente com roupas rotas e carruagens velhas e decadentes que diminuíram a imagem do império perante os brasileiros.
Com todos os acontecimentos como as posições políticas que D Pedro tomava contra os poderosos militares e igreja acabou sendo exilado morrendo distante e sempre a sonhar com a tão amada terra, o Brasil.
E quantas traições aconteceram dentro desses regimes políticos, tudo pela ambição pelo poder em primeiro lugar.

Hoje, nos deparamos com um cenário de miséria na política internacional e nacional. Uma miséria cultural onde a ética, os valores dignos como a honestidade não têm mais lugar. Temos uma república fraca, escrava de economias ambiciosas e ávidas pelo poder, contamos com políticos mal preparados, sem cultura e sem valor moral.
Quando nos encontramos às voltas com parlamentares que mal conseguem assinar o nome, são submetidos ou condicionados a ocuparem um cargo importante para o país através de um ridículo ditado de palavras é que nos perguntamos: do que valem tantas revoluções e tantas vidas que se perdem e se perderam para efetuar mudanças.
Quando começamos a perceber, que  no ambiente político que nos rodeia só existem sujeira, corrupção e interesses pessoais é que nos perguntamos: temos o quê comemorar nestes 121 anos de república?
Infelizmente só podemos parabenizar aqueles que realmente se empenharam no passado e dar os pêsames aos homens públicos do presente que não sabem e nem querem saber o que é uma política justa...






sábado, 11 de agosto de 2012

Amanhã é o seu dia...



Que dia importante é o de amanhã, sobretudo para aqueles que como eu,  puderam ou podem contar com a presença paterna em suas vidas, e que essa bênção possa ser reconhecida em tempo para aqueles que ainda apesar de não a terem reconhecido, ou dado o merecido valor, podem contar com ela.





Ontem, hoje e sempre te amo...






Quanto tempo já se passou e ainda parece  ontem que corria feliz pela casa e pelo quintal... Uma menininha  de sardas espalhadas pelo rosto a balançar os cabelos ao vento... A praticar travessuras, caindo de árvores, da cadeira da mesa da cozinha, dando gargalhadas e zombando de tudo, até mesmo da seriedade das pessoas adultas que viviam a dizer: "tenha mais compostura, menina!"
Mas de nada valia, para nada disso ligava, vivia subindo pelos cajueiros, mangueiras e goiabeiras do pomar a singrar pelos troncos das árvores como se fossem mastros arrastando a companhia do irmão menor, bisbilhotando os quintais vizinhos de cima do posto mais alto do nosso navio como imaginava a fértil inocência infantil...
Foi naquela época que aprendi a te amar, pela sua compreensão, amizade e carinho sem igual. Conforme o tempo passa, não nos é possível lembrar de tudo o que já aconteceu em nossas vidas, mas o cérebro fixa as coisas mais significantes e de quando em quando ocorrem lampejos de algumas passagens menos importantes, embora não menos relevantes que compuseram nossa estrada. Como aquela que agora me vem à cabeça, da sala de espelhos em que fomos juntos, não me lembra bem se era um circo ou uma pequena amostra, uma vez que morávamos em uma cidadezinha do interior, naquela época insignificante e quase sem recursos. Para mim, uma diversão sem igual, enquanto nos mirávamos naqueles espelhos que produziam as mais variadas imagens, extremamente finas, ou que alongavam exageradamente as silhuetas quando não as deixavam enormes e até assustadoras... Você sempre ao meu lado como um menino a rir sem parar tentando me fazer feliz sempre, a qualquer custo. Outras vezes, lembro-me dos presentes que desastradamente querias me esconder sem, no entanto conseguir seu intento, derrubando-os no silêncio da noite, acabando com a surpresa tão pretendida!
Não sei quantas vezes compartilhei contigo as fases mais importantes da minha vida: passagens tristes, alegres, festivas, românticas e catastróficas.Em todas elas você sempre foi o verdadeiro pai que apesar de ausentar-se toda a semana para trazer o tão sofrido pão, nunca deixou faltar o conforto,  sempre garantindo  o lazer dos filhos acima de tudo, o estudo tão valorizado e incentivado, a qualidade da educação apesar da humildade, a oportunidade de conhecer sempre as coisas boas da vida e sobretudo: o exemplo a falar mais forte.
Tudo isso calou fundo na alma e hoje, apesar de ver-me sozinha na estrada, pois você já seguiu a jornada mais longínqua e sem volta ao mundo espiritual, posso sentir uma solidão saudável, que me diz  que eu tive um Pai, enquanto muitos não tiveram essa felicidade,  fui amada quando tantos não conseguiram essa dádiva, tive um lar que você me proporcionou enquanto outros não puderam aproveitar desse aconchego.
E nesse seu dia, se estivesses ainda aqui, eu te cobriria de beijos de agradecimento tentando retribuir toda a qualidade do seu amor  doado sem nada cobrar, ou pedir. Ah! se estivesses ainda aqui... 



segunda-feira, 30 de julho de 2012

O desânimo me tomou por completo. Como lidar com ele e continuar na lida da criação que sempre foi o meu mais amado afã?


Para onde foram as palavras?



