domingo, 14 de junho de 2020

Fala-se muito em racismo, preconceito de cor, raça. Entretanto, creiam,o pior deles é o de classe social. Sofremos diariamente com isso e, particularmente em mim, calou-me fundo desde à infância através da figura de minha mãe...




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Fantasia de fitas

Vai longe o tempo, lá pelos idos de 1957 ou 58 quando comecei a me entender como gente. Ouvia sempre os queixumes de minha mãe, mulher mais trabalhadeira como aquela nunca vi em toda minha vida!
É, ela dizia num reclamar quase lamento, nunca me valorizaram. Meu sogro dizia sempre: vou dar os móveis de presente de casametno, só que, "conforme a noiva,serão os móveis". 
E assim havia sido, mobília simples para uma noiva de família pobre como ela. Que diferença para o presente da filha, requintado e caro naquela época. Isso foi tornando minha mãe uma pessoa amarga, baixa autoestima, angustiada. Doutra vez, lembro-me por volta de meus nove anos, necessitei de uma cirurgia; apendicite crônica; e ela costurando naquela semana inteira, trabalhando em lindo pijaminha branco de alpaca com detalhes de vivos verde-água nos bolsos da camisa e da calça. Mãos de fada, caprichosíssima em detalhes e acabamento, mas logo minha avó paterna chega em casa, e não lhe quero mal, absolutamente, que Deus a tenha em sua glória, uma vez que partiu há muito desta para uma melhor, ou pior, sei lá... Ao ver o pijama semiacabado que minha mãe labutava por terminar, pôs-se a chorar copiosamente, nos deixando constrangidos pela sua comoção enquanto pranteava e dizia entre soluços: "Não, não deixarei minha neta operar com um pijama desses, de forma alguma". Amanhã mesmo, irei ao bazar da Moda, (era um desses lugares frequentados por pessoas mais abastadas, economicamente na época em Araçatuba, residíamos lá por esse tempo) comprarei pijamas. Senti a decepção de minha mãe em seus bonitos olhos verdes que teimavam em segurar uma lágrima e, acho que desde essa época, ela foi se desvalorizando...
No dia seguinte, a caixa foi entregue com dois pijamas de jérsei (lembro-me até hoje, minha memória é fotográfica, não sei se isso é bom ou ruim), que nem se comparavam ao trabalho que estava fazendo, manualmente, muito mais valoroso e mesmo de melhor qualidade. E a frase que veio acompanhada com os pijamas, feriu mais do que navalha: "veja se se compara a esses trapos que você estava fazendo". 
Chorei muito, mas muito mesmo, ao ver o desalento e submissão de minha mãe, esperava que dissesse: "não, ela não vai usar esses pijamas, pode levar de volta, os meus são melhores, muito obrigada!". Contudo, abandonou seu trabalho, e lá estava eu no hospital com os tais pijamas de jérsei. Ah, como gostaria de dizer a minha mãe que essa foi uma lição ruim que ela me passou: não se dar valor.
 Gostaria de afirmar do fundo do meu coração, isso não se faz. Chegou um Carnaval, todas as primas com lindas fantasias compradas em bazares de prestígio da cidade e minha mãe, mais uma vez com suas mãos maravilhosas costurou uma fantasia de havaiana, lembro-me com detalhes: o cós era vermelho, se não me engano, e trazia preso nele várias fitas coloridas que iam até o comprimento do joelho, um top na mesma linha, muito bonitinho, enfim, qualquer criança no vigor da infância é muito linda. Entretanto,a fantasia era maravilhosa! 
E lá fomos nós para um clube da cidade chamado Clube dos Bancários. Não me recordo bem desse detalhe, mas vou inquirir minha mãe, ela deve ter pago para que entrasse no clube, não tínhamos posse, nem vida social de falsos ricos, meu pai era assalariado e dava duro em um frigorífico trabalhando e fazendo hora-extra para nos dar o sustento. 
Uma das primas, na verdade, filha adotiva de minha avó paterna, veio por obrigação nos cumprimentar rapidamente dizendo:"Que fantasia linda!" E logo se distanciou com as amigas em trajes luxuosos de dama antiga, sombrinha em rendas, cabelos arrumados, lindo vestido longo, espartilho e anquinhas, um luxo! Para minha mãe, isso foi o suficiente. Vi o resultado daquela observação rápida estampado em seu semblante onde o desânimo tomou lugar. 
Como criança que era, não percebi esse desprezo que ela disse estar no inconveniente comentário e o distanciamento rápido com  as amigas.
Isso calou fundo na alma de minha mãe. Sempre se acha inferior, isto fez com que preferisse se  afastar da vida social e familiar. Hoje, depois de bem amadurecida e calejada pelo efeito do tempo, a entendo perfeitamente! E tenho a dizer, que a pior forma de acabar com alguém é diminuir sua capacidade tendo como parâmetro a fútil vida social, a valorização do inútil e das convenções sociais, que passam por cima de sentimentos e valores preciosos que deveriam ser respeitados!

domingo, 24 de maio de 2020

Quanto tempo sem escrever nesse espaço... Não é falta de inspiração, é de tempo mesmo! Aliado ao desânimo de ter que escolher temas que não contrariem ideologias atuais... Sim, não há verdadeiramente uma liberdade na escolha de temas que devemos escrever, isso tolhe a criatividade, mesmo em um caderno aparentemente solitário como um blog. Mas hoje optei por uma crônica que volta a outro cotidiano mais antigo ...




Violão Seizi Tokyo | Folk | Eletro Acústico | Brown Burst - BarraMusic




Por onde você andará? 


