Saudade de Ouro Preto

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Estive em Ouro Preto e Mariana há dois ou três anos, nas férias de junho. Minas é um lugar apaixonante, diga-se de passagem. As paisagens naturais, o caráter histórico das cidades nos fazem voltar no tempo, numa imersão ao passado, uma coisa impressionante. Com tanta beleza natural, não se pode entender como tragédias que acontecem e ainda acontecerão por lá, podem ser permitidas... O texto de hoje vai relembrar momentos tristes vividos pelo povo mineiro.



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A cidade de Mariana fica próximo a Ouro Preto em Minas Gerais. Em novembro de 2005, uma tragédia inesperada e inaceitável levou 19 vidas. Quatro anos depois em 25 de janeiro de 2019, outro triste evento do mesmo tipo na cidade de Brumadinho, causou a morte de centenas de pessoas.
Tanto a Samarco, responsável pelo primeira ocorrência,  quanto a Vale do Rio Doce são mineradoras poderosas financeira e politicamente, sendo que a última explora 70% dos minérios como ferro, do Brasil. O questionamento que se faz, primeiramente é de ordem existencial e ecológica: por qual razão o homem vem exagerando na extração de recursos da terra; uma loucura e avidez por status e poder dominou o cérebro humano e quanto maior a empresa, mais insaciável é o seu desejo de obter mais e mais lucro. Os próprios políticos não têm mais autonomia e dependentes de outros mercados afirmam diariamente a necessidade de crescimento do país, e nessa roda-viva, nesse afã de correr em busca de poder, não há mais tempo nem vontade de reflexão, de análise de ações, quais as consequências que essas atitudes acarretarão a longo e médio prazo para o planeta e para a natureza. 
A vida humana não é mais cuidada, sua segurança parece ser de pouca importância, uma vez que não houve precaução ou prevenção desses acidentes como forma de evitá-los. Os pobres trabalhadores do entorno que diariamente ofereciam seu trabalho foram simplesmente engolidos por uma cachoeira de lama, suas residências soterradas, a vida dos sobreviventes destruída pela tristeza de perder parentes e amigos que nunca mais voltarão, além de se verem privados de seus recursos hídricos, em sua grande parte poluídos pelos rejeitos de minério... 
Atualmente, todos se esqueceram, pois a dor só não passa para quem sente na pele, e viveu toda aquela catástrofe. As responsáveis tentaram, como sempre, comprar as vítimas sobreviventes, oferecendo dinheiro e benefícios, entretanto, jamais poderão repor as vidas que se foram... A mídia cumpriu seu papel de forma pouco eficiente, pois deteve-se a mostrar sensacionalisticamente, entrevistas antiéticas, com pessoas que perderam familiares, interrogando-as em momentos inoportunos e pouco agradáveis, buscando apenas elevar sua audiência aos níveis mais altos. Em nenhum momento, cobrou das mineradoras, entrevistas que esclarecessem seu descaso em prevenção, ausência que gerou o triste episódio.
A sordidez é tal, que hoje, em muitos canais de televisão há como que um comercial favorável à mineradora Vale, o qual exibe uma lista de benefícios que a empresa vem fazendo para reparar seu dano, que diga-se de passagem, é irreparável. Sabemos que a mídia só se importa com sua posição no ibope e por esse motivo, já nem se lembrará mais de entrevistar qualquer um dos sobreviventes da tragédia para saber como está subvivendo sem seus parentes próximos, sem a pureza de sua água, sem seus bens adquiridos com tanto esforço...
E assim vamos assistindo no Brasil, do palco da destruição, a subida vertiginosa de empoderados, aqueles que vivem da miséria alheia, explorando a natureza sem respeito algum, outros que produzem informação de má qualidade que favorecem e dão voz apenas a quem detém o poder. O estado de Minas e outros tantos que conservam represas, que se cuidem, porque não há garantia alguma de que outras calamidades como essas não voltem a acontecer. 
Se podemos apontar alguma solução é no sentido de cobrar dos nossos candidatos eleitos pelo voto direto, uma atitude mais séria e sensata que valorize a vida humana e a ética no trato do meio ambiente. Quanto à mídia massiva e podre, podemos resolver de forma muito mais simples: privando-lhe a audiência, em sinal de consideração àqueles que foram aviltados e privados do seu bem mais precioso: a convivência diária com seus entes queridos. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Boa-tarde. O assunto hoje é sobre o poder do voto, considerado pela sociedade como a maior arma de transformação. Mas, será ele tão eficiente assim?



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Muito se fala em democracia, direitos adquiridos como o de eleger um candidato através do voto, principalmente para as mulheres que em tempos mais distantes não teriam esta chance como os homens já o faziam. Negros, pobres, ricos, artistas, professores, advogados, enfim hoje, podem dizer em alto e bom tom que vivem uma democracia e exercem este poder de colocar um presidente, um prefeito, um vereador ou um deputado entre outros.
Apesar de toda a modernidade de que dispomos atualmente, urnas eletrônicas, variedade de locais, e proteção das leis, percebe-se que votar não é tudo. Principalmente, em um momento onde grassa a corrupção, a falsidade e falta de caráter. Meios de comunicação de massa induzem a este ou aquele candidato, igrejas tomam posição política a favor deste ou daquele partido, e o que é pior: educadores que se acham donos da verdade manipulam a opinião de seus alunos, convencendo-os a qualquer custo que sua ideologia é correta na questão política.
Como ter prazer em exercer a cidadania num momento como este: o partido dos ricos não presta, o dos pobres se corrompeu, mas não dá o braço a torcer, enquanto outros tentam se eleger criticando e se bandeando para o bojo daqueles que detêm o maior número de eleitores. Honestidade, ética, sinceridade e bom-senso são atitudes que permanecem no passado. A mídia escancara diariamente a vergonhosa escalada do crime, da contravenção, do assalto dos criminosos de colarinho branco. E a ladainha  repete a mesma cantilena, passando de geração a geração as mesmas figurinhas do álbum, que só são trocadas de pai para filho ou neto.
Verbas para eleição então é algo bizarro, que lança na mediocridade milhares de cédulas monetárias que seriam melhor aplicadas em tantos setores carentes da sociedade. Ao lado deste cenário decadente, alguém é capaz de imaginar ainda que a eleição do seu candidato mudará alguma coisa? Tenha certeza absoluta que não, pois a própria população não pratica o civismo, o respeito a direitos e deveres que todo cidadão deve saber e pôr em prática. Sem essa formação de caráter, primeiramente não haverá condição de seleção de um bom candidato, e até mesmo a noção do que seja um bom governo. Obviamente os nossos homens acreditam apenas egoisticamente em satisfação pessoal, nunca no altruísmo e benefício coletivo.Vivemos uma crise existencial, de caráter, de bons costumes, de moralidade... Tudo bem, não há mais certo ou errado, aquilo que dantes era prejudicial ao bem comum hoje é aceito normalmente, porque como todos afirmam o mundo se modernizou e precisamos mudar a nossa postura, a nossa maneira de sentir e agir, mesmo que estejamos reprimindo a nossa vontade...
Deste modo, não chegamos a lugar algum, não sabemos cobrar de nossos governantes, aquilo que já não temos mais: a essência, a sensibilidade, a humanidade. É fundamental que haja uma mudança radical na educação familiar, nas escolas e na formação espiritual das pessoas, principalmente,coisa que nossas instituições não estão capacitadas a fazer agora. Há que se esquecer o dinheiro, status, poder e perceber o óbvio: não há mais seres humanos, eles se materializaram e se concentraram apenas em aquisição de coisas  fúteis, indolência e egocentrismo.
Podemos dizer que a tão sonhada democracia que lutamos tanto para conseguir é deformada, autoritária e inútil, não está preparada para mudar o mundo para melhor, infelizmente.

sábado, 21 de setembro de 2019

Quanto tempo! Retorno a esse espaço que me serve de desabafo, reflexão e emoção voltada para mais uma primavera que se aproxima... Boa-noite e sejam bem-vindos.