 Sem vontade alguma de escrever, sento-me como um Robô em frente ao monitor, afinal para quê fiz um blog? Sempre amei escrever, desde os primeiros anos escolares em que me dei por gente, destaquei-me por fazer lindos textos, melhor dizendo, apaixonados textos que criava cuidadosamente. Onde se perdeu aquela volúpia de lapidar as palavras, escolhê-las com esmero e espalhá-las como sementes de flores num jardim? Hoje, porém, não sei o que acontece comigo... Estive afastada da tecnologia por força das circunstâncias e durante um bom período de tempo o blog ficou exibindo os velhos textos escritos no entusiasmo antigo, e, o vazio das páginas que aguardavam para serem trabalhadas. Como esperei ansiosamente para que pudesse postá-las! Eram dias e noites de vigília; de vez em quando um pequeno texto escrito no burburinho de uma lan house para aliviar a tensão e mais nada... No entanto, com o passar dos dias e com a falta de publicações, nenhum seguidor para acompanhar meus textos, nem novos, nem antigos compartilharam do meu caderno que se tornou totalmente solitário, amigos presentes se ausentaram, não mais apareceram para deixar algum comentário. Escrever para quê e para quem é o que me pergunto agora incessantemente e chego à conclusão de que não tenho mais a futilidade necessária, aliás nunca tive, para criar textos interessantes para o internauta moderno. Tampouco a alegria contagiante como requisito para animar os mais velhos. Minha vida chegou ao meio da estrada e não dei por mim que havia perdido muita coisa pelo caminho, deixando-as cair sem que me desse conta e acovardada demais para que as resgatasse. Hoje, acordei subitamente consciente da perda e totalmente impotente perante as asperezas e agressões a que a vida nos submete e sobre as quais não conseguimos vitória. Já não há o vigor da juventude para mandar desafios, e, no entanto ainda questiono se devo cruzar os braços, ou lutar para que não perca mais pela jornada. Muitas divagações de ordem filosófica ocorrem nestas etapas da existência humana quando já sentimos não possuir o que de mais caro almejamos, aliado ao fato de impossibilidade de realizar o que tanto esperávamos. É a vida... Muitos dirão. Nascemos e morreremos sozinhos embora estejamos às vezes rodeados de pessoas e em meio a uma tremenda solidão. Ou talvez, literalmente solitários em meio a um vazio assustador... Como encontrar ânimo para continuar o resto do caminho? “Navegar é preciso...” alguém já disse. Só que se esqueceu de acrescentar que é preciso coragem, determinação e vontade de navegar. Que eu consiga ser como a árvore que balança calmamente seus galhos perante a leve brisa e os agita vigorosamente ante o vendaval. É a sabedoria do dançar conforme a música, tão cômodo, porém tão covarde. Que eu aprenda a ser como a madeira aromatizada que perfuma o machado que a derruba, sem atitude alguma de luta ou revolta. Tantas são as coisas das quais é preciso falar: do clamor por justiça, da luta por um filho ou filha que necessita da mão amiga, mas eles se foram pelo o mundo para o qual foram criados,da revolta com os absurdos do dia a dia e de tantas verdades mais... Quem sabe amanhã não acorde totalmente recuperada da inércia que de repente me acometeu a alma e resolva lutar com as palavras, a minha arma mais precisa e preciosa amiga que sempre estará a meu lado como confidente fiel.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Que felicidade!!!!!!!!
Finalmente estou sossegada em um lugar e posso ser alguém no mundo!!!!! Sim, porque hoje em dia, quem não tem acesso à Internet é ninguém, nada vale, nada é. Volto a ter acesso efetivo no meu caderno mais ou menos solitário que é o blog. Pouco acessado, porém, é o meu espaço de desabafo das agruras da vida, o meu divã psiquiátrico onde posso expor minhas emoções, lembranças, posso chorar a perda dos entes queridos, construir mensagens maravilhosas de amor e também manifestar minha revolta e indignação perante a insensatez que prolifera e fere os nossos direitos. Se podemos nos manifestar num caderno solitário como é um blog, é pura verdade, porém se seremos sancionados ou não, é preciso esperar para ver.O texto de hoje é bastante polêmico, porém verdadeiro, espero que gostem....









JURISPRUDÊNCIA X CONSTITUCIONALIDADE 






Entende-se por Constituição de um país, o conjunto de leis formuladas à vista da justiça e da ética que servem para respaldar os direitos e deveres dos cidadãos de determinada nação. Construída ao longo do tempo, procura abranger todas as situações conflitantes que possam envolver um povo buscando não agredir os parâmetros da lógica, da coerência e da igualdade de direitos, indistintamente. Existe em todos os países que desejam o mínimo de respeito para com seus compatriotas no que diz respeito à imparcialidade e equidade entre todas as classes sociais. Da mesma forma, pode ser extensa ou sintética e tal fato não influi na qualidade do seu teor; o que realmente importa é que seja obedecida para que não caia no descrédito e ineficácia de sua existência.
Os Estados Unidos da América, por exemplo, possuem uma Constituição bastante simples, cujo conteúdo cabe em uma folha de sulfite, no entanto, há uma predisposição de respeito, uma postura de obediência à Carta Magna, que nunca muda, já há mais de duzentos anos. Assim, o cidadão americano pode até memorizá-la, o que facilita sobremaneira a sua aplicação e cumprimento. E muitas outras Constituições existem mundo afora, mas a que nos diz respeito é a nossa, o objetivo deste texto.
Acontece que no Brasil, já mudou por diversas vezes, e o que é pior: nem conhecida do povo brasileiro o é: imensa, quase um pequeno livro, não há a praticidade de sua aplicação, sem contar a linguagem, que extremamente formal, não facilita ao cidadão comum, para quem foi feita, o seu entendimento.
Como se não bastasse, as constantes mudanças e emendas cada vez mais afastam o cumprimento destas leis que garantiriam a “Ordem e o Progresso” estampados em nossa bandeira. A nova Constituinte produziu uma Carta Magna imensa, cansativa de se conhecer ou ler, de difícil compreensão e, consequentemente, aplicação.  Como já é de praxe em nosso país, o povo jamais participa da construção destas leis ficando de lado de toda e qualquer formulação e mudança que diz respeito à nação. Isso é uma lástima que não apresenta maneira de ser mudada, afastando a participação coletiva, restringindo a sua construção a uma minoria, o que muitas vezes, abre precedentes para que a maioria das leis seja elaborada em caráter arbitrário, beneficiando pequenos grupos, privando a cidadania, apesar de que se pregue o contrário.
Há um velho ditado que diz: “O que não tem remédio, remediado está” e neste caso do envolvimento dos interessados na construção das leis brasileiras, ele se aplica maravilhosamente bem.
Pode ainda haver coisa mais funesta do que esta? Por incrível que pareça, há. Uma coisa tremendamente pior do que tudo que foi levantado acima: a falta de cumprimento da Constituição. Por parte do cidadão comum, este descaso e descumprimento são até compreensíveis, dado a uma Educação de má qualidade que além de não formar o leitor eficientemente e não o capacitar ao entendimento da linguagem de cunho técnico e formal vem formando pessoas egoístas, desrespeitosas e antiéticas dado à impunidade que assola o país.
O fato mais incompreensível é quando se verifica que até judicialmente esta Carta Magna tem recebido pouca importância e consideração, passa-se por cima das leis como um trator patrola a terra para aplainá-la e são constantes as agressões a que nossas leis são submetidas; aqui se abre uma exceção para um parágrafo, acolá para um item inteiro e lá se vai por terra todo o esforço despendido para sua elaboração. 
Para que esta argumentação não fique muito vaga, explicito com um fato ocorrido em processo: foi concedida pelo juiz a validade de uma prova que se constituía em uma degravação telefônica sem autorização judicial, e tal medida foi considerada superior a documentos oficiais escritos que faziam parte dos mesmos autos. O que causou estranheza foi que mesmo a prova tendo sido derrubada em 2ª instância, continuou sendo usada como prova e o mais agravante: prevaleceu sobre os documentos considerados legais pelo próprio poder judiciário. Como isso pôde ocorrer?
 Outro fato absurdo que fez parte do mesmo processo foi a alienação de bens sem a outorga uxória que foi considerada válida tomando por base a malfadada degravação supracitada e gerou a assinatura da escritura de imóvel vendido sem a autorização da parte, revelando que esta nossa Constituição pode ser rasgada e jogada no lixo, pois já não tem valor algum, sem contar que basta procurarmos em processos já julgados o quanto ela é agredida, desprezada e deixada de lado; e o mais nefasto é que toda esse pouca vergonha e falta de ética vira jurisprudência, isto é, serve de base e respaldo para que novos processos que agridem às leis sejam também vitoriosos e negligenciem cada vez mais a legislação do Brasil.
Há que se ter vista para toda esta sujeira neste país dito democrático onde não se pode ter indignação e sequer liberdade de expressão, onde o cidadão sofre o abuso de poder da classe judiciária, legislativa, executiva, enfim, de todas as classes dominantes e ao usar da franqueza da pena ou do verbo, corre o risco de ser processado e ameaçado por dizer a verdade.