Assistindo a um programa cultural erudito, coisa difícil de se garimpar nesses terríveis dias que estamos vivendo, onde o tema pandemia se repete nem digo diariamente, mas instantaneamente, o solista de violão, por sinal perfeito, de sobrenome Camarero interpretou uma linda melodia, composta pelo saudoso Dilermano Reis.
Como a nossa mente associa os fatos! Esse é um exemplo gritante de associação de ideias: de Dilermano, a Abismo de Rosas, música maravilhosa interpretada ao violão que muitos relacionam a temas bucólicos, sertanejos... Entretanto, a sonoridade, o conjunto harmonioso, carregado de tristeza, embala nosso espírito e nos leva muito longe no tempo e no espaço...
 E foi o que aconteceu comigo. Deixei de ouvir a TV, numa viagem pelo tempo, encontrei-me em um trem de ferro na década dos anos finais de 1960, contava então com meus róseos 15 anos, em todo o vigor da juventude! Por incrível que pareça, ainda me lembro da roupa que usava: um conjunto na cor ocre ou mostarda, composto por uma calça comprida, boca de sino e uma blusa sem manga, decote V, ornada com três sutaches coloridos a acompanhar o desenho da cava do decote. Várias pessoas da família acompanhavam a minha viagem até a cidade de Corumbá, Mato Grosso do Sul. Além de meus pais e irmão, minha avó paterna, um primo e meu namorado. Ao chegar ao destino, conheceria meu avô paterno, há muitos anos separado de minha avó. Ficaria hospedada na casa de um tio, irmão de meu pai e aproveitaríamos para uma consulta, digo, quase espiritual, com uma senhora chamada Cacilda, famosa por fazer curas milagrosas naqueles tempos. A fama dela crescera tanto, que todos iriam consultá-la, cada qual com seu problema de saúde. Mas isso não vem ao caso nesse relato.  
A viagem, sufocante, um calor abrasador e o trem acabava de quebrar pela segunda vez. O tédio, o desânimo  tomava conta de todos nós. Por sorte, meu namorado trouxera o violão, estávamos arranhando algumas músicas populares da nossa adolescência, quando ele se manifestou humilde, voz baixa, cabelos alongados, à moda da época, rosto simpático:
-Posso? - referindo-se ao violão.
Passamos o violão e com a habilidade de um virtuoso ele começou a tocar Abismo de Rosas. Fez-se silêncio mortal no vagão parado. Cada acorde tocava mais a alma, produzindo as mais variadas emoções. Não sei se a mim, um pessoa sempre muito sensível, apaixonada pela música erudita desde criança, quase me levava às lágrimas. Quando terminou, todos o aplaudiram comovidos, ele agradeceu tímido, sem soberba ou vaidade. Desceria logo, o trem já estava em movimento e logo chegou a Campo Grande, onde desceu. Nem me lembro do seu nome, contudo, ficou um vazio, uma lacuna  inexplicável no ar, que até hoje me frustra por nunca mais ter encontrado aquele artista silencioso.
Casada atualmente,  na idade madura, rosto marcado pelas experiências vividas,   depois de tanto tempo, ainda me pego cismando e pintando aquela cena, para mim emocionante e me pergunto, se estará vivo, morto, casado, solteiro,  sem a certeza de uma resposta concreta. Terá continuado  com sua música e seu talento? Ou tudo terá sido abandonado?
Na incerteza, uma única certeza, creiam, ele salvou aquela viagem enfadonha! 

terça-feira, 17 de dezembro de 2019



Boa-noite,

A falta de inspiração, inúmeras vezes nos leva a pesquisar temas diferentes e aleatórios para desenvolver, sem compromisso algum. Isto ocorre agora comigo. No intervalo de uma semana da comemoração do Natal, não encontro um assunto relevante para desenvolver, já postei uma mensagem  natalina...


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Recorrendo a um site de busca na internet, verifiquei que a data de hoje faz alusão à religiosidade, uma vez que é dia de São Lázaro. Eu, particularmente, uma católica de batismo, crisma e algumas missas apenas, desconhecia a vida desse personagem da história bíblica...
Li também, que no dia 17 de dezembro se comemora o aniversário do famoso compositor Ludwig Van Beethoven, do importante escritor brasileiro Érico Veríssimo, além do Papa Francisco.
Todos esses ícones são de grande valor para a história do mundo, contudo, alguma coisa já foi ouvida sobre eles. Assim, resolvi me deter na história de São Lázaro, por curiosidade e durante a pesquisa me perguntava, se seria o mesmo Lázaro que, segundo a Bíblia, Cristo ressuscitara.
Descobri que é a mesma pessoa, Lázaro, cujo nome traz a etimologia grega e significa Eleazar na língua hebraica, quer dizer “Deus ajudou”. 
Era um fervoroso e adepto da doutrina de Cristo, oferecia sua casa para reuniões clandestinas da fé cristã, tão condenadas e perseguidas na época. No período, residia próximo a Jerusalém, na cidade de Betânia, era irmão de Marta e Maria e a amizade que existia entre ele e o salvador do mundo era muito profunda. Tão profunda, que quando ele morreu, Cristo chorou e realizou um grande milagre; o da ressurreição de Lázaro após vários dias de sepulcro.
Os registros históricos ainda comentam sobre a ida dele para Lamaca, na ilha de Chipre, tornando-se um bispo da igreja católica; da menção a dois túmulos para sua pessoa, uma vez que voltou da morte e, o mais surpreendente que não se trata de um leproso, cuja associação foi erroneamente considerada durante muito tempo.
Fico então a me perguntar a respeito da veracidade destes fatos tão perdidos no tempo e no espaço. Como crer neles, sem questioná-los, após inúmeras mudanças de postura que sofrem...
Muitos afirmam que é o mesmo Lázaro, o leproso, o ignorado e isolado homem condenado ao convívio de todos pela sua doença altamente contagiosa e sem cura na época.
Que me perdoe a Igreja Católica, porém torna-se difícil acreditar na vida de todos esses santos e na verdade sobre suas vidas. Talvez, mesmo não sendo prováveis esses episódios, a grande lição que ele nos passa é a da lealdade  acima de tudo, colocando em risco a própria vida a serviço da amizade.
Sendo este Lázaro, aquele que sofreu com a Hanseníase, fica a mensagem de um tempo cruel, sem recursos ou avanço da ciência, onde o reverso da medalha apresenta um quadro de discriminação desumana aos infelizes portadores dessa moléstia, relegando-os ao isolamento e exclusão da sociedade. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019









