sábado, 27 de novembro de 2010

Neste Natal...

Amigos, mais um ano que agoniza. Já estamos vislumbrando as cortinas de dezembro, o último mês do ano e só agora é que me dei conta de que o Natal se aproxima. Em meio a esta loucura em que vivemos, nunca me sobra tempo para com calma fazer os preparativos para data tão significativa. Antes, trabalhava e lecionava até as vésperas da última  comemoração do ano, décimo-terceiro quase que no dia natalino, sem deixar chance para nada, pois sem dinheiro nada se faz. Além do mais, notas para fechar, diários de classe por encerrar, conselho de classe e tantas coisas que a árvore de Natal era sempre feita às pressas da mesma forma que toda a preparação para a festa.
Mas hoje... Aposentada, continua tudo como dantes, a correria, afazeres domésticos, ajuda aos filhos e neta substituíram as aulas e ocupam quase que todo o meu tempo de modo que "hoje" é que armei a minha árvore de Natal. Fi-lo com calma, com gosto, abandonando para isto vários afazeres.
Não sei se esta falta de tempo que temos hoje é o mal do século, ou se acontece apenas comigo, acredito sinceramente na primeira opção. Escravos do relógio é o que somos e seremos sempre. Pelo menos aqueles que têm a responsabilidade de administrar um lar e que não contam com ajudantes como  no meu caso.
A princípio, comecei a montar a árvore sem nada pensar, separei o cachepô, o pinheiro artificial, os ornamentos, as luzes e iniciei minha tarefa...





Quando fixei a árvore natalina no cachepô e amparei-a com pedras, pelúcias e pinhões já estava muito distante. Atravessei o momento presente como se tivesse entrado em uma máquina do tempo e me encontrei na velocidade da luz em outros natais.
Naqueles dias de festas para mim grandiosas, iluminadas, que cheiravam novidades e surpresas inesquecíveis: a espera do Papai-Noel, sempre tão querido e aguardado, os sapatos próximos à janela à espera do bom velhinho que nunca faltava. 
As crianças alvoroçadas em gritaria pela sala, as mães e avós nervosos com toda aquela excitação infantil. A grande árvore armada no centro da sala simples era o motivo de atração para todos. O cheiro dos quitutes invadindo o ar, as músicas tocadas na rádio-vitrola, personagem insubstituível da época, ao som da harpa de Luís Bordon,tudo contribuía para a magia da noite de Natal.
Que festas maravilhosas eram aquelas! Construídas com o entusiasmo e alegria da infância eram mágicas e inigualáveis!
Naqueles tempos, meu querido Papai- Noel, na minha pureza de criança, não conseguia avaliar o sacrifício que fazias para me dar um presente...Também não sabia quem eras na realidade!Desconhecia que para me dar felicidade muitas horas extras se fizeram necessárias e muitas horas de sono e descanso foram ali empenhadas.
Hoje, sei que meu Papai-Noel sonhou muito com um Natal melhor sem muitas vezes conseguir, sonhou com um presente muito mais caro que nunca conseguiu comprar, desejou-me muita saúde que durante longo tempo não chegou para deixá-lo feliz...
Sei das renúncias que fez a sua própria felicidade e bem-estar para poder me agradar. Sei também dos fracassos profissionais que tanto pesaram em sua personalidade delicada e humilde, como me lembro também da sua torcida por dias melhores, por sucesso em seu trabalho,que da mesma forma não aconteceram.
 Lembro-me,Papai-Noel, dos seus cálculos intermináveis para administrar seu parco salário para que pudesse nos dar um Natal feliz! Ah, se eu tivesse esta consciência naqueles dias de festa! Se soubesse do seu sacrifício,renunciaria a todos os presentes que te pedi para poupar o teu esforço. E no entanto,tudo o que precisava para ser feliz era a tua meiga presença que me dava tanto amor!
Neste Natal, como sinto a sua falta meu querido Papai-Noel! Não para te pedir um presente, mas apenas para sentir tua presença, conversar um pouco contigo, para que afagasse meus cabelos e te sentasses um pouco a meu lado como sempre costumavas fazer...
Neste Natal, sei que um pedido simples como este não pode ser satisfeito,ouvir tua voz é um sonho impossível , até mesmo lembrar do teu rosto torna-se difícil, ele se dissipou no tempo...Para toda a minha tristeza mal consigo me lembrar com precisão do seu sorriso sincero...
Enquanto colocava os ornamentos na árvore de Natal, sua presença se tornou tão forte... Aquelas bolas artesanais que vendias ainda remanescem comigo e estão a enfeitar a minha árvore hoje! Lembrei-me de que elas ficaram como forma de pagamento pelas comissões das vendas que não recebestes...
Cada ornamento natalino compunha em minha cabeça uma história da nossa vida.
Quantos sonhos sonhamos no decorrer de uma existência, sonhos bem sonhados e quase nunca realizados, desejos desejados e não conseguidos, vontades pretendidas e não alcançadas...
E apesar de todas as contradições continuamos a sonhar, com melhores Natais para nossos filhos, parentes e amigos. Ainda bem que ainda conseguimos sonhar! Felizes aqueles que sonham e idealizam um futuro melhor.
Neste Natal,vou continuar a desejar a todos um milhão de felicidades como sempre fez o meu querido Papai-Noel!




sábado, 20 de novembro de 2010

O lento perigo invisível

Amigos, as transformações desencadeadas  pela tecnologia  ocorreram paulatina, mas ininterruptamente. Dizem que o inimigo ataca quando o oponente dorme. E nas rodas do mundo, enquanto a maioria da humanidade fecha os seus olhos, as engrenagens das mudanças  se movem com uma velocidade incrível. O que assusta nas transformações que o homem pouco a pouco vem efetuando na natureza, é a sua capacidade de destruir o que é original e puro. Raciocinem um pouco comigo:





Fomos criados como simples animais privilegiados com uma inteligência ímpar que nos diferencia dos irracionais,o que dá o direito ao homem de criar, inventar, mudar o que já está pronto no universo que nos rodeia.
A princípio, mal nos sustentávamos como bípedes e corríamos como loucos em busca de alimentos, água e calor para nossa sobrevivência ensaiando algumas formas de enfrentar o inimigo como maneira de perpetuar a espécie e éramos felizes, porque tudo o que precisávamos para viver nos era outorgado pela mãe natureza: frutos, água pura, fogo, de forma que nada mais precisaríamos para continuar vivendo.
Mas, o ser, dizem racional, intelectualmente superior foi evoluindo. Evoluindo ou regredindo, isto é questão de opinião e ponto de vista. À medida que a  raça humana proliferava e aumentava a olhos vistos, já conseguia sobrepujar sobre os outros animais e exercer perfeito domínio sobre eles. Não contentes com esta supremacia humana que garantia e garante o direito de alimento de qualquer tipo de carne através do covarde abate, o ser  hoje manipula, humilha e tortura o bem-estar da raça animal seja peixe, ave ou qualquer outro.
E com a descoberta do malfadado código genético que poderia ser a salvação de todas as espécies no que diz respeito a doenças e afecções que atingem os organismos, vemos novamente a falta de ética e de humanidade invadirem os cérebros privilegiados modificando geneticamente todos os que foram feitos com perfeição para servi-lo levando à perversidade de criarem e modificarem animais, tripudiando sobre eles, criando aberrações que mal conseguem se suster de pé e o que é pior, tudo isto motivado pela ambição e poder. Por estas grandes descobertas que a muitos enriquecem, vemos aves maltratadas, criadas à base de hormônios para que produzam aceleradamente; animais que são obrigados a engordar antes do tempo para que sejam vendidos mais rapidamente e em consequência fortaleçam os bolsos de seus criadores e coisas de arrepiar os cabelos de uma bioética que também nada de concreto faz para acabar de vez com este abuso e garantir o bem-estar animal. Se todos procurassem ler a respeito deste modismo que é a transformação genética, veriam que a clonagem da ovelha Dolly foi apenas um refresco perto do que está ocorrendo nestes laboratórios espalhados pelo mundo todo. E não para por aí: o mesmo acontece no reino dos vegetais; há quanto tempo não vemos uma fruta saborosa, como deveria ser? Produzidas aos milhares e amadurecidas à força não têm gosto de nada, sem contar que as mais vistosas são para exportação, é claro!
Verduras e legumes também não fogem à regra, plantadas e multiplicadas à base de adubos, fungicidas e outros tantos cidas, os chamados agrotóxicos, acabam aos poucos com o resto de saúde de quem deles se alimentam, acarretando doenças que a longo ou a curto prazo dilapidam a espécie humana. Sem contar com a famigerada mutação genética que esses alimentos sofrem em suas células.
Este é o ser inteligente que está dominando o planeta? Este é antes de mais nada o anticristo, a apocalipse galopante que assola e destrói  a Terra a cada dia, a cada minuto, a cada segundo. O magnífico planeta azul está prestes a se tornar cinzento ou por que não dizer marrom? Usado para extrativismo tudo dele é retirado para obter-se  lucro e dinheiro: petróleo, o sangue quente da terra, é retirado incansavelmente dia e noite, poluindo as águas com os  constantes desastres ecológicos que sua exploração ocasiona. Minerais são extraídos sem dó nem piedade, para enriquecerem grandes grupos e para favorecer alguns com sua preciosidade.A água tratada como a pior das substâncias, servindo para escoamento de lixo e detritos e sendo vendida e comerciada para os países mais ricos. As árvores que controlam e equilibram o sistema climático, derrubadas indiscriminadamente adornando com sua qualidade  os lares de milionários e países de primeiro mundo enquanto que  as nações de onde são nativas nem sabem mais o que é madeira. O ar sendo poluído e degradado pelo avanço tecnológico e pelo poder da industrialização que incentiva a venda de automóveis mais do que a plantação saudável de alimentos.
Como se tudo isso não bastasse, vemo-nos agora sem saber o quê adquirir  de qualidade quando vamos às compras. Que óleo comestível trazer para casa? A moda dos transgênicos, a praga do futuro, invadiu todas as prateleiras, nos deixando raríssimas ou nenhuma exceção. Sabemos, ou pelo menos deveríamos saber, que o alimento transgênico que muitos consomem porque acham ser moderno e cômodo como comer uma fruta sem semente, de diferente formato, é algo de que ainda desconhecemos o resultado a longo prazo. Que mutações esta aberração poderá trazer ao longo do tempo para um organismo? Gestantes que preparam um outro ser dentro de si, lactantes que amamentam, crianças em formação; todos consumindo, como poderia dizer, uma bomba-relógio programada para explodir no futuro?
Isso também não importa, pois andamos às voltas com governantes que apenas dão valor a encherem seus bolsos e os de sua família pouco se importando com estas questõezinhas banais...
Entretanto, o óleo geneticamente modificado ali permanece soberano, reinando nas prateleiras como um vilão do velho oeste, servindo de base para um banquete que pode ser futuramente o da morte, sem ninguém sequer questionar, ou ler a legenda "geneticamente modificado", com preocupações mais importantes como consumismo e criação de novos feriados inconsistentes.
Experimente criar artesanalmente um tipo de azeite caseiro saudável  para ver o que acontece: Vigilância Sanitária na cabeça! Alimento clandestino e venenoso não pode ser consumido pelo cidadão!
O que nos resta fazer? Cruzarmos os braços e esperar que a ficção tão insistente com os mutantes contida nos filmes de má qualidade se tornem realidade?
Precisamos ter em mente que Apocalipse now, 2012, The day after tomorrow serão brinquedo perto do que possa acontecer com  a raça humana durante este ciclo sinistro que nos rodeia.
Ou temos como alternativa apenas escrever um texto como este num blog solitário, que  é como se encontrar em uma ilha no mais distante ponto do planeta servindo de mero desabafo para uma questão tão vital que é a integridade humana?
  