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Presente surpresa

Na próxima segunda-feira começa a primavera. Mais um período de beleza no campo e nas cidades, onde a maior representação da perfeição divina aparece estampada na beleza das flores. É algo maravilhoso, a chegada de cores espalhadas  em cada pétala, em cada cálice, em cada pistilo...
Naturalmente, são poucos os que ainda têm tempo e sensibilidade para surpreender-se com sua chegada, com as novas visitantes, filhas dos antigos vegetais, antes, totalmente verdes, uniformemente análogos com os quais a vista já se acostumara.
Pressenti sua presença, há algumas semanas, quando saí à rua no caminho para o trabalho, onde dois ipês fortemente amarelos exibiam cachos de flores, que ao caírem, já formavam um lindo tapete colorido na calçada.
Essa é certamente a mais linda estação do ano. Deveria ser percebida por todos, desde a mais tenra idade ao mais antigo ancião. A reverência à natureza e à sua exuberância deveria constar nas leis que regem o mundo, mas não! Muitos destroem as árvores quando ainda são pequenas e indefesas, não deixando que se desenvolvam e cumpram sua bonita missão.
No meu caso, jamais isso aconteceria, desde criança aprendi a respeitá-las, admirá-las e cultuá-las como um tesouro precioso.
Todavia, a maior alegria dessa primavera chegou dentro do meu próprio apartamento; melhor dizendo, na sacada onde mantenho em prateleiras e na parede, várias tipos de plantas: há mais de dois anos plantara num meio vaso preso à parede um trepadeira da espécie thunbergia grandiflora, mais conhecida por tumbérgia azul, que para mim não é azul, pois mais se aproxima da cor lilás. Havia tirado a muda de um estacionamento próximo a minha casa, onde cachos de flores caíam pelo alambrado de arame num espetáculo visual nunca visto. Esperava que com o passar dos meses, veria aquele festival majestoso a enfeitar com sua formosura a minha parede sem graça...
No entanto, nada. Passou-se o tempo, no estacionamento que me dera origem à planta, nada mais havia, fora cortada à raiz, nada sobrara do que antes era a sua magnífica e perfumada presença. Indignei-me quando um ano se passou e nada de floração. Adubos, terra nova, regação regular, nada me trazia a presença das flores.
Havia já desistido. Suas folhas cor de esperança mostravam-se constantemente atacadas por fungos de cor branca que teimavam em persistir, apesar da lavagem, escovação e borrifação com óleo mineral...
Ouvindo um programa na TV sobre jardinagem, alguém perguntara da ausência de flores em plantas e o especialista respondera que são muitos os motivos, e entre os que eu já conhecia, citou o caso de mudas que quando plantadas só trouxeram o lado masculino. Essas, jamais dariam flores, era necessário que a muda tivesse também o lado feminino. Pus-me a pensar no que ele disse e um belo dia em uma pérgula visualizei a espécie, não hesitei, tirei um pequeno galho florido e trouxe para casa. Mergulhei-o em uma vasilha com água e aguardei alguns dias para plantá-lo no mesmo vaso.
Meses se passaram sem que nada acontecesse, fazendo-me acreditar que a dica fora em vão.
Um lindo dia de manhã, ao dedicar-me à rega costumeira, vislumbrei por entre as folhas um leve tom azul. Meu coração sobressaltou-se como o de uma criança que aguarda ansiosamente um brinquedo e o recebe sem esperar. Afoita, afastei os galhos com cuidado, e, lá estava ela: ostentando seu lindo tom lilás, a primeira flor a olhar-me , e mais dois grandes botões ainda fechados em segredo como que a desafiar-me a conhecê-los.
Indescritível essa emoção,  sorri e quase cheguei as lágrimas com aquela aparição tão desejada.
As três flores já se abriram, murcharam e caíram. Agora as folhas apresentam o seu verde costumeiro... 
A minha inquietação cessou, já não as procuro todos os dias, porque sei que daqui a algum tempo, elas virão me visitar novamente, trazendo o presente colorido mais valioso cuja presença agora é garantida!

sábado, 15 de dezembro de 2018





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Mais um Natal...



Compenetrada no árduo trabalho de ensinar, que nada mais é do que espalhar sementes do bem e preparar pessoas para a vida, surpreendo-me novamente com a chegada desta data festiva, porém apimentada de leve tristeza; a decoração, o motivo do evento, as músicas, a realidade nua e crua transparecendo  por entre as cortinas do sonho são temas que nos trazem  um certo desconforto: condições econômicas desfavoráveis de muitas pessoas, perda de entes queridos, falta de saúde que a muitos aflige são os motivos desse incômodo.
Mais um ano que chega ao seu final, mais um sinal de que o tempo está passando e com ele, como num carrossel que gira rápido e sem parar, lá vamos nós, pendurados, segurando firme para não nos perdermos...
Não nos cansamos de renovar esperanças mesmo que sejam em vão, continuando remando, às vezes contra a maré, num esforço hercúleo para produzir mudanças...
Cada um carrega consigo sua cruz, umas mais leves outras muito pesadas. Podemos e devemos ajudar a conduzir essa carga com mais facilidade e alegria. Há sempre um tempo de olhar a nossa volta e perceber o que devemos fazer para colaborar...
Aproxima-se para as crianças, um período de encantamento e expectativa... Muitas delas não terão esse privilégio, infelizmente.
Comemoremos o Natal em sua forma mais significativa: com amizade e amor. Deixemos de lado as mesquinhezas, pequenices e maldades. Vamos, pelo menos uma vez, nos entregar aos bons sentimentos e fazer deste dia, o melhor do ano.
A vida passa num átimo, num abrir e fechar de olhos, vamos valorizar os momentos de convivência com aqueles que nos são caros, não maculando o momento, com maledicências, observações ou insinuações, deixando a alma limpa como de uma criança.
Não vou aqui deixar frases prontas e rotineiras desta data, entretanto, mentalizo para cada um dos lares um ambiente agradável, onde não falte o que comer e beber e pelo menos uma lembrancinha que faça uma criança, um idoso ou um doente sorrir.
Feliz Natal!

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Respeito é a base da convivência entre os homens

O que me instigou a escrever este texto foi um comentário de meu marido assistindo uma matéria na TV a respeito das condições de um dos maiores cemitérios de São Paulo: o da Vila Formosa...