E eis que outro Natal se avizinha, amarrado, lento, a passos de tartaruga...


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 Todo o Natal chega despercebido para mim, sempre acontece assim: muitos afazeres; a profissão exige demais e paga muito pouco pela quantidade de tarefas,  e a responsabilidade que elas encerram. Afinal, ser professor consciente não é serviço fácil, principalmente na atualidade, onde se tem a percepção da desvalorização do magistério a cada dia que passa. Um trabalho praticamente invisível para o estado, dificilmente suportado pelos alunos que não têm mais a disposição e vontade de desenvolver um currículo pesado como é necessário para a luta da vida profissional. Infelizmente, convivemos diariamente com casos escabrosos de discentes que mal conseguem escrever com letra cursiva razoável (aliás, diga-se de passagem, um problema de alfabetização que acompanhará o indivíduo por toda uma vida). Aprendi com a própria vida não ficar lamentando: em breve, acredito seriamente no fim da letra cursiva, apenas a digitação virtual restará...
Mas não estou aqui a escrever nestas páginas para enumerar as mazelas da educação, pois a matéria renderia um livro de muitas páginas... Iniciei citando o porquê da minha surpresa de todos os anos perante os primeiros ares natalinos.
Não consigo obter tempo suficiente para tudo que tenho que fazer nesta época: compra de presentes para todos, arrumação de enfeites e decoração, (consegui com dificuldade armar a pequena árvore e pendurar uma guirlanda semiartesanal na porta da entrada do apartamento); limpeza de casa, afinal, a festa de Natal será aqui em casa, dia 24; casa cheia para o almoço, graças a Deus. Dessa forma, tudo deverá estar organizado e limpo.
É preciso força, garra e saúde para dar conta de tudo nestes meus 68 anos... Entretanto, vou conseguindo com paciência, força de vontade. Não tive ainda tempo livre para fazer tudo o que preciso, geralmente as férias escolares vão começar já com o Natal batendo  à nossa porta. Aí sim, ele chega rápido, parecendo propositalmente nos deixar uma maratona para preparar tudo...
Volto a afirmar que isso não é  o mais importante, fazer uma ceia, um almoço, ter a árvore repleta de mimos e presentes que serão oferecidos àqueles que nos são caros, mesa farta e casa em ordem...
Há a grande necessidade de que o coração seja limpo, a alma seja pura, a consciência social esteja presente para o entendimento de  que a muitos não será possível nem sequer um alimento decente para colocar na boca, e isso muito me oprime e entristece: pessoas jogadas como lixo pelas ruas, subvivendo de migalhas, de esmolas, corrompendo o corpo e a mente para conseguir enfrentar a pesada jornada da vida.
Principalmente no Natal, não deve haver espaço para futilidades materiais de que muitos se ocupam; deve ser momento de reflexão, voltado a buscar formas de mudança para uma vida coletiva melhor. E a Educação que poderia realizar esse milagre, entregue às moscas e às traças por descuidos e despreparos de administração pública, pela negligência e ociosidade de muitos profissionais da área... Olha eu de novo batendo na mesma tecla, já disse que o assunto aqui é Natal...
Outro detalhe que borra a felicidade completa nesse dia de festa é a falta daqueles que já se foram, que fazem pesar a sua ausência e que são motivo de lembrança por um simples detalhe que aparece à mesa, ou na casa de maneira geral... Uma flor no vaso, um sorriso simpático, uma piada oportuna...
A vida é assim. Curta, passageira e carregada de momentos mais tristes do que alegres, (sabedoria daqueles que já passaram da idade adulta). Porém, para os mais jovens, é sinônimo de felicidade,  (percepção infanto-juvenil que enxerga o mundo cor de rosa e maravilhoso). E como é bom ter a ilusão da infância e da juventude! Ainda, em minhas reminiscências, guardo na memória os Natais de outrora sem nenhuma mácula, dor ou tristeza...
Contudo, é essencial que a vida continue, que a despeito de nossos sentimentos, respeitemos o desejo e necessidade de todos, que comemoremos com entusiasmo a paixão pela vida enquanto ainda a temos. Feliz Natal para o mundo e que tempos melhores consigam chegar para todos!

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Boa-noite. O texto de hoje é a respeito da demolição de um imóvel cuja ação visualizei hoje a caminho do trabalho...