domingo, 14 de novembro de 2010

As mudanças valeram a pena?

Amigos, o quadro que  nos remete ao dia da Proclamação da República pintado por Benedito Calixto da qual comemoramos 121 anos nesta segunda-feira não me foi possível publicar nesse artigo. É uma pena, pois transmitiria ao texto maior motivação. Assim resolvi adicionar uma outra gravura que relacionada ao tema. Mas eu garanto que uma grande parte de cidadãos deste país mal sabe o que representou esta mudança em nossa nação. Muitos homens públicos também não o sabem, dada a ignorância e falta de cultura que grassa entre os parlamentares.Assim, decidi em meio a total descrença publicar esta postagem que se segue. Espero que gostem.







A HISTÓRIA SE REPETE



Alguém já prometeu uma vez... Por muito tempo, a certeza de dias melhores e mudanças políticas desejáveis foram até vislumbradas. Mas tudo passou, como sempre nada mudou, nada aconteceu. As promessas não se cumpriram, as novas verdades foram distorcidas e acabaram como dantes...
Feudalismo, Monarquia, República, Comunismo, Socialismo e tantos outros “ismos” e a verdade continua a mesma: não há solução para os problemas que afligem o povo de qualquer lugar do planeta. A elite privilegiada sempre existirá e prevalecerá desde que foi criada. E para que ela se mantenha no poder deverá ficar no alto da pirâmide hierárquica, seguida de perto por outras elites como a religiosa, militar, industrial e outras, enquanto o povo ocupará como sempre a base da pirâmide tal qual era no passado.
De todas as correntes políticas que passaram pelo país, nenhuma delas privilegiou a classe economicamente menos favorecida: do feudalismo à monarquia quase nada mudou, da mesma forma que a República não solucionou questões que ao povo dissesse respeito, e a despeito de novas promessas de que dias melhores virão com esse ou aquele regime político, resta-nos o ceticismo total ou a esperança de que um dia seja possível visualizar épocas mais felizes.
Quando analisamos os fatos à luz da história, iremos perceber que as palavras que foram o lema da Revolução Francesa no século XVIII: Liberdade,Igualdade e Fraternidade jamais serão consideradas, principalmente na sociedade atual, privada de cultura e conhecimento talvez nem saiba qual o real significado destes vocábulos e o que eles valem.
Basta voltarmos ao século XIX após a Proclamação da Independência onde José Bonifácio era o responsável por grande parte dos atos políticos do príncipe. O patriarca da Independência era um homem de inteligência ímpar, estudioso e de uma cultura sem igual, no entanto, qual o final de vida que lhe restou? Morreu na mais absoluta miséria, em sua casa, envergonhado ao receber visitas famosas a observarem os lençóis remendados que lhe cobriam o leito.
Quando houve a abdicação de D. Pedro I a seu filho, veremos que na impossibilidade do mesmo governar como rei, esse encargo foi designado a outras regências enquanto o então Príncipe Pedro II se esmerava nos estudos para obter a mais lapidada formação e ocorreu o mesmo que já havia ocorrido com José Bonifácio, o então regente que tanto bem fazia, revelando-se um mecenas generoso que custeou a carreira de muitos artistas, entre eles Carlos Gomes, passou a viver em dificuldades financeiras, e sem luxo na aparência  foi perdendo a sua popularidade de príncipe, pois se apresentava publicamente com roupas rotas e carruagens velhas e decadentes que diminuíram a imagem do império perante os brasileiros.
Com todos os acontecimentos como as posições políticas que D Pedro tomava contra os poderosos militares e igreja, acabou sendo exilado morrendo distante e sempre a sonhar com a tão amada terra, o Brasil.
E quantas traições aconteceram dentro desses regimes políticos, todas elas desencadeadas pela ambição pelo poder em primeiro lugar.
Hoje, nos deparamos com um cenário de miséria na política internacional e nacional. Uma miséria cultural onde a ética, os valores dignos como a honestidade não têm mais lugar. Temos uma República fraca, escrava de economias ambiciosas e ávidas pelo poder, contamos com políticos mal preparados, sem cultura e sem valor moral.
Quando nos encontramos às voltas com parlamentares que mal conseguem assinar o nome, e que  são submetidos ou condicionados a ocuparem um cargo importante para o país através de um ridículo ditado de palavras, é que nos perguntamos de que vale tantas revoluções e tantas vidas que se perdem e se perderam para efetuar mudanças.
Quando começamos a perceber, que no ambiente político que nos rodeia só existem sujeira, corrupção e interesses pessoais é que nos perguntamos: temos o quê comemorar nestes 121 anos de República?
Infelizmente, só podemos parabenizar aqueles que realmente se empenharam no passado e dar os pêsames aos homens públicos do presente que não sabem e nem querem saber como a política deve realmente ser...









sábado, 6 de novembro de 2010

É impossível deixar de lembrar...