*imagem acima retirada do Google  image: br.freepik.com/fotos-vetores-gratis/justiça

domingo, 11 de dezembro de 2011

E lá vem outro Natal...

Mais um ano que culmina, e outro que se aproxima. O importante de tudo isso é viver cada minuto o mais intensamente possível. Para mim, o Natal já não se resume apenas em presentes e festas; embora devamos  celebrar a vida dos que nos rodeiam e desejar-lhes muita saúde e paz.
 O Natal é sobretudo para mim  feito das boas lembranças de todos aqueles que nos fizeram felizes e que fazem falta em nossa vida...





Ele veio

Como acontece em todo o final de ano, o milagre de Deus se faz presente em minha vida; e acontece quando menos espero: já aconteceu em alguma missa realizada em intenção a sua alma, com alguém que me visita e inesperadamente mostra uma semelhança incrível com seu rosto, ou de qualquer outra forma inesperada para mim.
O que se opera nesse instante em meu ser é algo inexplicável com palavras; ainda que  reunisse todas elas não   seria capaz de exprimir a emoção que sinto em poder rever aquele rosto querido e a magia que me acomete por instantes e que tem a capacidade de me transportar em um piscar de olhos, há anos no passado.
Desta vez, em uma rua solitária e deserta, escurecida pelas trevas noturnas, de repente eu te vejo personificado em alguém: não pode ser simplesmente o acaso que me proporciona esta emoção inigualável do reencontro.
Justo numa ruazinha obscura, onde uma única loja exibe seus enfeites natalinos, próximo à grande avenida, com um gesto amável ele me dá passagem, faz gentilmente um sinal com a mão. A pé,  os cabelos embranquecidos pela neve do tempo, o corpo esguio e fino e o rosto tranquilo de sempre.Com um sorriso amável nos lábios espera pacientemente que eu passe com meu carro, apesar de eu lhe oferecer preferência.Eis que logo ganho a avenida movimentada e indiferente, lotada de veículos que se cruzam  impacientes no afã pela busca de presentes de natal.
A visão daquele rosto, provavelmente de um pedestre qualquer e que me fez sentir tanta emoção, me faz explodir em lágrimas sinceras que inundam todo o meu rosto e provêm do mais fundo d'alma e me acompanham pelo trajeto de volta para casa.
"Quanta saudade daquele semblante cuja dignidade e humildade transpareciam sem artifício algum, quanta saudade da dedicação e da meiguice com que me afagava nas horas difíceis, saudade de sentar-me ao seu lado e apenas sentir o prazer da tua presença".
Já foram tantos os Natais que passei sem meu querido e eterno Papai-Noel que já perdi a conta. Mas parece que foi ontem que te vi sorrindo assim, como esse pedestre que gentilmente me abriu passagem...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011


Se estivesse vivo, minha vida seria repleta de luz com sua amável presença, hoje completaria mais um ano de vida...





A VOCÊ





Que me emprestou a vida, que me colocou neste mundo de meu Deus, que me deu amparo, carinho e amor e que dentro de suas possibilidades nunca permitiu que eu sofresse a mínima dor.

Você que trabalhou incansavelmente, mesmo sem o preparo necessário, para me dar uma vida confortável, que me permitiu uma educação além de suas posses se matando de trabalhar no incessante ir e vir da rotina diária em detrimento da própria saúde e diversão.

Você que sempre me socorreu quando mais precisei do seu apoio e que me deu amor infinito sem que nada pedisse ou cobrasse e que me orientou na minha jornada ensinando-me a caminhar com meus próprios pés pelas veredas desta vida.

A você, meu querido pai, desejo-lhe hoje no dia do seu aniversário: que goze de glória eterna junto à imensidão do universo que agora é todo seu. Que seja rodeado de paz inesgotável o seu espírito compreensivo e iluminado e que tenha finalmente encontrado respostas ante o místico e o indesvendável que lhe ocupou durante boa parte da vida...

Hoje, não posso lhe ofertar mais do que flores ou palavras vindas do coração.

Mas, sobretudo o que lhe escrevo hoje, é uma forma de agradecimento por ter existido um dia em minha vida e ter me proporcionado o prazer da convivência a teu lado.

Descanse em paz!