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Sonhos desfeitos

Dirigia pela Rua Araguaya  no cruzamento com a Carnot, no bairro do Pari, trajeto que faço rotineiramente em direção à escola onde leciono, quando para minha surpresa, o sobrado da esquina mostrava o seu interior semidestruído, a exibir um cenário de entulhos amontoados ao longo da sala. Eram pedaços de parede, largos tijolos amontoados, resquício dos bons tempos, época em que os materiais usados, de maneira geral, eram muito superiores em qualidade.
Confesso que me senti incomodada e por  que não dizer, entristecida com a ausência visceral daquela moradia que visualizava todos os dias ao passar por ali. O congestionamento favoreceu minhas divagações sobre aquele acontecimento e me acompanharam por todo o caminho. 
Uma casa carrega em seu interior muitas vivências, inúmeras passagens: alegres, tristes, engraçadas ou fúnebres. Traz na sua construção , primeiramente, um mundo de expectativa, de sonhos que finalmente se concretizam e realizam as pessoas que tanto lutaram para conseguir um ideal, tão difícil nesses nossos dias, quase impossível para muitos.
Quantas surpresas agradáveis, confraternização entre famílias, horas de amor, mas também de desespero, desafetos  e separações... Isso é toda uma vida! Por esse motivo, não consigo me conformar com demolições, pois dão o fim em  histórias de vida. Ao deixar de existir, uma construção dessas jamais sobreviverá na lembrança daqueles que a habitaram. Como dizia o poeta Toquinho, " uma aquarela que um dia enfim, descolorirá"... 
Por enquanto, ainda não vi esse dissabor acontecer com a casa de minha infância e pré-adolescência, que continua a mesma na minha doce cidade natal, Araçatuba e espero nunca vislumbrar tal fato. Entretanto, esse triste evento ocorreu em um velho sobrado (dizem que tombado...) na região da Avenida Brigadeiro Luís Antônio com a  Paulista. Era alugado, ali passamos pelo menos dois anos, meu filho abrira uma pizzaria ao lado, e , todos convivíamos diariamente sob aquele velho, mas amigo teto... Ainda tenho na memória o desenho de seus cômodos, o velho piano na sala, onde na época aprendia e ensaiava a valsa maravilhosa de Ernesto Nazareth, "Coração que sente". Foi por aquela época, em 2010, que nasceu minha netinha. Logo nos mudamos, porque os negócios não iam bem e vimos com pesar, após algum tempo, a casa ser praticamente derrubada, ficando apenas o seu esqueleto. Foi transformada em uma grande loja comercial. Até hoje quando passo por lá, sinto um aperto no coração por não ver mais aquela imagem que nos abrigou durante algum tempo.
Não deveriam haver demolições, em hipótese alguma, deveriam acontecer...Por que isso ocorre? Venda do imóvel, certamente, falta de conservação e manutenção, vaidade, desejo de modernização... São muitos os motivos, mas para mim, nenhum deles justifica essa violência contra a memória e a vida e meu coração assim como o do magnífico Nazareth é um coração que sente...

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Estive em Ouro Preto e Mariana há dois ou três anos, nas férias de junho. Minas é um lugar apaixonante, diga-se de passagem. As paisagens naturais, o caráter histórico das cidades nos fazem voltar no tempo, numa imersão ao passado, uma coisa impressionante. Com tanta beleza natural, não se pode entender como tragédias que acontecem e ainda acontecerão por lá, podem ser permitidas... O texto de hoje vai relembrar momentos tristes vividos pelo povo mineiro.



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A cidade de Mariana fica próximo a Ouro Preto em Minas Gerais. Em novembro de 2015, uma tragédia inesperada e inaceitável levou 19 vidas. Quase quatro anos depois, em 25 de janeiro de 2019, outro triste evento do mesmo tipo na cidade de Brumadinho, causou a morte de centenas de pessoas.
Tanto a Samarco, responsável pelo primeira ocorrência,  quanto a Vale do Rio Doce são mineradoras poderosas financeira e politicamente, sendo que a última explora 70% dos minérios como ferro, do Brasil. O questionamento que se faz, primeiramente é de ordem existencial e ecológica: por qual razão o homem vem exagerando na extração de recursos da terra; uma loucura e avidez por status e poder dominou o cérebro humano e quanto maior a empresa, mais insaciável é o seu desejo de obter mais e mais lucro. Os próprios políticos não têm mais autonomia e dependentes de outros mercados afirmam diariamente a necessidade de crescimento do país, e nessa roda-viva, nesse afã de correr em busca de poder, não há mais tempo nem vontade de reflexão, de análise de ações, quais as consequências que essas atitudes acarretarão a longo e médio prazo para o planeta e para a natureza. 
A vida humana não é mais cuidada, sua segurança parece ser de pouca importância, uma vez que não houve precaução ou prevenção desses acidentes como forma de evitá-los. Os pobres trabalhadores do entorno que diariamente ofereciam seu trabalho foram simplesmente engolidos por uma cachoeira de lama, suas residências soterradas, a vida dos sobreviventes destruída pela tristeza de perder parentes e amigos que nunca mais voltarão, além de se verem privados de seus recursos hídricos, em sua grande parte poluídos pelos rejeitos de minério... 
Atualmente, todos se esqueceram, pois a dor só não passa para quem sente na pele, e viveu toda aquela catástrofe. As responsáveis tentaram, como sempre, comprar as vítimas sobreviventes, oferecendo dinheiro e benefícios, entretanto, jamais poderão repor as vidas que se foram... A mídia cumpriu seu papel de forma pouco eficiente, pois deteve-se a mostrar sensacionalisticamente, entrevistas antiéticas, com pessoas que perderam familiares, interrogando-as em momentos inoportunos e pouco agradáveis, buscando apenas elevar sua audiência aos níveis mais altos. Em nenhum momento, cobrou das mineradoras, entrevistas que esclarecessem seu descaso em prevenção, ausência que gerou o triste episódio.
A sordidez é tal, que hoje, em muitos canais de televisão há como que um comercial favorável à mineradora Vale, o qual exibe uma lista de benefícios que a empresa vem fazendo para reparar seu dano, que diga-se de passagem, é irreparável. Sabemos que a mídia só se importa com sua posição no ibope e por esse motivo, já nem se lembrará mais de entrevistar qualquer um dos sobreviventes da tragédia para saber como está subvivendo sem seus parentes próximos, sem a pureza de sua água, sem seus bens adquiridos com tanto esforço...
E assim vamos assistindo no Brasil, do palco da destruição, a subida vertiginosa de empoderados, aqueles que vivem da miséria alheia, explorando a natureza sem respeito algum, outros que produzem informação de má qualidade que favorecem e dão voz apenas a quem detém o poder. O estado de Minas e outros tantos que conservam represas, que se cuidem, porque não há garantia alguma de que outras calamidades como essas não voltem a acontecer. 
Se podemos apontar alguma solução é no sentido de cobrar dos nossos candidatos eleitos pelo voto direto, uma atitude mais séria e sensata que valorize a vida humana e a ética no trato do meio ambiente. Quanto à mídia massiva e podre, podemos resolver de forma muito mais simples: privando-lhe a audiência, em sinal de consideração àqueles que foram aviltados e privados do seu bem mais precioso: a convivência diária com seus entes queridos. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Boa-tarde. O assunto hoje é sobre o poder do voto, considerado pela sociedade como a maior arma de transformação. Mas, será ele tão eficiente assim?