Amigos, mais uma semana que passa voando, fugindo do mês de novembro, nos aproximando de mais um Natal e do término do ano que evaporou tão rápido como fumaça levada pelo vento. As tristezas de um finados mesmo com todo o vigor do dia ensolarado se foram agora ,e novas preocupações nos trazem de volta ao mundo dos vivos onde a agitação, contradições, contratempos, encontros e desencontros nos preenchem  a vida. Sabemos que o presente agora é o que mais importa, o futuro é incerto e o passado...bem, já se foi, mas como esquecê-lo?
Ao lembrar a imagem de uma melodia escrita em um pentagrama...São cinco linhas...E a clave? Se for de sol, temos as notas sol,sol, mi, sol, ré em sons médios...Se for clave de fá, teremos sons mais graves de si,si, sol,si, fá....
Tudo isto para dizer que...
Quando ouvimos aquela música de um passado não tão distante, para dizer a verdade muito próximo, tão próximo que podemos quase tocá-lo, sentir seu cheiro de perfume, sua cor rosa a enfeitar nossas tardes, podemos passar horas a ouvi-la martelando em nossa cabeça, nos transportando para a época mais feliz de nossa existência.
Aqueles dias e noites magníficas, bem vividas, cheias de emoções e tão cheias de vida!
Tardes ao sabor do vento, o jogo de bola com os amigos, o domingo na piscina, a noite diante da tela de um cinema acompanhada da mais doce companhia.
Quantos sonhos, quantos planos! Se foram realizados ou não, pouco importa, o que conta é que fizeram parte de vidas levadas sem planejamento, sem premeditações, embaladas por batidas fortes do relógio do coração.
E quer coisa mais natural e sadia do que viver por conta do destino, com os encantos da juventude e as loucuras da adolescência?
Por vezes, a alma invadida por uma euforia incontrolável levando a acreditar em tudo e em todos,achando o mundo maravilhoso, sentindo o amor vibrando forte como as ondas do mar a arrebentarem no rochedo...
Outras vezes com o rosto molhado por lágrimas de incerteza, de desespero, sentindo a dor rasgando o peito invadido pelo ciúme e pelo desamor.
Quantas  vezes estremecendo por um toque apenas; momentos mágicos, inexplicáveis de amores ingênuos, platônicos e eternos! Amores apenas sentidos, às vezes à distância e que, no entanto, marcaram para sempre...
Tempos inesquecíveis, onde as  proibições eram  responsáveis por tanta magia e desejo de desobedecer! As mentiras inventadas para conseguir escapar, os encontros furtivos cheios de aventura e emoção...
O céu era mais belo, as noites mais estreladas  convidavam a amar e a sonhar! A vida se apresentando como um romance bonito onde éramos os personagens principais...
A vontade de viver no vigor da juventude, ao ritmo da música mais alegre e contagiante, muitas vezes de um romantismo sem par, ouvidas na solidão de um quarto, nos transformando em príncipes e princesas através imaginação que nos arrastava a lugares dantes nunca visitados, sempre acompanhados pela presença de um grande amor.
Quem vive do passado é um ultrapassado, muitos dizem, viva o presente! Mas somos o que somos pelo que fomos, se felizes porque lá nos realizamos, se infelizes porque lá não conseguimos obter a tão sonhada realização, mas mesmo assim, sabemos que a felicidade plena jamais existirá, alguém já disse uma vez: "o que existe na vida são momentos felizes".
Guardemos, portanto, os nossos momentos de felicidade no fundo de nosso coração e nos lembremos deles com carinho e estaremos realizados.
O tempo na realidade não existe, o que existe é aquilo que vivemos que nos faz sentir emoções, que nos faz vibrar, que faz com que o nosso coração bata mais forte...
Ah! do que uma música é capaz!


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Homenagem póstuma

Amanhã é o seu dia, meu querido pai...É uma pena que seja um dia tão triste para que eu me lembre de alguém tão alegre como você foi. E  mais triste se torna quando há onze anos não conto mais com sua amável presença.
Exemplo de dignidade e humildade acima de tudo, você foi tudo de bom que pôde acontecer em minha vida.
Tenha a certeza, esteja onde estiveres, que você será sempre o meu paizinho querido, aquele  cuja lembrança nem o tempo vai apagar.








"LEMBRANÇA"



Tudo aqui nesta casa me lembra a tua presença: seja o solitário porta-retrato sobre a estante que exibe inocente o teu rosto simpático, ou até mesmo o relógio silencioso de parede com que me presenteaste e que continua trabalhando indiferente.
Aquela tua florzinha preferida no jardim...
O frasco do perfume, intacto no armário do banheiro, ou as roupas imóveis no guarda-roupa das quais não tive coragem de desfazer; os chinelos, o doce preferido, os discos... A Bíblia Sagrada esquecida sobre o criado-mudo...
As suas palavras carinhosas, o sorriso amável, a compreensão, o exemplo e a dignidade acima de tudo.
Você, agora, a sua imagem se esvaem no tempo qual fumaça que se dissipa rapidamente ao sabor do vento.
Sua morada já não é esta.
Engraçado como a fragilidade humana é imensa! Os objetos materiais permanecerão por muitos e muitos anos: uma simples folha de papel com anotações tuas ainda remanesce e remanescerá, não sei até quando, enquanto que de você nada mais restará.
Caminhando pelo cemitério silencioso, carregando o ramalhete que eu mesmo compus com suas flores prediletas do jardim, vou remoendo estas palavras, quase uma oração pessoal.
Revejo a lápide fria de onde o nada é a certeza mais dura que me invade o ser.
“Quando poderemos nos ver novamente, trocar confidências?”
De ti, ficaram-me as mais doces lembranças que um ser humano pode ter.
A vida deve continuar... A guerra não acabou, ainda mesmo que um combatente de ouro tenha tombado.
Nada espero... Nada cobro... Nada exijo... Vou vivendo à mercê da sorte...
A mim, resta-me a capacidade de poder fechar os olhos e recompor já com dificuldade o seu rosto sereno. O sentimento que nos uniu é o mesmo e será eterno, imortal, indiferente à fugacidade do tempo...

Imagem acima retirada do Google Image. Site: cienciatic.blogspot.com.

sábado, 30 de outubro de 2010

Você é um dos meus grandes tesouros...

Essa vida tão atribulada não nos deixa tempo para quase nada... As 24 horas de um dia voam e se esvaem como fumaça pelos ares e é preciso muita luta para que possamos aproveitá-las integralmente. Ontem, dia 29 de outubro era o dia em que deveria ter feito esta postagem, pelo 27º aniversário de minha querida filha, mas na impossibilidade de escrever dado a inúmeros acontecimentos como aqueles que antecedem a chegada de visitas entre tantos outros, deixei de fazê-lo. E é com uma ponta de remorso que passo a escrever estas palavras que a ela dedico totalmente...


ARTEMIS

Minha querida bailarina, lembro-me bem do seu nascimento que encheu a minha vida de alegria e renovação, assim como da tua infância e dos cuidados que a ti dispensei rodeados de carinho e amor.
Lembro-me da tua personalidade infantil tão meiga e quieta sem nunca quase me causar transtornos ou tristezas. Da tua vida escolar, da tua paixão precoce revelada pela dança clássica que nunca abandonaste desde os seis anos de vida.
Sempre agradeci a Deus pela tua saúde, desenvolvimento normal  e sobretudo pela tua presença que encheu minha casa de alegria e paz.
Quero dizer na data do teu aniversário que sempre foste a luz da nossa morada simples valorizando-a  com tua humildade, bondade e valor.
Quero aproveitar também para te dizer que não sei em que momento senti que estavas crescida, realmente mulher. Hoje sinto que estás independente, já desamarrando os laços que nos mantinha ali, unidas, presas uma a outra como que ligadas pelos elos de uma corrente, mas não por grilhões de ferro ou outro material, mas sim, os do amor e da amizade. E eu te pergunto: pode existir uma amizade entre mãe e filha? Te respondo que sim, uma amizade sincera que respeita os direitos, que ajuda, que objetiva a felicidade mútua.
Foram inúmeras as suas apresentações de balé, sei que não compareci a todas elas, e te peço perdão, porque você tão bem sabe que houve motivos verdadeiros para que me ausentasse delas. Entretanto nesses recitais sempre estive presente espiritualmente desejando a maior sorte para a bailarina mais linda e perfeita do mundo! Reconheço todo o seu trabalho na luta para conseguir equilíbrio entre os movimentos do  corpo e  da alma e de todo o esforço que empenhas a esta tua jornada musical.
O amor de mãe é  sublime e único e isto saberás quando tiveres seus próprios filhos, é amor que sofre à distância, que faz perder o sono, que leva a mil preocupações mesmo infundadas, mas que são inevitáveis, apenas amenizadas com a a presença dos filhos.
Hoje, estamos trilhando os mesmos caminhos, que eles sejam cobertos de flores sem espinhos e que o perfume delas nos faça feliz e nos dê conforto espiritual.
Desejo a ti neste dia de aniversário toda a felicidade que o mundo pode reservar: que sejas bem sucedida em tudo o que empreenderes, que ames muito e que sejas muito amada com toda a meiguice que você merece e que sobretudo tenha muita saúde e paz a te encher a existência.
E que o nosso amor nunca se arrefeça a despeito da distância e  das dificuldades da vida, que ele permaneça aceso como uma chama eterna, além das barreiras do tempo...
Te amo muito, parabéns!


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Recordar é viver...