O Cemitério da Vila Formosa, um dos maiores da América Latina, está literalmente entregue às traças, baratas, ratos e outros animais peçonhentos: os racionais, que violam, dilapidam o direito do descanso eterno daqueles que se foram, mas que quando vivos, deram sua contribuição para a sociedade, trabalhando e construindo o país...
Um canal de TV mostrou imagens de túmulos totalmente encobertos pela vegetação, semidestruídos, ossários em condições horríveis de depredação... 
O comentário feito que gerou este texto foi: "Que ignorância! deviam acabar com todos esses locais e aumentar crematórios, dado ao grande volume de mortos das cidades grandes! Mortos se tornam lixo e lixo, deve desaparecer... Quem acreditaria que nessas tumbas ainda há alguma coisa?
Ante essa reflexão, assaz materialista, começo a divagar e filosofar. Acrescento que adoro fantasia, sonho e não posso concordar com isso, apesar de partir de alguém a quem amo e respeito durante tantos anos...
Como deve ser doloroso, triste e até cruel  pensar assim... Entretanto esse parecer de que tudo se acaba com a morte, vem ganhando lugar de destaque entre os humanos que procuram ser felizes a qualquer preço enquanto vivos.
Acredito que cada ser é formado a partir da construção de sua personalidade e caráter, que se inicia  cuidadosamente na infância, a partir da mais tenra idade. Venho de um lar onde a figura paterna sempre cultuou e valorizou o espiritual em detrimento do material, onde cada finados era venerado como um ritual: a escolha das músicas (no caso apenas eruditas e orquestrais), visita obrigatória ao campo santo, como era conhecido o cemitério em outros tempos ditosos; visita aos túmulos familiares,  reverenciando a memória dos ancestrais, bem como dos amigos já desencarnados e, principalmente, ao cruzeiro: local onde se rezava e relembrava todos os espíritos que ali foram sepultados após a morte.
Esse rito repetido em toda a minha infância e adolescência não conseguiu ser apagado da minha conduta: considero sempre e me entristeço  ante a partida final de quem quer que seja. Aquele local de sepultamento é o capítulo final de um história de vida, contém toda trajetória,  suas lutas, ideais, trabalho realizado, apresenta um nome a ser zelado, um ser que passa para o etéreo desconhecido e misterioso representado pela materialidade de uma foto e a descrição através de um epitáfio ...  
E o crematório, cujo procedimento vem ganhando espaço nos nossos dias, ocasionado pela própria necessidade, escassez financeira e falta de espaço, além da total falta de sentimentos e sensibilidade, me parece algo que apaga qualquer traço espiritual que ainda possa permanecer daquele extinto, levando para longe sua memória, eliminando um lugar particular onde possa ser lembrado ou sequer registrado na história...
É com uma emoção indescritível que digo isso: a memória de meu pai, apesar de quase vinte anos de separação, permanece intacta e minha visita, principalmente no dia de Finados, é obrigatória. Um laço espiritual nos une, o tempo não conseguiu apagar toda aquela preocupação que ele teve em me educar nesse aspecto. Por essa razão, hoje, neste momento, me preparo como sempre nessa época, a uma visita respeitosa pela sua memória; sei que ali no local não há mais nada de material da sua humilde e delicada pessoa, porém ao chegar ali, no pequeno cemitério de Arujá onde seu corpo descansa, e as árvores balançam seus galhos à mercê do vento, é um lugar de reflexão, de respeito ao seu ser. Ali, de joelhos,  faço minha oração pedindo a Deus que o conserve em sua glória perpétua, leio trechos da Bíblia a qual ele tanto lia em seus últimos e sofridos anos... Faço orações pessoais improvisadas e afasto para sempre o materialismo, cujo efeito nos endurece demais e afasta o aspecto de melancolia e emoção  que o sonho e a fantasia  nos levam...São caminhos mais suaves e leves que nos aproximam mais da existência de um Deus, cuja presença está cada vez mais distante das pessoas dos nossos dias...


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Intromissão sem permissão é uma atitude indesejável

Boa-noite, leitores. A indignação tomou conta dos meus ânimos no dia de hoje, ao sair do trabalho...


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Ao cumprimentar colegas e desejar boa eleição, ouço como chicotada em meus ouvidos a frase: "sem Bolsonaro, hein?"Mais adiante, diante da porta de vidro da saída, outra professora que a mim nunca dirigira a palavra, nem mesmo para  um bom-dia, me surpreende quando  diz: "ele não, hein?". 
Minha personalidade, meu jeito de ser, sempre se caracterizou por ser lenta em responder; antes ser ofendida do que ofender é meu lema e, por essa razão, vou engolindo "sapos" ao longo da vida. Dizem que isso não é bom, sei lá, mas nunca consegui mudar, sou mais da reflexão do que da palavra, blá-blá-blá nunca foi o meu forte.
Mas voltando ao que interessa, um pouco tardiamente, passo a responder: se aos 66 anos de idade, ainda não aprendi a votar, não são pessoas com muito menos idade, nível de estudo e vivência do que eu, que saberão. 
Aliás, quem sabe?  Além do mais, em momento algum, desrespeitei a vontade de alguém em suas decisões e desta forma, não admito uma invasão dessa, sem solicitação alguma. Tenho muito medo daqueles que tem plena certeza em suas convicções.
As pessoas que vieram com esse comentário inconveniente, se dizem adeptos da democracia! Apesar disso, não consideram opiniões diversas das suas: seus partidos e candidatos são os melhores, os mais apropriados para consertar o país... 
O leitor pode imaginar de que partido essas pessoas são... Não preciso nem citar. 
É o partido do desrespeito, da intromissão sem solicitação, da inconveniência, da prepotência e da abdução total a um líder, numa atitude  robotizada, sem falta de observação e raciocínio próprio.
Como a ousadia domina esses pobres seres! Ofendem as pessoas que não simpatizam  com suas ideologias, dirigindo-se a elas com palavras grosseiras e intolerantes.
Analisando mais de uma década sob o jugo deste partido "democrata" verifica-se que a única preocupação destes magníficos pensadores foi a ideologia da escravização, da ditadura cultural que nos foram impostas travestidas de falsa  liberdade de pensamento.
Uma delas, é o combate à discriminação de ordem racial: para isto foram criados grupinhos estratégicos antagonizantes que alimentaram sentimentos de revolta entre brancos e negros e o resultado (na análise daqueles de mente trabalhadora, que  já viveram e conviveram bastante) foi um racismo acirrado, o desenvolvimento de um ódio crescente entre a população branca e negra de uma forma que nunca existira antes em nosso país. O que as pessoas não entendem,é que isso sustenta um mercado de lucro, de marketing pessoal do partido, além de provocar instabilidade e insegurança para que os "pais"(líderes de araque) se mostrem como única ponte de salvação para o caso, criando projetos sociais, responsáveis por grande parte de desvio do dinheiro público, além de legislações ditas justas, oferecendo um sistema de cotas na educação que na verdade, sugere a incapacidade, a falta de inteligência e competência  dos próprios contemplados, retirando destes o estímulo do esforço para se conseguir o prêmio. 
O que muitos não enxergam, pois trazem uma trava no cérebro, é o fato de que com essas ações são  gerados milhares de votos.
E não para por aí; nessa ânsia de poder e mobilizar pessoas em benefício próprio foram disseminando o ódio entre heterossexuais x homossexuais (coisa impressionante deste período maléfico de gestão), homens x mulheres (o sexo frágil é mostrado como explorado e maltratado de forma absurda pelo sexo oposto) mostrando como solução o homossexualismo onde o sexo feminino é mais compreendido. 
O gigantesco movimento de pobres x ricos apresenta a classe de maior poder aquisitivo como infalivelmente injusta, desrespeitosa ao direito das pessoas mais pobres numa incitação à invasão de propriedade, desrespeito  aos que se esforçaram por objetivos incansavelmente perseguidos, pois em todas as classes sociais existem corruptos e transgressores, não apenas naquela dos mais privilegiados monetariamente, porém não é isso que nos levam a crer.
O pior aconteceu na Educação, o que revolta sobremaneira àqueles que a ela se dedicam realmente: pregando uma filosofia barata, a pedagorreia do amor, foram sendo criados verdadeiros monstrinhos que se formam homens sem fibra, sem obediência a regulamento algum, inaptos, onde o civismo e amor à pátria é proibido e sugerido como sinônimo de adesão à ditadura militar. Assim, vemos futuros cidadãos que sem culpa alguma, são inadequadamente moldados na falta de respeito ao ser humano, transgressores de leis, e contraventores, porque tudo pode e nada acontece no sentido de educar realmente.
Na segurança, nem se fala: vemos agentes da lei, que sem poder agir para garantir o direito legal de ir e vir dos cidadãos de bem, são obrigados mediocremente a resolver casos grotescos de brigas de vizinhos, de bebedeiras, rusgas entre casais de comunidades, trabalhando apenas neste tipo de atividade, enquanto que nos grandes centros, prosperam o crime, o roubo e a iniquidade.
A arte foi relegada ao popular, toda erudição é elitismo e proibida, portanto, vários artistas oferecem um tipo de arte medíocre num verdadeiro escambo imoral com partido político, enchendo os bolsos com a tal lei Rouanet. 
Diversos políticos e artistas  que aderiram a partidos políticos foram exilados durante o período ditatorial militar. O mínimo esperado é que em sua volta com a anistia fornecessem ao país uma bela administração na lisura e competência, no entanto, nada disso aconteceu e a dilapidação de todos os valores dignos foi atirada na lama em conjunto com a nossa economia.
Poderia escrever uma tese sobre toda essa bandalheira que se espalhou como peste sobre o Brasil, tão imensa é a matéria sobre isto.
Chega-se à conclusão de que atualmente, o país ficou centrado em moleques que são respeitados como verdadeiros reis e tudo gira em torno deles: as leis em tudo favorecem o mau comportamento e induzem à contravenção sem punição alguma: o próprio pai não pode mais repreender e educar seu filho, não se pode mais revistar menor infrator, enquanto que os educadores, as pessoas mais experientes tornam-se motivo de chacota para adolescentes e até para crianças cuja voz é o centro da atenção...
Um país que leva sua educação a este ponto, a este nível de desrespeito não tem seriedade alguma e não chegará a lugar algum... Ou melhor, chegará, se é que já não chegou ao caos incontrolável, problema insolúvel, onde a violência é a personagem principal.
Com referência a "sem Bolsonaro" e "ele não" gostaria de saber por que essa alegação se, em momento algum discuto minha posição política no ambiente de trabalho. Será que chegaram a essa conclusão porque verificaram que coloco o meu trabalho de educadora acima de tudo?