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Muito se fala em democracia, direitos adquiridos como o de eleger um candidato através do voto, principalmente para as mulheres que em tempos mais distantes não teriam esta chance como os homens já o faziam. Negros, pobres, ricos, artistas, professores, advogados, enfim hoje, podem dizer em alto e bom tom que vivem uma democracia e exercem este poder de colocar um presidente, um prefeito, um vereador ou um deputado entre outros.
Apesar de toda a modernidade de que dispomos atualmente, urnas eletrônicas, variedade de locais, e proteção das leis, percebe-se que votar não é tudo. Principalmente, em um momento onde grassa a corrupção, a falsidade e falta de caráter. Meios de comunicação de massa induzem a este ou aquele candidato, igrejas tomam posição política a favor deste ou daquele partido, e o que é pior: educadores que se acham donos da verdade manipulam a opinião de seus alunos, convencendo-os a qualquer custo que sua ideologia é correta na questão política.
Como ter prazer em exercer a cidadania num momento como este: o partido dos ricos não presta, o dos pobres se corrompeu, mas não dá o braço a torcer, enquanto outros tentam se eleger criticando e se bandeando para o bojo daqueles que detêm o maior número de eleitores. Honestidade, ética, sinceridade e bom-senso são atitudes que permanecem no passado. A mídia escancara diariamente a vergonhosa escalada do crime, da contravenção, do assalto dos criminosos de colarinho branco. E a ladainha  repete a mesma cantilena, passando de geração a geração as mesmas figurinhas do álbum, que só são trocadas de pai para filho ou neto.
Verbas para eleição então é algo bizarro, que lança na mediocridade milhares de cédulas monetárias que seriam melhor aplicadas em tantos setores carentes da sociedade. Ao lado deste cenário decadente, alguém é capaz de imaginar ainda que a eleição do seu candidato mudará alguma coisa? Tenha certeza absoluta que não, pois a própria população não pratica o civismo, o respeito a direitos e deveres que todo cidadão deve saber e pôr em prática. Sem essa formação de caráter, primeiramente não haverá condição de seleção de um bom candidato, e até mesmo a noção do que seja um bom governo. Obviamente os nossos homens acreditam apenas egoisticamente em satisfação pessoal, nunca no altruísmo e benefício coletivo.Vivemos uma crise existencial, de caráter, de bons costumes, de moralidade... Tudo bem, não há mais certo ou errado, aquilo que dantes era prejudicial ao bem comum hoje é aceito normalmente, porque como todos afirmam o mundo se modernizou e precisamos mudar a nossa postura, a nossa maneira de sentir e agir, mesmo que estejamos reprimindo a nossa vontade...
Deste modo, não chegamos a lugar algum, não sabemos cobrar de nossos governantes, aquilo que já não temos mais: a essência, a sensibilidade, a humanidade. É fundamental que haja uma mudança radical na educação familiar, nas escolas e na formação espiritual das pessoas, principalmente,coisa que nossas instituições não estão capacitadas a fazer agora. Há que se esquecer o dinheiro, status, poder e perceber o óbvio: não há mais seres humanos, eles se materializaram e se concentraram apenas em aquisição de coisas  fúteis, indolência e egocentrismo.
Podemos dizer que a tão sonhada democracia pela qual lutamos tanto para conseguir é deformada, autoritária e inútil, não está preparada para mudar o mundo para melhor, infelizmente.

sábado, 21 de setembro de 2019

Quanto tempo! Retorno a esse espaço que me serve de desabafo, reflexão e emoção voltada para mais uma primavera que se aproxima... Boa-noite e sejam bem-vindos.