Amigos, é sempre bom escrever neste livro virtual que é o blog. Nele podemos  publicar o que quisermos sem censura (por enquanto), não dependemos de editoras para selecionar nossos textos. A literatura   é a minha paixão junto da música erudita, porque amo o piano e acho que desde que nasci. A primeira vez que ouvi uma prima  tocando, por ele me apaixonei e sempre fez parte da minha vida, seja nos momentos de alegria ou de tristeza, os sons que dele saem  me alimentam a alma.
Porém, não é sobre isso que vou escrever hoje. Quero deixar registrados nestas páginas que virão, a importância, o valor que a nossa vida tem, desde seu início até o nosso desenvolvimento completo como pessoa, como ser humano que vem para este planeta com a finalidade de  aprender nessa grande escola que é o mundo onde vivemos. Nele, temos que valorizar todos os detalhes e pormenores que nos rodeiam, porque têm uma grande importância na nossa vivência aqui passageira, nada pode passar despercebido aos nossos olhos, e esse olhar não deve ser apenas fotográfico, mas tem que ser o olhar da alma, que além de registrar, possui a capacidade de amar tudo aquilo que vê, e é por esse motivo que ela não pode ser pequena como dizia o grande poeta português Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena". Pois bem, sou uma pessoa um tanto diferente, acho que muito poucas tiveram a capacidade de como eu fazer um diário de vida às avessas. Bem, vocês perguntarão: mas como assim?
Durante toda a minha existência, manifestei amor pelas coisas mais ínfimas que vocês podem imaginar. Na infância, ainda muito pequena de que não tenho lembrança, conta minha mãe que me punha a afastar os matinhos por onde caminhava e lhes acariciava e pedia licença para passar. Essa meiguice de infância guardo até hoje dentro do meu ser. Se me sento a uma mesa para fazer a refeição, a primeira coisa que me vem à cabeça é o sacrifício daquele animal que nos está fortalecendo com a sua carne, com a sua alma e me compadeço dele enquanto agradeço mentalmente.
 Há pessoas que valorizam seus presentes pela etiqueta e preço que eles trazem. Sempre procurei dar valor às pequenas coisas, aos pequenos gestos. Quanto maior o sacrifício envolvido para comprar um presente a alguém, maior o seu valor para mim.
Fui guardando durante a vida estas lembrancinhas todas: cartões de Natal, de casamentos, de aniversários, pequenos mimos como uma caixinha de fósforos (amorfos) vazia vinda de Portugal  enviada por um cunhado, cartas (todas elas) folhetos importantes sobre trabalho que me passavam, tudo isso ante o olhar apreensivo de minha mãe que sempre me alertava e aconselhava para que jogasse estas coisas, não há lugar para tudo isso numa vida.
Mas teve sim. Comecei a fazer um diário de vida aos 56 anos. Só que é um contar regressivo e me surpreendi com a sequência lógica que consegui fazer. É uma pena que não seja virtual, porque se assim fosse poderia mostrar algumas partes de uma vida comum, mas não desinteressante. Através deste diário, compus minha vida amorosa: cada carta ou cartão é precedido de explicações românticas, engraçadas, tristes...enfim! Estou agora terminando o segundo volume, o  dos amigos, alunos, professores, familiares. Tenho medo por estes álbuns...Sabemos que os papéis apesar de frágeis, sobrevivem além da nossa materialidade...Eles podem passar de geração em geração se for do seu interesse. Mas, podem também ser jogados e esquecidos em um canto qualquer até que alguém  os encontrem e por eles se interessem, ou jogue-os ao sabor do vento...



Olha para este mundo em que vives... Dá importância a cada detalhe, a cada gesto, a cada sacrifício.
Acostume-se a agradecer mais do que maldizer. Agradece a vida que tens quando muitos já se foram. Bendiz a casa que te abrigas, quando muitos não têm onde morar...
Ama aquele que te dá amizade e amor quando tantos já não têm ninguém para amar ou de quem receber amor....Reconhece o gesto do presentear sem avaliar o valor monetário do mimo, lembre-se antes de que foi lembrado, e isto é o que mais importa.
Ama a natureza a seu redor: as árvores que te dão sombra e conforto, os céus que te cobrem com a beleza das nuvens a adorná-lo. Ama a fúria do mar quebrando-se num fortíssimo contra os rochedos, ou a suavidade do regato a murmurar entre as pedras, ama as conchinhas da praia, os peixes e todos os animais deste planeta.
Dá importância a cada acontecimento de sua vida. Mesmo que pequenos eles sejam , como peças de um quebra-cabeça, vão compondo a sua história na passagem por este planeta.
Valorize o alimento que tens sobre a mesa quando tantos não possuem o que comer.
Não reclames, não digas eu não gosto do que sou, poderia ser assim... Antes dá o devido valor ao corpo perfeito quando outros são tão deficientes desta perfeição...
Ame, ame profundamente, não tenha medo de amar ou demonstrar amor. Não observe os defeitos, presta mais atenção às qualidades...
Releve as falhas, principalmente naqueles que te amam e que amas, nada é perfeito, aliás conscientiza-te de que  podem  não existir imperfeições, mas diferenças de pensamentos.
Conta até dez antes de ofender ou atirar pedras, respire fundo antes da cólera e ela passará.
Sobretudo guarde na memória as  lembranças boas, engraçadas, ou más, afinal de contas... Recordar é viver!


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mestre...

Ainda não é dia de escrever, mas quem foi que disse que há um dia específico para este fim? Além  do mais visitando um blog de um amigo vi que o dia de hoje é especial, dia do professor. O meu dia! Havia até me esquecido ocupada com os afazeres diários, porém o dia 15 de outubro sempre esteve tão presente na maior parte da minha vida que agora aposentada, nada melhor do que refletir e escrever sobre ele. Desculpe a cópia, querido amigo, mas não consigo resistir ao tema. Sempre a figura de professor é vista como a de um semeador, mas não de flores, é  a semente do exemplo, do ensinamento, do esclarecimento, da luz que acaba com as trevas da ignorância e do mal. Parabéns a todos os professores, mas somente àqueles que procuram ser mestres de verdade, sem egoísmos, sem vaidade, sem reclamações. A despeito da sua condição pouco favorável e quase sempre irreconhecida do seu mérito, que o prazer de semear invada a sua vida, e lhes encha a alma de felicidade e satisfação do dever cumprido!


Alguém já disse uma vez:" Semeia, semeia mestre. No grande Cosmo, tu és semeador, tu és a presença, a pessoa. Não podes fugir à responsabilidade de semear... Não digas o solo é áspero...O sol queima...Não é tua função julgar a terra, o tempo, as coisas. Tua missão é semear."
Mais importante do que a semente a ser lançada no solo, é o exemplo que tens a dar.Sobretudo o exemplo da importância de dar amor. Hoje lanças o germe, joga-o na terra inculta e seca e todos os dias rega-a  para que ela se reproduza, cresça e dê lindas flores para enfeitar a vida e dar alegria às pessoas.
Se ela não vingar, por ter caído entre pedras, ou em ambiente árido, não te desesperes: tenha a certeza de que seu exemplo de humildade ao lançá-la sem presunção, será visto  e admirado.
Porque aquele que cultiva  amor, com amor será recompensado. Aquele que ensina a amar, por todos será amado. Aquele que age com simplicidade por todos será entendido.
Não creias que tua missão é fácil, ela é uma das mais difíceis tarefas que existem na face da terra. Por vezes terás medo de não conseguir lançar a semente, por outras, muitos obstáculos deverão ser transpostos para que possas semear.
Procure conhecer o solo em que trabalhas, sem contudo discriminar este ou aquele chão: na tua função de mestre e ao mesmo tempo aprendiz; se julgas, muitas vezes poderás errar sendo surpreendido com uma bela flor que nasce em campo  estéril e infértil. Na tua profissão de preparador de solo é teu dever cuidar dele adubando-o e regando-o até que se torne apropriado para o plantio, bem como é tua missão saber que todo o chão pode produzir diferentes tipos de flores, desde que não descuides dele.
Não demonstres preferências ou apego a determinado solo, semeia em todos eles para que obtenhas um vasto jardim florido.
Não reclames das dificuldades e das adversidades, se há muitas pedras no teu caminho, procure retirá-las com paciência e determinação; se a semente cai entre a vegetação impiedosa que tenta sufocá-la e impedir que nasça, ajuda-a para que respire e cresça, assim como é teu dever separar a boa semente da erva daninha que nunca deve ser lançada devendo ser arrancada quando necessário, se nascer entre as flores.
E nunca se esqueça:
O bom ensinamento transforma, lapida, fortalece. O bom exemplo será seguido e multiplicado. O altruísmo da tua ação salvará a Terra e todos os homens que nela vivem...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sinos

Olá, amigos! Que saudades de escrever neste cantinho tão nosso...Semana cheia de consultas médicas, uma gripe daquelas que tira de qualquer frágil mortal vontade de fazer alguma coisa.Quando a tempestade passa e vem a bonança é que valorizamos a vida! Como é bom estar bem! Não há dinheiro que pague a saúde e o bem-estar.
Mas vamos ao que interessa: se vocês já visualizaram minhas postagens mais antigas devem ter visto que tenho uma paixão incontrolável pelos sinos e o seu tanger. Para mim,sinos e sua melodia me fazem viajar através do tempo e das horas, me transportam para um mundo de paz. Hoje, estou com um exemplar de Pablo Neruda, o grande poeta chileno do qual estou a ler Campo Geral, onde ele em toda a sua prolixidade fala da natureza descrevendo em detalhes os rios, os minerais, a vegetação da América. Estou ainda no começo do livro que me foi ofertado por uma prima muito querida. No final da obra, há umas páginas em branco onde comecei a esboçar versos simples do fundo d'alma sobre quem? Eles mesmos, os sinos.É algo que parece uma fixação, coisa de outras vidas, sei lá... Já é o segundo texto em que trato do mesmo tema.No primeiro deles, cujo conteúdo em prosa vou republicar nesta edição, o tema dos sinos em Badaladas Crepusculares explica todo o mistério que os envolve e no segundo, trato deles, mas através da poesia que consegue  transmitir a melodia que eles propagam pelos ares levando-nos a meditações diversas...