Meu filho querido:


Este texto vai para vc, segue com atraso de alguns dias, deveria ser escrito no dia 12 de agosto, o dia em q vc veio ao mundo, mas... sem internet, não foi possível publicá-lo. Desta forma, peço que leia com atenção, pois palavras faladas são facilmente esquecidas e levadas pelo vento do tempo, porém a palavra escrita, esta é derradeira, eterna, precisa e remanesce às vezes para além de nossa existência...














FOI EM UM AGOSTO



Foi no ano de 1980 que você chegou em minha vida. Chegou numa manhã de terça-feira ensolarada, quando o meu cansaço foi recompensado por um olhar luminoso que se fixava intensamente em minha direção.

Saiba que desde aquele instante preencheste os vazios de minha vida com felicidade, alegraste cada canto da nossa casa com seu sorriso encantador e contagiante. Lembro-me da tua ansiosa espera pelos presentes natalinos, o entusiasmo infantil que te invadia quando rasgava inquieto os papéis de presente, não se contentando enquanto não os abrisse com avidez e curiosidade.

Foram muitos os natais e aniversários que passamos juntos, mas foram tão marcantes estas datas, que ainda as sinto vivamente em meu coração.

Depois a inquietude da adolescência, a sua partida para outro país em busca de sonhos que se perderam pela estrada.

Acompanhei tudo na silenciosa prece do amor materno torcendo por melhores dias, para realização dos teus desejos, para tua realização plena, embora não soubesses e nem visses o meu pranto silencioso de mãe que quer o melhor para seu filho.

Mesmo que nunca te deixaste perceber, compartilhei de todos os seus sucessos e chorei contigo os teus fracassos, contudo me fizesse de forte para que não desistisses da luta da vida.

E hoje quando comemoras 31 anos de vida ainda te sinto como aquela criança maravilhosa que muitas vezes conduzi pela mão, a que ajudei a aplacar o medo do incerto, a que procurei incutir alegria, otimismo e persistência ante as pedras do caminho.

Neste dia quero te desejar toda a felicidade e graças que o mundo puder te ofertar e te pedir desculpas pelas ausências nas tuas horas difíceis que perdi de acompanhar no afã de meu trabalho para que pudesse te dar um futuro melhor. Hoje sei que estes momentos seriam muito mais preciosos do que qualquer bem material que pudesse te ofertar. Mas também era jovem e inexperiente demais, tenho a humildade de te confessar, filho querido.

Agora, trilhas por seus próprios pés as veredas deste mundo e conduz pela mão também uma parte de você, essa linda criança que enche seu lar de alegria, não deixes nunca de perderes os preciosos momentos da infância e dedica-lhe todo o carinho e atenção, procurando dar o melhor de si.

Peço a Deus para que te acompanhe e te ilumine, clareando cada passo que deres. Que seu espírito aguçado e estudioso se encontre na intensa busca da felicidade.

Saiba que de minha parte serás sempre a minha eterna criança que um dia surgiu do milagre do amor para enfeitar e melhorar as asperezas da vida.

*Na 1ª foto meu filho Leonardo é o Super Man e a criança ao fundo é seu priminho aniversariante Marcelo vestido de Batman... Ah! bons tempos aqueles...
*na 2ª foto Leonardo e a filhinha Sara, na época, recém-nascida.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Qual será a proveniência deste fenômeno? Será ilusão? Acredito que não, certamente que não.Está certo que aqui onde estou, o silêncio é muito grande e para um bom ouvinte e observador muita coisa pode ser percebida. Se alguém que ler esse texto já teve experiência parecida, por favor compartilhe comigo...





Mistério

As luzes distantes da cidadezinha mais próxima daqui brilham de um brilho límpido,trêmulo, e do ponto em que as avisto assemelham-se a estrelas a brotarem do chão.
Estou aqui, em meio à solidão noturna à espera, como um náufrago espera avistar a luz milagrosa de alguma embarcação que o leve a lugar seguro.
Não há brisa, nem de leve que embale a folha de uma árvore. O silêncio seria sepulcral se o coro dos insetos não invadisse o ar.
Vez ou outra, como já é de costume por aqui, o ronco de um motor na estradazinha sinuosa quebra esta quietude ou muitas vezes o de um avião passando ligeiro piscando suas luzes como que me dizendo adeus.
Sem ter o que fazer à noite, ocupo-me em vasculhar o infinito procurando pelas poucas estrelas visíveis hoje no céu dado às nuvens que o cobrem parcialmente e surge entre elas o brilho do Cruzeiro do sul como que me apontando a direção aonde devo ir.
Por que a escuridão da noite é tão envolvente e misteriosa? Por que ela nos faz sentir seres insignificantes e impotentes ante o Cosmo imensurável?
A noite é demasiado longa nestes locais desertos, a lua cheia hoje não jogou seu disco de ouro no horizonte.
O latido de um cão ou um mugido de gado ecoam além  nas montanhas. As sombras das altas árvores imóveis contribuem para aumentar a solidão no vale.
E aquela estrela a brilhar intensamente? À distância dos seus anos-luz pisca continuamente e parece interagir com meus pensamentos que buscam uma explicação sobre o mistério indesvendável da vida.
Curioso é que repentinamente meus ouvidos são invadidos por um ruído de mil megatons como se uma máquina vinda do alto estivesse a vibrar emitindo ondas sonoras graves.
Atento, procurando a origem deste som, porém não o encontro. Pondero que talvez seja o barulho das turbinas dos aviões ultrassônicos a produzirem um eco nas montanhas além. Desde que aqui cheguei, não é a primeira vez que meus ouvidos, por sinal muito aguçados, perceberam essa vibração que chega a produzir uma sensação de medo, talvez porque ela seja quase inaudível ao ouvido humano causando mais uma sensação de que o cérebro não irá resistir por muito tempo se o ruído persistir.
Será alguma nave espacial futurística que aterrissa, ou alguma experiência com energia atômica ou coisa parecida?
Não alcanço explicações. O silêncio ao redor se faz novamente presente para meu alívio.Volto a perder o olhar na escuridão do infinito até me cansar e me recolher para dormir.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Amigos, continuo aqui, como que num retiro espiritual e isto já está durando mais tempo do que pensei. Apenas um inconveniente: não tenho Internet que me possibilite postagens semanais, aliás já havia dito isso anteriormente em postagens mais antigas. Este texto em que relembro a imagem de um primo querido vai ainda sem foto alguma, pois escrevo de uma lan house.