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Presente surpresa

Na próxima segunda-feira começa a primavera. Mais um período de beleza no campo e nas cidades, onde a maior representação da perfeição divina aparece estampada na beleza das flores. É algo maravilhoso, a chegada de cores espalhadas  em cada pétala, em cada cálice, em cada pistilo...
Naturalmente, são poucos os que ainda têm tempo e sensibilidade para surpreender-se com sua chegada, com as novas visitantes, filhas dos antigos vegetais, antes, totalmente verdes, uniformemente análogos com os quais a vista já se acostumara.
Pressenti sua presença, há algumas semanas, quando saí à rua no caminho para o trabalho, onde dois ipês fortemente amarelos exibiam cachos de flores, que ao caírem, já formavam um lindo tapete colorido na calçada.
Essa é certamente a mais linda estação do ano. Deveria ser percebida por todos, desde a mais tenra idade ao mais antigo ancião. A reverência à natureza e à sua exuberância deveria constar nas leis que regem o mundo, mas não! Muitos destroem as árvores quando ainda são pequenas e indefesas, não deixando que se desenvolvam e cumpram sua bonita missão.
No meu caso, jamais isso aconteceria, desde criança aprendi a respeitá-las, admirá-las e cultuá-las como um tesouro precioso.
Todavia, a maior alegria dessa primavera chegou dentro do meu próprio apartamento; melhor dizendo, na sacada onde mantenho em prateleiras e na parede, várias tipos de plantas: há mais de dois anos plantara num meio vaso preso à parede um trepadeira da espécie thunbergia grandiflora, mais conhecida por tumbérgia azul, que para mim não é azul, pois mais se aproxima da cor lilás. Havia tirado a muda de um estacionamento próximo a minha casa, onde cachos de flores caíam pelo alambrado de arame num espetáculo visual nunca visto. Esperava que com o passar dos meses, veria aquele festival majestoso a enfeitar com sua formosura a minha parede sem graça...
No entanto, nada. Passou-se o tempo, no estacionamento que me dera origem à planta, nada mais havia, fora cortada à raiz, nada sobrara do que antes era a sua magnífica e perfumada presença. Indignei-me quando um ano se passou e nada de floração. Adubos, terra nova, regação regular, nada me trazia a presença das flores.
Havia já desistido. Suas folhas cor de esperança mostravam-se constantemente atacadas por fungos de cor branca que teimavam em persistir, apesar da lavagem, escovação e borrifação com óleo mineral...
Ouvindo um programa na TV sobre jardinagem, alguém perguntara da ausência de flores em plantas e o especialista respondera que são muitos os motivos, e entre os que eu já conhecia, citou o caso de mudas que quando plantadas só trouxeram o lado masculino. Essas, jamais dariam flores, era necessário que a muda tivesse também o lado feminino. Pus-me a pensar no que ele disse e um belo dia em uma pérgula visualizei a espécie, não hesitei, tirei um pequeno galho florido e trouxe para casa. Mergulhei-o em uma vasilha com água e aguardei alguns dias para plantá-lo no mesmo vaso.
Meses se passaram sem que nada acontecesse, fazendo-me acreditar que a dica fora em vão.
Um lindo dia de manhã, ao dedicar-me à rega costumeira, vislumbrei por entre as folhas um leve tom azul. Meu coração sobressaltou-se como o de uma criança que aguarda ansiosamente um brinquedo e o recebe sem esperar. Afoita, afastei os galhos com cuidado, e, lá estava ela: ostentando seu lindo tom lilás, a primeira flor a olhar-me , e mais dois grandes botões ainda fechados em segredo como que a desafiar-me a conhecê-los.
Indescritível essa emoção,  sorri e quase cheguei as lágrimas com aquela aparição tão desejada.
As três flores já se abriram, murcharam e caíram. Agora as folhas apresentam o seu verde costumeiro... 
A minha inquietação cessou, já não as procuro todos os dias, porque sei que daqui a algum tempo, elas virão me visitar novamente, trazendo o presente colorido mais valioso cuja presença agora é garantida!

sábado, 15 de dezembro de 2018





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Mais um Natal...



Compenetrada no árduo trabalho de ensinar, que nada mais é do que espalhar sementes do bem e preparar pessoas para a vida, surpreendo-me novamente com a chegada desta data festiva, porém apimentada de leve tristeza; a decoração, o motivo do evento, as músicas, a realidade nua e crua transparecendo  por entre as cortinas do sonho são temas que nos trazem  um certo desconforto: condições econômicas desfavoráveis de muitas pessoas, perda de entes queridos, falta de saúde que a muitos aflige são os motivos desse incômodo.
Mais um ano que chega ao seu final, mais um sinal de que o tempo está passando e com ele, como num carrossel que gira rápido e sem parar, lá vamos nós, pendurados, segurando firme para não nos perdermos...
Não nos cansamos de renovar esperanças mesmo que sejam em vão, continuando remando, às vezes contra a maré, num esforço hercúleo para produzir mudanças...
Cada um carrega consigo sua cruz, umas mais leves outras muito pesadas. Podemos e devemos ajudar a conduzir essa carga com mais facilidade e alegria. Há sempre um tempo de olhar a nossa volta e perceber o que devemos fazer para colaborar...
Aproxima-se para as crianças, um período de encantamento e expectativa... Muitas delas não terão esse privilégio, infelizmente.
Comemoremos o Natal em sua forma mais significativa: com amizade e amor. Deixemos de lado as mesquinhezas, pequenices e maldades. Vamos, pelo menos uma vez, nos entregar aos bons sentimentos e fazer deste dia, o melhor do ano.
A vida passa num átimo, num abrir e fechar de olhos, vamos valorizar os momentos de convivência com aqueles que nos são caros, não maculando o momento, com maledicências, observações ou insinuações, deixando a alma limpa como de uma criança.
Não vou aqui deixar frases prontas e rotineiras desta data, entretanto, mentalizo para cada um dos lares um ambiente agradável, onde não falte o que comer e beber e pelo menos uma lembrancinha que faça uma criança, um idoso ou um doente sorrir.
Feliz Natal!