Badaladas crepusculares




Foi quando eu passava ao lado da Praça da Sé. Passava próximo daquela arquitetura colossal, rodeada de pessoas de todos os tipos que saíam apressadas do trabalho buscando o aconchego de seus lares e outras que ali perpetuamente usam aquela região como abrigo e meio de sobrevivência sem se importarem com aquela magnitude gótica cujos sinos, naquele momento repicavam sonoramente as badaladas das dezenove horas.


Confesso que, partircularmente, o soar dos sinos sempre me tocou nas maiores profundezas de meu âmago, trazendo à minha cabeça inúmeras reflexões: e é na idade dos cinquenta anos que estes pensamentos me visitavam com mais frequência. Não que seja ligada à religião ou a ela me entregue, mas o tanger dos sinos é algo tão significativo que parece remontar e nos levar a outras existências. Esta música que repercurte nos ares, principalmente ao anoitecer nos leva a devaneios: Quantas vezes esta melodia sagrada soou? Em que momentos invadiu a alma de milhares de seres? Momentos tristes, como os funéreos, festivos como os natalinos, matrimoniais e tantos outros.


Parece-me dar o poder de vislumbrar minhas outras vidas em que acompanhava funerais ao ritmo dos sinos, ou de inúmeros Natais em que anunciavam a missa do galo, ou ainda indo a épocas mais remotas, o anúncio das vitórias nas batalhas medievais, onde acompanhavam os generais ao fazer o balanço de vivos e mortos em seus exércitos.


Enfim, dado a profundidade que significam para mim, fazem com que jamais possa me ligar a rituais litúrgicos que não utilizem a plangente música dos sinos...





OS SINOS


Sino,
Alegre a repicar.
Boa-nova que vai chegar!

Sino,
Nostálgico a tanger
Tristeza que vai doer...

Sino,
Barulhento a badalar
Festa que vai começar!

Sino,
Mudo, sem tocar
Nostalgia, vai passar...

Sino,
Hino estridente
Que mexe co'a alma da gente!



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Elo partido

Olha eu aqui de novo amigos. Desta vez consegui aguardar uma semana sem publicar nada. Também, semana cheia de afazeres domésticos e de resolver problemas familiares.Essa vida é um corre-corre que não cessa graças a Deus, é um sinal de que continuamos vivos , atuantes e desempenhando nosso papel na sociedade.Agora mesmo terei de sair novamente e a postagem ficará para depois, quando chegar da cidade. Hoje é o dia da secretária, quase véspera de eleição e feriado religioso, o trânsito na cidade estava uma "beleza"!Super engarrafado, principalmente em avenidas de acesso às vias principais.Tudo bem, logo passa e estamos prontos para escrever novamente!
Há muito dias que penso em quê escrever: sobre as eleições não, já há uma certa saturação nesse sentido ou qualquer outro tema que seja estressante não será bem-vindo nem para quem escreve, nem para quem lê. Desta forma, resolvi voltar no tempo e escrever sobre mais uma passagem da minha vida. Interessante, a vida de cada um de nós é semelhante a um livro onde a cada dia escrevemos uma história, ou até "estória" como algumas pessoas sonhadoras que vivem num conto de fadas o fazem.Para quem adora viver, como eu, a vontade é de que esse livro nunca chegue a seu capítulo final. Ao publicarmos cada uma dessas páginas, vamos abrindo o livro da nossa vida para compartilhar com amigos e leitores que nos prestigiam a cada dia, semana ou mês.E é um milagre essa troca de convivências com pessoas de todas as distâncias, raças e gostos através de um simples ato: a publicação de um texto. Mas vamos ao que interessa.Isto que vou contar se passou em 29 de junho de 1974 e lá já se vão 36 anos que voaram na velocidade da luz...










O dia não amanheceu tão frio como esperava. Araçatuba é uma cidade onde a temperatura é sempre muito quente no verão, mas quando é inverno, o frio não brinca,  vem com grande intensidade em alguns dias. Felizmente havia escolhido um vestido de noiva apropriado, de voil porém,   longo, assim como as mangas e adornado com enfeites de inverno, só não queria passar frio, nem tampouco calor. Um vestido simples, mas atualíssimo até hoje, quando o vejo, concluo que  poderia ser usado tranquilamente.
No viço dos meus vinte e dois anos não havia lugar para preocupações, que belos dias aqueles! Nem mesmo a velocidade das horas a correrem e uma data tão especial como aquela me abalaram. Acordei tranquilamente, tomei meu café da manhã sossegadamente e até a hora do almoço vivi o meu dia a dia rotineiro.
À tarde já se fazia presente e resolvi sair para encontrar com meu noivo, o futuro marido.Eram exatamente 14 horas.Ele era terrivelmente apaixonado por carros e tudo o que dizia respeito a eles.E assim sendo entramos no seu carro, que para época era bastante incrementado: rodas de magnésio (hoje se usa falar de liga leve), vidros fumê, bem escuros e muitos outros acessórios que se usavam na década de 70.No interior do veículo, que  era a nossa segunda casa, passávamos horas.Íamos passeando pelas ruas da cidade natal quando ele não estava trabalhando, pois  viajava bastante.Pelas avenidas principais da cidade,  a realização pessoal no som estridente  do escapamento aberto que soava como um grito de liberdade e rebeldia jovem. Cabelos ao vento, nada de vidros fechados ou ar condicionado viciado como nos dias de hoje, nada de medo de ladrões e sequestradores coisas que inexistiam na época.
O casamento marcado para as 17h e 45 minutos, maquiagem para as 17 h e nós ali, correndo ao sabor da brisa fria, uma paradinha para o refrigerante e... olha que nem assim havia aquela neura de observação do relógio, nem mesmo obsessão para se preparar, dia de noiva, nada...Que diferença! Hoje a noiva passa o dia no recato de um spa, fazendo mil coisas para parecer maravilhosa, esforçando-se para se fazer bonita e agradar a todos, sonhando e contando os segundos para que chegue a hora tão sonhada! E isto não é só no dia das bodas, o stress já começa muito antes com preparo de festa, ornamentação de salão e igreja, organização de de listas de convidados e presentes, preocupação com fotos e filmagens, enfim! Quando finalmente o casamento acontece é preciso muitos dias para que a estafa vá embora, creio que nem curtir o casamento é possível.
Mas nós ali, sem nada pensar ou fazer aguardando pacientemente, é difícil de acreditar.Não me recordo com precisão, porém alguém deve ter se preocupado por nós em organizar uma pequena festa em um salão que alugáramos, cuja decoração foi simplicíssima; nada de flores ou qualquer outra extravagância, um churrasco feito por amigos seria servido além do bolo e dos doces que já haviam sido encomendados alguns dias antes, e a sua entrega não foi ansiosamente aguardada, chegariam e pronto! Também não houve a expectativa quanto aos convidados: enviamos os convites que eram bem simples com dizeres bem nossos, francos e sinceros.
Quando acordei para o tempo já passavam das 15 horas, era um sábado alegre, dia de São Pedro, e a maior parte do tempo ria com a frase do sacristão pronunciada com simpleza  em seu sotaque interiorano:
-Casamento dia de São Pedro, seu casamento vai ser uma bomba!-enquanto fazia um círculo com ambas as mãos representando o estouro.
Naquela hora lembrei-me de que nem havia feito as unhas! Nem tampouco ele se apressara para vestir o terno rosa pink, camisa rosa-clara e gravata borboleta, cujas cores tanto combinavam com os enfeites rosa-bebê do meu vestido, para mim maravilhoso.
Deixei-me subir os degraus que conduziam para dentro da casa paterna. Tomei banho às pressas, dirigi-me ao salão de beleza próximo dali com o intuito de fazer as unhas. Porém! Ele estava cheio e Clara, uma nissei proprietária, apiedou-se ao dizer que era o dia do meu casamento e me esmaltou de rosa as unhas da mão.Não me senti contrariada, e sempre correndo contra o relógio, já eram 17 horas, dirigi-me à maquiagem. Esta foi feita como um relâmpago dado ao avançado da hora. Os longos cabelos secados e presos num coque banana, depois de levar uma bronca pelo atraso.Voltei para casa onde o vestido descansava sobre a cama aguardando o corpo esguio e elegante da minha juventude. Após vesti-lo e obervar o seu efeito no espelho grande do guarda-roupa, sentei-me na banqueta da penteadeira onde a cabeleireira que me acompanhava cobriu meus cabelos presos, num turbante de voil branco enfeitados com flores e os mesmos detalhes do vestido.Calçando as sandálias, subitamente ouço a buzina do carro do meu padrinho que chegara para buscar a noiva.Levantei-me num átimo e pude observar naquele instante o olhar  emocionado de minha mãe. Tudo parou naquele instante: era um olhar diferente, misto de emoção, surpresa e tristeza pela certeza da perda.Naquele olhar senti tudo o que ele podia me transmitir em fração de segundos: a dor da separação, a ausência diária do convívio entre mãe e filha, o medo da nova vida e o que me reservaria e a admiração ao me ver tão verdadeiramente bela naquele instante.Na troca de olhares, corri e a abracei antes que as lágrimas que teimavam  em se libertar me borrassem a tão sofrida e corrida maquiagem. Apenas um abraço e nele, conseguimos passar todos os sentimentos que naquele momento nos invadiam a alma.Desci a escadinha muito rapidamente como que a fugir daquele momento de emoção e já me encontrava no interior do carro que em pouco tempo logo alcançou a igreja central da cidade.Que confusão, meu Deus! Pensamentos nem tinham lugar em minha cabeça. A luz de um flash ainda no banco traseiro do carro me cegando temporariamente.Subindo os degraus já pude visualizar a meiga figura de meu pai, vestido de maneira simples, o mais elegante que podia ser. Nesta hora, uma ponta de dor subiu-me do peito para a garganta e enquanto pensava: "não vou chorar, não posso chorar!" via naqueles olhos que me fitavam com tanto amor, úmido de lágrimas que a custo não rolavam e que tanto podiam me transmitir: desejo de que eu fosse feliz, muito feliz, enquanto dava-me o braço ao som de "A time for us" e me conduzia lentamente em direção ao altar.E que humildade naquele semblante que agora entregava a filha ao jovem e futuro marido.
Naquele momento, senti o peso da separação que se avizinhava: jamais o bate-papo do dia a dia, dos conselhos, das refeições a mesma mesa... Naquele instante tão fugaz,  pude entender no olhar de meu querido pai onde as lágrimas conseguiram finalmente ficar, que um elo se partia,  que uma nova etapa na vida se descortinava, se seria uma boa fase ninguém poderia adiantar, porém essa sensação mútua de que algo se perdia calou em mim, ficou em mim presa e sempre aqui ficará como lembrança daquele dia...