Carlos

Às vezes, aqui sozinha à noite, perco-me em meditações mil.Vendo a noite derrubar suavemente seu pano sobre as verdes montanhas, apagando todas as cores com que o sol pintou artisticamente na imensidão do céu, sinto no fundo do meu ser as contradições e efemeridades desta vida.
Quantas delas se apagam enquanto que milhares de outras nascem numa rodaviva interminável.
Quantos daqueles que amamos se vaem sem que ao menos o tempo permita que lhes digamos adeus, deixando apenas lembranças perdidas ao longo da estrada.
Tudo isso acontece rapidamente quando menos esperamos e de forma tão constante como a noite que chega todos os dias para incansavelmente dar lugar à luz de um outro dia...
Enquanto as trevas se avizinham ocupando todo o seu espaço, cismo em meio do silêncio noturno quebrado apenas pelo cricrilar dos insetos. Quanta tristeza tudo isto encerra, principalmente para os doentes de alma romântica e panteísta como eu que amam profundamente tudo o que os rodeiam.
A nostalgia então me envolve os pensamentos e de repente lembro-me de você, Carlos.
Você foi mais que um primo para mim, foi um amigo para todas as horas da minha rósea e triste adolescência, meu companheiro fiel, sempre pronto a me acompanhar onde quer que fosse. Meu defensor nas horas de fraqueza, presente nos momentos alegres e tristonhos da minha existência inocente.
Não sei em que momento da vida e por que razão nos separamos, passamos a viver em cidades diferentes, distantes, você no seu canto e eu no meu.
E o que foi feita daquela bela amizade que havia entre nós? Em que lugar ficou perdido aquele amor fraternal que nos ligava como a dois irmãos?
Ainda ontem corríamos livres pela rua sob a luz do sol escaldante de Araçatuba, duas crianças felizes que nem de longe conheciam a escuridão que repentinamente toma nossos caminhos...
Quando atendi ao telefone naquela noite, mal podia compreender o significado daquelas duras palavras: O Carlos morreu...
Como? Se sempre ao teu redor só havia luz e alegria?Se quando nos encontrávamos era para sair,divertir e sorrir?
Saiba que não consegui criar coragem para te ver pela última vez. Com os olhos inundados de lágrimas fiz-me representar por uma coroa de rosas vermelhas e brancas e uma faixa que trazia gravada uma frase que nem de longe poderia encerrar a dor da perda. Revia seu rosto sorridente, lembrava-me dos doces momentos dos quais compartilhamos. Não poderia, jamais, obscurecer estas imagens, preferi guardar em minha memória a sua vida e o que ela me representou, como se nada de ruim tivesse acontecido contigo.
De onde estiver, peço que me perdoe por não ter tido a coragem necessária de te fazer a última visita.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mais um pequeno texto...

Amigos, ainda estou aqui neste sítio acolhedor onde o que mais se sobressaem são o bucolismo e a paz campestres. Desta forma, só posso escrever uma série de textos falando da personagem principal que me rodeia diariamente. Escrevi este texto no dia 07 de junho, meu aniversário que desta vez foi um pouco singular e nada costumeiro como nos outros anos.Sinto agora uma imensa saudade de tudo e de todos da cidade grande, embora quando raramente para lá me dirijo, assaltam-me agora sentimentos de impaciência e irritação com os problemas dos quais antes não me importava, como poluição, trânsito caótico e superlotação de pessoas que abalroam as calçadas, mas vamos ao que interessa, ah! já ia me esquecendo as fotos que prometi no texto anterior ainda não foram possíveis de serem copiadas para o blog.Vamos aguardar, agora sou uma pessoa do campo...









Vendaval


Hoje, senti a força da natureza na fúria do vento.
Chegou manso, agitando levemente as folhas das árvores e num crescendo constante passou a fustigá-las num fortíssimo  ameaçador.
Diria-se que se assemelhava ao início de um tornado, tal era a violência com que castigava os pobres vegetais, que indefesos curvavam os galhos, como que escravos da sorte, num esforço visível para sobrevivência.
Os eucaliptais mais além, ou até mesmo os eucaliptos solitários ao redor do sítio, reproduziam aquele rumor de mar enrolando-se em ondas constantes e  em uníssono com as demais árvores da orquestra do vento engrossavam o ruído tornando-o ameaçador. Toda a simetria destas árvores se envolvia numa dança sincronizada como que hipnotizadas por magia a desenvolverem o mesmo balé involuntário e interminável.
Os coqueiros agitavam suas crinas sem poder se conter e suas ramas brilhantes obrigadas a acenos de adeus constantes descabelavam-se.Quando havia uma pequena trégua, exibiam suas folhas cansadas, caídas e despenteadas pelo rigor das chicotadas que recebiam.
O lago a minha frente, antes quedo, mudo agora exibia as águas agitadas por um balanço sem fim, sendo arrastadas em ondas tal a velocidade que o vento adquirira.
Não se ouvia nesse instante som de animal algum, todos se recolheram a lugar seguro.
Um único urubu solitário que antes plainava facilmente com a leve brisa, a custo conseguia fazê-lo entortando o corpo na tentativa de manter-se ereto.
Julguei ser o início de uma brusca mudança que geralmente antecede os temporais e que acabam culminando em chuva forte e contínua, entretanto não foi o que ocorreu de imediato, o vento que traria a tempestade e que causaria tanta destruição no campo e na cidade continuou seu trabalho por todo o dia, não cessando com o crepúsculo, mostrou todo o seu vigor que culminou finalmente com a forte chuva que tantos males causou. Este dia ímpar de aniversário me fez mais uma vez refletir na pequenez da condição humana perante as forças do Universo.


*Foto acima tirada dos eucliptais castigados pelo vento durante o temporal de 07-06-2011.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Longe do mundo

Olá, amigos:
Depois de um longo tempo sem postar texto algum, hoje aqui em uma lan house da cidadezinha de Igaratá, de onde estou em um sítio próximo, vou rapidamente postar uma mensagem. Não prometo que será um hábito constante, pois onde estou, encontro-me distante de tudo e de todos, não tenho Internet, nem sequer televisão. Por força das circunstâncias vim parar aqui, nesse lugar tranquilo tendo como vizinhos bois, vacas e a natureza, da qual pareço dona, mas vamos lá que o tempo é curto e tenho que aproveitá-lo. Breve, incluirei neste texto algumas fotos do recanto onde me encontro.Perdoem-me os erros se ocorrerem, pois o tempo escasso não permite as correções de rotina.