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Respeito é a base da convivência entre os homens

O que me instigou a escrever este texto foi um comentário de meu marido assistindo uma matéria na TV a respeito das condições de um dos maiores cemitérios de São Paulo: o da Vila Formosa...






O Cemitério da Vila Formosa, um dos maiores da América Latina, está literalmente entregue às traças, baratas, ratos e outros animais peçonhentos: os racionais, que violam, dilapidam o direito do descanso eterno daqueles que se foram, mas que quando vivos, deram sua contribuição para a sociedade, trabalhando e construindo o país...
Um canal de TV mostrou imagens de túmulos totalmente encobertos pela vegetação, semidestruídos, ossários em condições horríveis de depredação... 
O comentário feito que gerou este texto foi: "Que ignorância! deviam acabar com todos esses locais e aumentar crematórios, dado ao grande volume de mortos das cidades grandes! Mortos se tornam lixo e lixo, deve desaparecer... Quem acreditaria que nessas tumbas ainda há alguma coisa?
Ante essa reflexão, assaz materialista, começo a divagar e filosofar. Acrescento que adoro fantasia, sonho e não posso concordar com isso, apesar de partir de alguém a quem amo e respeito durante tantos anos...
Como deve ser doloroso, triste e até cruel  pensar assim... Entretanto esse parecer de que tudo se acaba com a morte, vem ganhando lugar de destaque entre os humanos que procuram ser felizes a qualquer preço enquanto vivos.
Acredito que cada ser é formado a partir da construção de sua personalidade e caráter, que se inicia  cuidadosamente na infância, a partir da mais tenra idade. Venho de um lar onde a figura paterna sempre cultuou e valorizou o espiritual em detrimento do material, onde cada finados era venerado como um ritual: a escolha das músicas (no caso apenas eruditas e orquestrais), visita obrigatória ao campo santo, como era conhecido o cemitério em outros tempos ditosos; visita aos túmulos familiares,  reverenciando a memória dos ancestrais, bem como dos amigos já desencarnados e, principalmente, ao cruzeiro: local onde se rezava e relembrava todos os espíritos que ali foram sepultados após a morte.
Esse rito repetido em toda a minha infância e adolescência não conseguiu ser apagado da minha conduta: considero sempre e me entristeço  ante a partida final de quem quer que seja. Aquele local de sepultamento é o capítulo final de um história de vida, contém toda trajetória,  suas lutas, ideais, trabalho realizado, apresenta um nome a ser zelado, um ser que passa para o etéreo desconhecido e misterioso representado pela materialidade de uma foto e a descrição através de um epitáfio ...  
E o crematório, cujo procedimento vem ganhando espaço nos nossos dias, ocasionado pela própria necessidade, escassez financeira e falta de espaço, além da total falta de sentimentos e sensibilidade, me parece algo que apaga qualquer traço espiritual que ainda possa permanecer daquele extinto, levando para longe sua memória, eliminando um lugar particular onde possa ser lembrado ou sequer registrado na história...
É com uma emoção indescritível que digo isso: a memória de meu pai, apesar de quase vinte anos de separação, permanece intacta e minha visita, principalmente no dia de Finados, é obrigatória. Um laço espiritual nos une, o tempo não conseguiu apagar toda aquela preocupação que ele teve em me educar nesse aspecto. Por essa razão, hoje, neste momento, me preparo como sempre nessa época, a uma visita respeitosa pela sua memória; sei que ali no local não há mais nada de material da sua humilde e delicada pessoa, porém ao chegar ali, no pequeno cemitério de Arujá onde seu corpo descansa, e as árvores balançam seus galhos à mercê do vento, é um lugar de reflexão, de respeito ao seu ser. Ali, de joelhos,  faço minha oração pedindo a Deus que o conserve em sua glória perpétua, leio trechos da Bíblia a qual ele tanto lia em seus últimos e sofridos anos... Faço orações pessoais improvisadas e afasto para sempre o materialismo, cujo efeito nos endurece demais e afasta o aspecto de melancolia e emoção  que o sonho e a fantasia  nos levam...São caminhos mais suaves e leves que nos aproximam mais da existência de um Deus, cuja presença está cada vez mais distante das pessoas dos nossos dias...


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Intromissão sem permissão é uma atitude indesejável

Boa-noite, leitores. A indignação tomou conta dos meus ânimos no dia de hoje, ao sair do trabalho...