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Olá, amigos. Aqui estou mais uma vez para uma nova postagem, sei que ela deve ser semanal, mas para quem gosta de escrever é um período longo em demasia, por isso às vezes, antes desse prazo algumas idéias começam a fervilhar em minha cabeça e não tem como não digitar os textos que vão se compondo naturalmente. Gostaria de ter enviado esta publicação no dia de ontem que foi o dia da árvore, essa amiga silenciosa da mãe natureza que cumpre seu destino bravamente nos dias modernos. Ninguém melhor do que ela para receber homenagens e agradecimentos. Porém, ontem, tive que viajar para tratar de um processo judicial que há quatro anos se arrasta monotonamente na cidade de Rio Claro, São Paulo, cidade onde já residi por quase quinze anos. Mas este comentário fica para outra postagem se ele assim o merecer...



Logo que expirei o ar poluído e seco desta cidade de São Paulo, já me encontrava dentro do carro na Rodovia Bandeirantes, inspirando ar puro.E observando a magnitude das árvores, lembrei-me de que dia 21 de setembro era o seu dia. Algumas lágrimas de chuva preguiçosa teimavam em cair sobre o pára-brisa, enquanto divagava pensamentos observando todos os tipos de árvores por que passava. É claro que não estava dirigindo, senão...


Amo-as todas, sem preconceito, elas são responsáveis pelo equilíbrio do clima e do regime da pluviosidade, além de nos confortarem com sua sombra, seus frutos, flores, enfim, seu tudo.


Apesar da magnitude e esplendor de muitas espécies, resolvi escrever sobre uma delas em especial: os eucaliptos. Sei que para eles existirem, muitos outros vegetais tiveram que dar sua vida para o sacrifício. Sei também que é um tipo de árvore que vem de outro país, a Austrália, e que alguns estudiosos temem que ela danifique o solo tornando-o árido e também que possa mudar todo o ecossistema ao seu redor, por  não produzir frutos e assim a fauna, especialmente os pássaros, realizam o êxodo da sobrevivência debandando-se para outras florestas.


Mas... O que se há de fazer, eles existem no Brasil há bastante tempo e têm sua beleza... Assim...


Lembre-se, pelo menos de vez em quando, de que você veio da natureza, que ela é seu habitat natural,sinta-se selvagem, ande por bosques, respire fundo, acaricie uma árvore,sinta a textura de uma folha, a exuberância de uma flor, seu aroma, o cheiro da terra, pise-a com os pés descalços, cabelos ao vento,e, sobretudo, respeite e defenda as árvores para que não seja sufocado pela selva de pedra da cidade. Isso é terapia de graça e facilmente a seu alcance, pois a natureza não cobra pedágio.










Os eucaliptos



As folhas dos eucaliptos são novas nesta época do ano; sua cor é de uma tonalidade mais clara.


Quando o vento sopra, os galhos pendem à sua mercê, fazendo um imenso e agradável som , semelhante ao das ondas do mar quando vêm em direção à praia.


Observando o seu balanço, o farfalhar das folhas nos dias de vento, ou a sua imensa quietude quando o tempo está abafado como hoje, sinto que eles me transmitem paz, sobretudo através da sua calma, obedecendo às leis que a natureza dita.


Adoro olhar sobre o muro do meu quintal, estas árvores gigantescas, principalmente nestas horas fugidias que antecedem o entardecer.É um velho costume que tenho desde que me mudei para esta casa.


Ao longe, as montanhas azuladas e aqui, bem próximo a mim, esse mar verde de folhas, sacudindo-se ao vento.


Agora parece que vai chover. As nuvens estão passando rapidamente e o céu, antes azul, vai tomando uma cor plúmbea. O vento está soprando com mais força levantando poeira para o alto. Os eucaliptos dobram-se com sua força. E aquele rumor que faz lembrar o mar, retorna...


Pássaros lépidos voam à procura de abrigo.


Os relâmpagos ofuscam o céu com seus flashes acompanhados pela percussão dos trovões que ecoam além das montanhas.


Chove. Uma chuva mansa, quase muda. Da terra molhada, desprende-se um odor delicioso ao olfato.


Os eucaliptos balouçam-se. Suas folhas tremem ao toque dos pingos d’água. Mas quando toda essa agitação que acompanha os temporais cessa, eles voltam a aquietar-se.


Cai a noite. Se ela é sem luar, a sombra das imensas árvores são gigantes assustadores, porém se há lua, os eucaliptos banham-se na sua luz tornando-se ligeiramente prateados.A magia do luar se faz presente em cada uma das folhas que reflete através das gotas de orvalho a auréola argentina da lua...

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

TECNOLOGIA E CALOR HUMANO




Tenho pensado muito em como a tecnologia tem conseguido aproximar as pessoas. Eu, que a princípio fui relutante em aceitá-la por mil motivos que lhe atribuí: a frieza da máquina, a distância física entre as pessoas, a nostalgia de abandonar os tão famosos caneta e papel substanciais e concretos em detrimento de algo tão abstrato e inconsistente, hoje rendo-me a seus pés e reconheço que errei.

Lembro-me de que na época em que a informática explodiu no Brasil, não quis aceitar o seu auxílio quer fosse na preparação de aulas e até mesmo como recurso didático, resisti até quando pude, mas no momento em que os professores foram praticamente pressionados a se alfabetizarem na linguagem virtual, comecei a rever meus conceitos e julguei-os ultrapassados e retrógrados. Até que não era tão mau assim, comecei a pouco a perceber-lhe as vantagens e em pouco tempo já achava maravilhoso. Adaptei-me rapidamente e a cada dia queria aprender mais. Na sala de aula, o computador era agora, meu aliado, um recurso poderoso que me aproximava dos jovens e facilitava meu trabalho.

Hoje, aposentada, tenho saudades dos projetos que ele me ajudou a realizar, a substancialização das páginas digitadas no meio da noite, a sua concretização em espetáculos maravilhosos, o despertar do poder miraculoso da pesquisa iluminando os caminhos obscuros do discípulo guiados através da mestra que falava a mesma linguagem jovem, atual.

Realizei-me e realizo-me diariamente com esta tecnologia e alegro-me ao descobrir que não era como pensava, uma máquina insensível, com a qual jamais me familiarizaria!

Inteirei-me com todos os programas que presumia serem artificiais e insignificantes, usei e até abusei de alguns deles e continuo ávida na busca interminável, no estudo infindável.

Através da internet, esta Ferrari veloz e precisa, encontrei parentes com que há décadas não me relacionava, fiz amigos e continuo fazendo diariamente. Através da criação do blog encontrei pessoas fantásticas!

Tenho poucos amigos por enquanto, mas a qualidade prevalece sobre a quantidade. Rompi barreiras da distância, pois conheci pessoa de outro país que apesar das milhas, parece estar do meu lado, quando comigo fala. Trocamos fotos, confidências, problemas.

Tenho seguidores e sou seguidora de blogs maravilhosos, e como é incrível o nível da amizade que se constrói através desta máquina chamada computador! Através dele compreendi que é possível sentir emoções, demonstrar carinho e amizade tão característicos de nós, povo latino.