sábado, 9 de junho de 2018

Boa-noite, leitores. Após um bom tempo, volto hoje a postar neste espaço. A minha ausência aqui, justifica-se pela falta de estímulo em constatar que o blog que criei, num momento tão cheio de expectativas, esperanças de compartilhamentos e discussões é, na realidade, muito solitário. E essa solidão é quebrada de tempos em tempos por algum gentil visitante, que, no entanto, não tem o desejo de comentar ou discutir sobre os temas sobre os quais discorro. É uma pena, pois democracia seria isso, um debate saudável entre pessoas sobre assuntos que são relevantes e que podem acarretar mudança para esse futuro mundial que apresenta-se assustador. Como já me acostumei, o blog, chego à conclusão, é um diário, um desabafo de corações amargurados e preocupados com o destino do planeta e do rumo da vida humana. Mas vamos lá:


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Onde há desordem, há regresso.

O desrespeito está presente em grande parte das atitudes de cidadãos paulistanos que convivem nos mais variados espaços desta grande metrópole que é São Paulo: no transporte público, onde assentos prioritários são ocupados indevidamente por indivíduos, bastante jovens e profundamente deseducados que ali ficam ociosamente em despeito das mensagens sonoras e didáticas  que enchem o espaço a esse respeito. 
São pessoas de todos os sexos, pois a vileza não escolhe gênero, que fingem dormir pesadamente, compenetrar-se em redes sociais, jogos eletrônicos e outras coisas mais em seus celulares. Digo que é enojante o visual destes caras de pau, deselegantes e grosseiros que não podem levantar-se e tratar de ceder o lugar a quem lhe é devido. Não há obrigação alguma em se dizer obrigado, àqueles que o fazem, pois não é mais do que obrigação (muitos ainda têm o descaramento de perguntar: "Quer sentar?"). Ainda no transporte público, nos trens de metrô, tantos outros lotam as portas impedindo a passagem  de quem vai sair, dificultando a livre circulação, o direito de ir e vir; aliás ultimamente, este direito só é desfrutado por aqueles que querem perturbar o silêncio, o direito de quem trabalha e seu merecido descanso, além de sua segurança. Pelo menos, neste país, apenas esses seres têm esse direito zelado  e rigorosamente garantido  por todos os elementos que compõem a equipe de direitos humanos...
Essas situações elencadas acima já refletem o maucaratismo, imoralidade  e indecência do brasileiro cujo caráter duvidoso já é bastante apreciado mundialmente.
Não é preciso muito esforço para enumerar mais procedimentos deste tipo. Muitas pessoas gritam com outras na outra ponta da rua, num tom acima dos decibéis permitidos ao nosso ouvido e a nossa paciência, provando o quão agradável eles podem ser. Isso ocorre com frequência; às vezes o som indesejável vem de imensas caixas de som cuidadosamente ou ruidosamente preparadas em porta-malas de veículos que mais se assemelham a uma visão do inferno de Dante, difundindo músicas, se é que assim podemos chamar um amontoado de frases sem valor algum, sem melodia, harmonia ou raio que a sirva e a classifique como tal. Desse modo, viver neste planeta está se tornando insuportável. Mais insuportável ainda, quando parte das próprias instituições que covardemente instalam poderosos artefatos sonoros com a denominação de virada cultural, marcha para Jesus, paradas mil...
Jesus, se você estiver ouvindo, deve estar juntando forças para dizimar essa espécie nojenta que se diz ser humano, atualmente. Não sei quando cultura foi sinônimo de barulho, música de baixa qualidade, abdução paranoica de cérebros, exibição de orgulhos que nada têm de relevante para crescimento e aprendizagem a não ser para o comércio. 
Meu Deus! Há que se ter muita paciência para aguentar e sorrir concordando com essa ditadura cultural com a qual estamos forçosamente convivendo. E ai daquele que ousar contradizer tudo isso, afinal "vox populi, vox dei". Estão aí as redes de TV para assegurar toda essa cretinice sem fim.
Nesses nossos dias, milhares de seres completamente hipnotizados pela mídia eletrônica, já nem sequer olham para seus pares, para um cumprimento, uma conversa amigável, até mesmo com os familiares, que dizer com estranhos! Já caminham totalmente abduzidos às telas dos celulares, coisa até curiosa, que merece um estudo psiquiátrico, pois o indivíduo corre o risco de cair com as manobras dos trens e ônibus, ser assaltado, morrer queimado, uma vez que nada vê, nada ouve, nada-nada.
Filas não são mais respeitadas, observo muito nas Linhas Amarelas do metrô que possuem uma orientação didática que quase chega à perfeição. Há um imenso círculo no chão que exibe a mensagem: Deixe esse espaço para quem sai do trem. O que significa que as laterais são reservadas para a entrada nos vagões. Já se percebem muitos espertalhões que deveriam estar no final da fila a invadirem esse espaço tão bem sinalizado, querendo a qualquer custo, levar vantagem e passar na frente, o chamado "furar fila" numa atitude primata e totalmente insana e irracional. Sem contar com as mazelas desse tipo que ocorrem na linhas azul e outras deste meio de transporte, onde a indelicadeza é tanta, que chega a machucar literalmente muitas pessoas mais fragilizadas. É um tal de querer ocupar vagões direcionados a deficientes, idosos e pessoas com mobilidade reduzida sem direito algum, de modo que vemos diariamente, esses espaços reservados lotados de jovens indecentes, vendendo saúde, mas cancerosos  de educação e boas-maneiras.
Verificamos tudo isso com tristeza ao constatarmos que quem administra esse país, são moleques, adolescentes... Tudo é feito para eles e só para eles... Leis que não valorizam  os mais velhos e sua experiência de vida, ao contrário temos leis que favorecem a delinquência juvenil, pois em tudo há a permissividade, a justificativa para o mal feito. E como isso pode acontecer? Hoje um pai não pode falar um pouco mais alto com seu filho que o está constrangendo, mas e o constrangimento que o menor está submetendo seus responsáveis, não conta? Nas escolas, nos lares, pais estão à mercê de seus filhos, os quais nem educa mais, e sim as instituições que os armazenam como mercadorias e as mídias sociais; professores estão na mão  de crianças que já vêm deseducadas e pela "força de seus hormônios" têm que ser respeitadas, haja vista, à pedagogia do amor, que tem transformado esses jovens em verdadeiras máquinas de destrutivismo e violência.
Ao contrário de países do oriente como o Japão onde se aprendem com os idosos, aqui estes são menosprezados e desvalorizados pelos mais jovens... Existe  ainda algum louco que  acha que esse Brasil, tem solução? 