Solidão





Aqui onde estou agora tudo é paz, rodeada pelas verdes montanhas cobertas por um céu límpido e azul.
De um lado, a elegância das grandes árvores, característica da Mata Atlântica, e de outro, a quietude verde e enfileirada dos eucaliptos mudos e indiferentes nesta hora que precede o anoitecer, verdadeiras colunas de sentinelas a guardarem  as montanhas.
No alto de uma delas, uma cena que é poesia: uma casinha bem distante e ao seu lado, uma árvore alta de duas copas, creio, ou talvez, duas delas de tamanhos diferentes, fato que não consigo precisar ao certo, dado à distância em que se encontram. Uma cena singular onde a sombra da árvore abraça a pequena morada, sua companheira inseparável, digna de ilustrar uma tela daqueles privilegiados que com sua percepção conseguem transmitir não apenas as suaves formas e cores, mas toda a emoção que a imagem provoca em uma alma solitária...
Ciprestes ladeiam a estradinha de saída do sítio, ali um coqueiro solitário, cujo farfalhar das folhas, ao mais leve toque do vento faz lembrar o rumor da chuva caindo, acolá, uma e outra árvore frutífera e o gado espalhado pelo campo a pastar e a se locomover lentamente, transmitindo uma paz que se funde com o profundo silêncio ao redor.
Breve será noite. As sombras noturnas  avizinham-se convidando bandos de pássaros para o refúgio dos ninhos e muitos deles passam em revoada de volta da luta diária pela sobrevivência. Muitos piam já aconchegados aos lares. São pombas do mato, Fogo-apagou, gaviões, garças, e até um casal de seriemas que pousam à beira do grande tanque do lugar para descansar.
Os últimos raios fracos de sol ainda teimam em iluminar a montanha onde a casinha e a árvore pousam para a última foto do dia captada pela objetiva dos meus olhos que se deleitam com a paisagem.
Como é bom esse silêncio profundo apenas quebrado pelo canto dos pássaros, ou pelo rumor da água da bica, ou até rarissimamente pelo barulho de motor distante de um carro que corta a estradinha mais além...
Por vezes, aviões cortam os ares com seu ronco, mas logo se despedem.
Que diferença da cidade grande onde o som ensurdecedor das máquinas ferem os ouvidos e a fumaça poluída embaça a pureza do céu! Onde não podemos acompanhar a rapidez dos movimentos que nos rodeiam, assim como os milhares de reflexos que o cérebro agita-se  ao captar enquanto que aqui a lentidão natural dos animais e da natureza marcam sua presença relaxante...
A saudade da cidade às vezes bate forte, a ausência do convívio daqueles que nos são caros machuca, porém o espírito em paz nesse local sagrado nos faz compreender os mistérios da vida e seus desencontros tão naturais em uma existência...
O sol distante agora brinca de colorir algumas nuvens tingindo-as de rosa e amarelo.
Enquanto a escuridão não chega e as estrelas ainda não cintilam no céu, acompanho nesta paisagem bucólica a movimentação do crepúsculo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Escrever o quê?

Amigos, há dias já que reluto em escrever neste espaço tão familiar para mim. Estou totalmente sem assunto, vejo que meu prazo de postagem semanal está se esgotando e nada... Procuro um motivo relevante, mas a mão se recusa a digitar no teclado como gato que foge da água fria.Foram tantos os assuntos motivadores de 2010 que me levaram a produzir textos saborosos que brotavam do fundo d'alma. Mas agora...Nada!Escrever sobre o quê? Ano Novo, novas perspectivas, ou textos de tema político com a entrada de uma nova presidenta da República, que é um prato cheio para que as palavras surjam aos borbotões?Nada disso está gerando motivação...Assim:

...