Através da conversa quase que diária do blog, da postagem de textos e dos comentários dos leitores e amigos, passamos a conhecer alguém pormenorizadamente, encontramos o âmago, a alma de quem escreve seja diariamente,semanalmente ou de outra forma, e que na mágica da comunicação torna-se próximo como um irmão.

Devo dizer que estou me realizando, sinto-me imensamente feliz!

Ah! Essa máquina chamada computador...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010





BLUE STAR



Foi na década dos 60. Tristes anos  aqueles, a alegria da infância perdida em constantes idas a médicos, na persistente luta contra a doença.Sem a doçura dos chocolates, privação incompreendida para uma criança que no desabrochar da vida já aprendia a conviver com a frustração da não- euforia, tão comum a todos dessa faixa etária.

O mal estar, a cabeça sempre atormentada pelo efeito dos medicamentos, as crises constantes, a casa triste, os pais sempre cabisbaixos por não verem na filha a saúde tão peculiar à idade.

Quando saía, sempre acompanhada, o medo da crise podendo ocorrer a qualquer momento. O preconceito das pessoas. O rotulamento: doida, maluca.Qualquer variação do comportamento e a frase sussurrada pelos cantos: ‘É o problema de saúde que ela tem.’Coitada!

Cansada, num belo anoitecer, ao fitar o azul infinito do céu interiorano onde uma estrela de brilho azulado luzia, perguntou ao pai com uma vozinha curiosa:

-Quando  vou ficar boa? Quando vou poder comer chocolate?

Nesta hora em um rádio, ouviam-se os sons de guitarra da melodia Blue Star que invadia todo o seu ser e a deixava ainda mais melancólica.Aliás, seu temperamento triste contrastava com o das outras crianças.Sensível, chorava com a maior facilidade.

Respirando fundo, o pai, que talvez soubesse ou não quando isso aconteceria, e se aconteceria, procurou recompor-se para responder com voz sumida onde não se conseguia disfarçar a dor:

-Logo, logo. Sabe aqueles chocolates que ganhei no sorteio e que estão naquela caixa de presentes? Então, são para você! Estou guardando-os para você, meu bem!

-Mas já faz tanto tempo que estou doente e não fico boa nunca! Não paro de tomar remédio e estou sempre com uma coisa ruim na cabeça, acho que não vou sarar nunca!

-Que isso, filhinha. Não diga isso. Sabe, o doutor falou...
Não conseguiu controlar a emoção e dos olhos brilhantes daquele jovem pai, brotaram lágrimas sinceras.
-Mas...você está chorando?
-Não...Foi um cisco que caiu no meu olho...Como arde!
Duas lágrimas já rolavam pelo rostinho sardento. E outras mais rolavam inconsoláveis. O pai tentando alegrar, mudar de assunto:

-Veja! Aquela linda estrela azul, lá no alto do céu! Você já tinha visto alguma tão linda como ela?

-Vamos contar as estrelas?

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E foi um incontável contar de estrelas. Mas até hoje, após muitos anos, a estrela azul nunca foi esquecida...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

A independência do Brasil

Hesitei muito em escrever no blog no dia de hoje, pois pretendia escrever algo mais "light" (perdoem-me o empréstimo da palavra num dia tão nacional como hoje) porém, ao invés de divagar e filosofar, resolvi desenvolver um texto sobre esta data cívica tão importante para o nosso país.










Somos Independentes?

Queridos amigos, no dia de hoje comemoramos mais um ano de independência da nação portuguesa.Com isso já se vão desde 07 de setembro de 1822, conforme ilustra a pintura de Pedro Américo àcima, cento e oitenta e oito anos, quase dois séculos...
É dever de todo o cidadão que nasce neste solo brasileiro, não apenas conhecer esta data, mas sobretudo ter consciência política do que significa ter independência: em toda a essência do termo é ter autonomia, não depender de outrem, ter livre arbítrio, ter asas e poder voar...
Entretanto, neste aspecto se formos bons observadores e críticos veremos que essa liberdade é restrita, limitada. Não podemos deixar de perceber que no contexto atual, não temos tido até o presente momento, mesmo nos dizendo independentes, essa autonomia política, econômica e cultural que alguns mundos privilegiados possuem.No cenário mundial, podemos contar nos dedos de apenas uma mão quem são essas nações.
As razões disto residem na nossa pouca vontade de sermos nós mesmos, de não procurarmos conhecer, amar e cultuar o que é nosso, valorizando modismos e costumes de fora.Poderíamos ser mais livres se fôssemos mais estudiosos e menos ambiciosos, mais altruístas e menos egoístas e se não cedêssemos facilmente às pressões constantes dos países ditos desenvolvidos que praticamente nos obrigam a assimilar sua cultura e seus costumes.A própria língua nacional se vê a cada segundo agredida e relegada a segundo plano quando é bombardeada por vocábulos invasores que se apossam de um perigoso lugar no nosso vernáculo.
Infelizmente comprovamos que nosssos veículos de comunicação de massa tanto têm contribuído para esta dilapidação e minimização da nossa liberdade, abrindo espaços para que outros povos se apropriem do que é nosso.
Temos um folclore riquíssimo, entretanto uma grande parcela da população o desconhece quando não o menospreza em detrimento de outras culturas, não lhe dando assim a merecida atenção.
Prezados cidadãos, ser nacionalista não significa apenas comemorar datas cívicas! Amar a Pátria não é apenas saber entoar os hinos em dia de festa (embora isto seja muito importante)e sim conhecer  cada vez mais os aspectos de nossas raízes de maneira integral e não apenas um dos aspectos deste Brasil, nosso berço enorme!
Ensinar a nossos filhos, a nossos discípulos e àqueles menos privilegiados que não têm, ou não tiveram condições de se instruir.
Estudar o nosso folclore, entendê-lo e preservá-lo na sua íntegra, sem substituí-lo por outros, é com certeza o passo decisivo para que possamos ter a tão sonhada  liberdade do nosso país, que mesmo após dois séculos de independência apresenta-se ainda como colônia, sem autonomia para decidir seu destino em todos os setores da vida pública.
Pensemos a respeito no dia de hoje! 

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Descemos ao fundo do poço!

Estamos nos aproximando das eleições e já nos saturam com conteúdo publicitário na TV. Há mais partidos e candidatos que mosca no lixo.Desculpe a comparação, mas ela é apropriada pelo nível da campanha como vem se apresentando: por um lado ouve-se que devemos exercer a cidadania, escolhendo bem os candidatos, vasculhando o seu passado e etc. só que o maior problema é que os tais, ou são as mesmas figurinhas repetidas do álbum, ou o ridículo tomando conta do Senado. Nunca até hoje se viu tanta incompetência e falta de senso crítico nesta escolha dos partidos políticos e aí vem a pergunta: temos em quem votar?


Alguns para captar a atenção da grande massa inculta e despreparada juntam a seus nomes sobrenomes obscenos, outros usam sua opção sexual para apelar e tentar se empoleirar, e aí cabe bem o termo, pois brevemente o Senado e Câmaras Estaduais mais parecerão um galinheiro, onde o nível é abaixo do mar!

Ainda pede-se para que votemos? Em quem?

Em ídolos desdentados da TV que mal sabem assinar o nome e achincalham a moral e a ética? Ou melhor, nem isso conseguem fazer, porque desconhecem o seu significado.

Votar em robôs teleguiados por um partido político que lhes abduziram, e conduzem seus cordões de marionetes?

Ou, então escolher aquele candidato que nunca sorrira e que hoje mostra uma boca escancarada até as orelhas, quem sabe ainda, aquele do não-sorriso, que estampa um arremedo de riso no rosto hipócrita...

Talvez devamos escolher aqueles que espremeram a classe média como se fosse laranja para dela extrair benefícios e mais benefícios para alegrar a classe menos privilegiada economicamente, que hoje em dia nem precisa mais trabalhar porque recebe a famigerada "bolsa tudo" + "pão e circo"?

Quiçá seja preciso mudar radicalmente e tentar eleger grupos minoritários que descem o nível da campanha mostrando uma propaganda chula que ultrapassa os limites do ridículo?

E ainda resta a opção daqueles que ocultam uma ideologia religiosa ignorante por detrás da máscara de "gente do povo", estes são a abdução total!

Ah! possivelmente teremos que colocar nos cargos eletivos as mesmas caras de outrora que tanto prometem e já prometeram e nada fazem ou fizeram, a não ser vender o país para grupos estrangeiros...

Os partidos, constituídos por autênticos marqueteiros, almejam atingir a população usando os tipos populares sem se importarem com a verdadeira importância que o cargo merece, o que é preciso é eleger o maior número de membros do partido, a qualquer custo para impor suas ideologias.

É lamentável que isto ocorra, quando na verdade deveríamos ter candidatos de cultura elevada prestando concursos como todos os outros cargos exigem e apenas após passarem nestes é que deveriam participar de eleição a cargo público! Porém, tenham certeza, do jeito que a coisa está, a corrupção rolaria solta nos concursos...