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A saudade me obriga a escrever nestas páginas solitárias, que tenho visitado com pouca frequência... 



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Sempre elas me visitam ultimamente. As lembranças surgem muitas vezes do nada. Passagens, folhas avulsas registradas no fundo da memória saltam espontaneamente e me fazem voltar no tempo.
Hoje, por exemplo, encontrei-me a visitar grupos de amigos das escolas em que estudei na minha adolescência e com júbilo e um aperto no coração, vejo expostas as fotos de muitas amigas e amigos: cabelos pintados pelo branco do tempo, faces amadurecidas e marcadas pela vivência através dos anos.
Revejo rostos amigos de professores antigos, ainda lutando pela vida, desafiando o presente... Muitos já se foram, e com que tristeza releio estas páginas informatizadas e frias, mas que apesar da imaterialidade, nos aproximam de forma fantástica, encurtando distâncias, formando um elo de convivência que deixa a oportunidade de comunicação, apenas de palavras e fotos virtuais.
Araçatuba, a minha cidade natal, para mim é apenas uma rósea lembrança que jamais voltará a ser o que foi, numa época singular. Mesmo que visite os mesmos locais pelos quais passei, eles nunca serão iguais. Faltam as pessoas, a caracterização no tempo, o momento histórico, a fantasia e romantismo que inebriavam as doces páginas da adolescência enchendo a vida de entusiasmo e prazer.
Ali, naquela rua, era a casa onde passei parte da minha infância e pré-adolescência. Lá, nada mais é semelhante, a rua movimentada, ruidosa nada lembra aquele silêncio que possibilitava ouvir o canto suave dos pássaros. Quase todas as residências foram reformadas. Próximo da esquina, um prédio! Coisa que não existia por ali! Porém, a minha casa, a do 913, ainda sobrevive, milagrosamente resiste ao tempo, as paredes, janelas e portas trocaram de cor, talvez até mais bonitas, entretanto quase não me dizem nada! Onde está o velho chapeleiro de madeira do alpendre? A santinha em seu nicho ao alto? Tenho vontade de chorar ante essas reminiscências tão caras para mim... E no quintal imenso, já não há as velhas árvores frutíferas de dantes. muitas outras casas foram construídas nos fundos, em seu lugar.
Do velho clube que frequentei só ficaram as ruínas: um pedaço da portaria aqui, uma parede do restaurante acolá, restos de pisos cerâmicos da pista de dança mais adiante...
Onde está a velha fonte luminosa da praça central? Foi trocada por outra... E o velho cinema lotado nas noites domingueiras, que servia para o lazer e encontro de amigos, namoradinhos da juventude? Também desapareceu para dar lugar a uma grande rede de loja de eletrodomésticos.
Nas páginas dos facebooks procuro por amigos antigos, encontro muitos deles, será que eles também me buscam? Lembrar-se-ão de mim ou será que apenas eu sinto esse imenso desejo de reencontro?
Quando observo as fotos atuais daqueles com quem convivi, percebo que nada mais existe do que existiu no passado; cada qual seguiu seu rumo, seu caminho; construiu sua história de maneira diversa daquela a qual compartilhávamos no passado...
Temo por aqueles cujos nomes não encontro, estarão ainda vivos? 
A fugacidade da vida é cruel, nada é para sempre, tudo passa, infelizmente...
Vejo nos grupos de internet dos antigos amigos que há planos para reencontro, alguém sempre se esforça para juntar o que se perdeu, unir o que se partiu, recebo com esperança a chegada desse dia, contudo, sei que quando isso acontecer não será como dantes, seremos totalmente estranhos que se reúnem, sem os mesmos propósitos e ideologias, pois fomos transformados pela distância e ausência da convivência diária.
Alguém já me disse: "Feliz daquele que nunca sai de sua terra natal e que nunca perde os elos da sua infância e juventude, que constrói sua vida sempre na mesma cidade, pois aquele que se vai é eternamente um desgraçado; não se adapta mais às antigas origens e nem se satisfaz totalmente no novo lugar que adotou para viver."
Sei que daqui por diante,  as memórias serão cada vez mais numerosas, as lembranças aumentam na mesma proporção em que os anos avançam em nosso velocímetro do tempo. 
Mas, se recordar é viver, isso nos torna para sempre vivos..

domingo, 5 de novembro de 2017

Palavras ao vento...

Li em um comentário do facebook, (não me recordo de quem) que se dizia muito entristecida pelo roubo de vasos cerâmicos e cruzes do túmulo de seu pai no cemitério da sua pequena cidade. Logo abaixo, em outro comentário, houve a afirmação de que em qualquer campo-santo, por menor que seja, as campas estão sendo violadas e seus acessórios furtados. Que coisa mais feia e acintosa. O texto de hoje é sobre esse assunto.