Passa ano, vara ano e para mim nada muda; as pessoas com seu mesmo jeito de sempre, sem nenhuma reciclagem em sua maneira de agir que as façam  mais agradáveis ao convívio social, apesar de cinicamente pregarem o contrário.
Quantos anos já se passaram em nossa existência, eles são velozes e muito breves, pois uma vida é um avião a jato que passa tão rapidamente e termina quando menos se espera.Tal fato deveria ser a mola que impulsionasse mudanças em comportamentos indesejáveis, egoístas e prepotentes, porém existem cérebros que parecem sofrer de paralisia, atrofiam-se e permanecem sempre insistindo em tocar a mesma nota desafinada a todo momento.
Que grande falta faz a disposição para aprender coisas novas! Por menores que elas fossem, já seriam de primordial efeito em mudanças em nossas maneiras de sentir, pensar e agir.
E nada existe de mais aborrecido do que o mesmismo, a predisposição a antimudança, a repetição de cantilenas que parecem milenares.
O egoísmo geralmente nunca é auto-avaliado por quem o exerce. É um escravizador de personalidades que sempre se acham superiores e melhores que as outras. Isso faz com que surjam críticas infinitas, sem fundamentação real, onde o espírito escravizado procura subjugar e culpar outros pelos problemas rotineiros que ocorrem e dos quais não se pode fugir...E na tentativa de encobrir o que não querem fazer, mil justiticativas inconsistentes são despejadas em nossos ouvidos fustigados.
É muito fácil transferirmos nossas vontades não satisfeitas em críticas indiretas a outrem que nem sequer culpa tem pelo que de mal acontece na vida, o difícil é arregaçar as mangas, assumir o que deve ser feito, ter a coragem necessária para cumprir obrigações que nos são inerentes e tudo isso sem apregoar o que foi feito pelos quatro cantos do planeta como se ninguém  o fizesse.
O narcisismo é outro mal que acomete a muitos que se acham superiores, os mais trabalhadores da face da Terra, os mais espertos e mais responsáveis, os melhores educadores, os mais notáveis pais, jogando os outros numa lata de lixo como se nada fossem, nada merecessem, ou realizassem.
A inveja,outra moléstia de que padece muitos seres humanos, faz com que só se tenha olhos para a vida alheia, da perscrutação dos seus detalhes e nunca deixando com que o invejoso tenha uma vida própria sobre a qual trabalhe e construa atos relevantes.
Existem aqueles que adoram a maledicência, desejam o mal a outras pessoas de forma tão veemente e assustadora que é possível murchar uma flor com seu próprio olhar. Pode existir coisa mais triste do que isto?
Antes de nos reunirmos para relacionamentos sociais, deveríamos ter pelo menos a noção de não monopolizar as atenções com essas boas qualidades que alguns têm predisposição a cultivar...
Nada mais triste do que passar 365 dias de um ano ouvindo as mesmas músicas aborrecidas, sem conteúdo e motivo justo para serem tocadas!
Vamos fazer sair de nossa boca apenas melodias eruditas, bem trabalhadas que tenham mérito para que possam ser apresentadas e atrair a atenção geral.
Outro terrível malefício que corrói mais que o câncer é a vontade de ter dinheiro,mas pior ainda que isto é não ter disposição para consegui-lo e tentar dilapidar o que outros construíram ao longo dos anos com o suor do seu trabalho.Há aqueles que malfadadamente só se aproximam de alguém de quem possam usufruir algum benefício, não se importando com humilhações de toda a espécie para conseguirem o seu intento.Desta forma, pelo maldito dinheiro alheio e o conforto que este poderá trazer sem esforço algum, são tolerados os maus gênios, as grosserias, as chatices desde que, é claro,haja a bondade de um grande coração recheado de reais, dólares ou qualquer outra espécie de vantagem oferecida.
Quando se vê a grande quantidade de abutres desta espécie em uma reunião social, às vezes é muito mais agradável isolar-se em uma paisagem solitária como a que vemos acima... Agora imagine só a possibilidade de todas essas qualidades estarem presentes em apenas uma individualidade. Isto é assustadoramente possível e totalmente intediante de assistir...
Haverá algum dia a possibilidade remota de que este quadro mude? É pouco provável que ocorra. A doença é incurável.
E isto só poderia acontecer quando todos entendessem que o trabalho é o principal fator que gera as mudanças necessárias e que a preguiça, esta terrível praga que consome a maioria dos humanos e que os torna chupins e aproveitadores daqueles que trabalham é a principal responsável por todas as lastimáveis mazelas que o ser, dito racional, apresenta.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O que você fez neste ano ?

Dizem que o tempo não existe... Que o homem o inventou com a finalidade de melhor aproveitar o trabalho diário. Porém , mesmo que esteja cientificamente provado que ele não existe, temos visivelmente provas do nascer de um novo dia, do seu término e da noite que surge mansamente como um bálsamo para que descansemos, recobremos a energia e coragem para desempenharmos nossas tarefas intermináveis enquanto tivermos vida para viver.
Estes dias e estas noites que vão se passando cheios  de acontecimentos de toda a sorte, vão se agrupando em um ano que fatalmente morre, coincidentemente ou não, com a festa de Natal, último evento glorioso do qual participamos.
Para muitos, uma festa familiar, para outros solitária, para alguns de paz, para tantos de tristeza...
Na primavera da existência, o Natal é mágico, repleto de alegria e de presentes quando todos são a grande maioria que se reúne em torno a uma mesa de refeição.
No outono da vida,  a sensação desta festa já não pode ser sentida desta forma: as perdas sofridas no decorrer dos anos dá ao acontecimento um sabor nostálgico que  apresenta um quadro de saudade e solidão quando são poucos ou quase ninguém  a se reunir e confraternizar o fim de mais um ano.
No entanto , a despeito de tudo que nos acontece,ouvem-se canções natalinas propagando mensagens maravilhosas que propõem um balanço de tudo o que fizemos durante um ano...E apesar de toda a tristeza, há no ar e nas melodias desejos de Feliz Natal, como se isto fosse possível através do aperto de um botão...





 A pergunta deveria ser: o que você não fez este ano?
Ao observar as ruas e avenidas movimentadas da cidade veem-se pessoas de todos os tipos e classes sociais, bem-vestidas, maltrapilhas, alegres, tristes, esperançosas, desiludidas...
Todos, com raríssimas exceções, à procura de lojas para que gastem suas economias em presentes para aqueles que lhe são caros, ou em artigos de consumo para que possam estar bem-vestidos para ceia e almoço de Natal.
Todas as festas, independentemente ou não de ser a de Natal, são voltadas para o consumismo em larga escala onde aquele menos favorecido economicamente se vê totalmente discriminado numa festa que se diz religiosa para louvar o nascimento do ser mais humilde que já pisou na face da Terra... A tremenda ironia aí se revela, pois a maior preocupação deste dia para a grande maioria é poder exibir roupas e sapatos de grife, ostentar uma mesa farta digna de um rei.
Se todos se preocupassem a perguntar a cada ano que morre o que deixou de fazer de bom durante tão longo período, as mudanças necessárias certamente seriam realizadas individualmente e no mundo todo haveria uma revolução coletiva a favor do bem.
Este ano não me lembro de ter agradecido suficientemente pela minha saúde e a de todos os que me são caros, enquanto muitos não puderam ter essa felicidade.
Creio que também não fui grata o bastante perante as oportunidades de trabalho extra que consegui ao decorrer de 2010, fato que me possibilitou uma complementação de renda e consequentemente um padrão de vida mais digno.
Não me lembro de ter ficado feliz e ter louvado como devia o fato de todos os meus, incluindo a mim, saírem e voltarem para o nosso lar sãos e salvos quando outros não tiveram a mesma sorte.
Também pelos sonhos que se perderam nessa estrada e que me fizeram aprender tanto na escola da vida...
Agradecer pelos amigos que consegui manter, amigos novos dos quais consegui me aproximar,amigos antigos que voltaram a minha convivência.
Pelo amor e compreensão recebido dos filhos através de cada gesto, de cada palavra, de cada ação ou pedido...
Agradecer tem sido uma constante em minha vida, porém era preciso muito mais:
Pelo amor conjugal de quase quarenta anos, uma eternidade! É preciso agradecer neste momento em que o ano termina, desejando que sempre seja assim, e não quando nada mais restar depois do vendaval.
Por este anjo de candura que chegou ao nosso lar neste ano, minha querida netinha Sara.
É preciso que ainda ajude mais as pessoas que de mim necessitam, oferecendo humildemente aquilo que posso dar.
Olhar mais nos olhos de todos que de mim se aproximarem compartilhando seus sentimentos e necessidades.
Uma coisa de que preciso muito é conviver mais com aqueles que são meus amigos, promover encontros saudáveis e alegres desafiando o pouco tempo que tenho que deve ser preenchido com a qualidade da boa convivência.
Entregar-me mais à música e ao seu estudo como forma de aprimorar meu espírito e me aproximar mais de Deus.
Aplacar um pouco a desconfiança, desfazer o ceticismo total para ganhar um pouco de paz espiritual.
Contemplar mais a natureza e tudo o que ela tem para oferecer.
É preciso antes de mais nada: aprender a perdoar, oferecendo uma lição de vida em troca de cada insulto, ou coisa que me incomoda, mudando esta atitude para outra mais positiva...
E o mais importante: preencher, como dizia Kipling,  o implacável minuto com 60 segundos dignos de uma corrida de velocidade. E ainda diria mais: preenchê-lo com amor, amizade e compreensão para que tenha cumprido minha missão nesta Terra...