Agora virou moda artistas da mídia, virarem candidatos... Vote em fulano que como senador é ótimo ou péssimo cantor, ou então: vote em sicrano que como deputado é espetacular ou medíocre ator! E ainda: vote em beltrano que como político é garoto propaganda do futebol "brasileiro", se é que ainda não foi vendido.

Esta moda ao que parece vem de fora trazida pelo tufão da globalização, mostrando que,desta forma, os únicos prejudicados são os cidadãos que têm cultura, que estudaram, e que enxergam esta bandalheira toda, mas se encontram de mãos amarradas, sem nada poder fazer, porque "vox populi, vox dei".

Cidadãos escravizados que têm o seu salário congelado, principalmente se forem aposentados, vendo-o desvalorizar paulatina e assustadoramente sabendo que em breve não conseguirão sobreviver condignamente.

Cidadãos que carregam como Atlas o mundo em suas costas, pagando impostos a torto e à direita para que sejam feitas obras sociais para aqueles que nunca quiseram trabalhar ou estudar e que recebem tudo de mão beijada!

O que resta a todos os que têm vergonha na cara e condições de percepção da canalhice que é a política, é dar um grande não, um basta e não eleger ninguém.Pelo menos dormirão com a consciência tranquila e não terão a surpresa de ver o príncipe se transformar em sapo, ou a carruagem transformar-se em abóbora e nunca o contrário.

Nesta eleição respire fundo e procure olhar montanhas azuis...

domingo, 29 de agosto de 2010

Agradecer na hora certa!

Amigos, ter uma postura de agradecimento perante a dedicação e amor de uma mãe, de um pai ou de amigos deve ser na hora certa. Não podemos deixar de fazê-lo, pois, às vezes não será mais possível dado à fugacidade e efemeridade da vida. E como é gratificante sentir a emoção de doar amor num ato de agradecimento e de receber a aprovação e o reconhecimento por esta atitude que deve ser sincera, partir do fundo do coração.


No último domingo, preparamos uma festa de aniversário surpresa para minha mãe e ali, em meio a emoção daquele momento com o fundo musical orquestrado de Saudades de Matão, tive o prazer de ler para ela esta linda mensagem que criei do fundo do meu coração, vendo seus olhos marejados de lágrimas:







FELIZ ANIVERSÁRIO, MÃE.





Mãe, hoje aproveito a data de teu aniversário, para te dizer o que me vai por dentro, do amor que queima no meu peito, chama ardente que nunca se apaga.



Os agradecimentos aqui expressos em palavras são praticamente nada ante toda uma vida de renúncias, desvelo e amor que me dedicaste.



Jamais poderia lhe pagar, ainda que vivesse por milênios, o sofrimento e as noites mal dormidas junto a meu leito nas horas de enfermidade, as preocupações com minha pessoa, as lições de vida que me passaste e que tão bem fizeram à construção de minha personalidade. Também nunca poderei agradecer condignamente as horas que perdeste me ajudando com os afazeres escolares, o desgaste sofrido pelo trabalho, para que me alimentasse e me vestisse bem, a economia para que nada me faltasse, as horas junto à máquina de costura para satisfazer meus gostos e vaidades, a paciência para comigo nas horas de malcriações.



Hoje, na idade em que estou, consigo entender todo o esforço que fizeste para me ver feliz, a renúncia a tuas próprias vontades para me alegrar sempre. A tua vida é uma doação, é uma dádiva de Deus do qual nunca recebi nada igual porque o amor de mãe é extraordinário, não existe outro a que a ele se equipare: luz na escuridão, conforto nas horas tristes, ânimo na doença, incentivo nas horas de dificuldades.



Não caberia aqui nessa folha enumerar tudo o que representas para mim.



Quero, neste dia, agradecer a Deus por me presentear com a tua presença e amor, agradecer quando tantos não podem mais contar com o esteio e amparo deste anjo da guarda que protege e ilumina nossos caminhos na Terra.



Mãe, peço a Deus que te dê uma vida eterna, para que nunca me faltes, para que tua meiga presença esteja sempre a meu lado, me guiando, me apoiando, me fazendo feliz.



Que consigamos que nosso amor infinito sobreviva além dos tempos e tempos, além da própria eternidade.



Te desejo neste dia, tudo de melhor que a vida pode dar,vitalidade, muita saúde e prosperidade e o essencial: que viva com intensidade todos os momentos de sua vida e que sejas muito feliz!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pagaremos pelo ar que respiramos?

Escrever em um blog, meus amigos não é tarefa nada fácil. Mesmo que este não seja muito visitado como o meu, a responsabilidade é grande; é preciso uma grande dose de coragem para dizer o que se pensa, perspicácia para perceber a vida a nosso redor, além de uma bela musa inspiradora. Também é preciso mesclar os temas para que não canse o leitor com assuntos repetitivos. Assim, tenho dividido meus assuntos em cunho espiritual e filosófico e do quotidiano e neste último não há como não se ter uma ponta de senso crítico para poder alfinetar e por que não falar sacudir o leitor e entra aí também um pouco de humor irônico.





Mas... Vamos ao que interessa:








A vida está assustadoramente difícil para todos. Se houver saúde, meio caminho andado. Podemos nos dar por felizes,pois não teremos que dilapidar nosso pobre dinheirinho enriquecendo laboratórios multinacionais, e olhem que um simples analgésico não está para brincadeira, imaginem então, um medicamento mais sofisticado...Sem contar com os aumentos de preço desanimadores que equiparam este tipo de necessidade a artigos de luxo. Adeus bons tempos em que todos tinham condição para se tratar!Hoje, a guerra entre laboratórios é de última geração,até remédios de R$ 1,99 invadem o mercado, imaginem a qualidade onde é que foi parar! Nesta pugna onde vence o que melhor conseguir se destacar quem mais sofre é, como sempre, o menos privilegiado economicamente que fica à mercê das campanhas estaduais e federais, mendigando por um medicamento nos postos de saúde, os quais nem sempre possuem a qualidade necessária e todas as drogas pretendidas, restando como último recurso a assistência social em meio a filas quilométricas, mau atendimento, que muitas vezes mata o doente antes que este consiga seu intento.

Impostos surgem e atingem o cidadão como uma bomba relógio; programados periodicamente dão a impressão de que são objeto de estratégias políticas para aumentar a arrecadação que nunca é suficiente: paga-se para ter saneamento básico (até para manipulação do lixo, já fomos extorquidos, sem ver resultado eficiente algum, quer fosse na coleta sem qualidade, quanto no seu descarte), paga-se para termos água potável,imensas somas para termos energia elétrica,remunera-se para uma segurança que inexiste praticamente,gerando inúmeros tipos de seguros particulares:de vida, residencial, de automóvel, rastreamento de veículos via satélite (e o próprio cidadão acha fantástico, algo de última geração esquecendo-se que paga por isto altas somas),planos de saúde ineficientes. Ao adquirir bens de consumo sem melhora de qualidade deixamos também algumas notas assim como para a Educação pública e por que não dizer também a particular muito aquém do padrão de qualidade necessária. Pagamos para podermos dirigir um carro além dos exorbitantes impostos para circular com este veículo, os pedágios proliferam nas rodovias como ervas daninhas e já se especula a possibilidade de cobrá-lo também nas vias públicas.Pagamos taxas municipais para estacionar um carro e como se isso ainda não bastasse, vemo-nos nas mãos dos flanelinhas subempregados com autorização das autoridades que não tem olhos nem vontade para resolver o problema,deixando a sociedade refém de marginais e coagida a entregar mais uma parcela do seu "grande salário" Isto é um absurdo!Não há dinheiro que consiga cobrir todas estas despesas.

Falando do cidadão jurídico então, não caberia aqui enumerar todos os encargos que lhe são impostos: paga órgãos estaduais para abrir sua empresa, taxas municipais para que seu estabelecimento possa funcionar, paga para colocar letreiros, o famigerado CADAN, se tem um recurso de mídia em seu negócio por mais simples que seja ECAD nele, e não há ponderação quanto à taxa a ser imposta, além de viver assombrado com medo das multas que são verdadeiros pesadelos, tem que pagar por serviços de sindicatos de toda a sorte e tipo que nada garantem.

Ainda existem os pagamentos de ordem particular geridos pelos bancos, entidades que vivem livremente da exploração e especulação econômica, o mal necessário para a pobre sociedade moderna, que sucumbe entre taxas de cartões de crédito, cheques especiais e empréstimos de toda a sorte que caracterizam-se como tábua de salvação a muitas empresas, apesar dos pesares.

Tudo isso em meio a grande corrupção de órgãos fiscalizadores que não admitem sua falta de dignidade e ética.

Se assim continuarmos, dentro de pouco tempo seremos obrigados a utilizar um relógio para pagarmos o próprio ar que respiramos, taxas diferentes para qualidade deste ar, é óbvio,o que obrigará os cidadãos a economizá-lo ou realizar "gatos" para amenizar seus gastos.