PALAVRAS AO VENTO


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Muitas vezes me questiono como as coisas chegaram ao ponto em que estão. Revendo as provas de português do Enem 2016, li uma questão, cujo texto exaltava fatos inacreditáveis que aconteciam em épocas mais felizes, como: entregas de pão, leite e jornal na porta de residências sem que ninguém mexesse com eles. O autor da matéria do jornal, cujo nome não me recordo agora no momento, usava e abusava da expressão “Você pode não acreditar” com o intuito de sensibilizar o leitor para que colocasse sentido na formação moral do cidadão de outros tempos.
O que havia antes e que se perdeu hoje?
Muitos responsabilizarão a pobreza, a escassez de recursos, problemas sociais como os vilões responsáveis, porém, isto não é verdade.
Pobreza sempre existiu, talvez até de forma mais séria que a atual, entretanto, não havia um estado que fornecia ajuda como hoje em dia. As inúmeras bolsas tudo, os auxílios infinitos que não cabe aqui enumerar, uma vez que são do conhecimento de todos, são realidade. Em muitos casos, fazem com que se banalizem e não sejam valorizados. São fornecidos indistintamente, oneram os cofres públicos, e levam à destruição do espírito de luta para obtê-los.
Os que discordam, certamente não são da minha geração, onde havia pudor, vergonha e hombridade para recusar ajuda. Passava-se necessidade, contudo, nada se pedia, conseguia-se através de luta e trabalho.
Ao contrário, nessa geração, os produtos em grande parte ou são doados ou furtados. Nada se respeita: templos religiosos, cemitérios, hospitais, estabelecimentos públicos, hotéis, escolas, residências. Pessoas perdem a vida que já está banalizada por motivos supérfluos, insignificantes. Há como que uma insanidade que se instalou como doença crônica na mente de cidadãos, (se é que podem ser chamados assim) desprovidos de caráter e respeito ao próximo.
Uma das causas primeiras desta deterioração é a educação dispensada às crianças nos nossos dias: a destruição da família e a chamada da mulher ao mercado de trabalho foram responsáveis pela formação de um caráter duvidoso, frouxo e sem valores dignos, não há ensinamentos e atenção para as crianças, pobres seres relegados a um terceiro plano, lembrando que o caráter se forma até os sete anos de idade. Os estabelecimentos públicos, por sua vez, verdadeiros depósitos de infantes, fornecem apenas o básico, dado a superlotação, carência de funcionários de formação inapropriada. Podemos considerar que do Ensino Infantil ao Ensino Médio a situação é a mesma, a constante rotatividade de funcionários é outro fator negativo a esta educação.
O material didático oferecido já não se revela como bom orientador, não ajuda a formar valores necessários à vida, favorece apenas a uma política de conveniência e subserviência; são livros e livros caríssimos, cheios de textos e exercícios, todavia, vazios de conteúdo, do que realmente deveriam conter... É óbvio que todos são ofertados gratuitamente nas escolas públicas, servindo de material de destruição ou de abandono pelos alunos e até por professores que não veem utilidade naquele amontoado de páginas irrelevantes que nunca são terminados...
Muitas editoras já criticaram a antiga tendência das fábulas de outros tempos, onde havia lições de moral no final de cada uma delas, alertando para a ambição, a cobiça, a falta de amizade entre outros, alegando que o ser humano deve construir suas próprias conclusões... Mas como? Crianças abandonadas às ruas, aos faróis, às creches, terão essa possibilidade?
Outro grave problema diz respeito aos entretenimentos, a literatura, os filmes e a programação de TV oferecida atualmente: nada de bom apresenta, são programas pouco apropriados para idade, não há controle dos pais sobre essa matéria, pois não têm tempo para isso...
Literatura, um verdadeiro capitalismo cultural, de procedência na maioria de outras nações, temas fúteis, massivos e robotizados...
Filmes e jogos de videogames violentos, discordantes da cultura nacional, induzindo à valorização de produtos e costumes internacionais. As maiores estratégias de roubo e crimes estão estampadas nestes tipos de arte...
As religiões...Nunca houve tantas e por todos os lugares, entretanto, tornaram-se em grande parte meio de lucro através da arrecadação de dízimos ou de venda de produtos, deixando a segundo plano  a formação espiritual do ser humano.
E, poderia enumerar mais de mil razões que causaram esse câncer do maucaratismo, da falta de ética, desumanidade, insensibilidade e desamor...

Mas seria inútil, palavras ao vento...


domingo, 8 de outubro de 2017

Todos nós, caros leitores, temos nosso momento de passeios pela memória, assim como nosso querido escritor e poeta Paulo Bonfim, que sempre nos presenteia na rádio Cultura com um episódio de sua vida, revelando momentos únicos e maravilhosos de sua existência. E é na idade mais madura que esses passeios acontecem com mais frequência...






Somos o que vivemos




Lembro-me bem da minha pré-adolescência na pequena casa onde morávamos em Araçatuba, estado de São Paulo, à rua José Bonifácio, 913, Vila Mendonça. Foi a maior aquisição que meus pais fizeram, a compra da casa própria. Recordo-me também dos momentos felizes que ali passamos, os folguedos naquele quintal imenso, repleto de árvores frutíferas altas em que eu e meu irmão brincávamos simulando o mastro de um navio. Hoje, na idade madura, volto a passear por aquela cidade e, em frente à casa onde morei, peço desculpas ao atual morador pela foto tirada sem permissão. Registro que ela continua a mesma, na sua estrutura original, até mais bonita pela decoração de plantas do alpendre e pela cor das paredes, entretanto, o que foi feito do imenso pomar que ali existia não posso avaliar, acredito que não mais deva existir, porque daqui de fora, posso vislumbrar outras residências construídas aos fundos, o que me provoca imensa dor...
Na ocasião da metade de  minha infância e pré-adolescência, ali estive por bons anos. Infelizmente, não foram só alegrias, todos têm seus momentos de tristeza e infortúnio, assim, convivemos com doenças que persistiram até boa parte de nossas vidas... Só Deus pode compreender o que isso significa e além dele, quem já passou por esses pedaços que marcam nossa jornada. 
Lembro-me bem da escola primária que frequentava, a Monsenhor Victor Ribeiro Mazzei; a hora do lanche sempre prazerosa, em que recebia o sanduíche de bauru, quentinho, feito por minha mãe e muitas vezes, entregue pelas mãos de meu pai por cima do muro... As dificuldades financeiras que faziam com que meu pai, viajasse a semana toda, exercendo a profissão de vendedor para dar o sustento à família, assim como do sacrifício de minha mãe, costurando toda a nossa roupa para poupar o dinheiro que não sobrava para estes fins. Sempre à máquina no fazer de uniformes, graças a ela sempre impecáveis: o avental branco pregueado do curso primário, a saia de pregas azul-marinho, a blusa branca do então chamado curso ginasial, sempre muito alva e o cuidado que ela dispensava para que frequentássemos a escola sempre dentro dos padrões exigidos nesta questão. Por vezes, altas horas da noite, encontrava-a com os olhos cansados a bordar bolsos de uniformes com as iniciais da escola, barrados das blusas de educação física, cujo logo eram os arcos dos jogos Olímpicos, quando não confeccionava meus vestidos, casacos, blusas e calças compridas para que pudesse me manter uma pessoa apresentável perante os amigos; enfim, essa mulher valorosa, para mim inigualável, perdeu boa parte de sua idade ainda jovem para se dedicar à seus filhos e marido, muitas vezes esquecendo-se de si mesma, num gesto de altruísmo imensurável. Agradeço-a infinitamente, são coisas inesquecíveis que jamais poderão ser pagas por mais que se tente recompensar esse gesto... Existem pessoas assim, que não se ocupam em conversas inúteis, não desperdiçam seu precioso tempo em fofocas com colegas a cuidar da vida alheia, porém não abandonam sua família e a mantém sustentável perante a sociedade, não importando o tamanho do esforço a ser feito. Hoje vejo em seu rosto cansado e envelhecido, a satisfação pelo dever cumprido, formação dos filhos e o resultado de toda a dedicação.
Não me é compreensível como meus pais conseguiram manter, embora com uma série de privações, o meu estudo de piano, talvez pela adoração que eu demonstrava sem nunca ter tido a oportunidade de possuir esse instrumento, apenas na idade adulta. Como agradeço por isso! Esse era o meu maior sonho, o qual com dificuldade consegui realizar.
São tantos passeios pela memória que seus registros são praticamente impossíveis de serem expostos de uma só vez apenas.
Um fato que marcou e de que até hoje me lembro em especial, foi a mudança para essa nossa casa própria. Todos ocupados a carregar a mudança para o interior da residência enquanto nós, os filhos e os primos, nos encantávamos com todo aquele espaço e com a imensa mamoneira a alguns metros da porta da cozinha, na entrada do quintal que parecia nos convidar a explorá-la. De repente, lá estávamos todos nós, a despeito da proibição de nosso genitores, empoleirados nos galhos daquela árvore, galhos relativamente fracos, e, foi ali mesmo onde estava que um deles se partiu e despenquei de cara no chão a uns quase três metros de altura.
Nunca me esquecerei da sensação que tive naquele momento, de morte, de mal-estar, o rosto e a cabeça dormentes como que acordando de um pesadelo. O braço doendo terrivelmente, pois caíra sobre ele.
Também não me olvidarei jamais da expressão do rosto de meu pai: lívido como um cadáver, correndo até mim, tomando-me nos braços, como sentindo me perder, levando-me para o interior da casa, onde começaram a me fazer mil perguntas a que atordoada ia respondendo, balbuciando entre choro e arrependimento de ter desobedecido as ordens de meus pais. 
Súbito, vi meu pai ir para o quintal e voltar com um punhado de erva-santa maria, também conhecida como mastruz, que socaram em um pilão com sal e me amarraram ao braço, sempre me questionando se melhorara. A última cena gravada em minha memória foi a de meu pai, com o machado nas mãos a decepar a grande e inocente mamoneira, com golpes até violentos pela sua compleição física, persistindo incansável até que ela não mais resistisse e tombasse ao chão. 
Entre lágrimas de tristeza e dor, iniciava-se mais um ciclo em minha vida...