Resultado de imagem para imagem de pessoas abusivas e intrometidas



Ao cumprimentar colegas e desejar boa eleição, ouço como chicotada em meus ouvidos a frase: "sem Bolsonaro, hein?"Mais adiante, diante da porta de vidro da saída, outra professora que a mim nunca dirigira a palavra, nem mesmo para  um bom-dia, me surpreende quando  diz: "ele não, hein?". 
Minha personalidade, meu jeito de ser, sempre se caracterizou por ser lenta em responder; antes ser ofendida do que ofender é meu lema e, por essa razão, vou engolindo "sapos" ao longo da vida. Dizem que isso não é bom, sei lá, mas nunca consegui mudar, sou mais da reflexão do que da palavra, blá-blá-blá nunca foi o meu forte.
Mas voltando ao que interessa, um pouco tardiamente, passo a responder: se aos 66 anos de idade, ainda não aprendi a votar, não são pessoas com muito menos idade, nível de estudo e vivência do que eu, que saberão. 
Aliás, quem sabe?  Além do mais, em momento algum, desrespeitei a vontade de alguém em suas decisões e desta forma, não admito uma invasão dessa, sem solicitação alguma. Tenho muito medo daqueles que tem plena certeza em suas convicções.
As pessoas que vieram com esse comentário inconveniente, se dizem adeptos da democracia! Apesar disso, não consideram opiniões diversas das suas: seus partidos e candidatos são os melhores, os mais apropriados para consertar o país... 
O leitor pode imaginar de que partido essas pessoas são... Não preciso nem citar. 
É o partido do desrespeito, da intromissão sem solicitação, da inconveniência, da prepotência e da abdução total a um líder, numa atitude  robotizada, sem falta de observação e raciocínio próprio.
Como a ousadia domina esses pobres seres! Ofendem as pessoas que não simpatizam  com suas ideologias, dirigindo-se a elas com palavras grosseiras e intolerantes.
Analisando mais de uma década sob o jugo deste partido "democrata" verifica-se que a única preocupação destes magníficos pensadores foi a ideologia da escravização, da ditadura cultural que nos foram impostas travestidas de falsa  liberdade de pensamento.
Uma delas, é o combate à discriminação de ordem racial: para isto foram criados grupinhos estratégicos antagonizantes que alimentaram sentimentos de revolta entre brancos e negros e o resultado (na análise daqueles de mente trabalhadora, que  já viveram e conviveram bastante) foi um racismo acirrado, o desenvolvimento de um ódio crescente entre a população branca e negra de uma forma que nunca existira antes em nosso país. O que as pessoas não entendem,é que isso sustenta um mercado de lucro, de marketing pessoal do partido, além de provocar instabilidade e insegurança para que os "pais"(líderes de araque) se mostrem como única ponte de salvação para o caso, criando projetos sociais, responsáveis por grande parte de desvio do dinheiro público, além de legislações ditas justas, oferecendo um sistema de cotas na educação que na verdade, sugere a incapacidade, a falta de inteligência e competência  dos próprios contemplados, retirando destes o estímulo do esforço para se conseguir o prêmio. 
O que muitos não enxergam, pois trazem uma trava no cérebro, é o fato de que com essas ações são  gerados milhares de votos.
E não para por aí; nessa ânsia de poder e mobilizar pessoas em benefício próprio foram disseminando o ódio entre heterossexuais x homossexuais (coisa impressionante deste período maléfico de gestão), homens x mulheres (o sexo frágil é mostrado como explorado e maltratado de forma absurda pelo sexo oposto) mostrando como solução o homossexualismo onde o sexo feminino é mais compreendido. 
O gigantesco movimento de pobres x ricos apresenta a classe de maior poder aquisitivo como infalivelmente injusta, desrespeitosa ao direito das pessoas mais pobres numa incitação à invasão de propriedade, desrespeito  aos que se esforçaram por objetivos incansavelmente perseguidos, pois em todas as classes sociais existem corruptos e transgressores, não apenas naquela dos mais privilegiados monetariamente, porém não é isso que nos levam a crer.
O pior aconteceu na Educação, o que revolta sobremaneira àqueles que a ela se dedicam realmente: pregando uma filosofia barata, a pedagorreia do amor, foram sendo criados verdadeiros monstrinhos que se formam homens sem fibra, sem obediência a regulamento algum, inaptos, onde o civismo e amor à pátria é proibido e sugerido como sinônimo de adesão à ditadura militar. Assim, vemos futuros cidadãos que sem culpa alguma, são inadequadamente moldados na falta de respeito ao ser humano, transgressores de leis, e contraventores, porque tudo pode e nada acontece no sentido de educar realmente.
Na segurança, nem se fala: vemos agentes da lei, que sem poder agir para garantir o direito legal de ir e vir dos cidadãos de bem, são obrigados mediocremente a resolver casos grotescos de brigas de vizinhos, de bebedeiras, rusgas entre casais de comunidades, trabalhando apenas neste tipo de atividade, enquanto que nos grandes centros, prosperam o crime, o roubo e a iniquidade.
A arte foi relegada ao popular, toda erudição é elitismo e proibida, portanto, vários artistas oferecem um tipo de arte medíocre num verdadeiro escambo imoral com partido político, enchendo os bolsos com a tal lei Rouanet. 
Diversos políticos e artistas  que aderiram a partidos políticos foram exilados durante o período ditatorial militar. O mínimo esperado é que em sua volta com a anistia fornecessem ao país uma bela administração na lisura e competência, no entanto, nada disso aconteceu e a dilapidação de todos os valores dignos foi atirada na lama em conjunto com a nossa economia.
Poderia escrever uma tese sobre toda essa bandalheira que se espalhou como peste sobre o Brasil, tão imensa é a matéria sobre isto.
Chega-se à conclusão de que atualmente, o país ficou centrado em moleques que são respeitados como verdadeiros reis e tudo gira em torno deles: as leis em tudo favorecem o mau comportamento e induzem à contravenção sem punição alguma: o próprio pai não pode mais repreender e educar seu filho, não se pode mais revistar menor infrator, enquanto que os educadores, as pessoas mais experientes tornam-se motivo de chacota para adolescentes e até para crianças cuja voz é o centro da atenção...
Um país que leva sua educação a este ponto, a este nível de desrespeito não tem seriedade alguma e não chegará a lugar algum... Ou melhor, chegará, se é que já não chegou ao caos incontrolável, problema insolúvel, onde a violência é a personagem principal.
Com referência a "sem Bolsonaro" e "ele não" gostaria de saber por que essa alegação se, em momento algum discuto minha posição política no ambiente de trabalho. Será que chegaram a essa conclusão porque verificaram que coloco o meu trabalho de educadora acima de tudo?