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O outro lado da moeda...

Agora já é quase que tocável a noite de Natal. Muitas pessoas correndo pelas ruas como formigas atrás do açúcar, desculpem a comparação, mas o desespero para satisfazer a vontade de todos é grande neste instante e, aqueles que trabalham sem até o presente momento terem tempo de comprar seus presentes, aproveitam os minutinhos de descanso para se aventurarem   mesmo "singing in the rain" para levarem   para sua árvore de Natal os mimos que garantirão a alegria de todos. Já é quase possível apurar o olfato e adentrar dentro dos milhares de lares espalhados pelo mundo todo e sentir os mais doces aromas natalinos. Por mais simples que seja a morada haverá algo de diferente para saborear e diferenciar este dia dos demais.
Muitos, mais privilegiados, já agendaram suas viagens seja ela por terra, via aérea ou por mar...
E a hipótese de poder obter um colírio para os olhos fotografando a paisagem marítima e sentir a brisa agradável através do convés de um navio tem altos custos atualmente. Não que seja uma viagem economicamente dispendiosa, mas correm-se riscos ao tentar sair de casa para uma viagem deste tipo.
A pirataria voltou com todo o vapor dos séculos passados para a atualidade, navios são alvos de assaltos que engordam os olhos pirateiros ao vislumbrar o grande rebanho de pessoas reunidas em um edifício ao sabor e a solidão dos mares...
Muito lindos os transatlânticos, quer sejam vistos durante a noite ou de dia, mas para aqueles que não param de pensar, seguramente não há   mais a tranquilidade como sua companheira de viagem. Sabem que vão à mercê da sorte, e dependendo do poder econômico dos passageiros que ali se encontram o risco é maior e a despeito de seguranças e armas possantes,sabem que o perigo ronda os oceanos...
Mas não é apenas nas águas  que vemos estes personagens. Muitos cidadãos honestos querem levar de presente para seus filhos um jogo de video-game,  um CD musical ou de desenho, a febre que devora esta nova geração.
Aliás, é sobre pirataria o meu tema deste post. Ela tem sido debatida e combatida pelos quatro cantos, condenada e julgada criminosa por aqueles que veem seus direitos violados... Mas,  paremos um pouco para pensar: Por que razão tudo isto vem acontecendo ultimamente?






Países ricos, de primeiro mundo,há muito vêm impondo de maneira maciça sua tecnologia aos outros menos desenvolvidos.
De certa forma, tal fato chega a ser desumano para se falar com franqueza: nações totalmente carentes de elementos básicos como Alimentação, Saúde, Educação tendo que adquirir produtos de informática a altos preços sob a alegação de que o mundo mudou e todos devem inserir-se no novo contexto da globalização. Deste modo, apenas para exemplificar, no setor educacional escolas sem o mínimo conforto em suas salas de aula, "recebem" uma sala de informática exígua, sem verba suficiente para manter as máquinas que ali estão, onerando em dívidas os países que financiam todo este aparato dos países economicamente favorecidos, ficando deles mais dependentes do que já eram. Esta dívida só tende a crescer, pois os programas, os chamados softwares,que são a alma que dará vida a esses aparelhos são vendidos a preços totalmente inacessíveis e praticamente impossíveis de serem adquiridos pelo cidadão que em sua maior parte nem computadores tem   condição  de possuir. Num contexto social de pobreza, desemprego e superlotação urbana surge uma verdadeira indústria paralela que mostra o reverso, o outro lado da moeda: a pirataria em pleno século XXI. À semelhança do século XVI onde elementos à margem da sociedade de seu tempo saqueavam os navios em alto-mar para apoderarem-se de riquezas, hoje, esses piratas do asfalto clonam com habilidade criminosa todos os meios de multimídia: de programas de computadores a CDS. O fato é que esse mercado vem crescendo, tomando proporções assustadoras causando aos seus criadores, que são os detentores dos direitos de posse sobre o produto,imensos prejuízos financeiros e morais.
Todas as situações revelam seus prós e contras; se por um lado a tremenda falta de ética e desonestidade estão presentes a essa ação, há a possibilidade de que a pirataria traga ao cidadão mais pobre  a possibilidade de poder conviver com a tecnologia e a informatização do primeiro mundo. Como esta situação vai culminar pode-se já vislumbrar através das constantes ameaças de sanções econômicas e sociais que os países infratores sofrerão. Um outro problema desencadeado através da pirataria e não menos grave é  que o comércio  de ilegais gerou uma forma de trabalho, um subemprego aos indivíduos que o comercializam como produto alternativo e dele sobrevivem.Grande número de chefes de família sem a consciência necessária para discernir,sustentam seus lares e, muitos deles reproduzem de maneira grosseira em seus próprios lares os tais produtos paralelos. Muitas vezes indiciados, têm sua mercadoria apreendida, o que leva ao desespero pais que custeiam suas despesas realizando essa transação ilegal agindo sem conhecimento de causa.
É provável que se a pirataria terminar levará com ela as chances de familiarização dos produtos informatizados no terceiro mundo.