domingo, 24 de setembro de 2017

E o dia da árvore que precedeu a chegada da primavera arrastou-se com luto  e pesar, apesar da beleza das flores...






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Não há como exprimir com precisão os sentimentos que tomam conta da nossa alma perante esse quadro maravilhoso que toma o lugar do cinza da cidade grande...
Foram apenas dois dias ausente do trabalho e essa lacuna foi o suficiente para a aparição exuberante da beleza vegetal, fosse  na cor rosa delicada estampada nas perfumadas flores dos ipês, ou no amarelo vibrante da cascata de acácias que espalham seu tapete colorido pela ruas e calçadas da cidade, os tons multicores das buganvílias que dão nome à estação em que estamos, ou ainda, as maravilhosas azaleias que colorem com classe os ambientes  que adornam...
À espécie humana não há motivos para congratulação , não podemos mais como outrora, comemorar um dia da árvore ou chegada da primavera com a consciência do dever cumprido, num momento em que nos deparamos com toda a sorte de agressão ao meio ambiente gratuitamente oferecida à natureza.
Na mais tenra idade, já podemos visualizar crianças que destroem vegetais que brotam dificilmente sem a proteção e o cuidado necessário que merecem. Adultos que não preservam nem ensinam a preservar, perdidos que estão atrás da coisa mais importante de suas vidas: o dinheiro. Adolescentes que destroem pelo simples prazer de destruir.
Os bons valores não mais se desenvolvem, vemos biomas inteiros morrerem aos poucos nas mãos inescrupulosas que através da serra ou do machado, cumprem sua missão de carrascas impiedosas impelidas pela ganância e lucro insanos. 20% da floresta Amazônica foram devastados, árvores majestosas, imponentes, centenárias, medicinais, frutíferas, cosméticas... Não são valorizadas as suas funções, os objetivos são sórdidos, não se analisam as consequências do estrago, ou a qualidade do  que é tombado.
A indignação toma conta do ser ao constatar que essa degradação contínua  não tem como acabar, toma conta,  quando se verifica a imensa quantidade de medicamentos que poderiam ter sido criados e não foi possível, gerando milhares de mortes; madeira de lei que não existe mais nos lares do nosso país, migrar ilegalmente para outras nações com a maior facilidade. 
Quando o ser humano deformou seu caráter a esse ponto, quando ocorreu esse acesso de mau-caratismo,  transformação de personalidade frouxa, defeituosa e descarada que não preserva nem mesmo a  própria vida? Quanta aniquilação e ruína a sua ação tem causado às espécies vegetais e animais cujas consequências  já o estão atingindo?
Não me é possível o entendimento dessas ações transgressoras seja pelo motivo que for. Já dizia Rosseau: " A natureza nunca nos engana; somos sempre nós que nos enganamos". E como nos enganamos! Quando  essa ação nociva de antipreservação   se tornar consciente, será muito tarde, e o pior é que todos sofreremos, tanto culpados quanto  inocentes ; éticos e antiéticos, egoístas e altruístas, panteístas e inescrupulosos; todos estarão à mercê da vingança da natureza que já começa a delinear suas regras e plano de revanche de cuja ação não poderemos escapar jamais...
Ainda resta um tempo, mas ele não será aproveitado, infelizmente.

terça-feira, 27 de junho de 2017

Estou perdendo a vontade de escrever neste espaço.  Antes, postava semanalmente e, às vezes, diariamente... Hoje, mensalmente e até bimestralmente, se os leitores deste blog observarem...Tudo isso porque é chato demais não poder se expressar livremente, sem ferir a ideologia construída diariamente e que o cidadão comum assimilou...Se não lhe agrada uma opinião diversa, fica até perigoso contradizê-lo; assim, fui escasseando os textos cuja voz foi  morrendo aos poucos na garganta...




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Por quê?

A notícia que invadiu os telejornais no dia de hoje, foi a respeito do motorista que atropelou e machucou vários skatistas no centro de São Paulo.
A primeira pergunta que vem à mente daquele que raciocina de forma amadurecida e coerente é: por que razão as ruas, cuja finalidade sempre foi a de trânsito de veículos e pessoas com objetivos diversos de: locomover-se para o trabalho, passeio, estudo, etc. têm se transformado em palco para inúmeras e cansativas manifestações que não têm mais fim. Por que razão passou-se a fornecer permissão para que turbas de variadas ideologias, agridam a saúde e bem-estar público, perturbem o trânsito já difícil do dia a dia  e o transforme no caos,  no verdadeiro inferno em vida. Esse fato tem perturbado psicologicamente o cidadão que trabalha, que pensa em sustentar sua família e lhe dar uma vida digna, bem como moradores nestas ruas e avenidas que precisam ter um saco de  paciência inesgotável para não enlouquecerem. Por vezes, durante estes tumultos que apenas geram confusão e até a morte, colocam em risco a vida de crianças e idosos, perdemos horas e horas de desespero dentro de um veículo que parece não chegar nunca a um lugar a salvo.
Atualmente, se as pessoas querem cultuar uma crença, têm que vir às ruas. Da mesma forma, se um time de futebol vence um campeonato, é lá que todos vão se digladiar e até se matar. Se há desejo de manifestar diferenças quanto à sexualidade, alegrias carnavalescas, ideologia política, insatisfação por baixos salários, condições econômicas e mil outras situações é a via pública o palco de atuação, de depredação e agressão à sociedade comercial.
É óbvio, pelo que já se conhece da opinião pública, que o que falo fere totalmente a liberdade de expressão, a vontade de contradizer, o direito de ir e vir e fazer o que se quer. Afinal, muitos dirão: "estamos em uma democracia, queremos liberdade".
Porém isto não é liberdade e sim, libertinagem. Felicidade de poucos e insatisfação de uma grande maioria.
Já pararam para pensar que um evento como o de hoje e que gerou o acidente dos skatistas, não havia necessidade alguma de acontecer? Verificaram a primeira versão divulgada pela mídia, omitindo o fato de que o pobre motorista, o qual não transgrediu lei alguma, uma vez que os violadores do horário estipulado foram aqueles que pretendiam se passar de vítimas? Alguém divulgou em primeira mão o fato da agressão ao carro do motorista, que gerou o pânico e fez com que ele tentasse fugir desenfreadamente temendo um provável linchamento, o que  certamente ocorreria se ele tivesse permanecido no local?
Skatistas, grupos teleguiados por sindicalistas e/ou políticos, religiosos,  manifestantes de uma maneira geral, estão deixando de estudar, trabalhar durante horas preciosas que poderiam usar de maneira muito mais aproveitável para o bem comum do que gerar confusão, lixo e agressão ao meio ambiente...
"Ruas, ganhem as ruas!" É o grito de comando... Ninguém é capaz de raciocinar nestes dias horríveis em que estamos vivendo,  que os gritos, palavras e agressões que ocorrem nas ruas voam ao vento e, na verdade, afastam o manifestante dos lugares específicos onde deveria estar expondo pareceres importantes, cobrando atitudes e posturas? 
Por que uma cidade imensa como São Paulo, privilegiada com parques de grande dimensão não utiliza esses espaços para estes fins? Há que acontecerem nas avenidas principais de uma metrópole, para travar todo o trânsito e gerar problemas onde até a polícia tem que deixar seus principais afazeres para dar apoio? Tenha santa paciência! Isso só cabe na cabeça daqueles que gostam de vandalismo, desorganização, baderna mesmo...
Muitos destes esportistas, frequentam escola de forma precária, mais faltam do  que estudam , vivem nas ruas o tempo integral em plena pré-adolescência, aprendendo muito cedo aquilo que não lhes era necessário... Do mesmo modo, há transgressões quanto à poluição sonora, da terra e do ar quando bombas de gás lacrimogênio, de efeito moral e outros, têm que ser arremessadas para conter os que perdem a razão, o controle sobre seus atos.
Não é assim que mudaremos esse país, enganam-se aqueles que pensam que com desordem conseguiremos maiores salários, respeito de governantes, apoio às necessidades de todos, mas sim com se-ri-e-da-de, trabalho de qualidade, esforço conjunto, cooperação e sobretudo: respeito ao próximo, para termos moral para cobrar alguma coisa através de diálogos coerentes, onde fique transparente o poder, a força do nosso trabalho e não contradizendo a tudo que não nos agrada, arbitrariamente! É preciso pensar no bem-comum, mesmo que não nos satisfaça, isso sim, é a verdadeira democracia!
Que o fato que aconteceu no dia de hoje possa servir de exemplo no futuro: manifeste-se a euforia esportista e outras, em parques públicos; expressões de crença e fé nos templos religiosos, os de contrariedade política em reuniões agendadas em câmaras de vereadores e deputados e deixemos as ruas para a finalidade única para a qual foi criada, e teremos a paz tão sonhada e cultuada!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Boa-tarde, leitor. Depois de uma longa data, distante deste cantinho de discussão e desabafo, volto hoje com um tema que vem incomodando muita gente que sabe das coisas...Aí vai:




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Assistir TV, um programa de atrofia cerebral!


Os programas de televisão oferecem ao espectador inteligente, quase sempre, um extenso campo de críticas, principalmente, se tentam forçar alguma ideologia. Muitos canais de TV aberta, bastante populares e massificadores, realizam este trabalho sórdido ao longo de toda uma vida, negociando a alma com o “diabo”, o que lhes rende milhões de dólares sujos, mas que lhes permite acumular um tesouro de bens materiais até o resto das vidas de todas as gerações de suas famílias, que, por sinal, continuam no poder, articulando-se politicamente e conservando seus lugares de destaque, à semelhança da antiga monarquia, cuja coroa passa de pai para filho... E, assim, a vida segue seu curso.
Um horário de TV é caríssimo e, como tal, deveria apresentar a excelência de programação em utilidade pública e educação que é o setor de que a sociedade mais tem carência... Entretanto, o que conseguimos assistir é o ridículo, o óbvio, a repetição de temas irrelevantes como racismo, discriminação, obesidade, pobreza, invasão de privacidade e a famigerada violência, ao lado da corrupção que continuamente é o tema principal... Ah já ia me esquecendo! A vida irrelevante de celebridades e os horríveis reality shows!
Não é preciso ser muito inteligente para chegar à conclusão de que partidos políticos poderosos, internacionais manipulam toda a rede, mantendo os telespectadores presos, indignados, temerosos, à beira de uma doença de Alzheimer, causada pela repetição contínua e cansativa de uma infinidade de telejornais que rezam a mesma ladainha desde que o dia amanhece até o seu final.
A ausência de cursos e programas culturais e educativos de valor é inexplicável num país aonde a Educação vai de mal a pior nas escolas e na mídia de comunicação.
Mídia, obrigatoriamente, jamais poderia ser manipulada politicamente, isso é uma lástima; os próprios jornais assim procedem; não se publicam determinadas matérias que agridam os “donos” daquele determinado jornal ou revista.
Falando claramente e especificamente, há programas sobre sexo que enojam e provocam, até mesmo, um desejo de assexualidade, tal é o nível de indução que querem obter de seus “escravos”.
Literalmente, utilizando de celebridades para realizá-lo, descem o nível do abjeto, do nojento, do sexo sem classe alguma, invadindo privacidades de quem não tem o mínimo de ética e estética, porque o sexo é algo que deve ser sublime e não vulgar, pelo contrário, eles estampam o ser humano como um verdadeiro animal a satisfazer seus instintos bestiais como o mais desclassificado vivente do planeta...
E todos reverenciam, aplaudem, riem de toda aquela balela dirigida a um público que, de muito, nem sabe mais o que ser: se homem, se mulher, se devasso, se imbecil; multiplicadores de uma chusma de mediocridades e desamor inigualáveis.
Não! É preciso reagir, “não se pode sentar”, como já dizia o velho Raul, “no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes” ovacionando um bando de asneiras e idiotices e se sentindo a mais antenada das criaturas! Tenha a santa paciência!